segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mangá seinen de Akiko Higashimura entra em hiato acusado de desrespeito aos homens


Siiiiiiim!  Você leu direito.  O novo mangá de Akiko Higashimura, Himo Zairu (ヒモザイル), é, segundo a autora, baseado em fatos e pessoas reais e trata dos chamado "himo", homens sem emprego, ou expectativas de progresso na vida e que vivem às custas de mulheres, suas namoradas, ficantes e outras.   A série mostra um dojo que treina esses homens para que eles consigam ganhar a vida desse jeito.

Higashimura, que é conhecida pelo seu humor e crítica social, criou a série com a ajuda de seu assistente (*um homem*) e a resumiu em uma frase "Sem dinheiro, impopular, sem emprego.  Porque eu sou inútil na melhor das hipóteses, vou me tornar um himo!  A cortina sobe para o dojo formação  himo-man de Akiko Higashimura!"  O fato é que, segundo a Kodansha, as críticas dos leitores foram tantas que o mangá foi colocado na geladeira.  A série foi acusada de discriminar e difamar os homens e que mostrava o desprezo da autora por eles.


O ANN explicou que há um pedido de desculpas na página da revista explicando que o mangá não estaria na edição da Morning Two lançada em 22 de outubro.  O pedido de desculpas é tanto para os leitores que aguardavam o capítulo, quanto para os ofendidos... A própria autora se desculpou e disse que iria repensar a série.

Olha, o nome disso é auto-censura e uma revista tem todo o direito de fazê-lo.  A Kodansha é uma empresa e a tradição nipônica, muito positiva, aliás, é manter o diálogo com os leitores-consumidores.  Dito isso, vamos ao ato em si.  Quantas vezes você se sentiu ofendida com a forma como um mangá de qualquer demografia retratava as mulheres?  Quantas vezes você ouviu falar de um mangá sendo suspenso após o primeiro capítulo?  Quantas vezes você ouviu falar de um mangá suspenso - em qualquer momento - por ser ofensivo às mulheres?  Misoginia já causou cancelamento de mangá?  E mais uma: você acha que Higashimura inventou os himo?  


Realmente, não acredito que a indústria de mangás japonesa tão ciosa de sua liberdade criativa - há antologias especializadas em pornografia com bebês e crianças - se importasse com o trabalho de um autor ou autora criticando práticas sociais femininas, ou mesmo detonando as mulheres.  Pegue, por exemplo, um mega-sucesso como Death Note (デスノート) e como as mulheres são retratadas nele.  Não acredito que Higashimura tenha feito um mangá tão ruim (*vou atrás desse primeiro capítulo agora*), não creio, também, que uma autora consagrada e premiada como ela passasse por esse constrangimento desses em uma revista josei.  


Meu conselho, que não serve para nada, aliás, é Higashimura, pegue seu mangá e vá para a Cocohana ou a Feel Young ou a Kiss e seja feliz, porque eu duvido que sejam mulheres as principais críticas do seu mangá.  É isso.


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18 pessoas comentaram:

É aquela história né, "homens se doem mais".

Já seria esperada a reação, fiquei chateado foi com a Akiko. Porém dá para entender ela ter feito isso porque ao contrário de muitos ela não vive escondida no estúdio ela, ela está sempre mostrando as caras e parece do tipo de interagir mais que a média com os leitores.
Tenho das raws dos dois capítulos aqui, e olhando sem poder ler imagino que o que deve ter chocado alguns é que o mangá não é ficção. É um daqueles ondem a Akiko é uma das personagens. Ao invés de inventar um faz de conta para falar do tema ela romanceou as discussões dentro do estúdio e com conhecidos. Lá está o assistente que deu a ideia junto com os outros, tem até fotos deles no meio!
Deve ter dado curto na caixola dos que reclamaram ao ver a própria autora ali no meio das páginas falam e criticando, devem ter visto a autora falando mal deles que estavam lendo, e como ela se preocupa com a opinião dos leitores... Ela disse que decidiu parar para repensar o mangá, mas como fazer essa mesma ideia de modo diferente? Não vejo como.

