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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Reeditando textos antigos: Seito Shokun! (Atenção, Alunos!), A Importância da Amizade


Já que me pediram, decidi procurar textos do antigo Shoujo House que pudessem via para cá.  Desta vez, uma resenha de um dos shoujo mangá que eu mais lamento não ter sido publicado em nenhuma língua que eu leia.  Também lamento que ninguém tenha se interessado em resenhar o mangá de Yoko Shouji.  Aliás, este ano, a autora finalmente decidiu terminar a saga de Nakki a protagonista de seu principal mangá e de mais duas séries que ela fez depois.  Nakki começa menina e se torna professora, logo ela que infernizava seus professores.  🤣


Seito Shokun! a série original, foi publicado entre 1977-1984 na extinta revista Shōjo Friend, teve um dorama com 28 capítulos (1980-81), que eu nunca consegui encontrar, e mais dois especiais, um animado em 1986, outro live action em 1987.  Entre 2004 e 2011 a autora publicou na revista  Be Love uma continuação do mangá original chamado  Seito Shokun! - Kyoushihen (生徒諸君!・教師編), com 25 volumes.  Em 2011, ela começou outra continuação da série chamada Seito Shokun! - Saishuushou Tabidachi  (生徒諸君! 最終章・旅立ち), ela terminou este ano com 30 volumes.  Acho que a autora vai voltar a visitar a série um dia.  Em 2007, tivemos um outro dorama com a Nakki professora.  Segue o texto antigo e falo de Karekano  (彼氏彼女の事情), mas, na época, a série não tinha terminado ainda.  Certamente, esse texto seria escrito de forma diferente, hoje.


Como agora já tenho quase todo o mangá de Seito Shokun! (生徒諸君!), decidi que chegou a hora de reformar esta resenha. Realmente, eu não podia saber o quão interessante esta série poderia ser. Muita gente louva Karekano por seu trato do dia-a-dia e seu caráter realista, mas não tem idéia da qualidade de obras anteriores e desconhecidas de muita gente. Sou fã de Karekano, mas, sem dúvida, muito mais apaixonada agora por Seito Shokun!, por Nakki e seu grupo de amigos. Agora sei bem porque a amiga que me indicou a obra a ama tanto, sem dúvida é uma grande perda que ela não tenha sido publicada no Ocidente, não tenha produzido uma longuíssima série animada, nem tampouco tenha despertado a atenção dos grupos que fazem scanlations. Mas quem sabe no futuro? Enfim, vamos direto ao assunto:

Considerado um dos grandes shoujo mangás da virada da década de 1970 para os anos 1980, "Seito Shokun!", de Yoko Shouji, é praticamente desconhecido no Ocidente. Já no Japão, é uma obra reconhecida, cultuada e muito amada. O mangá foi publicado na revista Weekly Shoujo Friend entre 1977 e 1984, contando com #24 volumes encadernados, mais um volume gaiden. A edição que estou colecionando é a bunko com 12 volumes. Seito Shokun! é um mangá que fala de amizade acima de tudo. Centrando-se em um grupo de amigos, a autora mostra todas as dificuldades que os adolescentes enfrentam no seu processo de crescimento e amadurecimento, acompanhando-os até a idade adulta. Por isso mesmo, meninas que começaram a ler a obra com a idade do grupo de amigos do mangá cresceram junto com eles, e reconheceram em seus dramas os mesmos que viviam, percebendo na história o quanto as personagens pareciam com pessoas com que elas realmente conviviam em sua vida diária.


Tudo começa quando a protagonista Kitashiro Naoko, ou Nakki, como gosta de ser chamada, chega transferida à escola Satomi. Ela tem 14 anos e morou toda a sua vida no interior com os avós. É desinibida, absolutamente avessa às convenções sociais. No primeiro diz de aula, aparece sem uniforme e finge ser professora, enganando seus colegas de classe. A farsa não dura muito, mas a reação negativa de alguns colegas lhe custa um olho rosto. Mas Nakki, que é simpática, boa nas aulas e nos esportes, quebra o gelo e consegue fazer amigos e monta ao seu redor um grupo de colegas que vira a escola de pernas pro ar e atormenta - no bom sentido, claro - a vida dos professores.

Os amigos que crescem junto com Nakki são: Iwasaki Hajime, amante do basquete, que por ser baixinho, no início da história, é apelidado de "Chibi". É ele quem deixa Nakki com o olho roxo e se torna seu melhor amigo. Com o tempo, se torna o mais alto do grupo e apaixona-se por Nakki e sofre por não ser correspondido. Satsukino Maiko, menina ao mesmo tempo doce e forte, é a pessoa melhor amiga que todos gostariam de ter. Sempre apóia os amigos e é madura e responsável. Apaixonada por Tamura, consegue, depois de muitos volumes, que o rapaz retribua o seu amor. Tamura Ryouchi é o nerd do grupo. Tem como objetivo tornar-se médico e se não fosse seu grupo de amigos, viveria somente para estudar. No ensino médio não frequenta a mesma escola que os amigos, mas isso não faz com que a amizade entre eles se esfrie. Maiko gosta dele, mas o rapaz, no início da história, derrete-se todo pela irmã de Nakki. Konishi Hatsume é a menina meiga, bonitinha e insegura do grupo. Seu grande objetivo é se tornar mãe e esposa perfeita. Apaixonada por Chibi, toma coragem e se declara, mas o garoto a rejeita. Mesmo assim, ela não permite que o ciúme possa azedar a amizade que tem por Nakki. Assim como Tamura, ela faz o ensino médio em uma escola diferente. Apesar de parecer a mais infantil do grupo, acaba se mostrando ter uma personalidade muito forte, depois que sofre uma terrível violência.


