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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Livro visita os 50 anos de carreira de Yasuko Sakata, uma das criadoras do termo YAOI

Foi lançado hoje, no Japão, o livro Tettei Tokushuu Sakata Yasuko no Sekai (徹底特集 坂田靖子の世界) revisitando a obra da mangá-ka Yasuko Sakata.  Nascida em 1953, Sakata se interessou por mangá e começou a produzir suas obras na época de escola, inspirada pela obra de Hideko Mizuko (Fire!, Honey Honey); em 1971, depois de visitas o Ōizumi Salon, residência dividida por Hagio Moto e Keiko Takemiya, Sakata tornou-se assistente da primeira, de quem já era fã.  Sakata Yasuko debutou em 1975 na revista Hana to Yume, com Saikon Kyousou Kyoku (再婚狂騒曲).  No final dos anos 1970, ela se envolveu na produção de fanzines homoeróticos e ajudou a cunhar o termo  Akiko Hatsu, um dos seus doujinshi chamado Lovelly foi um dos primeiros do gênero.  

Segundo o Comic Natalie,  o livro apresenta uma longa entrevista com Sakata, na qual ele fala sobre sua trajetória de 50 anos, desde sua estreia até o presente, bem como histórias dos bastidores da criação de suas obras, uma longa entrevista com a autora, contos e um mangá comemorativo publicado na revista Jour.  A edição inclui a "Enciclopédia de Personagens do Mundo de Sakata", que apresenta dezenas de personagens, além de colunas que exploram o contexto histórico do mangá Basil Shi no Yuuga na Seikatsu (バジル氏の優雅な生活). Quem comprar o livro também poderá conferir mensagens de felicitações de autoras da JOUR, como Yasuko Aoike, Miwa Sakai, Satosumi Takaguchi, Yoshimi Numajiri, Maki Hoshizaki e Kiwa Irie.

domingo, 13 de setembro de 2026

Novel da Newpop tem capa tarjada na Bienal de São Paulo no que parece ser um misto de misoginia com homofobia

Amanhã é o último dia da 28ª Bienal do Livro de São Paulo, evento cultural importantíssimo e que traz muito lucro e visibilidade, também.  Não ia comentar nada do evento, não fosse a censura a uma capa de novel (romance curto) BL da Newpop.  Muito bem, na semana passada, houve um escândalo por causa de homens mascarados no estande da editora Fruto Proibido que estavam beijando e se esfregando em mulheres. Há fotos dos beijos e das mulheres no colo dos caras dentro do estande da editora. A Fruto Proibido negou ter contratado os sujeitos.  A gritaria justificada veio principalmente do fato das mulheres poderem ser menores de idade, o que configuraria crime.  Simples assim. 

Fui até a página da Fruto Proibido e ela parece ser especializada em Dark Romance.  Esse subgênero da literatura romântica combina histórias de amor tradicionais com personagens moralmente ambíguos, desequilíbrios de poder extremos e temas tabus ou violentos.  Era coisa de nicho, mas como uma matéria do Estadão (Violência, relações abusivas e erotismo: o que é o dark romance e por que ele atrai tantos leitores?) bem apresentou, agora, está entrando no mainstream.  Eu associo Dark Romance à pornografia para mulheres, ainda que eu saiba que há material LGBTQIAPN+, e não estou jogando nenhum peso negativo no fato, estou pontuando que é material para adultos naquele sentido mais direto mesmo.  Tudo o que eu já vi de Dark Romance, livros e principalmente manhwa, é coisa muito pesada.  E o roteiro nem sempre faz valer o esforço de seguir na leitura, ainda que o traço seja interessante, no caos dos quadrinhos.  Não é coisa que me agrade.  

O problema com o rompimento da bolha é que menores têm passado a ser público-alvo e estão produzindo Dark Romance para  jovens adultos (Young adults) que não é nada mais nada menos do que meninas (*porque elas são o alvo principal desse material mesmo*) que ainda estão em formação.  Volta e meia olho um canal literário em que o sujeito está criticando e falando das polêmicas desse mundinho.  Normalmente, ele pega algum título que está bombando ou alguma autora "problemática" para comentar.  Confesso que tenho preguiça de me aprofundar nesse lodaçal, mas sei que existe polêmica lá nos Estados Unidos e, claro, iria chegar aqui.  Não sei se a Fruto Proibido publica material YA desse nicho, mas, ao que parece, as autoras (*porque em sua maioria são autoras*) estão em uma competição para ver quem produz material mais extremo.

Estabelecido isso, eu diria sem problema algum que se a preocupação é com a difusão de modelos de relacionamento tóxicos e que são prejudiciais às mulheres, a literatura mainstream, a romântica em particular, está cheia disso faz tempo.  E podem meter no mesmo balaio as Princesas da Disney ou coisas como Oni no Hanayome, anime que está em exibição e é derivado de livro.  O que me leva a pensar que o que incomoda mesmo é o sexo e que pode ser de um tipo violento.  Se é material para adultos, devidamente sinalizado, a gente pode fazer a crítica, mas uma coisa é levantar pontos problemáticos e refletir sobre eles, outra coisa é pedir censura ou dizer para as pessoas pararem de ler.  No fim das contas, no cerne da questão está a ideia de que mulheres não devem/podem gostar de sexo, mais ainda, ler sobre isso. 

