domingo, 10 de maio de 2026

O Anime Summit 2026 foi um sucesso, mas...

Esperei o encerramento do Anime Summit para escrever algumas palavrinhas sobre a 5ª edição do evento.  Estive lá no sábado. O evento começou na sexta-feira e terminou hoje.  A expectativa, segundo o Correio Braziliense, era de  90 mil pessoas participando; não me surpreenderia se a audiência fosse ainda maior.  Ontem, quando saí do evento, isso lá pelas 15 horas, a fila enorme estava dando voltas debaixo do sol inclemente de Brasília.  Sim, sem exagero, era uma fila tão maluca que não dava para saber onde começava e onde terminava.  Se eu estivesse chegando naquela hora, eu iria embora sem pensar duas vezes.  Este ano, além das meias-entradas obrigatórias e da gratuidade para cosplayers, havia a modalidade de ingresso solidário.  Você levava dois quilos de alimento não perecível ou dois mangás em bom estado e entrava de graça.  Acredito que essas gratuidades foram um estímulo a mais para a adesão.

O Anime Summit é o maior evento otaku-geek-whatever de Brasília.   Há eventos menores, pequenos, na verdade, mas o Anime Summit é o que mais mobiliza público.  Não tenho certeza de que fui a todos eles, acredito ter perdido um.  Normalmente, o evento é no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.   Não é uma lindeza, mas é amplo, ventilado e fica em um lugar fresco.  A escolha desse ano de levar o evento para o Complexo Cultural da República, bem na Esplanada dos Ministérios, centro de Brasília, não foi lá uma boa ideia.  A seca já começou; estava quente e o sol não aliviou nem um pouco.

Bati essa foto bem antes dos portões abrirem.
Construíram-se várias estruturas com cobertura de toldos pretos, que pareciam muito apertadas para tanta gente e deveriam ser mesmo.  Conforme o tempo ia passando, ficava mais difícil andar pelos corredores com lojinhas e outras barracas.  Na artist's alley (*a rua dos artistas*) também era muito complicado olhar as barraquinhas, menos ainda conversar com o pessoal que estava vendendo suas artes.  O palco principal estava debaixo do sol.  Tiveram que atrasar a programação no sábado, porque era proibitivo manter as pessoas debaixo do sol.  Ainda assim, colocaram um grupo de idosas japonesas fazendo uma dança tradicional.  Eu fiquei com uma pena danada.  Estava de longe, na área de alimentação, e vi que foram duas danças. Na segunda, elas colocaram um chapéu tradicional de palha chamado Ori Amigasa (折編笠) ou Okesa-gasa (おけさ笠). Deve ter ajudado um pouco.

Eu cheguei muito cedo ao evento.  Apliquei prova pela manhã e às 11h30 já estava na Esplanada.  Como não iria ficar de pé no sol em uma fila desnecessária, simplesmente caminhei até a Catedral de Brasília.  Acho menos cansativo andar no sol do que ficar de pé.  Quando voltei, eram por  volta de 12h20.  Não havia fila.  Entrei e o abafamento na parte onde estava a área de games já me pareceu quente demais lá dentro, mas o calor era mais nessa entrada mesmo.  Quando meu marido e minha filha chegaram, já eram mais de 13h; ainda não havia fila, por isso, me pareceu tão insana a fila montada depois que saí.

Dentro do evento, foi ficando cada vez mais cheio e eu detesto aglomeração. Fico sempre imaginando o que aconteceria se uma confusão começasse e as saídas de emergência não pareciam capazes de dar conta de tanta gente.  Sim, eu sou neurótica com essas coisas. Comprar comida era uma missão que exigia paciência; meu marido não tem nenhuma.  Minha filha, que é muito empolgada com o evento, estava mal-humorada e começou a reclamar de dor de cabeça.  Até tentei estimulá-la a ficar mais um pouco, porque ela geralmente fica lá nas barraquinhas dos artistas e sempre quer comprar adesivos, botons e outras coisinhas.  Só que ela queria ir embora.

Realmente  espero que essa ideia de colocar o evento na Esplanada seja abandonada no ano que vem e que o Festival do Japão, que é promovido pela mesma organização, continue no Parque da Cidade.  Pode ficar bonito fazer vídeos e fotos de mostrando um lugar apinhado de gente, mas não é confortável e me parece pouco seguro.  Ainda assim, sei que foi um sucesso, os mais jovens, salvo a minha filha, pareciam empolgados, quanto a mim, só conseguia sentir falta do velho KODAMA, que, pelo menos no meu coração, continua sendo o melhor evento do gênero do Distrito Federal  que nenhum substituto em maior escala, como o Anime Summit, consegue igualar.

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