Por fim, para fechar o grupo, a autora nos apresenta, Narutoshi Okita. Ele é um aluno que chega transferido de Osaka por causa de uma briga. Ele aparece somente no segundo volume bunko e, por ser uma das personagens mais amadas da série, a autora lhe dedica um gaiden contando a sua vida antes de chegar ao Colégio Satomi. Okita, no início, parece o típico moleque marrento, arrogante e brigão, mas acaba conquistado pelo carisma de Nakki e sendo acolhido pelo seu grupo de amigos. Com o passar do tempo, termina formando um triângulo amoroso com Nakki e Chibi. Só que, bem, o final do rapaz não é muito feliz. Me deu muita tristeza folhear o volume #9, queria que o Okita tivesse um fim "diferente". 

Além, do grupo de amigos, aparecem também familiares, professores e outros colegas. Um deles, um aluno mais velho, Tobishima Shun, acaba balançando o coração de Nakki só que, para seu sofrimento, o rapaz se apaixona por sua irmã gêmea. A menina corresponde ao amor do rapaz, o que deixa Nakki e seu amigo Tamura de coração partido. Falando em Nakki, ela vive um grande drama familiar, pois sua irmã gêmea tem uma grave doença. Seus pais, mesmo muito ricos, optaram por mandar Nakki viver com os avós. Assim, poderiam se dedicar integralmente à filha de saúde frágil e que viveria no máximo até os 20 anos. 


Manter uma filha muito doente e outra totalmente sadia também poderia ser doloroso para as próprias meninas. Só que, por conselho médico, os pais de Nakki decidem trazê-la de volta, acreditando que a presença da irmã poderia ajudar Mariko a viver melhor os seus poucos anos de vida. Por mais injusta que seja a situação, Nakki não culpa os pais nem a irmã, e sempre dá apoio, sentindo-se até um pouco culpada por ser tão saudável enquanto a irmã padece tanto. A morte da irmã será um duro golpe, principalmente para a mãe das meninas que durante algum tempo não aceitará a morte de Mariko, chamando Nakki pelo nome da irmã morta.

Seito Shokun! acompanha bem o crescimento das personagens, e o traço da autora não decepciona neste quesito. O amadurecimento das personagens é bem retratado e ver Chibi ou Nakki no primeiro e no último volume faz grande diferença. A história se fecha com o retorno da tomboy Nakki (*ela não muda nada nesse sentido*)à escola, dessa vez não se fingindo de professora, mas saudando sua classe de verdade com um "Atenção, alunos!" ao entrar na sala de aula. A forma como a autora vai construindo as histórias de seus personagens, aprofundando suas personalidades é um dos pontos altos da série, mesmo dando mais atenção à Nakki, todos têm espaço, inclusive as personagens secundárias. Há drama e humor sempre muito bem equilibrados. A autora não se furta de mostrar também as personagens grávidas e os partos, pois crianças nascem, e o mangá não seria realista sem isso.


O sucesso no Japão foi tanto que Seito Shokun! foi transformado em live action no ano de 1984. Em 1986, Seito Shokun! teve um especial para a TV de 81 minutos produzido pela Toei. Infelizmente, muito pouco tempo para abordar de maneira adequada uma história tão cheia de nuances e eventos relevantes. A The Anime Encyclopedia (CLEMENTS, J., MCCARTHY, H. USA: Stone Bridge, 2001, p. 51) pontua inclusive que a série mereceria o mesmo tratamento de Oniisama E..., que apesar de ter somente 3 volumes rendeu um excelente seriado de 39 episódios. Nada impede entretanto que os japoneses decidam animar novamente Seito Shokun!, afinal, mangás como Ace Wo Nerae!  (エースをねらえ!), Attack Nº1  (アタックNo.1) e Glass Mask (ガラスの仮面) estão recebendo muita atenção nos seus aniversários de 20, 30 ou mais anos. Seito Shokun! está para fazer 30 anos, fora que em 2005 temos 20 anos do fim da publicação.

A autora, Yoko Shoji continua em atividade e pode ter seus mangás apreciados na revista adulta Be Love. É possível encontrar algumas poucas informações sobre suas obras na rede e eu recomendo em especial o italiano Shoujo Manga Outline e o Shoujo Cafè. Este último, que é um site em inglês, além de uma página sobre Seito Shokun!, traz resenha sobre I's, um dos mangás recentes de Yoko Shouji. Meus agradecimentos à amiga Elza Keiko que aguçou minha curiosidade em relação a este mangá tão interessante, o que serviu de incentivo para que eu começasse a colecioná-lo e fizesse essa resenha. Pena que assim como tantos outros mangás importantes, Seito Shokun! provavelmente jamais venha a ser publicado em nosso país, lugar onde o preconceito e/ou a ignorância em relação aos shoujo mangás parece a regra entre as editoras.