Muito bem, chegamos à Newpop.  Depois do escândalo da Fruto Proibido, a direção da bienal foi atrás de outros problemas para evitar polêmicas e acabou criando uma, pois mandou tarjar a bonita capa do volume 1 do romance BL Define the Relationship.  Para quem caiu aqui por acaso e não sabe o que é BL (Boys Love) trata-se de material retratando relacionamentos entre homens feitos por mulheres e para mulheres.  Na sua origem japonesa, os BL nasceram tanto dentro do shoujo mangá (Kaze to Ki no Uta, Tooma no Shinzu, entre outros) quanto no mercado de fanzines através das paródias de material shounen, principalmente, que eram chamadas de YAOI.  Com o tempo passamos a ter antologias específicas, selos de livros, doramas etc.  Material chinês, e imagino que essa novel seja chinesa, ou coreana, ou de outros países do Leste Asiático pode ter nomes específicos, características diferenciadoras, mas a fonte é a mesma.  Outra coisa, homens podem gostar de BL, muitos gostam, mas isso não invalida a sua origem e seu objetivo básico que é atender às fantasias femininas.  E, sim, há material ocidental, livros de romance para mulheres que têm a mesma função.  Alguns deles como Heated Rivalry, já pularam para a tela.

A arte da capa da novel da Newpop, segundo o Mangás Brasil, é do artista Lucas Paixão.  Olhem para ela e me digam o que há de explícito, violento ou inadequado, de alguma forma, nesta capa?  Faz sentido um negócio desses?  É simplesmente censura e homofobia, talvez.  Lembrou, ainda que em escala bem menor, do caso do prefeito Marcelo Crivella, prefeito bolsonarista e sobrinho do Bispo Macedo, na Bienal do Rio em 2019, quando mandou retirar do evento uma graphic novel dos Vingadores que trazia dois homens se beijando em seu interior (*1 - 2*).   A ação de censura resultou em uma condenação este ano e deu material para a tese de doutorado do Chris Gonzatti.

Resumindo a minha posição com os dados que tenho: trata-se de um caso de misoginia que resvalou em homofobia.  A ação no estande da editora Fruto Proibido foi inadequada e pouco importa se eram mulheres adultas ou menores, não era hora, nem lugar; dark romance é material para adultos e deve ser devidamente sinalizado, o que não quer dizer que deva ser censurado; o que aconteceu no estande da Fruto Proibido não pode servir de argumento para censura de outros materiais ou editoras; e a capa do BL da Newpop nada tem demais.  E, concluindo, ainda vivemos em um mundo que estigmatiza materiais feitos por mulheres para mulheres; se têm conteúdo sexual, a discriminação é ainda maior.  Nossa sociedade não compreende que mulheres podem (*não devem, vejam bem, PODEM*) gostar de sexo, que sexo não deve ser percebido como algo pecaminoso (*ainda que possa, mas isso é uma questão religiosa sua*) e que as pessoas podem ter fantasias que não sejam as suas, ainda que elas possam dizer algumas coisas sobre papéis de gênero e a sociedade em que todos nós vivemos.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Para os fãs de BL: vem aí o Blymecon

Anteontem, o site Blyme Yaoi, criado pela minha querida Tanko, completou 13 anos.  É uma marca excelente para um site que se dedica a falar exclusivamente de BL, o japonês e o produzido em outros países.  Ano que vem, no aniversário do site, haverá um evento on line exclusivo.  Reproduzo o Tuite abaixo.  Fiquem de olho e longa vida para o Blyme! ❤️

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Livro desvenda as origens do BL

Lá nos anos 1970, quando autoras como Takemiya Keiko e Hagio Moto introduziram mangás com romances entre garotos nas revistas shoujo, passando pelo mercado de doujinshi e a produção dos YAOI (yama nashi, ochi nashi, imi nashi/sem clímax, sem objetivo, sem significado), acredito que ninguém poderia sonhar com o que viria depois, isto é, o estabelecimento de todo um gênero, alguns diriam que é uma demografia própria com dezenas de antologias, games, produtos mil.  É até difícil tentar mapear esse universo todo.  OK, está sendo lançado no Japão um livro que se propõe a falar dos primórdios do BL a partir da primeira revista dedicada a esse tipo de shoujo mangá, a June (1978-2012).  Para quem se interessar, o livro se chama Watashitachi ga tokimeita bishōnen manga (私たちがトキめいた美少年漫画) e custa 1600 ienes (algo como U$15,20).  É o tipo de material que a gente só consegue aproveitar integralmente quando se sabe japonês.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Ōoku vai terminar no volume #19 e outras coisas que eu consegui entender da entrevista da Fumi Yoshinaga para o Comic Natalie


Não sei japonês, vocês que acompanham o blog estão cientes disso, mas tento quebrar o galho.  Essa introdução é para dizer o seguinte, o Comic Natalie trouxe uma entrevista com Fumi Yoshinaga, vi pela manhã e preciso fazer um resumo geral do que entendi (*se alguém quiser me ajudar, ou corrigir, fique à vontade*).  A entrevista para o CN é, na verdade, uma conversa da qual participa o produtor da TV Tokyo, Nobuyuki Sakuma, fã de Yoshinaga desde que ela fazia doujinshi yaoi e lia os mangás BL da autora, também.  Enfim, ele é fã MESMO de Yoshinaga e maio que confirma que existem homens japoneses e que muitos devem estar no armário.  Sakuma não é um desses, ele se joga com vontade.

Mais uma capa branca... 
O mais importante está no título do post: Ōoku (大奥) termina no volume #19.  A capa do volume #18, uma simbólica capa branca, é descrita por outro post do CN como o início de uma nova era da História do Japão.  A série começou em 2004 na revista Melody.  Do que se trata a Ōoku?  Século XVI, governo do 3º shogun,  Tokugawa Iemitsu, uma doença chamada varíola vermelha ceifa a vida de 4/5 da população masculina do Japão.  Entre os jovens, ela era fatal em praticamente todos os casos.  O que acontece?  Para se proteger, o Japão se fecha para os outros países.  Se descobrissem que os homens estavam morrendo, o país seria invadido.  É preciso manter as aparências.  Outro desdobramento, as mulheres tomam o poder, primeiro, provisoriamente, depois, de fato.  Um dos símbolos do poder da Shogun era o harém cheio de homens jovens e saudáveis, um luxo em um momento no qual a maioria das mulheres não podia ter um marido somente seu.  


