Ontem, assisti ao primeiro episódio de Ikoku Nikki (違国日記), anime baseado no mangá de Tomoko Yamashita. O original foi publicado na revista Feel Young, tem 11 volumes e já foi transformado em live action em 2024. Não li o mangá. Depois do primeiro episódio do anime, fiquei curiosa em relação ao live action. A série parece ser uma história sensível e adulta sobre alguns temas que são universais, por assim dizer, como família e luto. Segue um breve resumo:
Makio Koudai é uma escritora de romances de 35 anos extremamente antissocial e que mora em um apartamento caótico. Ela termina acolhendo em sua casa sua sobrinha de 15 anos, Asa Takumi, depois que os pais da adolescente, incluindo a irmã que Makio odiava, morrem em um acidente de carro. Makio sequer lembrava do nome da sobrinha, mas percebendo que ela ficaria à deriva, já que nenhum membro da família parecia de fato querer ficar com a menina, ela decide assumir a garota, mesmo a advertindo de que, talvez, ela nunca viesse a amá-la. A partir daí passamos a acompanhar a difícil convivência entre essas duas mulheres tão diferentes e como uma termina preenchendo o vazio da outra.
Sabia que iria gostar de Ikoku Nikki, era inevitável. A série tem um ritmo de filme cult, pegue Sentimental Value (Valor Sentimental), que eu estou assistindo aos poucos, e coloque lado a lado com Ikoku Nikki e vocês irão perceber que é o mesmo tipo de experiência. Sentimentos contidos, narrativa fragmentada, um desapego em relação à rigidez da temporalidade. Quando o primeiro episódio começa, tia e sobrinha já estão convivendo, a casa de Makio já parece uma casa e Asa prepara refeições saudáveis para ambas. Daí, retornamos no tempo para o dia do acidente.
Makio odiava a irmã. Não sabemos o motivo ainda, não sei se saberemos. Sabemos que ela é a mais nova. Makio acaba indo até o necrotério, lá, ela encontra a sobrinha com uma parenta mais velha. A adolescente está sonolenta e a velha senhora diz que vai assumir a responsabilidade pela papelada. Makio é reservada, parece fria, mas se preocupa com o bem-estar da garota e a leva para comer alguma coisa. É uma forma de apoio muito consistente.
Como esse episódio é feito de fragmentos temporalmente desorganizados, temos pesadelos de Asa. Ela ouve a conversa dos adultos. Todos têm pena dela, mas ninguém a quer. Lembrei de Diário de uma Cidade Litorânea (Umimachi Diary), série também adulta e sobre família que começa com a morte de um pai que abandonou esposa e filhas por outra mulher. Agora, ele morreu e deixa para trás uma menina de 13 anos que ninguém quer. As irmãs mais velhas, que nunca a tinham visto, que tinham motivos para odiar o pai, a acolhem. Um novo arranjo familiar se constrói a partir desse momento.
Famílias são plurais e certamente Makio e Asa irão se constituir como família. A tia solitária e que se vê como autossuficiente terá sua vida transformada pela adolescente. Já a menina, que sonha que está sozinha em um deserto e se sente deslocada ao se ver morando com essa adulta estranha, passará a ver a vida por outro ângulo. Não peguei spoilers, mas apostaria nisso. Makio não esconde de Asa que odiava a sua mãe, mas lhe dá um conselho precioso, que ela mantenha um diário (journal), que registre seus pensamentos e sentimentos, que isso ajudaria a lidar com a dor.
Não vou me estender mais nessa resenha. O título Ikoku Nikki significa "Diário de uma Terra Estranha", em português, mas tem como título em internacional Journal with Witch (Jornal com [a] Bruxa). Só que Assa não vê a tia como uma bruxa, mas como uma rainha de uma terra estranha. Não sei o motivo da escolha. Concluindo, a arte da série é sóbria, nada de exageros estilísticos, é tudo simples e elegante. A abertura e o encerramento são bem bonitos, delicados mesmo. Espero poder continuar assistindo. Espero mesmo. A série está disponível na Crunchyroll.





















































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