SPOILERS:



  • Eu já sabia que Okita morria, mas imaginava que a coisa ocorreria de outra maneira, em uma briga de rua, por exemplo. Talvez tentando defender um dos amigos de um assalto... Enfim, a coisa ocorre de forma bem diferente. okita é praticante de montanhismo e vai escalar junto com um grupo de amigos. Há uma avalanche, e ele fica isolado com um dos companheiros feridos. Ele acomoda o rapaz da melhor forma possível, e tenta buscar socorro. Enquanto isso, Nakki e os amigos de colégio vão apra a região do acidente e torcem para que o resgate aconteça. Só o rapaz ferido é resgatado com vida, Okita morre no meio da neve. E a coisa se dá justo quando Nakki parecia ter se decidido por ele, a moça se desespera ao vê-lo morto.



  • Hatsume é violentada por um estranho quando ia ao encontro dos amigos à noite para comemorar o desempenho esportivo de Nakki e Chibi. É uma parte muito triste do mangá, e a autora carrega nas cores do drama. A recuperação da moça é longa mas se dá de forma surpreendente, já que ela parecia ser a mais frágil de todos. Logo depois do incidente, o irmão mais velho de Chibi - que desde muito era apaixonado pela moça - decide pedi-la em casamento. Com o tempo, e creio eu, depois da formatura, os dois terminam se entendendo e se tornam um dos casais felizes da série. A moça também se torna uma espécie de conselheira das amigas, em especial de Nakki que não se decide entre Okita e Chibi. No volume #10, Hatsume se torna mãe e divide a felicidade com os amigos.
  • terça-feira, 5 de novembro de 2019

    Reeditando textos antigos: Comentando o anime de Super Gals!


    Como me pediram que eu republicasse textos do meu antigo site, o Shoujo House, eu decidi ir buscar no HD alguma coisa que valesse a pena, sem dar tanto trabalho, para publicar aqui.  Como semana passada foi anunciado que Super Gals! teria continuação, fui buscar a resenha do anime que fiz para o antigo blog.  O texto é de 2002, época de exibição do anime, mas fiz algumas correções.  De qualquer forma, é como desenterrar uma cápsula do tempo, sabe? Peach Girl estava em publicação e nem sonhávamos que a série iria ser cancelada, a DC publicando mangá nos EUA... Enfim, segue a resenha:


    Gals! (ギャルス), como a série é mais conhecida, começou a ser publicada em fevereiro de 1999 na revista Ribon, tendo como autora Fuji Mihona, e teve ao todo 10 volumes. Já o anime estreiou no Japão em abril de 2001 e terminou de ser exibido em março de 2002. A série mostra as aventuras de um grupo de três meninas, lideradas por Kotobuki Ran, que têm como maior objetivo na vida estarem sempre na moda, tudo para poderem ser legítimas Gals. 


    A moda das Gals estava no auge quando o mangá começou a ser lançado. Mas quem são as Gals? Bem, as Gals são meninas e moças que andam sempre na última moda, descolorem os cabelos, fazem bronzeamento artificial, usam saltos plataforma e unhas super chamativas. As Gals podem ser de diversos tipos, dependendo da sua idade - por exemplo as Kogals são colegiais - ou da cor do cabelo e grau de bronzeamento da pele - Ganguros, Gonguros, Yamadas, etc - pois alguns tipos de Gals buscam se tornar legítimas black American (negras americanas). No entanto, nem todas as meninas são capazes de bancar o estilo de vida de uma Gal. Por exemplo, Ran e suas amigas não podem. É aí que surge um dos ganchos interessantes da história.


    Gals! aborda de maneira franca um dos grandes problemas do Japão atual: a prostituição de adolescentes. Prostituição esta que tem como único objetivo conseguir dinheiro para coisas fúteis, como fazer uma sessão de bronzeamento ou comprar a bolsa da moda. A ideia da Gal como prostituta é muito forte, por exemplo, em um mangá que está sendo publicado no Brasil, Peach Girl (ピーチガール). No caso de Gals, a autora se coloca francamente contra esta atitude e através da protagonista, a esquentada e anárquica Ran, uma legítima Gal que entretanto não está disposta a vender seu corpo, discute a questão.


    Na história a protagonista "salva" uma colega de escola, Hoshino Aya, que estava em vias de passar de acompanhante a prostituta, se bem que a linha que separa as duas coisas é bem tênue... O que pode parecer no Ocidente um tema chocante para uma revista com público alvo entre 9 e 13 anos, parece fazer parte do dia-a-dia no Japão. Se você assistiu Karekano (彼氏彼女の事情) deve lembrar, por exemplo, da cena na qual Tsubasa Chibahime, que tem quinze anos mas poderia passar por doze, é abordada por um homem de meia idade na rua que lhe faz uma proposta indecente, já entendeu a situação. 