O volume #1 poderia ser um one shot.
Com o passar dos anos, a memória dos velhos tempos começa a desaparecer, a doença regride, a vacina é criada, e os homens estão retomando o poder.  Como apagar três séculos de História a fazer com que ninguém se lembre de que existiu o Shogunato das mulheres. Ōoku é um exercício de História alternativa (ucronia), só que esse tipo de material normalmente cria um ponto de divergência, neste caso, a doença, desenvolvendo uma narrativa que é historicamente possível, ainda que um pouco diferente daquela que aconteceu, mas não costuma criar um ponto de convergência.  Eis o desafio de Yoshinaga.  Ela vai conseguir.


Ōoku teve filme para o cinema
baseado no volume #1 em 2010.
Durante a conversa, Yoshinaga diz que quando começou a série, foi com medo.  Será que eu consigo?  O volume #1 foi bem, daí, ela continuou (*lembram que essa era a minha teoria?*), mas achava que não conseguiria chegar ao volume #5.  Chegou.  Depois, viu que tinha história para chegar ao volume #10 e seguiu.  Quando chegou ao volume #15, imaginou que poderia chegar ao #20, mas decidiu parar no volume #19, que sairá no outono japonês de 2021.  A revista Melody é bimestral.  Eu apostaria que ela ainda via lançar um volume #20 com histórias curtas de personagens favoritas, como Gennai.


Gennai no mangá.
Hiraga Gennai (1728 -1780) foi um médico, escritor, poeta, cientista etc. japonês que, no mangá de Yoshinaga, é uma mulher lésbica que se veste de homem para circular para o Japão.  É Gennai quem descobre que em uma região montanhosa do Japão a varíola vermelha foi curada graças à inoculação da doença semelhante que atingia os ursos.  Gennai é uma das grandes personagens da série Ōoku e das trágicas, também, porque ela se vai em um momento de virada na série que leva vários personagens queridos. Sakuma comenta que, quando Gennai estava aparecendo no mangá, ele estava produzindo uma série sobre a personagem.  Uma coincidência. Enfim, Ōoku é a história do harém, são séculos de história e, na média, quando uma personagem é sortuda, ela dura uns 3 volumes.  

O mesmo ator em dois papéis.
Yoshinaga e Sakuma comentam que era assim na série de 1983, que cobriu todo o período de existência do harém, da mesma forma que na série de mangá, as personagens iam mudando e, eventualmente, um ator, ou atriz poderia retornar fazendo outro papel.  Foi assim na adaptação da série de Yoshinaga.  Na série de TV de 2012, o ator Sakai Masato interpretou Arikoto, e retornou no filme para o cinema, que se passava décadas depois, como Emonnosuke.  Enfim, eles ficam conversando sobre partes favoritas do mangá, vou comentar o que eu entendi de outras partes da entrevista.


Flower of Life é bem legal.
Logo no comecinho, fala-se da criação da revista Melody em 1997 para abrigar autoras da revista Hana to Yume (Reiko Shimizu, Saki Hiwatari, Minako Narita etc.) que queriam produzir histórias mais adultas.  Yoshinaga foi convidada a publicar na revista depois do sucesso de Antique Bakery (西洋骨董洋菓子店, Seiyou Kotto Yōgashiten), que teve filme, anime, dorama, e que ainda tinha traços do que consagrou a autora como autora de BL.  Yoshinaga comenta que Flower of Life (フラワー・オブ・ライフ), que eu comentei no blog, e que acompanha um ano da vida de um grupo de estudantes, um deles se recuperando de leucemia.  


Um material que poderia sair no Brasil.
A estreia da autora na revista Melody foi All My Darling Daughters (愛すべき娘たち/Ai Subeki Musume-tachi), que também tem resenha no blog.  Yoshinaga fala das histórias curtas e comenta com certa decepção que quando fez esse mangá, ela esperava que o mundo progredisse muito e os problemas apontados lá, fossem superados em dez anos.  Já são quase vinte anos e, bem, nada.  Sakuma argumenta que os dramas que ela aponta, as questões que ela discute, são universais e que, por isso mesmo, não são fáceis de responder, ou resolver.  Foi o que eu entendi.  Yoshinaga retorna e diz que All My Darling Daughters é quase uma coletânea de ensaios sobre uma série de coisas, como a relação entre mães e filhas.  Esse volume de Yoshinaga poderia ser lançado por aqui.  Quer dizer, Yoshinaga já deveria ter sido lançada no Brasil.


Antique Bakery é muito bom e outro material
que deveria ter saído por aqui.
Vou encurtar a coisa.  Eles falam de praticamente todos os mangás de Yoshinaga, falam de comida, a gente descobre que Yoshinaga é fã de Suzue Miuchi (Glass Mask), mas, lá no final, vem o "e o futuro?".  Yoshinaga diz que não tem planos, são 16 anos serializando Ōoku, dez fazendo Kinou Nani Tabeta?(きのう何食べた?).  São suas séries mais longas, mas, se entendi direito, ela tomou gosto por fazer séries com Antique Bakery e que é difícil para ela terminar uma série, porque ela não consegue desapegar.  Para quem quiser, basca dar a busca por Ōoku e você encontra resenha de todos os volumes do 1 ao 15.  Enfim, tomara que tenhamos mais live actions de Ōoku, alguns arcos seriam bem interessantes de ver convertidos em dorama, ou em filme para o cinema.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

A paixão pela jardinagem dá início a uma amizade no mangá Kigi wa Haru


Kigi wa Haru (木々は春) de Naka Nakaoka.  Volume único lançado hoje, segundo o Comic Natalie.  Parece ser uma história muito delicada.  O que eu entendi foi o seguinte: um estudante universitário que passou por algum trauma amoroso acaba se aproximando de um pesquisador que confessa sua orientação sexual e pergunta se isso incomoda o jovem.  Os dois tem um interesse comum, jardinagem.  Provavelmente, isso resultará em um romance.  


