segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

RIP: Morre uma das grandes damas do shoujo mangá

Acabei de ver no Jornal Asahi e no Comic Natalie que Eiko Hanamura, mangá-ka de 91 anos, faleceu devido a uma doença.  Nenhuma das fontes revelou qual seria ela.  A artista, que era formada em artes, estreou com o mangá Murasaki no Yousei (紫の妖精), Purple Fairy, em 1959 publicando Akkahon, isto é, mangás serializados fora das revistas em tinta vermelha (aka), que era a mais barata, e que eram alugados.  Mais tarde, ela circulou por paraticamente todas as grandes revistas femininas de sua época (Nakayoshi, Shoujo Friend, Margaret, Sho-Comi etc.).

A obra midiaticamente mais importante de Hanamura foi Kiri no Naka no Shoujo (少霧のなかの女) de 1968 e que foi transformada em dorama em 1975 com o nome de Katei no Himitsu.  Hanamura fez inúmeros mangás importantes e sua arte é facilmente reconhecida nas capas das revistas dos anos 1960 e 1970.  Nos anos 1990, ela fez uma adaptação para mangá de Genji Monogatari, em uma coleção de clássicos da literatura japonesa com outros autores chamada Ochikubo Monogatari   (落窪物語買), e de Jane Eyre, de Charlotte Brontë.  Antes de falecer, ela ilustrou dois cartões de Ano Novo da rede Seven Eleven.

Eiko Hanamura presidiu a Associação de Cartunistas do Japão em algum período que não consegui descobrir. Em 1989, recebeu o Prêmio de Excelência no 18º Prêmio da associação e, em 1997, recebeu o Grande Prêmio da Divisão de Mangá no 1º Festival de Artes de Mídia da Agência Cultural. Em 2007, participou como artista convidado na Exposição da Associação Nacional de Arte da França (Société Nationale des Beaux-Arts), da qual se tornou membro permanente.  Em 2017, ela foi selecionada para o Prêmio de Honra e, em 2019, para o Prêmio de Ouro na categoria Ilustração em 2019 da Société Nationale des Beaux-Arts.

Enfim, Eiko Hanamura nos deixa depois de uma longa carreira dedicada ao shoujo mangá.  Ela pertencia à geração de pioneiras que veio imediatamente antes daquela a quem é creditada a revolução dentro do shoujo mangá.  Infelizmente, há quem escreva ou fale da demografia e ignore a presença dessas mulheres, mesmo com a abundância de ilustrações produzidas por elas.  É como se antes de 1966 não houvesse mulheres fazendo shoujo, ou mangá em geral, salvo pela autora de Sazae-san, e, de repente, elas apareceram. Boom!  Não foi bem assim, não foi mesmo.

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1 pessoas comentaram:

Notei ela era era 1 ano + jovem que Osamu Tezuka... (mesma geração!!)... e viveu + que ele!
impressão minha ou Hanamura influenciou o grupo 24 ??
Olha só... ela trabalhou em praticamente todas revistas femininas locais... que fera ela !
que eu me lembre, sazae-san é josei... pois enfoca 1 dona de casa.....

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