    O que se faz, pelo menos no início do mangá e do anime é uma campanha de conscientização a respeito da prostituição de adolescentes entre meninas que mais tarde, aos 14, 15, 16 anos poderão se deixar arrastar para esse tipo de ocupação. Outros temas "pesados" abordados pelo mangá são a violência de gangues - Miyu a doce amiga e quase cunhada de Ran era chefe de uma - e o assédio sexual dentro da escola. Vale lembrar que a questão é abordada sem senso crítico em mangás/animes como Azumanga Daioh (あずまんが大王) que transforma em piada - de muito mal gosto, por sinal - a tara de um professor por meninas de uniforme. Não pense, no entanto, que Gals! é um anime sério ou barra pesada. O tom humorístico predomina em praticamente todos os episódios, sendo uma série muito alto astral e de ação frenética.


    Além disso a amizade é outro dos eixos da história, pois independentemente dos problemas e das diferenças de personalidade, Ran, Aya e Miyu se mantém unidas até o fim. As três protagonizam a história e mesmo que Ran seja a personagem de destaque, a personalidade das outras é muito bem desenvolvida. Ran, aliás, tem uma das famílias mais alopradas do mundo dos animes e mangás. lá todos são policiais e querem a todo o custo que a menina avessa a qualquer vestígio de ordem ou disciplina siga, nem que seja à força, a tradição da família. Outro ponto alto da série é a trilha sonora e a abertura ao bem legalzinha. Sem dúvida nenhuma, Gals seria um grande sucesso se exibido na TV brasileira. Isso sem falar do mangá que poderia fazer um belo par com Peach Girl em nossas bancas.


    Considero o anime Super Gals! Kotobuki Ran um dos animes mais criativos que já assisti. Infelizmente, só pude assistir 10 episódios até agora, isso porque abandonaram a legendagem da série, já que ela foi licenciada nos EUA. O chato é que apesar de licenciada há mais de um ano somente agora ela começou a ser lançada por lá, mas, como nada é impossível, torço para um dia poder terminar de assistir a série. Agora, uma coisa deve ser dita: a legendagem dessa série deve ser extremamente difícil pois é grande a quantidade de gírias usadas pelas personagens o tempo inteiro, o que complica a adaptação para qualquer outra língua. 


    Antes que eu me esqueça, os direitos do mangá de Gals também foram comprados nos EUA pela DC Comics. Parece que a tradicional editora de super-heróis descobriu que mangá de verdade (não as cópias sem vergonhas que a gente vê por aí) podem ajudar a encher os cofrinhos, principalmente quando se vem perdendo mercado nos últimos anos. Outros shoujo que a DC está para lançar é Eroica (エロイカより愛をこめて) que tem resenha na nossa seção de clássicos. No Brasil, Gals está sendo traduzido pelo grupo Shoujo Club que disponibilizou o volume #1, já em inglês é possível encontrar vários volumes traduzidos pelos fãs.

    quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

    Susto: O Shoujo House continua no ar!


    O primeiro site que eu tive, foi criado em 2001, acho, se chamava Shoujo House.  Ele tinha resenhas e um monte de outras coisas.  Houve quem me conheceu naquela época.   Só que ele morreu faz tempo, ou, assim eu acreditava.  Na verdade, pelo menos parte dele está on line em estado fantasma.  Estava buscando algo sobre Ace Wo Nerae e cheguei na minha resenha sobre a série.  Que susto!!!!  Enfim, se você clicar em avançar, irá de clássico em clássico até, bem, chegar sei lá onde.  Se quiser ler minha seção sobre A Rosa de Versalhes, uma das coisas mais detalhadas que eu já produzi, está aqui.  A parte de Shoujo Kakumei Utena está aqui.  A entrada do site está no ar, a última atualização foi em 2007.  Então, perdoem as imperfeições, porque faz quase dez anos que não o visito.

    segunda-feira, 23 de março de 2015

    DEZ ANOS DE SHOUJO CAFÉ


    Sim, o blog já tem 10 anos.  Quem diria?  Ele foi criado sem muitas pretensões, eram textos rápidos, sem imagens, traduções de notícias oriundas de sites estrangeiros, como o Shoujo Manga Outline.  Para se ter uma idéia, o primeiro post de verdade do blog foi sobre o anime de Paradise Kiss e até a minha gravidez acredito que consegui fazer pelo menos um post por dia.  Era questão de honra, mas, agora, não é mais possível.  Qualquer planejamento em relação ao blog pode ser frustrado por uma doença da Júlia ou algum problema de trabalho.  Eis a realidade da semana passada.

    Como o Shoujo Café começou?  Bem, eu tinha um site antigo, acho que desde 2000, 2001, chamado Shoujo House.  Publicava resenhas e outras coisas mais. Participava ativamente de algumas listas de discussão, a maior delas a Anime-BR e, por causa da hostilidade com os fãs de shoujo, criei a Tomodachi no Shoujo (*deveria ser Shoujo no Tomodachi, mas analfabetismo em japonês era maior do que agora*).  Lá um colega (*que disse uma vez que nunca seria publicado Sailor Moon no Brasil e que se eu quisesse ver o mangá aqui tinha que criar minha própria editora e licenciá-lo, porque era velho, mal desenhado e seria um fracasso*) sugeriu que eu abrisse um blog para publicar as notícias que postava para a lista.  Deu preguiça, argumentei que não tinha tempo para fazer traduções, mas terminei abrindo o Shoujo Café e ele foi crescendo...