Há uma prequel Tayutau Shushi  (たゆたう種子), que deve explicar o trauma do moço, são dois rapazes e sementes de plantas na capa.  Quer dizer, não sei, pode ser a história do professor, também.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Mangá BL consegue ficar no topo de vendagens mundiais do Bookwalker nas duas categorias: light novel e mangá


"A BookWalker é uma empresa japonesa criada em 2010 pela editora Kadokawa para o mercado japonês. A versão global do serviço, que traz mangás e light novels (obras de prosa ilustrada com base nas propriedades de mangá e anime) em inglês e japonês, foi lançada em uma versão beta em 2014 e uma versão completa em outubro de 2015. O serviço está disponível em todo o mundo , exceto no Japão, que continua a ser atendido pelo BookWalker japonês." (Fonte: Publishers Weekly)  Nunca comprei nada com eles, mas parece interessante.  

Pois bem, o ANN publicou o ranking de vendagens deste ano das light novels e dos mangás.  Qual a surpresa?  O mesmo mangá BL, Under One Roof With the Beast ou Hitotsu Yane no Shita no Kedamono (ひとつ屋根の下のケダモノ) ficou em primeiro tanto na categoria light novel, quanto em mangá.  Sim, nas duas!  Pergunto-me se já anunciaram anime, porque certamente virá.  A história da série é a seguinte: "Daigo está começando a faculdade na primavera, juntando-se a seus primos gêmeos, Jin e Shin. Daigo sempre teve uma queda por Jin desde que ele era criança, mas era Shin que nunca o deixava em paz. Shin descobre que Daigo tem uma queda por seu irmão, e pressiona Shin de forma agressiva, dizendo-lhe para escolhê-lo em vez de Jin. Como Shin e Jin são idênticos, Daigo fica confuso. Seu coração começa a bater mais rápido quando ele olha nos olhos de Shin e ...?!"


Não vou postar a lista das light novels, basta acessar o link do ANN no post, mas segue a dos mangás.  O segundo colocado, o mangá das quíntuplas, foi anunciado no Brasil pela Panini.  Wotakoi aparece lá em 23º lugar.
  1. Under One Roof With the Beast
  2. The Quintessential Quintuplets
  3. Daddy's Boyfriend
  4. Time for a Kiss, Master
  5. Don't Mess With me
  6. Domestic Girlfriend
  7. Public Sex
  8. The Rising of the Shield Hero manga
  9. That Time I Got Reincarnated as a Slime manga
  10. Goodbye! I'm Being Reincarnated!
  11. Roommate
  12. The Knight Cartoonist and Her Orc Editor
  13. Dog Tag
  14. Kakegurui - Compulsive Gambler
  15. O Maidens in Your Savage Season
  16. Creature Girls: A Hands-On Field Journal in Another World
  17. Yuri Is My Job!
  18. Imperfect Girl
  19. I Married My Best Friend To Shut My Parents Up
  20. The Ideal Sponger Life
  21. Carrot and Stick
  22. Is It Wrong to Try to Pick Up Girls in a Dungeon? manga
  23. Wotakoi: Love is Hard for Otaku
  24. The Elder Sister-like One
  25. Monster Musume

domingo, 28 de julho de 2019

LOVE STAGE vai virar filme


LOVE STAGE!! (ラブ ステージ!!) de Eiki Eiki (roteiro) e Taishi Zaō (arte) está em publicação na revista Ciel desde 2010.  Em 2011, ganhou um gaiden BLACK STAGE, em formato light novel (romance curto).  Em 2014, houve uma série animada em 10 capítulos, mais um especial.  Enfim, uma carreira muito bem sucedida.  Agora, esta semana, 26 de julho, a CIEL trouxe o anúncio de um filme live action. Maiores detalhes virão nas próximas semanas.


A história do mangá gira em torno de Izumi Sena, um rapaz nascido em uma família importante no meio artístico, mas que não quer seguir no negócio da família e é super otaku e está na universidade.  Ele quer ser mangá-ka, mas acaba fazendo um comercial para a TV.  Eventualmente, ele conhece Ryuuma, um ator super famoso, que termina se interessando por ele.

sábado, 1 de junho de 2019

Revista Ciel completa 25 anos e começa a comemorar


A revista BL Ciel, publicada pela editora Kadokawa, completa 25 anos este ano e, bem, como é normal, teremos festa.  Na primeira edição comemorativa, a capa traz o mangá Gokudou-san wa Papa de Aisaika  (極道さんはパパで愛妻家), de Yaya Sakuragi. 



A ideia, se entendi bem o Comic Natalie, é trazer capas com os mangás mais importantes desses vinte cinco anos de publicação e capítulos dessas séries encartados na revisa.  Além disso, o brinde da revista são ilustrações exclusivas desses mangás.



