Quando a cultura pop aparece em exames vestibulares, seja aqui ou em qualquer lugar, eu fico feliz, se se trata da Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) ou outra série que eu aprecio muito, a coisa se torna realmente especial. Muito bem, segundo vários sites japoneses (*Ex.: 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6*), e estou usando o MSN, uma questão do Exame Comum de Admissão na Universidade (大学入学共通テスト, Daigaku Nyuugaku Kyoutsuu Tesuto), que ocorre no primeiro fim de semana de janeiro após o dia 13, sobre a Revolução Francesa usou a Rosa de Versalhes e discutiu questões de gênero, também. A questão foi aplicada ontem e só mostra a importância que a série tem no Japão, mesmo que a própria Ikeda já tenha dito que os mangás não deveriam ter lugar nas universidades.
Segundo o site, uma das cenas citadas foi aquela em que Oscar, filha de um aristocrata, mas criada como menino por seu pai general, pergunta a ele: "Se eu tivesse crescido como uma mulher normal, teria sido casada aos 15 anos?" [Essa é uma das passagens do mangá que eu mais aprecio, quer dizer, toda essa parte em que o pai de Oscar quer casá-la com Gerodelle e ela fica se questionando sobre sua vida até então e vai se aconselhar com sua mãe, que lhe diz as coisas certas.] A questão também utilizou a famosa cena em que Oscar, que se aliou aos cidadãos durante a Revolução Francesa, lidera o povo para a batalha, gritando: "À Bastilha!!" A questão perguntava se os alunos conseguiam organizar corretamente essa cena em ordem cronológica com outros eventos relacionados à Revolução Francesa. O enunciado também incluía uma frase sobre a França da época, dizendo: "Acredita-se que as mulheres aristocráticas da época ocupavam uma posição subordinada a seus pais e maridos dentro de uma ordem patriarcal". 🤩
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| Foto da questão do exame. |
A questão causou surpresa e foi amplamente comentada nas redes sociais: "Tirei uma nota tão alta graças a 'A Rosa de Versalhes'!!!" e "Eu realmente deveria ter assistido 'A Rosa de Versalhes'". A matéria diz que o exame de História Geral "também incluiu questões que convidavam os alunos a refletir sobre a história medieval e do início da era moderna a partir de uma perspectiva de gênero.".
E vou citar o que a matéria diz sobre as questões de História Moderna e Medieval acrescentando links: "Como tópico sobre a relação entre mulheres e política na Idade Média, foi proposta uma questão que exigia que os alunos interpretassem uma passagem do livro histórico "Gukansho", que afirma que "o Japão realmente se tornou um país onde as mulheres deram o toque final à política", referindo-se a Hojo Masako, esposa de Minamoto no Yoritomo, o primeiro xogum do xogunato Kamakura, que ascendeu ao poder após a morte de Yoritomo. Também foi apresentada Hino Tomiko, esposa de Ashikaga Yoshimasa, o oitavo xogum do xogunato Muromachi. Embora sua avaliação histórica tenha sido tradicionalmente negativa, com seu envolvimento ativo na política e nas atividades financeiras do xogunato sendo visto como o de uma "mulher má", a questão abordou como as pesquisas têm mudado sua perspectiva para uma visão mais positiva. Alguns pesquisadores observaram que "seu envolvimento na política do xogunato ocorreu em um momento em que seu marido, Yoshimasa, havia abandonado os assuntos governamentais, e que suas atividades financeiras foram essenciais para administrar as finanças do xogunato, além de fornecerem apoio econômico àqueles a quem ela emprestava dinheiro". O tema das mulheres e da política é debatido desde o período Edo, mas a questão abordou a disseminação de valores patriarcais, incluindo o fato de que a frase confucionista "as galinhas se levantam pela manhã", que significa "uma família ou país onde as mulheres assumem a liderança perecerá", apareceu em textos morais e preceitos familiares de samurais no final do século XVII, e que "resumos e traduções japonesas de biografias chinesas de mulheres começaram a ser publicados, e apoiar os homens passou a ser visto como uma virtude para as mulheres"."
| Mangá de Fujita Motoko sobre Hino Tomiko. |
Achei lindo isso aqui. Queria saber se essa prova recebeu reações negativas do povo que odeia mulheres, que nega a sua participação na política ou que acredita que a manutenção da sua subordinação nos espaços público e privado é legítima. Imagino que elas também tenham pipocado na internet. De repente, eu procure ver o que outros sites estão dizendo sobre o ocorrido. E, para quem não sabe, o mangá da Rosa de Versalhes foi publicado no Brasil pela JBC, que deveria ter relançado no ano passado por conta da nova animação. O volume #1 continua esgotado e outros estão com o preço exorbitante. Abaixo, o Shoujocast que eu fiz sobre a animação, mas há muito material sobre o mangá aqui no blog e no meu canal do Youtube, também.
















































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