    Acredito que o auge do blog foi na época do Shoujocast, nome dado pelo amigo Anderson, que espero sinceramente ver de volta um dia.  Nem n época que escrevia para a Neo Tokyo e o Anime-Pró tinha tanta circulação e boa recepção.  Conheci gente muito legal, a visitação aumentou muito, fora que conversava mais com a Lina, a Tanko e a Tabby.  Também, fez diferença publicar resenhas de seriados, filmes, livros.  Há gente que vem ao Shoujo Café para ler sobre isso e, não, sobre anime e mangá.  Textos de opinião ou feministas atraem muita gente, também.  Queria poder escrever mais, mas faço o que posso dentro das minhas condições de produção.

    Talvez seja interessante registrar que o post com maior visitação do blog seja o sobre o filme Oya: Rise of the Orisha (Oya: A Ascensão dos Orixás).  Viralizou de tal forma que cheguei a ter mais de 100 mil visitas em um dia... A média é de 2500, acredito.  O segundo post mais visitado foi minha pequena e ridícula incursão pelo bara mangá com o título ridículo de Mangá para Macho que Gosta de Macho.  Difícil de entender, eu sei... Aliás, os caminhos que trazem as pessoas até aqui são bem misteriosos.


    De resto, acredito que momento mais tenso desses anos todos, acredito, foi meu arranca rabo com as lolitas (*1 round aqui*).  Olhando em retrospectiva, acredito que poderia ter lidado melhor com as primeiras críticas e evitado parte do desgaste.  Isso não me faz relevar as agressões e a perseguição – algumas criaturas ficaram na minha sombra por meses – no entanto, um pouco menos de arrogância da minha parteno primeiro contato, poderia ter transformado a crise em possibilidade de aprendizado.

    O blog já foi mais animado, considerado (*recebi em primeira mão a notícia de Paradise Kiss pela Conrad e de Fruits Basket pela JBC*) e até trollado  (*Saudades do Murinho da Vergonha!*).  Como os comentários não são abertos, meus trolls foram sumindo.  Acho que parte do ódio tenha vindo do fato de escrever para o Anime- Pró e para a Neo Tokyo, como larguei, eles acabaram arrumando o que fazer.  Quanto às notícias, ainda que considere o meu site o mais importante do seu nicho – shoujo mangá – há grandes portais, há sites com mais visibilidade e melhor conduzidos, enfim, o Shoujo Café é trabalho de uma pessoa só que nem a template do blog conseguiu mudar para o aniversário...


    A graça é que em dez anos de Shoujo Café, o mercado de shoujo no Brasil pouco andou e o de anime recuou ainda mais... Sailor Moon, Honey e Clover, Kimi ni Todoke, Sunadokei, Shoujo Kakumei Utena, Fruits Basket, Vitamin são coisas muito boas, mas tivemos Peach Girl e Otomen sendo muito maltratados, temos um preconceito resistente contra os mangás femininos, o medo bobo de usar os rótulos... Ainda há quem venha discutir se Chobits é shoujo, porque tem romance... Enfim, há tanto caminho a percorrer ainda.  E há a crise econômica que coloca nuvens escuras no horizonte... 

    Enfim, aprendi muito fazendo o Shoujo Café e continuo aprendendo.  Como já escrevi antes, se um dia acreditar que o site perdeu a sua relevância, eu o fecharei.  Como sei da importância do Shoujo Café, nem que seja por sua ótica feminista, ele fica.  Fora, claro, que me dá muito prazer escrever aqui.  Queria poder ter mais guestposts e colaboradores, queria um visual melhor, queria muita coisa, mas faço o que este dentro das minhas possibilidades.  Obrigada por me visitarem, pararem para um café.  Obrigada pelo carinho.  Sem vocês, fazer o Shoujo Café não teria a mesma graça.

    [P.S.: Mais tarde, se for possível, posto mais alguma coisa... Tenho as homenagens recebidas e uns presentinhos para sortear.]

    terça-feira, 10 de abril de 2012

    Reeditando Textos antigos: Candy Candy (Toei. 115 episódios. 1976.)



    O meu antigo site, Shoujo House está fora do ar. Não sei se definitivamente, ou não. Então, decidi trazer para cá algumas resenhas que estavam no antigo site. Material que gostaria que continuasse no ar. Fiz algumas poucas reformas no texto e decidi começar com a resenha do anime de Candy Candy (キャンディ・キャンディ). Espero que vocês gostem.


    Candy Candy, a série de tv foi exibida ente 01 de outubro de 1976 e 02 de fevereiro de 1979. O anime é baseada no famoso mangá homônimo publicado em 9 volumes na revista Nakayoshi , entre 1975 e 1979. As autoras Yumiko Igarashi (desenhos) e Kyoko Mizuki (roteiro), até hoje, estão em disputa judicial pelos direitos da série. Segundo Mizuki, Yumiko Igarashi ficou com a maioria dos lucros da série (fama, produtos licenciados) e a criadora da personagem, a roteirista, busca ressarcimento. Essa situação tem prejudicado o licenciamento da série e a republicação do mangá. Candy Candy foi um sucesso em todos os países em que foi exibido (*meus colegas de escola em 1983 que o digam*), e até hoje tem fãs ardorosos em todos os continentes. Até hoje é ainda exibida (ilegalmente) em alguns países. Se você não acredita, até porque muita gente acha que somente o anime da moda tem vez, faça uma rápida busca na net e toneladas de sites, alguns muito bons, vão aparecer.