Depois da reação altamente machista do Enem 2015, ler sobre isso me faz pensar que toda a sociedade (não só a brasileira, infelizmente) tem muito que aprender.

Quando a verdade dói, a reação é imediata. Principalmente quando dói nos "homi".

Tadinhos dos omis, sofrem demais, principalmente no Japão-sqn Agora os milhões de hentais cheio de estupro e até coisas bem piores (sim, pior do que estupro '' normal ''. Pra vc ver o quão bizarro muitos deles são) ninguém fala porra nenhuma. Sem falar que vários mangás são super machistas, principalmente shounen, onde a mulher serve apenas para fanservice e seu maior sonho é dar pra algum personagem, enquanto os personagens masculinos tem vários objetivos e são fortes.
Não entendi esse comentário sobre Death Nore, está dizendo que ele é machista? Não tem nada demais nele. As garotas são retratadas de forma realista e elas não tem muito destaque simplesmente porque não há motivo para isso. Aliás, o autor nem iria colocar aquela coisa de romance nem uma protagonista feminina. Não lembro o motivo pra ele ter colocado. A Misa sofre sim violência mas em nenhum momento o autor faz apologia á isso e é só você prestar atenção no anime e no contexto do protagonista e da personagem para entender o porquê dela passar por isso (simples, ele é um psicopata que está usando ela e ela é meio que obcecada por ele e continua ao seu lado). O anime é seinen e o machismo é um fato, principalmente no Japão, então não há motivos para querer que o mangá seja cheio de unicórnios e arco íris sendo que, tirando o sobrenatural, ele é bem de acordo com a realidade. Faria mais sentido colocar Naruto. Lá dá pra contar nos dedos as garotas que realmente são fortes (Konan, Tsunade e Mei) e enquanto os personagens masculinos tem objetivos como mostrar o que é a verdadeira dor ao mundo, trazer a paz, vingança, se tornar hokage e etc, 99% das personagens femininas só querem saber de homem. A única garota importante que não se importava com isso era a Tenten e não vou nem falar do final que deram para a Sakura, onde toda a violência verbal e tentativas de suicídio que o Sasuke fez contra não tiveram nenhuma consequência. Só uma desculpinha foi o suficiente para ela se derreter toda, depois ele engravida ela e vai embora por vários e vários anos, volta, diz que sua ligação com a Sakura é a Sarada - ou seja, ele claramente está dizendo que não ama Sakura e a única coisa que o liga á ela é o fato de ambos terem tido uma filha juntos - e depois vai embora de novo. Em Naruto, as mulheres só servem pra ficar correndo atrás de algum homem e pra cuidar da casa e de filhos enquanto seus esposos tem cargos importantes.

É aquele negócio né: difamar a imagem da mulher pode, agora a do homem é outra história. Muito triste isso, estava animada por esse mangá :(

Concordo com a parte de que muitos mangás ofenderam várias mulheres com a forma de como as retratam, até mesmo mangás que também foram escritos por mulheres como Fullmetal Alchemist. Bom, eu que sou mulher, confesso que aprecio muito o mangá e o anime, mas eu esperava mais das personagens femininas. Ta certo que tinha algumas que eram fortes e independentes, mas tipo, elas foram tratadas como "insignificantes" perto dos personagens masculinos. Resumindo bem, elas levaram menos créditos que os personagens masculinos.

eu não achei isso certo com a autora, eu não li o mangá, mas tem tanta obra por aí que publica coisas piores... não acho justo com ela, eu não gosto de machismo, nem feminismo, acredito na TOTAL igualdade entre os sexos e que os seres são definidos apenas por eles mesmos e não pelo sexo, mas deixa a moça publicar o mangá dela.. é só um mangá, se não gostou, não leia, tenta coisa pior sendo publicada no mundo, essa é a minha opinião

