terça-feira, 5 de novembro de 2019

Reeditando textos antigos: Comentando o anime de Super Gals!


Como me pediram que eu republicasse textos do meu antigo site, o Shoujo House, eu decidi ir buscar no HD alguma coisa que valesse a pena, sem dar tanto trabalho, para publicar aqui.  Como semana passada foi anunciado que Super Gals! teria continuação, fui buscar a resenha do anime que fiz para o antigo blog.  O texto é de 2002, época de exibição do anime, mas fiz algumas correções.  De qualquer forma, é como desenterrar uma cápsula do tempo, sabe? Peach Girl estava em publicação e nem sonhávamos que a série iria ser cancelada, a DC publicando mangá nos EUA... Enfim, segue a resenha:


Gals! (ギャルス), como a série é mais conhecida, começou a ser publicada em fevereiro de 1999 na revista Ribon, tendo como autora Fuji Mihona, e teve ao todo 10 volumes. Já o anime estreiou no Japão em abril de 2001 e terminou de ser exibido em março de 2002. A série mostra as aventuras de um grupo de três meninas, lideradas por Kotobuki Ran, que têm como maior objetivo na vida estarem sempre na moda, tudo para poderem ser legítimas Gals. 


A moda das Gals estava no auge quando o mangá começou a ser lançado. Mas quem são as Gals? Bem, as Gals são meninas e moças que andam sempre na última moda, descolorem os cabelos, fazem bronzeamento artificial, usam saltos plataforma e unhas super chamativas. As Gals podem ser de diversos tipos, dependendo da sua idade - por exemplo as Kogals são colegiais - ou da cor do cabelo e grau de bronzeamento da pele - Ganguros, Gonguros, Yamadas, etc - pois alguns tipos de Gals buscam se tornar legítimas black American (negras americanas). No entanto, nem todas as meninas são capazes de bancar o estilo de vida de uma Gal. Por exemplo, Ran e suas amigas não podem. É aí que surge um dos ganchos interessantes da história.


Gals! aborda de maneira franca um dos grandes problemas do Japão atual: a prostituição de adolescentes. Prostituição esta que tem como único objetivo conseguir dinheiro para coisas fúteis, como fazer uma sessão de bronzeamento ou comprar a bolsa da moda. A ideia da Gal como prostituta é muito forte, por exemplo, em um mangá que está sendo publicado no Brasil, Peach Girl (ピーチガール). No caso de Gals, a autora se coloca francamente contra esta atitude e através da protagonista, a esquentada e anárquica Ran, uma legítima Gal que entretanto não está disposta a vender seu corpo, discute a questão.


Na história a protagonista "salva" uma colega de escola, Hoshino Aya, que estava em vias de passar de acompanhante a prostituta, se bem que a linha que separa as duas coisas é bem tênue... O que pode parecer no Ocidente um tema chocante para uma revista com público alvo entre 9 e 13 anos, parece fazer parte do dia-a-dia no Japão. Se você assistiu Karekano (彼氏彼女の事情) deve lembrar, por exemplo, da cena na qual Tsubasa Chibahime, que tem quinze anos mas poderia passar por doze, é abordada por um homem de meia idade na rua que lhe faz uma proposta indecente, já entendeu a situação. 


O que se faz, pelo menos no início do mangá e do anime é uma campanha de conscientização a respeito da prostituição de adolescentes entre meninas que mais tarde, aos 14, 15, 16 anos poderão se deixar arrastar para esse tipo de ocupação. Outros temas "pesados" abordados pelo mangá são a violência de gangues - Miyu a doce amiga e quase cunhada de Ran era chefe de uma - e o assédio sexual dentro da escola. Vale lembrar que a questão é abordada sem senso crítico em mangás/animes como Azumanga Daioh (あずまんが大王) que transforma em piada - de muito mal gosto, por sinal - a tara de um professor por meninas de uniforme. Não pense, no entanto, que Gals! é um anime sério ou barra pesada. O tom humorístico predomina em praticamente todos os episódios, sendo uma série muito alto astral e de ação frenética.


Além disso a amizade é outro dos eixos da história, pois independentemente dos problemas e das diferenças de personalidade, Ran, Aya e Miyu se mantém unidas até o fim. As três protagonizam a história e mesmo que Ran seja a personagem de destaque, a personalidade das outras é muito bem desenvolvida. Ran, aliás, tem uma das famílias mais alopradas do mundo dos animes e mangás. lá todos são policiais e querem a todo o custo que a menina avessa a qualquer vestígio de ordem ou disciplina siga, nem que seja à força, a tradição da família. Outro ponto alto da série é a trilha sonora e a abertura ao bem legalzinha. Sem dúvida nenhuma, Gals seria um grande sucesso se exibido na TV brasileira. Isso sem falar do mangá que poderia fazer um belo par com Peach Girl em nossas bancas.


Considero o anime Super Gals! Kotobuki Ran um dos animes mais criativos que já assisti. Infelizmente, só pude assistir 10 episódios até agora, isso porque abandonaram a legendagem da série, já que ela foi licenciada nos EUA. O chato é que apesar de licenciada há mais de um ano somente agora ela começou a ser lançada por lá, mas, como nada é impossível, torço para um dia poder terminar de assistir a série. Agora, uma coisa deve ser dita: a legendagem dessa série deve ser extremamente difícil pois é grande a quantidade de gírias usadas pelas personagens o tempo inteiro, o que complica a adaptação para qualquer outra língua. 


Antes que eu me esqueça, os direitos do mangá de Gals também foram comprados nos EUA pela DC Comics. Parece que a tradicional editora de super-heróis descobriu que mangá de verdade (não as cópias sem vergonhas que a gente vê por aí) podem ajudar a encher os cofrinhos, principalmente quando se vem perdendo mercado nos últimos anos. Outros shoujo que a DC está para lançar é Eroica (エロイカより愛をこめて) que tem resenha na nossa seção de clássicos. No Brasil, Gals está sendo traduzido pelo grupo Shoujo Club que disponibilizou o volume #1, já em inglês é possível encontrar vários volumes traduzidos pelos fãs.

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1 pessoas comentaram:

Queria tanto assistir por aqui!

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