    A série passou por aqui no início dos anos 80, na antiga TV Record (*bem antes de ser comprada pelo Bispo Macedo*). Seu horário nunca foi fixo, sendo exibido de manhã ou à tarde dependendo da vontade da emissora. A mudança constante de horário de exibição me prejudicou muitas vezes, quando passavam de manhã, eu estava na escola, se passavam às 6 da tarde minha mãe queria ver novela e só tínhamos uma TV na época. Outra questão importante é o fato de no Brasil só termos assistido poucos capítulos da série, acho que 27, tanto que até entrar na net eu nem sabia que Candy Candy era uma história tão longa e com tantas reviravoltas. Aqui nós nunca chegamos sequer a conhecer Terry, o segundo grande amor de Candy, e personagem favorito de boa parte dos fãs de Candy, ou ver a heroína se tornando enfermeira e cuidando de Albert que havia sido ferido na guerra.

    ***MAS E A HISTÓRIA?*** (COM SPOILERS!!!)

    Candy Candy se passa no estado americano do Michigan (***Veja bem, tudo na visão bem estilizada dos japoneses) às vésperas da I Guerra Mundial. Candy White é uma menina abandonada quando bebê na porta de um orfanato, o Lar de Pônei. Junto com ela havia outro bebê, de nome Amy, e as duas se tornam grandes amigas. Ambas querem permanecer sempre juntas no orfanato e Candy com suas molecagens faz de tudo para não ser adotada. Quando fazem 10 anos um senhor rico se interessa por adotar Candy. A esposa do homem, no entanto, fica chocada com o comportamento de Candy, assim, apesar das preferências do marido, a rejeita. Mas aí ela vê Amy, tímida e comportada. A menina acaba recebendo a proposta de adoção...

    Mesmo tendo sido a causa do mau comportamento de Candy, a menina trai a amiga e deixa o Lar de Poney. Tudo o que ela queria era uma família, enquanto Candy desejava acima de tudo ficar com sua amiga. A menina fica muito triste mas perdoa a amiga, só que a mãe adotiva de Amy, temendo comentários de seus amigos ricos, proíbe que a menina escreva para Candy ou qualquer um do orfanato para salvar as aparências. Candy fica arrasada e sai chorando pela noite no meio de uma nevasca, no seu caminho aparece um belo rapaz louro, vestido com roupas escocesas que a anima e lhe dá um guizo com um brasão de família. A menina passa a chamá-lo de "O Príncipe da Colina" e decide que quer ser adotada por aquela família.

    Assim, quando aparece a família Legan, cujo brasão era muito semelhante, Candy acha que seu príncipe mandou buscá-la e acaba aceitando ir com eles. Na casa da família Legan, descobre que se enganou e acaba tendo uma péssima surpresa, pois as duas crianças da casa, Elisa e Neil, a rejeitam e maltratam e como o Senhor Legan, que é bondoso com ela, quase nunca está acaba sendo transformada em criada. (***No mangá ela nunca iria ser adotada mesmo, tinha sido mandada para a casa dos Legan para ser dama de companhia de Elisa.) As armações de Elisa e as covardias de Neal (***Ele sempre tenta bater em Candy e como apanha, corre para debaixo da saia da mãe**), tornam sua vida um inferno.

    Candy poderia voltar para o Lar de Poney, só que prefere ficar, pois havia se apaixonando pelo menino da casa ao lado, e primo de seus inimigos (***e amor de Elisa***), Anthony. Ele é idêntico ao seu "Príncipe da Colina" e o brasão de sua família é o mesmo do guizo que a menina ganhou. Só que o rapaz diz não saber de nada da história que ela conta. Mas tanto Anthony, quanto seus primos Stear e Archie, se tornam seus amigos e, é claro, se apaixonam por ela. Os três rapazes são muito diferentes entre si: Stear, o meis velho, é inventor e muito jovial, estando sempre pronto para qualquer travessura; Archie é todo certinho, sempre arrumado, bem almofadinha e até um pouco afetado; já Anthony é gentil, sensível e cultiva um imenso jardim de rosas. Com o apoio dos amigos, Candy nunca esmorece, apesar do sofrimento, e, para sua surpresa (***E ódio de Elisa***), acaba sendo adotada pela família de seu amado, indo morar pertinho dele. Só esclarecendo: o patriarca da família Andrey, Tio William, nunca aparece, mas sempre sabe de tudo, e, de longe, parece ter simpatizado com Candy.

