quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Governo Rondônia pretendia banir livros de literatura brasileira das escolas do Estado. Até MACHADO DE ASSIS estava na lista.


Estão acontecendo vários absurdos pelo Brasil, se eu fosse parar para comentar tudo, não faria outra coisa.  Claro, estou devendo alguns textos, mas há o fator tempo, também, no entanto, há coisas que beiram o absurdo e, ao mesmo tempo, estão em perfeita consonância com os tempos obscuros nos quais vivemos, que é impossível deixar passar.  Este caso é um deles.

O Index de Rondônia.
Motivo desse texto, o Governo de Rondônia emitiu um documento ordenando o recolhimento de 43 livros que deveriam ser RECOLHIDOS (*para serem queimados, talvez*) das escolas públicas por apresentarem conteúdo impróprio para crianças e adolescentes.  Só a ordem em si já é absurda, mas o que já é insano, pode ficar pior.  Na lista estão Os Sertões de Euclides da Cunha, Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis (!!!) e Macunaíma de Mário de Andrade, clássicos da nossa literatura.  Obviamente, estão na lista Nelson Rodrigues, além dele, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, entre outros.  No caso de Rubem Alves, há a observação de que todos os livros do autor deveriam ser confiscados.  Morto em 2014, Alves escrevia sobre educação e questionava o formato tradicional da escola.  O único estrangeiro da lista é Kafka.

O secretário de Educação do estado, Suamy Vivecanda, negou e acusou a imprensa de "fake news", mas eis que apareceu o memorando, documento oficial.  O memorando-cirular 4/2020 tem o nome do secretário de Educação, mas é assinado eletronicamente pela diretora geral de educação, Irany Morais. O secretário, então, afirmou que não estava na secretaria quando soltaram o documento, mesmo com sua assinatura.  Os documentos foram encaminhados a coordenadores regionais de Educação do estado, e o processo ainda constava hoje, dia 6 de fevereiro, no sistema de processos da secretaria, segundo a Folha de São Paulo

O memorando.
A ordem foi suspensa, o secretário disso que iria apurar tudo.  Agora, quem faz esse tipo de coisa, censurar, banir livros em bloco desse jeito, são ditaduras e, claro, mais uma vez podemos recordar do governo da Alemanha Nazista que ordenou o recolhimento de livros considerados perigosos e perniciosos por terem sido escritos por judeus, comunistas, ou mesmo gente como Helen Keller que, sendo surda e cega, era um péssimo exemplo, porque mostrava que pessoas com tais limitações poderiam, sim, serem bem sucedidas.  

É esse o nosso caminho?  Estamos rumo Fahrenheit 451?  Será que essa distopia vai se tornar realidade no Brasil, afinal, o próprio presidente reclamou que os livros didáticos por terem muita coisa escrita.  Falando nisso, o governador do estado de Rondônia é do PSL e é coronel da PM.  Conheço militares extremamente cultos e articulados e que leem de tudo, mas o grupo que chegou ao poder parece não fazer parte dessa ala.  É preciso temer pelas próximas gerações.

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2 pessoas comentaram:

Por enquanto, só mandam recolher. Em breve, mandarão queimar.

O Brasil está vivendo sim uma censura. E há quem negue isso. #triste

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