segunda-feira, 30 de março de 2020

Termo "mulheres do conforto militares" volta a aparecer nos livros didáticos japoneses


Passando pelo Sora News, vi um artigo sobre um tema que gera controvérsia até hoje no Japão e por culpa das autoridades do país, as chamada "mulheres do conforto".  Para quem nunca leu nada sobre isso, e localizei dois textos no blog (*1 - 2*), sei que tenho mais, eram mulheres e meninas, normalmente, chinesas, coreanas, filipinas, malaias etc., mas houve ocidentais entre elas, recrutadas à força em áreas ocupadas pelos japoneses para serem usadas como escravas sexuais pelas tropas do país. 

Sim, se você tropeçou em um texto de algum nacionalista nipônico negando isso, e já li coisas como "as coreanas tem uma tendência natural à prostituição", ou de fãs do Japão que usam óculos cor de rosa, esqueçam. A prática era violenta, cruel, há casos de meninas de 10 anos sendo submetidas à escravidão sexual, algumas mulheres foram rejeitadas por suas famílias ao retornarem, ou conclamadas a se calar.  Elas estavam manchadas, desgraçadas, poderiam desonrar suas famílias. 

Em 2014, Francisco encontrou algumas dessas mulheres.
Pois bem, segundo o Sora News, pela primeira vez, em muito tempo, o termo "mulheres do conforto militares" vai aparecer em livros didáticos aprovados pelo governo japonês para o ano de 2021 e voltados para os alunos do ginasial, isto é, crianças e adolescentes que tem entre 12 e 14 anos.  Segundo o site japonês, a coisa estava fora fazia tanto tempo que quem estudou em livros que falavam disso deve ter no mínimo 28 anos.  "Ah, mas é preciso discutir a questão!"  Eu também acredito que seja, mas o que está sendo colocado nos livros é um trecho aparentemente neutro e que normaliza a prática.  Não fala de violência, não fala de escravidão, é como se as mulheres quisessem estar lá.

Até hoje, as poucas sobreviventes ainda pleiteiam reparação.  Muitas das poucas ainda vivas, desejam somente um pedido de desculpas.  O Governo Japonês se recusa, encrencam com a estátua que os coreanos mandaram fazer em honra dessas mulheres.  Não raro, alguma autoridade vem falar da "necessidade" de ter essas mulheres satisfazendo as tropas.  Repito, eram escravas.  Avançam um passo, retrocedem dois.  As velhinhas vão morrendo e fica tudo como está.  Para quem lê inglês, francês ou espanhol, recomendo o vídeo com o relato de uma dessas mulheres.  Ele me impactou muito e acredito que é um dos documentos mais importantes sobre essa prática monstruosa.  Se quiser um filme sobre o tema, recomendo o filme Flores do Oriente.  Há outros materiais, claro, basta ir atrás.

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3 pessoas comentaram:

Muito triste saber que o Japão faz isso, até em países ruins como a Índia eles não escondem que é pra ser um ato de terror para a vítima, como ele é extremamente conservador o lado ruim aparece com frequência, vinde Boku no Hero Academia, que causou usando um nome de pessoas usadas como cobaias para experimentos ultra violentos 😣😣😣

O Japão ainda tentando varrer para debaixo do tapete suas atrocidades durante a segunda guerra. Uma vergonha.
E aqui, gente celebrando a ditadura.
O mundo continua insano mesmo.

Outro dia deu uma polêmica no mangá Boku no Hero e eles nem pensaram que era pra tanto alarde (sobre pessoas usadas pelo povo japonês em testes químicos, igual ao que o Menguele fazia, tinha nomes as vítimas e o médico do quadrinho recebeu um nome de um cara famoso que fazia isso no Japão também), até no Brasil teve comentários assim: "e daí, já faz tanto tempo e isso daí é manga, não tem nada demais", o povo daqui esquece que o mangá no Japão repercuti muito e principalmente sendo da Shonen Jump mais ainda!

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