Na próxima edição, a capa trará Love Stage!! das mangá-kas Eiki Eiki e Zaou Taishi.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O impacto dos mangás BL na Suíça


Minha amiga Natania me passou uma matéria da página Swissinfo intitulada YAOI: Mangás quebram tabus sexuais para jovens suíços.  A matéria é curtinha e fala de uma livraria em Lausanne chamada Tanigami na qual há uma estante somente para os mangá BL.  Esse tipo de mangá atrai o público feminino e tem ajudado muitas jovens a conversarem sobre questões de gênero e orientação sexual, além de refletirem sobre si mesmas.  É curtinha a matéria, mas é bem interessante.Há um pequeno vídeo na matéria, em francês com legendas em português. Acho que é melhor assistir no site original.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Fuji TV anuncia bloco de animes BL


Acabei de ver no ANN que a Fuji TV anunciou o bloco Blue Lynx, que será especializado em animes BL.   Segundo a nota, que também está no Comic Natalie, a novelista Shion Miura (The Great Passage, Run with the Wind) e a desenhista Yōko Tanji estão colaborando em uma história curta chamada Gekkō wa Kimi no Sasayaki (月光はきみのささやき) que irá ser colocada no ar em capítulos para fazer a contagem regressiva da estreia.  


Para maiores informações é só ficar de olho na página oficial do Blue Lynx e no Twitter do bloco.  Parece ser uma iniciativa interessante.  Se entendi bem, dia 26 será anunciado o primeiro título ao meio dia.

sábado, 20 de abril de 2019

67 autoras de BL em um volume especial


Com o nome de BL Kurieitāzu Amakute Erosuna Sekai o Kaku BL Manga-ka 67-nin (BLクリエイターズ 甘くてエロスなセカイを描くBL漫画家67人) foi lançado um volume de mangás BL (Yaoi) curtos pela editora Ichijinsha.  O Comic Natalie listou todas as envolvidas no projeto, mas eu não tenho ânimo para traduzir.  As que estão em destaque são: Yarichin☆Bitch Bu  (*fez a capa*), Kizu Natsuki, SHOOWA, Takarai Rihito, Thanat, Hideyoshico, Marukido Maki, Yamada Yugi, Yoneda Kou.  Fizeram ilustrações avulsas para a edição Uehara Ari e Arii Memeko.  Com tanta gente envolvida, achei o número de páginas, não chega a 200, muito pouco.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Orgulho e Paixão e BL: Comentando o Amor de Luccino e Otávio


Era para ser um Shoujocast, cheguei a gravar o programa, mas decidi escrever um texto mesmo, porque o áudio ficou longo, prolixo e eu não teria como editar, iria ter que gravar tudo de novo.  Enfim, desde sexta-feira passada, se não me engano, a novela Orgulho & Paixão vem apresentando o drama de duas personagens que vivem um amor quase impossível.  Elas poderiam ser de classes sociais muito distintas, poderiam ser de grupos étnico ou religiosos divergentes, poderiam ser de séculos diferentes (*vide O Tempo não Para*) poderiam ter, mil impedimentos que a gente vê todo dia nas novelas, mas o obstáculo maior, neste caso, é o fato de serem dois homens no Brasil do início do século XX.  

Curiosamente e para a alegria de quem acompanha a novela, uma (*muito*) livre adaptação de vários livros de Jane Austen, de coração aberto e sem uma muralha homofóbica, a relação do mecânico Luccino (Juliano Laham) e do Capitão Otávio (Pedro Henrique Müller) tem sido desenvolvida de forma muito sensível e humana pelo autor, Marcos Bernstein.  Ambos não são protagonistas, as personagens centrais da novela são mulheres tomadas de empréstimo de vários livros de Austen, ou criadas para a novela, mas, como o autor é generoso, eles ganharam uma história própria e tiveram cenas muito comoventes nos últimos capítulos.  Outras virão, com certeza.

Mário foi o primeiro amor de Luccino?
Luccino desde o início era uma personagem positiva e simpática, guardião dos segredos de personagens mais importantes que ele e vítima da violência do irmão mais velho e truculento, que faz parte do grupo dos vilões, por assim dizer.  Era uma espécie de fiel escudeiro do Coronel Brandão (Malvino Salvador) e, depois, passou a apoiar Mariana (Chandelly Braz) no seu sonho de pilotar motocicletas.  Para isso, ela se disfarçou de homem e Luccino a ensinou a se comportar como um homem.  Nesse momento, algumas pessoas começaram a aventar que Luccino seria gay, porque ele parecia interessado em Mário, a versão masculina de Mariana.  Eu discordei, afinal, tratava-se de uma reedição do Mito da Donzela Guerreira e, a rigor, não seria coerente um sujeito se apaixonar por um homem que ele sabia ser mulher. Mas, enfim, o rolo Mariana-Mário não é para ser crível, nem a novela se apresenta como realista, ainda que, infelizmente, não se assuma como fábula, paródia, ou o que seja.  Se fosse, desde o início, assumida como um Cordel Encantado, ela seria bem melhor.  

Enfim, não acredito que o autor planejou um Luccino gay desde o início. Ele viu as possibilidades e se aproveitou delas, da mesma maneira que Walcyr Carrasco fez com Niko e Félix, só que, como as fujoshi (*fãs de BL-Yaoi*) não parecem ter percebido a novela das seis, afinal, o horário é cada vez mais ingrato, porque muita gente ainda está fora de casa ainda, ou por simples preconceito, a coisa tem passado meio batida.  Há quem creia que novelas das seis são piores que as demais, mais simples, água com açúcar, menos reflexivas e chatas.  Enfim, fosse novela das nove, a de maior visibilidade e audiência (*normalmente*), muita gente estaria comentando as bonitas e inesperadas cenas e torcendo pelos dois como o fariam com uma das nove.  Fora que tanto Otávio, quanto Luccino, estão sofrendo muito esses dias.  Aquela sequência na chuva foi destruidora... Já o toque de mãos furtivo no jantar foi para aquecer o coração.

