quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Comentando O Despertar (The Awakening)



Esses dias, assisti uma batelada de filmes em casa. E, bem, meu compromisso em resenhar todos eles está de pé. Resenhas pequenas, espero, mas vou comentar todos: Meu Malvado Favorito, Homens de Preto 3, o novo Homem Aranha e O Despertar. Fora isso, terminei de assistir a 3ª temporada de The Borgias e ler os quatro livros de Parade’s End. Enfim, dêem um tempo e tudo aparece aqui no blog. Mas vamos começar com O Despertar ou The Awakening, outro filme que descobri que fiz bem em não ver no cinema. Vamos lá, resumo da história:

Inglaterra, 1921, Florence Cathcart (Rebecca Hall) é uma cética famosa por desvendar fraudes ligadas ao mundo sobrenatural, expondo falsos fantasmas, médiuns e videntes. Um dia, um estranho, chamado Robert Mallory (Dominic West), aparece em sua porta e diz que foi enviado pelo diretor de uma escola preparatória para meninos em Cumbria para investigar a estranha morte de um dos alunos e a suposta presença de um fantasma na escola. Ele explica que antes que o prédio se tornasse uma escola, um menino morreu na casa e mostra uma seqüência de fotos anuais com os alunos nas quais um espectro de criança aparece repetidamente. Florence resiste, mas acaba aceitando o caso.


Na escola, Florence é recebida por Maud (Imelda Staunton), a governanta, que é sua fã, já leu seu livro várias vezes, e tem total confiança em seu trabalho. A resolução da morte do menino é relativamente fácil, mas a investigadora fica impressionada com a suposta presença de um fantasma na propriedade e prolonga sua estadia mesmo depois de desvendar as circunstâncias da morte do estudante.  Começam as férias escolares e Florence fica na escola junto com Maud, Robert e um garoto, Tom (Isaac Hempstead Wright), cujos pais moram na Índia. A partir daí, a investigação toma rumos inesperados e todas as crenças de Florence são colocadas em teste.

Peguei este filme por causa de Rebecca Hall. Gosto de vê-la atuando, ela fica linda naquele figurino de transição para os loucos anos 20, e ela não decepciona como Florence Cathcart. O problema do filme não é com ela ou com o resto do elenco, mas com o roteiro mesmo. No início, Florence é uma personagem segura de si e que coloca o sua inteligência a serviço da ciência. Há muito de Sherlock Holmes nela, aliás. A primeira seqüência do filme, que seguiu uma explicação sobre as perdas geradas pela I Guerra e a Gripe Espanhola, foi bem impressionante com a investigadora expondo uma fraude na qual falsos médiuns tentavam enganar uma senhora rica. A mulher, no entanto, não fica grata à Florence, pois ela queria, sim, poder falar com sua filha morta.


Parecia que o filme seria sobre isso, como muitas pessoas desejam ser enganadas porque isso é mais confortável do que confrontar a perda de entes queridos e a dor. Até poderia aceitar que a personagem de Rebecca Hall acabasse realmente encontrando com um fantasma de verdade na escola sinistra. Nada tenho contra filmes bons filmes com temática sobrenatural. O problema é que a investigadora, uma mulher cética, inteligente e racional, rapidamente se desmonta emocionalmente ao ser confrontada com os estranhos eventos que acontecem na escola. A partir daí, o filme mais parece aquelas novelas espiritualistas do horário das seis da Globo, do tipo que elimina qualquer possibilidade de explicação fora do campo espiritual.

Sim, o fantasma existe, o problema é a forma obscurantista como a questão da existência desses seres sobrenaturais é colocada na história e a destruição emocional da personagem. Fora, claro, que as reviravoltas do roteiro são bem forçadas e absurdas, um dos exemplos menores é o motivo da culpa da protagonista em relação à morte do noivo. Mas o que mais me incomodou foi não explicarem a origem das lembranças que a protagonista tinha da África, assim como da fajutíssima  cicatriz que ela tinha no corpo. E o final, claro! Não tenho nada contra finais estranhos ou dúbios, ou não seria fã do anime de Utena, mas o roteiro precisa dar suporte para que a dúvida se sustente. Nesse caso, a grande questão é se a protagonista morreu, ou não morreu.


De resto, temos a fofura que é o menino Isaac Hempstead Wright, bonitinho com aquele uniforme parece saído de um mangá como o Coração de Thomas ou Kaze to Ki no Uta. Imelda Staunton, uma das grandes damas da dramaturgia inglesa, está muito bem como estranha governanta, personagem fundamental para a história. Por fim, ainda temos Dominic West desfilando sua beleza rústica pela tela, com direito a cena de nu e tudo mais. Só que isso não é suficiente.  Aliás, há uma boa química entre ele e Hall, fora que boa parte da tensão das duas personagens parecia sugerir que sexo seria o melhor remédio para os dois.  Podem acreditar, não estou sendo reducionista, nem exagerando, não.

