sábado, 9 de março de 2013

Algumas palavras sobre o Último Capítulo de Lado a Lado



Ontem terminou a novela das seis mais elogiada dos últimos anos.  Aliás, não me recordo de novela desse horário que tenha rendido tanta atenção positiva, especialmente, na internet.  Mantendo uma baixa audiência (*em São Paulo*) durante todo o seu percurso, já que se trata de um horário ingrato, quando muita gente está na rua, saindo do trabalho, indo para a faculdade, presa em engarrafamentos, Lado a Lado angariou muitos fãs que a assistiam no computador.  Talvez exatamente por terem percebido isso, a trama não sofreu intervenção ou foi encurtada, como outras novelas de época que a antecederam.  Fechar no Oito de Março foi simbólico, afinal, uma das questões chave na história era a luta das mulheres por sua cidadania e igualdade.

 Esse último capítulo da novela, somado aos que o antecederam, talvez tenha sido dos mais coesos e bem construídos que eu já assisti.  Praticamente nenhuma personagem ficou esquecida, todas as tramas foram fechadas, mesmo que não goste do fechamento de algumas delas, mistérios foram revelados, os bons recompensados e os maus punidos.  Isso é novela, no sentido mais clássico do termo, e vários autores consagrados não têm conseguido finalizar de forma razoável as tramas que criam.  E, sim, Camila Pitanga desfilou seu deslumbrante vestido de noiva no final, em uma improvável cerimônia presidida por um padre católico e uma mãe de santo em 1911.  Além disso, houve a celebração da amizade entre mulheres.  Laura e Isabel (*mas, também, Laura e Sandra*) serviram para mostrar que os laços de amizade, afetividade e solidariedade entre mulheres podem ser duradouros e que mulheres não são inimigas em potencial, competidoras, como muitas novelas e outros materiais fazem questão de repetir.  Mas a novela, a despeito do que muitos dos seus espectadores acreditam e da negativa dos autores, não falava do passado, ela falava do presente, das discussões que fazemos hoje sobre direitos das mulheres e racismo.  



Até a escolha do registro coloquial servia para marcar isso, assim como as falas didáticas e o uso repetitivo do termo “preconceito” da forma mais anacrônica possível.  Isso não torna a novela ruim, muito pelo contrário, mas a tornou artificial em muitos momentos, algo que outros analistas também apontaram. Ela fluía melhor quando deixava de ser panfletária e permitia que as personagens agissem e interagissem sem ter que fazer discursos ou serem excessivamente didáticos.  Peguem as seqüências do manicômio, por exemplo, ou quando Edgar finalmente perde sua paciência inabalável com Fernando e Catarina. Fora isso, o elenco de Lado a Lado era excelente e interracial.  Talvez, tenha sido a primeira novela na qual negros e negras não tenham se sentido minoria, porque, bem, só na TV mesmo os não-brancos são minoria neste país. E tivemos negros e negras fazendo bons e maus, com nuances de caráter, personagens complexas, enfim.  

No entanto, qualquer crítica que eu tenha – e nem cheguei no ponto principal – amarela quando eu vejo as chamadas de Flor do Caribe.  Gosto de Walter Negrão, ainda espero ver seu remake de o Direito de Amar, mas essa coisa que vai estrear na segunda-feira, representa um tremendo retrocesso em termos de teledramaturgia.  Se você pega o elenco, vê que só há um ator negro.  Unzinho só!  E toma Nordeste fake, praias paradisíacas, gente sarada e com roupas que deixam isso bem evidente e, o que parece que vai virar moda, militares. Sim, porque há algo de Top Gun em Flor do Caribe.  E sabe o que me vem à cabeça?  Trata-se de um filme gay disfarçado, mas, enfim, quem curte aquilo que o povo chama de “boys magia”, vai se sentir plenamente contemplado.  