Um quase beijo, por assim dizer.
E eu nem pensava em escrever nada, mas um amigo de longa data, o Alex, postou uma das cenas dos dois no grupo do Facebook do Shoujo Café e muita gente veio comentar.  Eu, que estava atrasada uns dois capítulos, coloquei as coisas em dia e, sim, precisava falar de Luccino e Otávio.  E o caso deste último é bem peculiar.  Otávio é um caso raro de personagem inútil que ganhou densidade e vida própria na trama. Aconteceu com ele exatamente o inverso do que houve com o coitado do Murilo Rosa, que deveria ser um dos protagonistas, já que era o Mr. Knightley, par de Emma (Agatha Moreira), e virou coisa nenhuma. Se ele e a Amélia, personagem de Letícia Persiles, outra excelente atriz, fossem para a Europa, ninguém sentiria falta, porque eles não têm lugar na trama.

No caso do Otávio, ele fazia parte do núcleo cômico normalmente atrelado à Lídia (Bruna Griphao), uma das irmãs Benedito.  Ele era um de seus pretendentes.  De repente, mas não de maneira forçada, o Capitão passou a ser uma personagem completa, alguém que vivia fugindo do que sentia, que não conseguia mais fingir que se interessava pela mais assanhada e desmiolada das Benedito, na verdade, ele descobriu que não compreendia o que ele mesmo era.  Sair do armário, ou, pelo menos, compreender que se está no armário, é coisa das mais difíceis e, por mais que a novela seja frouxa em relação aos usos e costumes de época, seria ainda mais complicado descobrir-se gay.  Mesmo hoje, ser homossexual e militar parece, na cabeça de muita gente, algo incompatível.

Otávio quase casou com Lídia..  Quase...
Otávio não tem família e tem poucas amarras, salvo sua profissão, deseja dar o salto que Luccino não é capaz de dar.  Não ainda.  Quando Luccino e o Capitão são descobertos pelos pais do primeiro, a gente esperava que ele fosse até agredido pelo pai (Jairo Mattos).  Fosse uma novela das 23h, o violento patriarca talvez tentasse matar o filho.  Agora, não acredito que ninguém que tenha visto a cena com o coração aberto, com empatia pelo menos, não tenha sentido a dor do silêncio da mãe, Dona Nicoletta (Rosane Gofman), uma personagem do bem, por assim dizer, que fria, ou em choque, dá as costas para o filho sem dizer palavra.  Comportamento absolutamente normal e mais corriqueiro do que a gente imagina até hoje.  Fala-se do passado, em filmes, novelas, seriados de época, para se falar do presente, também, não se enganem.

Agora, enfim, é o momento da angústia, do sofrimento, que daria, sim um excelente mangá.  Alguém pode dizer, e com razão, que é exagerado o acolhimento que o Capitão e Luccino recebem de algumas personagens.  Mariana, como uma transgressora por excelência, foi a primeira a compreender, ou começar a perceber, pelo menos, que Luccino é diferente, ela poderia aceitar sem maiores problemas. Já, o Coronel Brandão, talvez se fosse um homem real, não um tipo de novela, fosse mais duro, menos compreensivo.  Não pensem, no entanto, e isso é o que mutia gente deseja acreditar, que a homossexualidade foi inventada ontem, ou que em certos círculos, desde muito, muito tempo, sabia-se bem quando alguém era “diferente”, o importante, muitas vezes, é que essa pessoa cumprisse com seus deveres, isto é, casar, procriar, se ajustar a maioria, ser discreta.  O Coronel já se mostrou um homem conhecedor do mundo, mas, reforço, ele é por demais acolhedor.

Antes de qualquer coisa, eles são humanos.
Voltando a um ponto que esqueci, uma das coisas importantes que o autor fez foi antes de apresentar Luccino e Otávio como homossexuais, e permitido que o público os colocasse em suas caixinhas de representações sociais sobre o que é, ou não, ser gay, o autor os apresentou como homens como quaisquer outros.  Como pessoas.  Daí, ao revelar que eles são, por assim dizer, outsiders, eles já eram gente como qualquer outra.  Um dos problemas da representação de gays e lésbicas em peças de ficção é que eles e elas são construídos a partir da sua orientação sexual e, de certa forma, ficam prisioneiros dessa característica.  Porque, e acredito que já discuti isso, se você não diz qual a orientação sexual de alguém, essa pessoa é, por princípio, hetero.  Se você não a descreve, ela é, obrigatoriamente, branca, e por aí vai...   

Outra questão, nenhum dos dois moços têm nada dos tipos efeminados (*e nada contra os gays efeminados, é que é um clichê*) das nossas novelas.  Eles são homens como quaisquer outros, isto é, se comportam dentro da média dos papéis de gênero esperados, e, bem, uma parte considerável dos homossexuais em tempos passados deveria ser exatamente assim.  Muitos gays hoje, também.  Luccino é mecânico.  Otávio é militar e sabe manejar muito bem as armas.  Revi a pouco o meu primeiro texto de Liberdade Liberdade e vi como aproveitaram mal o André (Caio Blat).  Ele era exatamente esse gay afetado, mas ser assim não o impediria, no século XVIII, de ser um espetacular atirador e espadachim.  Enfim, outro ponto para Orgulho e Paixão.

Qual o homossexual que a maioria costuma ver?
 O estereotipado, o maniqueísta, o inofensivo.
Já e encaminhando para o final, o autor construiu de forma muito sensível a situação de descoberta da (homo) sexualidade dos rapazes e o fez de forma mais competente do que a maioria dos autores de telenovelas e em um horário cheio de limitações.  Vide como Walcyr Carrasco tratou o tema em sua última novela e o que está sendo feito por João Emanuel de Carneiro.  Como não gosto de nenhum dos dois e os vejo como superestimados, não é surpresa alguma.