    Bem, mas como a vida de Candy é um mar de lágrimas, a tragédia espreitava atrás da porta... Candy nunca é aceita pela Tia-avó Elroy que cuida dos três meninos e passa a ser responsável, também, pela sua educação. Fora isso, Anthony morre devido a uma queda do cavalo e a menina cai em depressão profunda. Para tentar se restabelecer, Candy foge para o Lar de Poney. Lá ela acredita que, mesmo nunca esquecendo Anthony, poderá prosseguir sua vida sem ele. Por ordem do Sr. Andrey, Candy vai estudar na Inglaterra. Na travessia, reencontra um velho amigo, Albert (***Esse personagem barbudo, embora não apareça muito, sempre ajuda Candy em momentos de perigo.) e conhece um rapaz chamado Terence, ou Terry para os íntimos. Filho bastardo de uma atriz americana e de um nobre inglês, ele também vai estudar no mesmo colégio de Candy.

    Por uma daquelas coincidências que só acontecem na ficção, no Colégio São Paulo (***Todos os americanos da série são Católicos, pois esse é o único referencial de Cristianismo que os japoneses parecem ter.), Candy reencontra todos os seus amigos e inimigos: Elisa, Neil, Archie, Stear, Amy. Conhece também Patty que, apesar das intrigas de Elisa para que Candy seja rejeitada, se torna sua amiga. Apesar da resistência de Candy, que se recusa a esquecer Anthony, ela e Terry se apaixonam. O rapaz consegue inclusive curar o medo de cavalos que a moça tinha adquirido por causa do acidente de Anthony (***Ele caiu do cavalo e quebrou o pescoço.). Só que ambos, ele por ser bastardo, ela por ser órfã, têm sérios problemas para serem aceitos em um ambiente tão conservador. Terry, aliás, nem tem muita vontade de ser aceito mesmo. Terry também desperta o ciúme de um dos amigos de Candy, Archie, que é apaixonado pela moça... Para piorar, a amiga sonsa de Candy, Amy está apaixonada por Archie e inconscientemente culpa Candy pela rejeição... No final, com ajuda de Candy, tudo se acerta e dois casais se formam: Amy e Archie, Stear e Patty. Depois de muitas armações de Elisa, Candy e Terry acabam sendo pegos juntos... para não prejudicar a moça, Terry assume toda a culpa e é expulso do colégio. Candy não suporta a situação e foge da escola.


    Não é muito fácil para Candy, então com quinze anos, voltar para os Estados Unidos. Quando consegue finalmente chegar ao Lar de Pony, todos se espantam e ela fica sabendo que Terry, o motivo da sua fuga, tinha ido a sua procura e acabara de ir embora. O rapaz continua pensando que ela ainda está na Inglaterra. Triste, Candy reflete sobre sua vida e, depois do inverno, decide se tornar enfermeira. O ano é 1914, e Candy começa a estudar enfermagem, sendo depois enviada para se aperfeiçoar em Chicago. Como a guerra se aproxima, os amigos de Candy voltam para a América e eles se reencontram. Candy e Terry continuam tentando se encontrar, mas o destino conspira contra eles. Já que o trabalho de Candy no hospital, as colegas enfermeiras que não a ajudam em nada, Elisa, e, agora, Susanah, a atriz apaixonada por Terry fazem de tudo para atrapalhá-los. Para se ter uma idéia, quando a Companhia de teatro do rapaz passa por Chicago, os dois não conseguem se encontrar e só se vêem de longe, quando o trem do rapaz já tinha partido. Candy reencontra Albert desmemoriado no hospital onde trabalha e passa a cuidar dele.

    Candy recebe um convite de Terry para assistir sua peça em Nova York. Lá Candy é recebida por um Terry abatido e distante. Candy não sabe o motivo, até que ouve comentários sobre o acidente de Susanna Marlowe. O detalhe sinistro é que a moça havia perdido uma perna porque salvara Terry de um acidente. Agora, mãe estava pressionando Terry para que ele pagasse a dívida e se casasse com sua filha. Susanah extremamente abalada, também pressiona Terry. E Candy acaba impedindo que a moça se suicide... Para o bem de Susanah, sabendo que a consciência de Terry nunca ficaria tranqüila se ele ficasse abandonasse a jovem atriz, Candy abre a mão dele. Terry termina cedendo. Já Candy volta para Chicago com o coração partido...

    De volta ao hospital, Candy tem Albert como companhia. Como o rapaz não podia mas ficar no hospital, Candy o leva para morar com ela em sua pensão, mentindo que ele é seu irmão. Albert que já havia recuperado sua memória, está completamente apaixonado pela jovem. Nesse interim, Neal, que havia se descoberto apaixonado por Candy, decide "conquistá-la" e descobre que ela mora com Albert. Como Candy rejeita o mala sem alça, que tenta inclusive se passar por Terry e agarrá-la a força, Neal vai até o hospital onde a moça trabalha e conta para o diretor que uma de suas enfermeiras vive em concubinato com um homem que tinha sido ex-paciente do hospital. Difamada (***Lembrem-se que estamos no início do século XX***), Candy perde o emprego e não consegue trabalho em nenhum hospital da cidade. Um pouco antes desses últimos acontecimentos, Stear, primo de Anthony, tinha ido lutar na I Guerra como aviador. Só que a tristeza acaba caindo sobre todos quando recebem a notícia da de que ele teria morrido. Patty, sua noiva, fica inconsolável e se recusa a acreditar que o rapaz morreu, já que não receberam nenhum corpo... O funeral simbólico do rapaz é um dos momentos mais tristes do final da série.