Enfim, os méritos de Lado a Lado são muitos, um deles entregar-nos uma protagonista tão rica quanto a Isabel.  Uma mulher negra, batalhadora, que se fez por si mesma.  Quantas “self made woman” temos em nossas novelas?  Isabel teve seus momentos complicados, como a radicalização que pontuei em sue retorno da França, mas, no geral, Camila Pitanga nos ofereceu uma das melhores heroínas de novela dos últimos tempos.  E, melhor ainda, Isabel não terminou com o mocinho branco, algo muito comum nas telenovelas que eventualmente tem uma heroína negra.  Ela escolheu – ainda que o romance com altos  baixos tenha irritado às vezes – o homem com o melhor caráter e isso a despeito de toda a pressão da audiência racista (*Sim, racista, mesmo que não se dê conta disso*) para que ela ficasse com o lindo moço branco que só foi de redimir bem perto do fim da trama.  Lado a Lado também mostrou que um homem negro e que não se enquadra nos padrões de beleza vigentes, pode, sim, ser o herói de uma novela e não perder a mocinha, igualmente negra, para o moço branco rico de plantão. Vide a novela que terminou de ser repetida à tarde e que tinha o nome infame de Da Cor do Pecado.  Ser negra é ter a cor do pecado, da luxúria, da sedução.  Na leitura de quem?

Não falo de Laura, porque continuo pensando praticamente o mesmo que escrevi no texto que atraiu tanta gente aqui para o blog.  Achei o fim da picada que tanto ela, quanto Edgar, tenham demorado tanto a ficar juntos graças à recursos fracos de roteiro e que, somente no final, ela tenha acreditado que o moço não tinha recebido suas cartas.  Sendo ambos tão inteligentes, conhecedores do caráter duvidoso de Catarina, essa seria a primeira desconfiança... Mas disse que não ia falar de Laura e não vou.  Meu texto anterior continua valendoAgora, foi muito bom poder ver o quanto Thiago Fragoso evoluiu como ator, basta pegar seu desempenho em O Profeta e comparar. :)  E vamos ao que me incomodou muito, mas muito mesmo.  


