sexta-feira, 21 de junho de 2019

Comentando Ase to Sekken: O plot é esquisito, mas o mangá é legal


Hoje, mais cedo uma colega sugeriu um mangá chamado Ase to Sekken  (あせとせっけん).  Não é um mangá feminino, é um seinen, mas a série tem uma mulher como protagonista e o autor, Kinetsu Yamada, consegue construir bem a condição peculiar da moça e seu relacionamento amoroso.  O resumo da história é o seguinte:

Sempre tentando esconder seu problema.
Yaeshima Maasako é uma office lady que transpira excessivamente e sempre sofreu por causa disso.  Ela trabalha na Lilia Drop, uma empresa que fabrica produtos de maquiagem e banho que são tremendamente populares entre as mulheres. Apesar de não poupar gastos com desodorante em sua rotina diária, um dia Natori Koutarou, do departamento de desenvolvimento de produtos, diz a ela: "Seu odor corporal é maravilhoso! Para desenvolver novos sabonetes, vou sentir seu cheiro todos os dias a partir de agora!" Ela se assusta, mas a ideia perturbadora acaba se concretizando em um relacionamento amoroso que é muito gratificante para ela.

Essa capa #1 nunca iria me fazer ler esse mangá.
Quando olhei a capa do volume #1 de Ase to Sekken fiquei com pé atrás.  "Isso tem cara de pornografia!"  O rosto constrangido da moça, a cara do rapaz, mas, bem, comecei a ler e realmente achei a história interessante.  O poder especial que Natori possui é meio exagerado.  ele consegue discernir odores com grande precisão e os cheiros que Yaeshima exala o deixam fascinado e, em alguns momentos, parecem ter um efeito afrodisíaco sobre ele.

Sim, ele é estranho.
Isso tem função erótica, claro, o mangá tem sexo, inclusive mostra a primeira vez da mocinha e os desdobramentos disso, mas o olfato do moço o ajuda a entender Yaeshima melhor.  E, bem, esse dom consegue impedir um daqueles mal-entendidos clichês da mocinha escondendo o que sente.  Ele percebe a mudança do odor da moça e insiste em  saber o que houve.  Por causa do trabalho, ele esquece de responder as mensagens dele, ela ficou triste, chorou, passou a noite em claro.  Ele percebe os olhos inchados, mas é o cheiro de tristeza dela que o alerta para o fato dela estar mentindo.

Ele aparece do nada e a salva de um chikan.
Falando do problema da protagonista, o que ela tem se chama hiperidrose e pode incomodar muito, causar constrangimentos.  Imagine no Japão, onde as pessoas tem tanto cuidado com limpeza e odores, o quanto isso pode ser complicado.  Ao longo dos nove capítulos que li, é o que está disponível, a mocinha se recorda do quanto sua vida escolar foi ruim, do bullying, da rejeição, da vergonha.  No seu primeiro encontro oficial com Natori, ela se preocupa excessivamente com o que vestir por causa do problema.  

Ele é gentil e a protege.
Apesar dos exageros de um mangá, por exemplo, quando a mocinha fica muito ansiosa depois da sua primeira vez com Natori, ela sua tanto que acaba desidratando e passando mal.  Vai parar na enfermaria.  Questões emocionais podem aumentar a sudorese e mesmo provocar a hiperidrose.  E o legal da história é como o sujeito se comporta de forma gentil e acolhedora com Yaeshima, não é somente interesse, ele não é grosseiro e mesmo quando o mangá retrata o sexo, existe ternura.  

Bullying era uma constante na vida da protagonista.
A mocinha sofre de baixa autoestima e o último capítulo com scanlations mostra o quanto ela se preocupa com a assistente de Natori, uma garota pequena, fofinha e, para Yaeshima, mais interessante que ela.  Natori, que foi supervisor da moça antes dela ser efetivada, a trata como uma irmã mais nova, mas parece que a moça, que se chama Ichise, está apaixonada por ele.  Não sei como o autor vai desenvolver o caso, espero que não vire uma guerrinha entre mulheres.  


A primeira vez da moça é bem satisfatória.
As outras personagens do mangá são a chefe de Natori, uma mulher muito bonita, mas rígida e que se incomoda com as atitudes dele.  Natori é indisciplinado, sabe o estereótipo do gênio?  Pois é.  E o chefe de Yaeshima, que trabalha na contabilidade.  Esse chefe é muito simpático com ela, cuidadoso, não sei, mas não me surpreenderia se ele, ou fosse gay, ou apaixonado por ela.  Apostaria na primeira hipótese.

Rival?
Quando terminamos o capítulo 9, e o mangá tem três volumes publicados, Yaeshima, sentindo-se ameaçada pelo fantasma da assistente de Natori, o convida para entrar em um motel.  Ela gosta de sexo, não há nada até então que aponte para o contrário, mas a iniciativa até então tinha sido dele.  Enfim, é isso.  Não deixa de ser uma variação da história da Cinderela até esse momento.  Uma moça sem atrativos e com uma imensa desvantagem que encontra seu príncipe.  Como histórias com sujeitos abusivos e constrangimentos tem se multiplicado, ler algo como Ase to Sekken acaba sendo uma diversão agradável e um alívio.  Para quem quiser ler o mangá, as scanlations em inglês estão aqui.

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3 pessoas comentaram:

O plot é meio esquisito mesmo, mas adorei o manga. O interessante é que conheci este manga por causa do tweet da Mitsuru Kubo.

Tem muitos mangas que andam flertando com essas coisas digamos mais "esquisitas", beirando o fetiche (Pochamani logo vem à mente).
E muitos poderiam descambar para coisas bem grotescas.
Por isso, é legal ver que a série parece tratar do tema de uma forma mais interessante e até positiva. Espero que continue assim.

O mangá é muito bom, mesmo com um pouco de fetichização

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