Como história o filme é bem fraco, mas é bem sucedido em uma coisa. Boa parte dos homens jovens do filme são traumatizados de guerra. Uma das questões que consegue ser razoavelmente trabalhada são os efeitos da I Guerra sobre a população. Há um professor absolutamente desequilibrado e que tortura os alunos para fazê-los fortes. A personagem de West tenta manter a linha, mas é cheio de tiques que remetem aos anos na trincheira, além de se mutilar em segredo. O zelador da escola é desprezado porque mentiu doença para não ir para o front. E, por fim, Florence Cathcart perdeu o noivo na guerra e nunca conseguiu superar a morte do amado.


Não há muito mais o que dizer. O filme carece de uma trama coerente para conseguir assustar ou pelo menos deixar uma tensão no ar. A paisagem desoladora e a escola ao mesmo tempo claustrofóbica e espaçosa conseguem maior efeito do que o roteiro em si.  Depois de uma abertura muito inspirada, ele erode a personagem principal e a transforma em uma desequilibrada. Cathcart até poderia se deixar abalar e minar, mas tudo foi muito rápido dada a solidez que ela passava no primeiro quarto do filme. Mesmo cumprindo a Bechdel Rule fácil e tendo uma protagonista mulher, O Despertar é bem decepcionante. Recomendado para os fãs de Rebecca Hall e pela boa apresentação que faz dos traumas deixados pela Primeira Grande Guerra. De resto, é um filme esquecível, apesar do selo da BBC.

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19 pessoas comentaram:

Quando irá assistir e comentar "Melancolia"?

Olá. Assisti ontem ao filme. Peguei-o já pela metade e confesso que também fiquei na dúvida se ela morreu ou não. Quero rever, desde o início e tentar esclarecer a dúvida.

Assisti o filme dias vezes e em
Ambas gostei muito - me agradou bastante o filme - detesto
Filme de terror tipo pastelão ... Por isso os que colocam em cheque a sanidade das pessoas mais o sobrenatural, me encantam ... Na segunda vez Q vi o final ... Tive quase uma certeza de que ela vive no final . Abraços

Acredito que ela não esteja viva no final, pois como podemos ver, os diretores falam sem se importar com a presença dela - que passa ao lado deles.

Ela morre, depois dos diretores ignorarem ela, ela atravessa as cadeiras !!!!

O filme é fraco, ruim. Também tive a sensação de ver uma novela das seis. O final, horrível. O roteiro é confuso, contraditório e repleto de falhas. Tudo bem, é um filme da BBC, não se pode esperar muito, mas esse me pareceu bem abaixo da média.

Ela tá viva, o diretor estava mandando uma indireta para ela.
Até no final ele pede para Dominic pedir para o taxi esperá-la no final da estrada e diz que volta no próximo sábado já que ele vai dar aula a semana inteira.

Ela não atravessa as cadeiras, é o sobretudo dela. E no final ela pede para o "namorado" pedir para o taxi esperar por ela no final da estrada e diz que vai voltar no sábado, ou seja, ela vai embora pra cidade e volta no final de semana, fora que várias crianças a veem

Eu acho que ela morreu!
1 ponto o diretor não vê ela.
2 logo em seguida o "namorado" fala um trocadilho- posse sentir você!
3 O garoto ruivo é um menino solitário por isso consegue vê ela! Pq ele também começou vê o Tom.
4 Ela fala "Olá" para grupo de pessoas e ninguém nem olha no final do filme!

Então acho que ela morreu!

Mas ela fala que o diretor nem a viu passar e estava falandi dela... dúvida eterna....

Duvida cruel, se alguém descobrir se
ela norreu ou não, mandem msm...pq também naum entendi kkkk