Os últimos dois capítulos foram marcados pela derrocada da vilã, Constância, interpretada brilhantemente por Patrícia Pillar.  Capaz de tudo pela família, isto é, pelo controle sobre os seus e pelo poder, ela fez de tudo para prejudicar Isabel desde o início da trama.  Seu castigo era certeza, mas qual seria ele?  Eu imaginei que o ideal seria o julgamento e a prisão, e que cenas de tribunal iriam marcar os últimos capítulos.  E antes que alguém diga que isso seria muito irreal, lembro que a novela foi cheia de irrealidades.  Como Lado a Lado fala do passado para falar do presente, seria uma forma de marcar posição também em relação à impunidade dos poderosos, não é mesmo? No entanto, a escolha dos autores foi, ao mesmo tempo conservadora e ofensiva, especialmente em um Oito de Março.  Sigam comigo:
1. Constância fez de tudo para que seu marido voltasse a ocupar uma posição de destaque na sociedade.  Assunção (*e como Werner Schünemann foi mal aproveitado...*) sempre soube que a mulher tramava coisas, mas fechava olhos e ouvidos, gozando dos bons frutos.  Não fosse a esposa, ele teria levado a família à falência.  Era igualmente racista, rejeitou o neto e coisa e tal.  Só que, de repente, foi investido de todo o poder  patriarcal para punir a megera, sem se separar dela ou fazer com que a justiça comum fosse feita, até porque, isso seria o fim de sua carreira política.  Muito cômodo para um homem tão justo.
2. Uma novela que se propõe a discutir a opressão em relação às mulheres legitimou o poder do pater familias de punir aqueles que lhe pertencem, neste caso, a esposa adúltera.  Vejam bem, isso é coerente com a época, ele poderia matá-la inclusive com a certeza da absolvição, mas Lado a Lado fugiu e criticou práticas como estas o tempo inteiro.  Por que abrir uma exceção para a vilã?  Obviamente, porque como mulher má ela merecia o pior.  Assim, Assunção, elevado à categoria de inocente – as mulheres são sempre as perversas e culpadas – humilhou a esposa; se desfez de suas propriedades (*roupas e jóias*), que, por extensão eram dele mesmo; a fez se vestir de empregada (*maid*) e servi-lo.  A roupa de “maid” é um grande fetiche e fiquei me perguntando se, já que ele queria mostrar para ela como o século XIX era bom, não deveria Constância estar descalça como uma escrava.  Por fim, Constância terminou vestida em roupas ordinárias, lembrando uma penitente, e foi enviada em carroça aberta (*Ah, o cheiro de inquisição!*) para a fazenda mais pobre da família.  Só faltou cortar-lhe os cabelos.  A vilã era rica antes de casar, mas mulher casada não tinha direito à propriedade própria e, por conta disso, foi reduzida à miséria pelo marido que só voltou a ascender socialmente, porque ela, Constância usou de todos os métodos para isso sem nenhum escrúpulo.  Nesse caso, valeu o por trás de um (*nem tanto*) grande homem, há uma grande mulher.  Lembram do conselho da personagem de Uma Thurman em Bel Ami?  É o tipo de poder que a esposa de Bonifácio sabe que tem e que foi bem mostrada no último capítulo.
3. Como tradicionalmente acontece, a vilã apanhou muito.  Isabel bateu em Constância várias vezes e no último capítulo com vontade.  É mais que sabido que mulher apanhando em novela – especialmente de outra mulher para evitar acusações de machismo – já virou um clássico para levantar audiência.  Curiosamente, não fez diferença nesse caso.  E, sim, Constância ainda foi chamada de “vadia” pela esposa de Bonifácio.  “Vadia” é aquela ofensa que toda mulher vai receber em algum momento de sua vida,  “santa” ou “puta”, esse xingamento é regra geral, afinal, a conduta sexual das mulheres sempre está na berlinda.  O valor de uma mulher é constantemente medido pela forma como se comporta em relação a sua vida sexual.  E, bem, colocar esse xingamento na boca de outra mulher nada tem de feminista, mas está dentro da receita de bolo da humilhação da grande vilã. 
4. Constância foi rejeitada pelo neto e pelos filhos.  As cenas com Laura nos últimos capítulos foram todas impecáveis.  A reação da filha foi mais do que esperada e casou bem com a trama.  Depois de tudo que Constância fez com ela, Laura teria que ser muito boazinha para aceitar qualquer relação com a mãe.  A rejeição de Elias foi forçada esaiu meio que na correria para definir as questões principais da trama.  A cena toda foi muito jogada, assim como o menino desprezar a avó que tanto idolatrava sem refletir um pouco.  Seria melhor construir tudo de forma gradual, com o menino descobrindo aos poucos que aquilo que todos lhe diziam sobre Constância fazia sentido.  Agora, o pior foi Albertinho.  Homem adulto, barbado, mas que foi redimido no final (*nada contra isso*) destacando que a culpa de sua conduta desprezível durante boa parte da novela era da mãe.  Assim como Assunção-pai, o filho era um pobre joguete, sem autonomia, sem identidade, culpa da bruxa.  Pobres homens, não é mesmo?  Ora, filhos adultos são capazes de fazer suas escolhas, Albertinho já era adulto no início da trama.  A culpa de seu mau caráter não é dos pais somente (*sim, pai omisso e mãe super-protetora*), muito pelo contrário.  Vide Fernando, que terminou muito bem dadas as suas vilanias:  ele teve uma boa mãe, mas sempre optou pelo mal, ainda que o pai tivesse, sim, lhe provocado sofrimento, foi escolha. E duas coisinhas: aquela história de Albertinho no Exército foi a grande ponta solta da novela, ele nunca apareceu de farda, ainda que tenha dito uma ou duas vezes “sou tenente blá-blá-blá” e, no final, ele vira garçom.  No Brasil, no início do século, um sujeito com a formação e a estampa de Albertinho, conseguiria outra ocupação sem ser servir mesas.  Mas, de repente, era penitência.

É isso, Constância deveria ser punida pela Justiça comum, isso seria coerente com a novela e suas bandeiras, e, não, em um rasgo machista, os autores autorizarem o pai de família a exercer seus direitos de senhor sobre a esposa má.  Sei que muita gente vibrou e achou ótimo, já estava fazendo analogia com a Carminha de Avenida Brasil, dizendo que Constância virou “empreguete” e que Assunção deveria dizer “me serve vadia”.  Mas reflitam no significado da anulação da culpa e responsabilidade do marido e na concessão ao homem do direito de ser juiz e executor.  A vilania de Constância não poderia servir de justificativa para que tudo o que a novela defendeu até agora fosse erodido em uma vingança carregada de tons machistas.  Lado a Lado poderia terminar muito melhor, muito mesmo.  Ainda assim, Patrícia Pillar brilhou e mostrou novamente que é uma das melhores atrizes de sua geração.  Minha felicidade é estar livre de novela das seis por pelo menos seis ou sete meses, de Flor do Caribe não devo ver nem um capítulo sequer.

