sexta-feira, 26 de junho de 2020

Ōoku vai terminar no volume #19 e outras coisas que eu consegui entender da entrevista da Fumi Yoshinaga para o Comic Natalie


Não sei japonês, vocês que acompanham o blog estão cientes disso, mas tento quebrar o galho.  Essa introdução é para dizer o seguinte, o Comic Natalie trouxe uma entrevista com Fumi Yoshinaga, vi pela manhã e preciso fazer um resumo geral do que entendi (*se alguém quiser me ajudar, ou corrigir, fique à vontade*).  A entrevista para o CN é, na verdade, uma conversa da qual participa o produtor da TV Tokyo, Nobuyuki Sakuma, fã de Yoshinaga desde que ela fazia doujinshi yaoi e lia os mangás BL da autora, também.  Enfim, ele é fã MESMO de Yoshinaga e maio que confirma que existem homens japoneses e que muitos devem estar no armário.  Sakuma não é um desses, ele se joga com vontade.

Mais uma capa branca... 
O mais importante está no título do post: Ōoku (大奥) termina no volume #19.  A capa do volume #18, uma simbólica capa branca, é descrita por outro post do CN como o início de uma nova era da História do Japão.  A série começou em 2004 na revista Melody.  Do que se trata a Ōoku?  Século XVI, governo do 3º shogun,  Tokugawa Iemitsu, uma doença chamada varíola vermelha ceifa a vida de 4/5 da população masculina do Japão.  Entre os jovens, ela era fatal em praticamente todos os casos.  O que acontece?  Para se proteger, o Japão se fecha para os outros países.  Se descobrissem que os homens estavam morrendo, o país seria invadido.  É preciso manter as aparências.  Outro desdobramento, as mulheres tomam o poder, primeiro, provisoriamente, depois, de fato.  Um dos símbolos do poder da Shogun era o harém cheio de homens jovens e saudáveis, um luxo em um momento no qual a maioria das mulheres não podia ter um marido somente seu.  


O volume #1 poderia ser um one shot.
Com o passar dos anos, a memória dos velhos tempos começa a desaparecer, a doença regride, a vacina é criada, e os homens estão retomando o poder.  Como apagar três séculos de História a fazer com que ninguém se lembre de que existiu o Shogunato das mulheres. Ōoku é um exercício de História alternativa (ucronia), só que esse tipo de material normalmente cria um ponto de divergência, neste caso, a doença, desenvolvendo uma narrativa que é historicamente possível, ainda que um pouco diferente daquela que aconteceu, mas não costuma criar um ponto de convergência.  Eis o desafio de Yoshinaga.  Ela vai conseguir.


Ōoku teve filme para o cinema
baseado no volume #1 em 2010.
Durante a conversa, Yoshinaga diz que quando começou a série, foi com medo.  Será que eu consigo?  O volume #1 foi bem, daí, ela continuou (*lembram que essa era a minha teoria?*), mas achava que não conseguiria chegar ao volume #5.  Chegou.  Depois, viu que tinha história para chegar ao volume #10 e seguiu.  Quando chegou ao volume #15, imaginou que poderia chegar ao #20, mas decidiu parar no volume #19, que sairá no outono japonês de 2021.  A revista Melody é bimestral.  Eu apostaria que ela ainda via lançar um volume #20 com histórias curtas de personagens favoritas, como Gennai.


Gennai no mangá.
Hiraga Gennai (1728 -1780) foi um médico, escritor, poeta, cientista etc. japonês que, no mangá de Yoshinaga, é uma mulher lésbica que se veste de homem para circular para o Japão.  É Gennai quem descobre que em uma região montanhosa do Japão a varíola vermelha foi curada graças à inoculação da doença semelhante que atingia os ursos.  Gennai é uma das grandes personagens da série Ōoku e das trágicas, também, porque ela se vai em um momento de virada na série que leva vários personagens queridos. Sakuma comenta que, quando Gennai estava aparecendo no mangá, ele estava produzindo uma série sobre a personagem.  Uma coincidência. Enfim, Ōoku é a história do harém, são séculos de história e, na média, quando uma personagem é sortuda, ela dura uns 3 volumes.  

O mesmo ator em dois papéis.
Yoshinaga e Sakuma comentam que era assim na série de 1983, que cobriu todo o período de existência do harém, da mesma forma que na série de mangá, as personagens iam mudando e, eventualmente, um ator, ou atriz poderia retornar fazendo outro papel.  Foi assim na adaptação da série de Yoshinaga.  Na série de TV de 2012, o ator Sakai Masato interpretou Arikoto, e retornou no filme para o cinema, que se passava décadas depois, como Emonnosuke.  Enfim, eles ficam conversando sobre partes favoritas do mangá, vou comentar o que eu entendi de outras partes da entrevista.


Flower of Life é bem legal.
Logo no comecinho, fala-se da criação da revista Melody em 1997 para abrigar autoras da revista Hana to Yume (Reiko Shimizu, Saki Hiwatari, Minako Narita etc.) que queriam produzir histórias mais adultas.  Yoshinaga foi convidada a publicar na revista depois do sucesso de Antique Bakery (西洋骨董洋菓子店, Seiyou Kotto Yōgashiten), que teve filme, anime, dorama, e que ainda tinha traços do que consagrou a autora como autora de BL.  Yoshinaga comenta que Flower of Life (フラワー・オブ・ライフ), que eu comentei no blog, e que acompanha um ano da vida de um grupo de estudantes, um deles se recuperando de leucemia.  


Um material que poderia sair no Brasil.
A estreia da autora na revista Melody foi All My Darling Daughters (愛すべき娘たち/Ai Subeki Musume-tachi), que também tem resenha no blog.  Yoshinaga fala das histórias curtas e comenta com certa decepção que quando fez esse mangá, ela esperava que o mundo progredisse muito e os problemas apontados lá, fossem superados em dez anos.  Já são quase vinte anos e, bem, nada.  Sakuma argumenta que os dramas que ela aponta, as questões que ela discute, são universais e que, por isso mesmo, não são fáceis de responder, ou resolver.  Foi o que eu entendi.  Yoshinaga retorna e diz que All My Darling Daughters é quase uma coletânea de ensaios sobre uma série de coisas, como a relação entre mães e filhas.  Esse volume de Yoshinaga poderia ser lançado por aqui.  Quer dizer, Yoshinaga já deveria ter sido lançada no Brasil.


Antique Bakery é muito bom e outro material
que deveria ter saído por aqui.
Vou encurtar a coisa.  Eles falam de praticamente todos os mangás de Yoshinaga, falam de comida, a gente descobre que Yoshinaga é fã de Suzue Miuchi (Glass Mask), mas, lá no final, vem o "e o futuro?".  Yoshinaga diz que não tem planos, são 16 anos serializando Ōoku, dez fazendo Kinou Nani Tabeta?(きのう何食べた?).  São suas séries mais longas, mas, se entendi direito, ela tomou gosto por fazer séries com Antique Bakery e que é difícil para ela terminar uma série, porque ela não consegue desapegar.  Para quem quiser, basca dar a busca por Ōoku e você encontra resenha de todos os volumes do 1 ao 15.  Enfim, tomara que tenhamos mais live actions de Ōoku, alguns arcos seriam bem interessantes de ver convertidos em dorama, ou em filme para o cinema.

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