segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Campanha pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Dia 6): Tráfico de Mulheres não diminui com a pandemia

 

Prostituição é um tema polêmico entre as feministas.  Há quem defenda que não somente a prática, algo permitido pela lei brasileira, mas, também, o agenciamento, a cafetinagem, seja liberada.  Normalmente, quem assume essa posição quer proteger as mulheres, porque elas são a maioria das pessoas envolvidas nessa atividade, acaba tentando diminuir ou negar que a própria ideia da prostituição parte da ideia de que os corpos das mulheres podem ser apropriados pelos homens, precificados, porque eles são os principais consumidores.  E para esses que usam os corpos das mulheres, normalmente, pouco importa se elas estão ali por desejo próprio, por falta de opção, se são adultas, menores de idade, ou ainda, se são escravas.

Esta matéria na qual tropecei comenta que quase 100 mulheres foram traficadas para a Escócia, mesmo com as fronteiras fechadas, porque a demanda não diminuiu por causa da pandemia. Talvez, elas fossem prostitutas que acreditavam que iriam "trabalhar" legalmente, mas acabaram sendo transformadas em escravas modernas.  A polícia da Escócia identificou 84 vítimas de exploração sexual nos últimos nove meses, mas alertou que a verdadeira escala do problema será muito pior.  A polícia ressalta que essas são as mulheres identificadas, deve existir outras.  “As pessoas devem entender isso aqui e agora. A escravidão não é coisa do passado, está acontecendo em todos os lugares da Escócia.”, dia o inspetor Fil Capaldi.

Nem todas as 84 mulheres foram exploradas na Escócia, mas a maioria estava no Reino Unido e estava sendo transferida para o outro lado do país. Em 2019, 114 mulheres traficadas para sexo foram identificadas.  Capaldi disse: “Quando as fronteiras internacionais se abrirem novamente, veremos um aumento no tráfico. As rotas se abrirão novamente e veremos um fluxo de pessoas chamando nossa atenção como resultado.”  Ele notou que as regras de confinamento impostas em alguns países pode ter facilitado os traficantes, restringido ainda mais a possibilidade de ir e vir das vítimas e, claro, suas chances de buscar socorro.

Investigações recentes da polícia documentam centenas de milhares de libras movimentando-se entre contas bancárias, com mulheres sendo vendidas a apostadores por cerca de £ 120 a hora. Mas as mulheres verão uma pequena fração desse dinheiro, se é que receberão.  Quatro pessoas foram presas por um total de mais de 36 anos em 2018 pelo tráfico e exploração de 10 vítimas de exploração sexual e casamentos simulados na Escócia. Uma vítima foi vendida em uma rua de Glasgow por cerca de £ 10.000.  Na semana passada, duas pessoas foram presas que exploravam sexualmente cerca de uma dúzia de mulheres traficadas.


Capaldi disse que os sites de serviços para adultos continuam lucrando com a miséria das mulheres.  Ele disse: “Ainda havia homens comprando sexo online e não vimos uma queda nisso.  Os sites são os facilitadores mais significativos da exploração sexual ligada ao tráfico no Reino Unido.”  

Nos seis meses até outubro, a Trafficking Awareness Raising Alliance (Tara) estava apoiando 73 vítimas de tráfico sexual, 38 das quais haviam sido encaminhadas desde abril.  A organização, que apoia as vítimas, estava preparada para uma diminuição do trabalho durante a Covid, isso não aconteceu, porque os “consumidores” ignoram os riscos.  O serviço foi acessado por 59 novas vítimas até março de 2020, contra 44 no ano passado, e apoiou 114 mulheres em comparação com 83 em 2018/19.  Ela acontece em meio à campanha nacional de 16 dias pelo fim da violência contra as mulheres, que começou na última quarta-feira, Dia Internacional da ONU pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.  A matéria termina explicando que qualquer pessoa preocupada com a escravidão moderna deve denunciar e dá os números de referência na Escócia.

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