Bom eu não gostei foi da análise que fizeram do filme! Creio que os filmes são entendidos pela bagagem pessoal de cada um, gosto de assistir filmes para alguns embasamentos terapêuticos e o título me levou a curiosidade. Bom até um certo ponto eu estava pensando em estar lidando somente com o sobrenatural, creio que foi uma proposta para chegar até o ponto principal os traumas psicológicos de infância Florence Cathcart, na análise não foi comentado sobre o casarão que foi a casa de Florence, a governanta teve o filho bastardo o pequeno Tom, que morreu sendo atingido pelo pai, quando o mesmo queria matar Florence já que ele não gostava dela por ser menina e naquela época o machismo e o patriarcado eram mais fortes, pois o homem tinha o poder de liderança. O pai de Florence era cruel, provavelmente violentou a governanta tendo um filho com ela, a mãe de Florença que fora assassinada pelo marido chamou o pequeno de bastardo, logo fiz suposições. Subtende que a governanta que cuidava também de Florence, pois era governanta na casa dela, armou tudo para que ela viesse para o internato alegando que não acreditava em "espíritos" porém o tempo todo ela via o pequeno Tom que fora seu filho assassinado na casa e de certa forma queria "ajuda-la" e ajudar a alma de Tom que sempre se sentiu sozinho. De fato Maud queria fazer Florence se lembrar do que ocorreu no passado com a ajuda de Tom(o espírito). Penso que o tempo todo o Autor do filme está fazendo uma alusão com o espiritismo para acessar o inconsciente de Florence, mesclando realidade com sobrenaturalidade, ao se atacada pelo zelado do internato é gerado um choque, ela consegue voltar correndo para o internato e ao encontrar Robert diz a ele pra poder não contar pro Tom pois ele já está assustado. É onde ela reage ao ceticismo dela e vai direto para um compartimento da casa onde o encontra e onde está a maquete/casa de bonecas que parece uma replica da casa, ele o ajuda a relembrar dizendo que ela que ela precisa olhar, precisa relembrar e grita com ele, querendo fugir da sua realidade esquecida, mas ao olhar novamente vem toda a lembrança da "criança ferida" que foram e aí e aquele monte de desenrolar de cenas que foram reais, que é a historia de Florence provavelmente aos 9 aos 10 anos e de Tom com uma idade próxima ao meu ver. Florence(ego protetor) criou uma história imaginaria com o ataque do leão, a cicatriz no ombro são os estilhaços da bala que matou Tom. Nossa ego uso esse recurso realmente para esquecer histórias traumáticas. No caso de Florence para esquecer o assassinato da mãe do Tom e o suicídio do pai.Na realidade o filme o tempo todo está fazendo alusão ao nossos fantasmas internos, nossas culpas, nossos medos, e nossas "vergonhas"...Ha o fato de Florence ter sentido culpa pela morte do noivo e que ela terminou com ele, pelo fato provavelmente do medo de perde-lo, ela fala sobre isso no filme, isso tem haver com o trauma das perdas e ela ser levado pra adoção!...O fim, a governanta se envenenou e envenenou Florence para que ficassem os três juntos, porém Tom a salvou, trazendo um remédio que ele deu para que ela vomitasse! Pra mim o filme foi excelente e muito claro! Recomento vcs assistirem novamente com um novo olhar, com um olhar desperto!

Excelente comentário, Fabiana Juvencio, também não gostei da análise feita aqui no blog, muito superficial, profundidade só no natural desgosto do resenhista em relação ao filme. Na crítica ao desmonte emocional da personagem faltou ligar esse desmonte (bem natural, eu diria) à história de Florence e do casarão em que viveu,bem como aos episódios que ela vivenciou na infância, e posteriormente ao perder o noivo. Gostei muito do filme, assisti duas vezes: na primeira vez, acreditei que ela tivesse sobrevivido ao veneno; na segunda, estou mais tentada a creditar que ela morreu, mesmo tendo tomado o remédio para vomitar, talvez não tenha chegado a tempo. Mas confesso, ainda tenho dúvidas quanto ao final. Recomendo.

Exatamente o que pensei.Acho q ficou na cara q ela morreu.
Na segunda vez q vi o filme, achei q ela tivesse morta desde q caiu na água. E o veneno foi só pra ela se aceitar q ja estivesse morta .

Adorei...nao sei até hj se morreu ou nao..

Tb nao sei...mas GOSTEI muito do filme

Isso! Observei exatamente esses pontos que vc falou e acredito 99% de que morreu sim.

Fabiana, gostei muito e concordo com seu comentário. Sobre as críticas, acredito que as pessoas que assistiram ao filme escolhendo-o pela classificação "terror", logicamente se decepcionaram. Eu o escolhi, também curiosamente instigada pelo título e não me decepcionei. Descobre-se que, a personagem que vivia atormentada e angustiada, sofria na verdade de amnésia provocada por um trauma vivenciado na infância. A certa autura da vida, teve a chance de recordar e desvendar não só o mistério e o fantasma que assolava o tal colégio, mas também, o misterio e o seus proprios fantasmas. Pôde dar sentido e preencher uma grande lacuna da sua vida. Verdadeira elaboração. Amei e recomendo o filme!

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