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7 pessoas comentaram:

Eu não vi a novela, mas minhas amigas de faculdade falaram tão bem dela que estou ansiosa para vê-la de novo no vale a pena ver de novo. Também achei a interpretação da Patricia Pilar muito boa, pois ela convence como vilã da mesma forma que convence como boazinha. Vi só alguns trechos dessa novela e alguns comerciais, e por isso não sabia bem da tônica feminista da novela. O fim da vilã até que foi divertido, mas concordo qdo vc diz que se a novela reclamou o tempo inteiro da opressão feminina, teria que ter dado um fim melhor pra ela. O problema das novelas na minha opinião é ter que simplificar demais as tramas para conseguir diversos públicos. A qualidade cai e eles dão pouco valor aos processos vividos por cada personagem.

Amei Lado a Lado,mas achei que o final deixou a desejar,fatou a emoção que teve em vários capitulos,chorei em varios,mas as cenas do final foram muito corridas,e a constancia deveria ter se dado mal,o que não aconteceu,tá certo que aconteceu o que ela mais temia,ficar sem a familia,todo mundo teve o que recebeu,bem cliche,e a premaição na confeitaria,nada a ver,era preguiça de fazer outro cenario? no geral gostei da novela,é isso,adoro o blog.Fighting

Apesar de não acompanhar a novela religiosamente (confesso que no meio da trama peguei birra com os vais e vens dos casais principais), eu gostei bastante de Lado a Lado. Não teve o charme quase lúdico de Cordel Encantado, mas era uma novelinha gostosa de assistir.

No começo da trama (bem no comecinho mesmo) eu torcia pelo Albertinho. Não por ele ser lindo e mimimi, mas porque eu gosto muito dessas tramas onde o mocinho mau caráter se redime pelo amor de uma grande mulher. Eu imaginei que ele fosse assumir a paixão por Isabel logo de saída e lutar contra o mundo todo para viver esse amor, mas isso não aconteceu.
Eu acho que o personagem de Zé Maria se tornou uma coisa tão maravilhosa e fantástica que os autores simplesmente largaram Albertinho porque não teria jeito mesmo. Ainda acho que mesmo que Isabel tivesse escolhido casar com Zé (e não tinha como fazer outra escolha, Zé Maria é um dos maiores heróis de novela que eu já vi, o homem parece saído de um dos meus romances de cabeceira)Albertinho deveria ter lutado por ela DE VERDADE. Quando colocaram a Gilda no meio foi um artifício totalmente furado porque não souberam meios de levar o personagem dele adiante com mais profundidade, quero um remake com um Albertinho mais bem escrito e desenvolvido (também achei a redenção final dele muito tardia e forçada).

DETESTEI o final de Constância e não poderia concordar mais: se fosse para ela sofrer que fosse pelas mãos da lei e da justiça, não por essa justiça patriarcal opressora contra a qual a novela militou o tempo todo. Não gosto desse relativismo de "ah ela era ruim, então tudo bem". Não, não tá tudo bem! ela foi humilhada pelo marido da mesma forma.

Mas confesso que torci até o último minuto para que ela triunfasse, porque fazia tempo que não tínhamos uma vilã com tanta classe e tão posuda como a baronesa Constância. ela tinha todos os valores distorcidos e acreditava piamente neles, e querendo ou não ela lutava pelo que ela acreditava (mesmo, novamtente, acreditando em coisas distorcidas). A mulher tinha muito poder, era muito luxo! Queria no mínimo uma cena pós créditos com ela sendo resgatada da pobreza pelo seu amante servil hahahahahahaha

O elenco da novela era nota 10 (com alguns deslizes, claro, como aquele menininho que atua MAL MAAAAAL e que fazia o amante da baronesa, Patrícia Pilar roubou a cena, Isabel e Zé Maria se tornaram um dos meus pares prediletos de todos os tempos (apesar do vai e vem chato) e foram brilhantemente interpretados. Laura poderia ter sido uma personagem muito melhor do que foi e até o Tiago Fragoso, que eu sempre detesto, me conseguiu fazer gostar do seu Edgar.

