domingo, 17 de janeiro de 2021

Minha solidariedade a quem via prestar o ENEM e minha revolta pela manutenção do concurso

Hoje, começa o ENEM 2021 sob a sombra da pandemia.  Adiado por motivos justos, a própria enquete do MEC apontou que ele deveria ocorrer em maio, segundo a vontade dos votantes, mas o governo bateu pé que tinha que ser em janeiro.  Educadores, estudantes, organizações da sociedade civil, Ministério Público, alertaram para os problemas envolvidos na manutenção do exame.  O diretor do INEP, órgão responsável pelo concurso, um militar, como tantos neste governo, morreu de COVID-19 não tem nem uma semana, aos 59 anos; Manaus está sem oxigênio; os sistemas de saúde de outras regiões do Brasil estão prestes a colapsar, ainda assim, o MEC e o INEP se recusaram a adiar o concurso por razões de saúde pública.  Recorreram na Justiça e conseguiram operadores do Direito para fazer sua vontade.  É tragédia anunciada.

Desde sexta-feira pelo menos, circula amplamente a reclamação de instituições que cederam suas instalações para o concurso de que o INEP mentiu.  Prometeu ocupação de salas de no máximo 50%, uma margem de segurança em um concurso que, em minha opinião de leiga, já não oferecia segurança alguma, quando, na verdade, está prevendo 80% de lotação.  Eles estão contando com abstenções, contemos, também, com a contaminação, as internações, o desespero e as mortes.  Mesmo com essa informação, a Justiça negou mais um pedido de adiamento, o concurso foi mantido, salvo em Manaus.

Eu lecionei durante dez anos consecutivos para o terceiro ano do ensino médio.  A pressão a qual os candidatos estão submetidos é enorme, absurda.  Para muitos, seu futuro depende dos resultados do Vestibular, a vida inteira sen do definida em uma prova.  Não é assim, sempre disse para meus alunos e alunas. Isso, claro, em situação normal, temos ainda a pandemia.  Eu não queria estar na pele de ninguém que vai prestar o ENEM.  Se eu tivesse minha filha, ela ainda é uma criança de sete anos, prestando o concurso, acredito que mesmo que ela quisesse arriscar, o pai e eu a demoveríamos disso.  Argumentaríamos que ela não perderá um ano deixando de prestar o exame, mas poderia ganhar a vida.

Eu, Valéria, professora de História, mãe, cidadã, me sinto enojada pela situação que vivemos neste país.  A irresponsabilidade de nossos governantes com a vida das pessoas.  O governador do DF nada falou sobre o ENEM, por exemplo, ele tem responsabilidade, também.  Enfim, se você vai prestar o ENEM hoje, desejo-lhe a melhor prova possível e tente se manter protegido/a.  Se tiver dúvidas, não faça a prova, pense em sua vida primeiro.  Se você é responsável por uma menina, ou menino, que vai tentar a prova, coloque na balança os prós e os contras, ponha-se no lugar dele, ou dela. Será que vale a pena? E digo que eu também não queria estar no seu lugar.

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2 pessoas comentaram:

Já já os puxa-saco do "mito" falarão do PT da Venezuela pra desviar o foco....

Nem morto eu faria o ENEM nessa situação !

Faça 1 post denunciando a corrupção midiática....
Certos veículos de imprensa que nem Recópia e Jovem Klan tão
bajulando demais o miliciano.....

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