terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Moyoco Anno fala da importância de Haikara-san ga Tooru na sua vida


O Luiz me deu este belo presente de Natal, a tradução de um texto de Moyoco Anno comentando a importância de Haikara-san ga Tooru (はいからさんが通る) em sua vida. O artigo é um extra da reedição do mangá, assim como a conversa entre Waki Yamato (*autora do mangá*) e Ryouko Yamgishi.

Agradeço muito ao Luiz por mais essa gentileza, inclusive por me dar uns toques quando cometo algum erro de tradução em algum post.  Enfim, este post é a melhor forma de terminar 2019. E, antes do fim, se alguém tiver visto o torrente do segundo filme de Haikara-san, por favor, me avise.  Para quem quem quiser ler a resenha da primeira parte, está aqui.




Explicação Especial

A Haikara-san macrocósmica - Moyoko Anno

Talvez isso ainda aconteça, mas na época em que eu estava no primário, às vezes eram distribuídos como brinde shitajikis grossos nas livrarias (N. T. shitajiki é uma espécie de cartão de plástico - ou outro material - para colocar debaixo de um papel de escrever para apoio).  Havia ocasiões em que eu não tinha idéia de qual era o mangá desenhado, mas, sendo essa criança apaixonada por quadrinhos que eu era, só de ter um desenho de mangá nelas eu já ficava feliz.

Então um dia, o tio de uma loja disse que me daria um desses materiais extras e o colocou na sacola de mangás que eu havia acabado de comprar.  A imagem era a de Benio usando um hakama com um guarda-chuva aberto, tendo como fundo o macrocosmo. Era a ilustração do shitajiki.


Shinobu Ijuin é o "segundo tenente", o noivo de Benio.
Eu fiquei como que flutuando de felicidade.  Foi a primeira vez na minha vida que fiquei tão feliz por receber um brinde. Eu voltei para casa dançando e tirei da sacola da loja o shitajiki. Esquecendo-me até mesmo de ler os mangás que havia comprado, aproximei o meu rosto com grande vigor dele e fiquei contemplando-o sem enjoar.

Se pensamos em séries que têm o macrocosmo como pano de fundo, estamos acostumados a ver isso em mangás como Galaxy Express 999 ou Space Pirate Captain Harlock. Mas como não havia muito isso em mangás shoujo, fiquei me perguntando porque haveria essa imagem do universo, já que não era um mangá de ficção científica. Embora tivesse essa dúvida, cheguei à conclusão de que alguém como Benio conseguiria viajar pelo universo, assim como Tetsurou (N. T.: Personagem de Galaxy Express 999).

No macrocosmo de Haikara-san ga Tooru, havia uma escuridão profunda dentro do azul ultramarino. Ainda assim, era belo e leve como é típico dos mangás shoujos. O brilho das estrelas estava desenhado de forma minuciosa, até mesmo em suas pequenas e claras irradiações ao longe, e eu senti sua imensidão sem limites, como ocorre com o verdadeiro universo.

Isso foi igual à expansão que senti quando li o mangá da Yamato-sensei. Era uma estória que, embora grande e sublime, possuía um sentido de realidade. Seus personagens tinham uma familiaridade como a de pessoas que nós temos ao nosso lado. Benio, neste mangá em que as circunstâncias infelizes dela eram mescladas com gags visuais cômicas e vívidas, neste sentido era uma protagonista bem revolucionária. Ela é uma personagem alegre, forte, honesta, que possui um coração gentil e uma perspectiva ampla das coisas. Até mesmo eu, que na época do primário tinha inclinação em torcer pelos arqui-inimigos e rivais das personagens das histórias, amava a Benio.

Ela é justa de maneira coerente para consigo mesma e para com os outros, e eu achava engraçado e fofo o fato de ela não esconder suas idiotices.