Falando como mulher cis hetero, ou seja, alguém que se vê representada o tempo inteiro na TV, que vê cenas de romance envolvendo pessoas como eu o tempo inteiro, não vejo nada de menos no romance de Luccino e Otávio, muito pelo contrário, o autor vem driblando as limitações e colocando em tela toda a tensão gerada pela repressão dos sentimentos e, mais ainda, pela dúvida real em como expressá-los.  Eles não precisam se beijar, duvido que o façam, para entender todo o afeto que os move.  Eles não precisam aparecer lado a lado em uma cama (*o carro da oficina fez as vezes de cama, vocês não acham?*) para que a gente entenda que há desejo entre eles.  É possível até falar de sexo (*e eles não fizeram nada, é certo*), sem mostrar o ato.  Subentendidos, olhares, toques de mão, um abraço podem ser tão ou mais expressivos.  Não sei se vocês concordam, mas é assim que eu vejo e se aplica, também, a muitos romances hetero. 

Murilo Rosa e Letícia Persiles não tem
mais função na novela... É faz tempo!
E para quem acredita piamente que em 1910 não havia homens e mulheres homossexuais, informo que o fato deles e delas serem invisibilizados, não quer dizer que não existissem.  Afirmo ainda que muita gente se incomoda – da mesma forma que muita gente torce por eles – porque está acostumado a tolerar o gay caricato, feito para rir, e tem baixa ou nenhuma tolerância quando eles são apresentados como seres humanos da mesma forma que os heterossexuais são.  Aliás, para os críticos das novelas há duas coisas que parecem incomodar mais que tudo, uma é que as mulheres façam sexo sem culpa, que não lamentem o prazer que sentem, outra, é essa agora, termos um casal gay surgindo com força e confiança em uma novela das seis de época.

Terminando, contarei um causo.  O professor que trabalha comigo no terceiro ano teve que pegar umas turmas no segundo ano do Ensino Médio.  Nós, no Colégio Militar, usamos um dos livros do MEC atualmente, é mais econômico para os alunos e alunas.  Nosso livro atual é feito por um grupo de professores badaladíssimos da UFF (Universidade Federal Fluminense), encabeçados por um especialista em estudar gente invisibilizada e excluída, Ronaldo Vainfas.  E qual não foi nossa surpresa por descobrir que, no capítulo sobre independência do Brasil, não se fala do papel de D. Leopoldina no processo.  Há uma frase sobre ela dizendo que era austríaca e esposa de D. Pedro I.  Em contrapartida, temos um box enorme sobre Domitila para falar que era a amante, reduzindo-a a isso.  Se você é capaz de apagar a Leopoldina, imagine outras personagens... 

Sessão do Conselho de Estado,
Georgina de Albuquerque, 1922.
Vejam que se não fosse esse meu colega um sujeito muito competente e perceptivo sobre o papel das mulheres na História, ele não falaria nada sobre Leopoldina, mas ele está falando e os olhinhos das meninas estão brilhando.  E, mais ainda, ele não está inventando nada, está usando as fontes que, ao que parece, não foram consideradas importantes pelos autores e autoras do livro.  O que eu quero dizer?  Um aluno, ou aluna, pode estudar o ensino Fundamental e Médio inteiros sem saber que houve mulheres, gays, negros importantes na História, que eles e elas podem ter sido protagonistas, que não era somente vítimas ou coisa que valha.  

De novo, parabéns para o autor, Marcos Bernstein, por Luccino e Otávio, aos atores, também, aliás, por ter feito deles seres humanos e estar conduzindo tão bem essa inesperada história de amor.  Obrigada por apresentar a diversidade do humano e, não, colocar todo mundo na mesma forminha.  Mais ainda, eu entendo a raiva dos conservadores, dos reacionários, e dos homofóbicos, enfim, porque deve ser muito difícil deixar de fingir que pessoas LGBT existiam em outras era e, mais ainda, não eram somente caricaturas de gente como outras obras de ficção nos mostram o tempo inteiro.  E vocês, fujoshi que não conhecem a novela, não sabem o que estão perdendo.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Kaze to Ki no Uta ganha suas primeiras edições fora do Japão


Surpreendente, mas é verdade, Kaze to Ki no Uta (風と木の詩), um dos grandes marcos do shoujo mangá,vai ganhar suas primeiras  edições intencionais.   Publicado entre 1976 e 1984 na revista Shoujo Comic, o mangá de Keiko Takemiya causou grande impacto na época por começar com uma cena de dois rapazes desnudos dividindo a mesma cama.  Com 17 volumes, a série conta a história de Serge Battour filho de um visconde e de uma cigana, um rapaz bondoso, inteligente, mas que é discriminado por suas origens e cor de pele.  São as memórias de tempo de escola de Serge, sua lembrança de um companheiro de colégio, Gilbert Cocteau, um jovem promíscuo e explorado sexualmente desde a infância.  A amizade e o amor dos dois é um dos focos da história que trata de preconceito de classe, racismo, pedofilia e homofobia em uma Europa idealizada do final do século XIX.  é uma das séries fundadoras do shounen-ai e, por desdobramento, do BL-Yaoi.

Enfim, na Espanha, a série sairá pela Milky Way Ediciones, em dez volumes, cada um com 320 páginas e capas com ilustrações escolhidas pela própria Takemiya.  Já na Itália, a série será lançada  pela  J-POP Manga com um formato semelhante, dez volumes e 300 páginas, segundo o Shoujo Manga Outline.  Sobre esta edição italiana tenho mais informações.  Previsão é para novembro em um box com todos os volumes por 100 euros.  Curiosamente, os volumes individuais sairão depois, em separado.  Imagino que uma edição francesa logo se seguirá.