    O fim da história se aproxima: Amy está noiva de Archie; Neal decide Candy tem que se casar com ele; Albert tem uma conversa série com Terry e ambos desaparecem... Depois dos funerais de Stear, a Tia-avó Elroy culpa Candy pela morte de Anthony e Stear, dizendo que ela trouxe azar para a família. Pouco depois, a mesma senhora (***ela sempre detestou Candy***) exige que a menina se case com Neal e diz que são ordens do patriarca da família, Tio William. Ela se recusa e finalmente conhece patriarca dos Audrey que não é nenhum outro senão o próprio Albert, que não é nenhum outro senão o "Príncipe da Colina". O rapaz, que é irmão da mãe de Anthony, explica sua situação dizendo que era jovem demais quando se tornou chefe da família Audrey, e, por isso, manteve sua identidade escondida mesmo de alguns parentes. Agora, revelado o segredo ele abre para Candy o seu coração...

    ***CURIOSIDADES***

    Com certeza, esta série foi o shoujo mais lacrimogêneo que já passou em nosso país, a ponto de muitos brincarem dizendo se tratar de uma grande novela mexicana. Infelizmente, além de não termos assistido nem um terço dos episódios, nunca tivemos a chance de ler o mangá (***que é um pouco diferente***). Mesmo não sendo exibida por completo, a série de tv é um dos animes antigos mais amados e lembrados no Brasil.

    O final com Candy e Terry separados foi frustrante para muitos fãs e existem vários sites que apresentam finais alternativos para o seriado. Essa questão na Itália, lugar onde Candy Candy foi um marco, foi levada tão à sério que houve uma continuação feita no país. Houve quadrinhos, desenhados por italianos, mostrando o reencontro de Terry com Candy e mesmo um "último episódio" montado com partes da série e dublado para mostrar o final feliz dos dois.

    Candy Candy tem um character design muito bonito, sendo uma das grandes obras de Yumiko Igarashi. Como característica marcante, mantida também no anime, temos os pés das crianças e mulheres que parecem toquinhos. Um dos pontos fracos do traço da autora, superado em obras posteriores como Paros no Ken, é a dificuldade em mostrar o amadurecimento das personagens. Candy, Annie, Stear, Elisa e cia mantém-se praticamente com a mesma aparência durante todo o mangá. As meninas, principalmente, tem um ar muito infantil, o que pode ser kawaii, é verdade, mas também pode tirar impacto dramático em determinados momentos.


    O anime e o mangá têm algumas diferenças. Como a série de tv era semanal foram inseridos vários acontecimentos para que não houvesse grande dianteira em relação ao quadrinho. Assim, alguns dos episódios mais bobinhos estão presentes somente no anime. Existem personagens que também não se encontram nas duas versões, estando ou só no anime, ou só no mangá. Quanto a aparência, a grande diferença foi na personagem Annie que no mangá é loura e no anime é morena. No OVA de 1992, a cor dos cabelos de Annie é a mesma do mangá.

    ***COMO CONSEGUIR A SÉRIE***

    Espero que um dia a série ainda possa ser reprisada em nosso país, mas sei que a possibilidade é muito remota. Como Candy Candy não passou nos EUA, e existe um interesse crescente por animes antigos entre os fãs americanos, talvez a série se torne alvo de algum fansuber de lá. Isso, aliás, não é difícil, pois o OVA de 1992 foi legendado e está disponível para download na internet. Mas existem ainda outras formas de conseguir a série dublada em italiano, francês ou espanhol, pois alguns fãs (***poucos, muito poucos***) disponibilizam episódios na internet, fora isso, muitos fãs vendem a série no E-Bay por preços realmente absurdos. O mangá, assim como a série de tv não pode ser licenciado, mas foi traduzido pelos fãs. Espero que assim como Ace Wo Nerae, A Rosa de Versalhes e Oniisama E, eu ainda possa assistir e ler Candy Candy por completo. Esta é uma série obrigatória e merecia ter tido melhor tratamento em nosso país. É um sonho, mas como sempre, os sonhos de hoje podem se tornar realidades amanhã!

    quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

    Úlima Atualização da Atualização



    Terminada a atualização na seção de Shoujo Mangá no Brasil da minha página, a Shoujo House, com a resenha de Angel Sanctuary. As editoras lançam tão poucos shoujos por aqui que é fácil concluir. Agora falta tomar coragem e reformar a de anime com Mirumo De Pon e Ashita no Nadja.

    quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

    Atualização Shoujo House


    Beniiro Hero
    Fiz uma atualização de verdade no meu site, o Shoujo House, depois de um bom tempo. Na seção de Mangás que eu gostaria de ver no Brasil temos agora Maria-sama ga Miteru (reforma geral no texto) e Beniiro Hero. Na seção de Shoujo Mangá no Brasil, fiz resenha de 1945 e Colégio Feminino Bijinzaka. E Paradise Kiss foi transferido para esta seção, também. Há partes do site que precisam de reforma urgente, mas não sei quando terei tempo para fazer. Talvez no Carnaval mude mais alguma coisa, em todo caso, fazia tempo qeu não colocava tanta coisa nova. ^_^