Termino a novela já sentindo saudades, fazendo fanfics mentais dos possíveis desenvolvimentos bons pro albertinho e criando fins alternativos pra Baronesa, e sofrendo com a certeza de que não importa o quanto eu procure, os homens perfeitos de Lado a Lado só existem na novela mesmo hahaha

Que final ridículo da Constância. O marido sempre aceitou todas as loucuras da mulher e só resolveu "dar uma lição" quando ela é infiel no casamento. Francamente...

A punição dela também foi horrível porque deixou claro que ela não era nada. Nem a roupa do corpo pertencia a ela.
Ela era má. E devia pagar pela maldade. Mas usar o machismo como algoz foi muito feio e me fez desejar que a Constância se vingasse do marido idiota.

Assisti Lado a Lado e li todos os seus textos sobre a novela. Concordo com tudo o que disse, principalmente em relação à personagem de Laura e sobre o final da Constância.

Também gostava muito de Isabel e Zé Maria, e fiquei feliz que o casal se manteve.

Você pode querer não comentar sobre Laura, mas eu faço questão de comentar que apesar de achar que Laura teve todos os motivos do mundo para se divorciar (porque as perdas e humilhações que ela passou as mulheres da época só suportavam por falta de opção mesmo), acho lamentável que a autora tenha tido um ataque de amnésia, e no intento de continuar vendendo Edgar como o "marido de ouro" que as adolescentes sonhavam, resolveu apagar da memória do público todas as razões que levaram Laura a tomar uma medida tão extrema. Será mesmo que Laura não desconfiava, seis anos antes, que Catarina consumiu com as cartas? Não terá sido por isso que ficou ainda mais ferida com a omissão do marido e as aberturas que ele dava a Catarina? Afinal, se Edgar não perdeu nada com isso, ela perdeu um filho e foi humilhada mais de uma vez dentro de sua própria casa. Claro que jamais saberemos, porque Cláudia Lage não explicou isso e não justificou nada. Discordo de você que os motivos para Laura se divorciar foram infantis, assim como discordo que ela não teria motivos para estar escaldada com Edgar e por isso demorar para voltar a viver com ele de novo, mas como suas razões jamais foram relembradas pela autora como justificativa dela não voltar a viver com ele, assino embaixo quando você diz que o texto foi bastante inconsistente. E acho uma vergonha e um desserviço ao feminismo que Cláudia Lage tenha construído uma mocinha como Laura, que queria ser respeitada profissionalmente sem a interferência do marido, para no final mostrar que ela não conseguiu nada (nem escola, nem assinar com seu próprio nome, nem receber o prêmio de jornalista) sem a intervenção do marido. O que ela quis mostrar com isso? Af!! E nem para relembrar o público de que foi a mulher que Edgar trouxe para a vida deles quem colocou fogo na escola, e expôs Laura no jornal, fazendo com que ela perdesse o emprego e a escola, e que ele (ao intervir) só estava tapando os buracos que sua ex amante fez... Lamentável, mas essa pessoa que escrevia sobre Laura produzia um texto inconsistente e tinha um machismo bem internalizado...

Quanto a Constância, assino embaixo de tudo o que você escreveu. Solução lamentável!!! Mesmo que ela não fosse presa, e poderia ser (pelas razões que você comentou), poderiam ter criado uma possibilidade dela ser punida, sem a imposição da "mão forte" do até então fraco "pater familias". Aliás, você reparou? Neste núcleo de Laura, Constância foi punida pelo "pater familias", Laura teve a prova de que seu sonho de independência era uma quimera e só conseguiria se firmar profissionalmente com o suporte do marido e Sandra decidiu sair da casa dos pais e renunciar definitivamente à maternidade de Ângelo porque o marido assim decidiu?

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