 O mesmo informe do Shoujo Manga Outline fala do lançamento na Itália de La Seine no Hoshi ( ラ・セーヌの星), que surgiu como anime em 1975 na esteira do sucesso da Rosa de Versalhes  (ベルサイユのばら).  Tornou-se um mangá sob autoria de  Asuka Morimura.  Teve três volumes e ficou incompleto.  Enfim, aos meus olhos, é coisa para os fãs dessa série genérica.  Eu, particularmente, achei La Seine no Hoshi (*assisti alguma coisa em italianos*) esquecível.  A editora, a mesma J-POP Manga, lançará a obra em dois volumes com 320 páginas e custando 9,90 euros  o volume, o box sairá ao preço de 19,80 euros.  Previsão é para o outono italiano.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Bymecast voltou!

O Blyme é o melhor site sobre BL, Yaoi e afins do Brasil.  A Tanko, amiga antiga e que fazia o Shoujocast comigo e com a Lina, ressuscitou o Blymecast com a Pacchi.  Bem, vida longa ao Blymecast.  Eu, nessa correria que está minha vida esta semana, não consegui ouvir ainda, aliás, se vocês perceberem, tenho postado muito pouco esses dias e em atraso... Enfim, para ouvir o Blymecast - e visitar o site - clique AQUI.

P.S.: A imagem veio de um outro post e é uma homenagem da mangá-ka Asumiko Nakamura, que faz BL, a um mangá (Juuichigatsu no Gimnasium) de uma das pioneiras do gênero, Hagio Moto.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Mangá discute como o o YAOI pode unir um casal


Parece que há uma tendência no Japão que é a dos mangás com fãs de BL que terminam por se encontrar, apesar de manterem seu hobby em segredo.  Este parece ser o caso de Uchi no Aikata ga Kusa na Monde。(うちの相方が腐なもんで。), de Yuuki Sumida.  Segundo entendi do Comic Natalie, os protagonistas são um casal, que apesar da capa, não são colegiais, mas universitários, a menina é uma fujoshi, mas esconde isso de todos.  Depois de um mês de namoro, ela decide revelar seu segredo para o namorado, só que o rapaz, antes que ela conte qualquer coisa, descobre um doujinshi no quarto da menina e, bem, ELE A-DO-RA.  Agora, o amor pelo yaoi passa a ajudar a unir os dois.  


Se entendi bem, ao se descobrirem, os dois passam a viver mais intensamente seu amor e ao longo dos capítulos, outros fãs de BL terminam por se juntar e formar um pequeno grupo que divide segredos e prazeres.  Parece que essa história de fãs de BL no armário é uma tendência entre os mangás nos últimos tempos.  O primeiro volume encadernado acabou de ser publicado no Japão.  A série sai em uma revista on line chamada Pinga.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Chiho Saito vai lançar a sua primeira coletânea BL


Por conta do aniversário do anime de Shoujo Kakumei Utena (少女革命ウテナ), Chiho Saito está em evidência.  Pois bem, a mangá-ka produz seus próprios mangás normais - Torikae Baya (とりかえ・ばや) e VS Lupin  (VSルパン), neste momento - é capista regular da Harmony Romance, produz mangás Harlequin (*outra notícia mais abaixo*) e eu sabia que ela produz ilustrações e mangás curtinhos para a revista BL BeXBoy e/ou BeXBoy GOLD, pois bem, a primeira coletânea de ilustrações e mangás curtos da autora está para sair.




O livro, que deve sair em dezembro, ou um pouco depois, e tem um nome nada  criativo, Hatsu BL Book (初BL BOOK).  Hatsu pode significar primeiro. É mais um material obrigatório para quem curte BL e Chiho Saito, ou somente a autora, como eu aqui.  Além disso, saiu mais um mangá Harlequin desenhado por ela.  Olha a capa:


Jumpaku No Asa wa Kirameite (純白の朝はきらめいて) é o nome do mangá e a autora do romance original é Lisa Kleypas. No original, o livro se chama Married by Morning.  Nunca li nada da autora, mas, graças à Viviane, já sei que todos os livros da autora adaptados para mangá saíram no Brasil.  Eles pertencem à série Os Hathaways com os seguintes nomes: Tentação ao Pôr-do-sol (Tempt Me at Twilight), Manhã de Núpcias (Married By Morning) e Paixão ao Entardecer (Love In The Afternoon). São os livros 3, 4 e 5 da série, segundo ela me informou.  

Tasogare Ni Hoho Wo Yosete
Yasashi Gogo Ni Kuchizukete
De resto, o Comic Natalie fala de dois outros mangás Harlequin recém lançados Tasogare Ni Hoho Wo Yosete (黄昏にほほを寄せて), ou Tempt Me at Twilight, de Jun Hasegawa, e Yasashi Gogo Ni Kuchizukete (優しい午後にくちづけて), no original, Love in the Afternoon, de Kyo Sakuraya, ambos de Lisa Kleypas.
Yashoku No Ai Ni Tsutsumarete
Yoake No Iro Tsumuide
Como a Viviane me deu esse toque, eu fui atrás para ver se outros livros da série tinham sido lançados.  Então, foram, claro.  O segundo livro da série, Yoake No Iro Tsumuide ( 夜明けの色を紡いで) ou Seduce Me at Sunrise, foi adaptado por Akino Nanami.  Já o livro #1 se chama Yashoku No Ai Ni Tsutsumarete (夜色の愛につつまれて) ou Mine Till Midnight, foi adaptado por Reiko Kishida.  É isso.

P.S.: Agradeço ao Adriano Gazoli (*acho que foi ele, não consegui reencontrar o post no Facebook*), por me avisar do livro.