quinta-feira, 4 de junho de 2020

Ás vezes bate um cansaço muito grande...


Peço desculpas por não ter publicado tanta coisa esta semana, mas me sinto esgotada.  São dias tão tristes, tão inacreditavelmente violentos, que parece que toda a nossa energia é sugada.  Queria ter escrito algumas linhas sobre o #blacklivesmatter e estava disposta a isso, mas quando veio o caso do menino Miguel de seis anos, mais uma criança negra, que despencou do prédio em Recife por ser tão desimportante para a patroa da mãe que ela o colocou em um elevador sozinho, detalhe importante, o elevador de SERVIÇO, porque ele tinha que aprender desde cedo o seu lugar, eu fiquei tão mal que não consegui, como não acabou ainda, talvez ainda escreva uma ou outra linha.

Poderia ser meu filho.
Cheguei a pensar em escrever como os fãs de K-pop se apropriaram das hashtags da extrema direita e promoveram uma zoeira do bem no Twitter, mas veio uma enxurrada de coisas ruins.  Em tempos de pandemia, nós, professores, temos que gavar nossas aulas, até transmiti-las ao vivo.  Como tem ocorrido uma perseguição insana a todos nós, cada aula é uma angústia.  Será que alguém vai pegar sua aula, arrancar um pedaço e tentar usar contra você?  Será que preciso omitir uma parte da matéria, uma reflexão importante, porque, bem, vivemos nos tempos que vivemos?  Será que seu eu falar de Integralismo, ou de Fascismo, ou Nazismo, podem me acusar de estar atacando o governo?  

Os fascistas parecem não incomodar ninguém.
E aconteceu, um colega de trabalho, militar, professor com muito mais anos de  profissão que eu, teve uma aula mutilada e deve sofrer um PAD (Processo Administrativo), porque um pai o acusa de ser "doutrinador" por ele ter apontado denunciado atitudes fascistas.  Só lembrando, para quem esqueceu, o Exército Brasileiro LUTOU contra o FASCISMO na Segunda Guerra.  Estávamos do lado que lutava contra os que queriam condenar povos à destruição e que acreditavam que havia uma "raça" superior.  Isso ainda está em nossos livros de História.  E eu estava presente na mesma sala quando ele externou sua indignação para sua chefe.  Eu não sabia o que era, mas desconfiava que seria alguma coisa muito ruim.  

Esperança que se recusa a morrer.
A aula do colega foi tirada do ar, ele não dará mais lives e, felizmente, o caso ganhou a imprensa.  Isso, claro, não é o bastante, todos nós, professores, nos sentimos expostos.  Foi um dia difícil.  Mas a resposta dos ex-alunos e alunas, gerações deles, foi um alento.  Claro, isso não vai tirar de mim esse cansaço imenso, mas me dá um pouco de esperança no futuro, mesmo que eu não esteja aqui para vê-lo acontecer.

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