Os personagens masculinos que a cercavam também; nenhum deles tinha defeitos. Claro, todos eram belos, mas apesar de cada um ser de um tipo diferente, todos eram legais. Não apenas seus rostos, mas até mesmo suas formas de viver e de pensar eram belas.


No canto, de cima para baixo, Tosei (chefe de Benioe seu quase marido),
Shinobu, Ranmaru e, do outro lado, Onijima, que termina
com Tamaki, a melhor amiga, ojousama e feminista, da protagonista.
Conforme fui envelhecendo, houve uma mudança nos personagens masculinos de que gostava. Quando estava no primário, eu gostava do belo e andrógino Ranmaru, mas quando estava no ginasial me sentia atraída pelo Ookami-san (N. T.: Onijima) com seu ar delinquente. Depois eu basicamente tive por única opção por um período razoavelmente longo o editor chefe, e agora, fechando o ciclo, eu gosto do Segundo Tenente. Quando era pequena eu o evitava porque para mim ele pertencia à Benio.

Personagens secundários como a melhor amiga de Benio, Tamaki, e o avô do Segundo Tenente transbordavam personalidades únicas e um sabor de humanidade. Quando havia episódios tristes ou retratos dolorosos de situações, era possível superá-los desde que estivéssemos juntos com esses personagens charmosos.

Os personagens cômicos que não tinham muita relação com a estória também eram divertidos, assim como eram divertidos os mini-mangás e ilustrações da Yamato-sensei e suas assistentes que ficavam fora dos quadros ou no fundo deles.

Era realmente divertido. Eu me deixava assimilar com todo o meu coração pela vida dessa protagonista que tinha um pulsar de juventude, e com ela eu ficava com raiva e me alegrava. Eu me apaixonava pelos personagens masculinos e chorava por amor. Eu me divertia com minhas amigas imitando as piadas do mangá e copiava as ilustrações dos vestidos esplêndidos. Eu também aprendia com as pequenas doses de informações históricas e ficava feliz comendo o anpan da Loja Kimura (N. T.: Kimura é uma rede de lojas especializada em vender pães no Japão). Tudo o que é divertido em um mangá estava presente em Haikara-san.

Como mangá narrativo, ele não é simplesmente engraçado, mas também apareciam nos episódios a tragédia da guerra e a tolice do ser humano como partes importantes da obra. Por mais que nós pensemos dentro de nossas cabeças e tentemos avançar com algo de forma prática, no fim a natureza segue seu próprio caminho. O que será, será. Até mesmo essa regra básica do nosso mundo - o ser humano seguirá vivendo - está desenhado completamente.


Uma heroína inesquecível. 
“O quão poderosa é esta obra!”, eu pensei isso novamente depois de virar adulta e também tornar-me mangaká.

Eu quis desenhar um mangá que se tornasse um nutriente para o coração das meninas dessa mesma forma, mas, ao tentar fazê-lo, não consegui. Pois o caminho é muito íngreme e longínquo e eu não estava à altura.

Isso não é algo que você consiga atingir só por ter vontade de fazê-lo. É algo que uma pessoa extraordinária desenhou de maneira divertida, mas também séria. E nisso aparecem naturalmente todas as coisas desse mundo. Pensei que isso guiava as pessoas que liam o resultado desse processo.

Mas, como é esperado de um mangá, se você coloca um conteúdo que guia demais as pessoas, isso vira um sermão chato que ninguém consegue ler. É importante haver também um balanço entre a diversão de se ler uma história e os elementos típicos de um mangá, além do componente romance e também de uma moda reluzente.

Nesse sentido, Haikara-san ga Tooru é de fato o mangá número um do universo, e esta Benio que tem atrás de si o macrocosmo é, para mim, um ícone eterno.

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1 pessoas comentaram:

Feliz Ano novo!!!

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⊂   ノ    ・゜+.
 しーJ   °。+ *´¨)
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          (¸.·´ (¸.·'* ☆
☆HAPPY NEW YEAR☆
新年快樂 ♡

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