Panino, obrigada pelo primeiro comentário, mas o segundo, com o link, não vou publicar. Eu já tinha lido o que o Fábio publicou. Ele lê japonês, morou lá, mas não cita fontes e tem posturas que não batem com as minhas. Já discutimos em eras primevas da internet e,bem, não vou oferecê-lo como referência aqui. Peguei o que ele diz e passei um pente fino em sites americanos, franceses e italianos de gente que lê japonês tb. Ninguém, absolutamente ninguém, replicava, até umas 12 horas atrás nenhuma das informações que ele cita sobre difamar homens que querem ser donos de casa, viver para a família e por amorrrrrrrr! Ou que a decisão de parar o mangá foi somente da autora.

Mas chegou até mi o que parece ser a fonte japonesa dele. Acho que é um site meio fórum e com google translator só pesquei coisas como "esse mangá é vulgar" e "ofensa aos direitos humanos (dos homens?)". Pedi para o meu marido perguntar se o professor dele pode dar uma olhada. De resto, espero scanlations desses dois capítulos e fico de olho para ver se aparece mais alguma coisa por aí em sites que eu costumo usar como fonte.

Yandere Dol, violência há de vários tipos, em Death Note, todas as mulheres são ou idiotas, ou manipuláveis, sem exceção. Estão sempre em posição de inferioridade em relação aos protagonistas, são usadas e descartadas por ele. Isso é, sim, violência. Mas o assunto não é Death Note, mas de como coisas assim não incomodam. Veja que você nem ligou.

Outra coisa, uma obra podemser legal, boa, inteligente apesar de. Este é o caso de vários mangás.

~isso não é uma briga, só meu ponto de vista~
Não quis dizer que não existe violência em DN, quis dizer que o mangá é realista - ou seja, o machismo tem no mangá porque ele existe na realidade. Não há motivo para querer negá-lo em um mangá sendo que isso está presente no nosso dia a dia - e que ele retrata isso de um modo diferente. As mulheres não demonstram seus atributos simplesmente porque não há motivos para, elas são personagens secundárias e a inteligência ou a falta dela não irá mudar nada na história. Personagens femininas de DN:
Yuri - uma garota que Light saiu simplesmente para descobrir o nome do Raye, então não há motivos para mostrar nada a mais sobre ela e suas habilidades.
Sayu - é só a irmãzinha do Light. Ela não tem nada a ver com o foco da história então também não há motivos para mostrar mais sobre ela pois não irá mudar nada.
Naomi - essa aqui não tem nada de idiota nem manipulável. Ela é muito inteligente e morreu simplesmente porque o Light usou o caderno para isso.
Takada - provavelmente a segunda garota a ter mais destaque e ela demonstrou ser muito inteligente.
Misa - embora ela aja como idiota ela é sim muito inteligente.
Tem aquela outra loira que trabalha para o Near (esqueci o nome dela), ela é inteligente e sabe lutar. E a outra que trabalhou pro L e perseguiu o Higuchi, pela descrição que L dá sobre L e as habilidades que ela tem, mostra-se claramente que ela é muito inteligente.
As personagens manipuláveis foram as que mais tiveram destaque, talvez por isso você pense isso sobre as garotas do anime, o que não e verdade pois até mesmo elas demonstraram níveis altos de inteligência. Viu? Foi isso que eu quis dizer com machismo retratado em anime. Em Death Note não é violência gratuita. As garotas não mostram suas habilidades simplesmente porque não tem motivo para isso. Ao contrário de Naruto, onde elas tem oportunidade, onde elas são protagonistas e mesmo assim são retratadas apenas como as '' garotas apaixonadas '', estão sempre um passo atrás dos garotos por motivo nenhum. Isso sim é machismo. Como eu disse, o autor nem iria colocar a Misa (provavelmente só a colocou para o mangá não ser visto como yaoi :v ). Você obteve esses resultados sobre as garotas pois você as comparou com o protagonista e isso é completamente irracional. Não dá pra compará-las com eles. Elas são pessoas normais (sem nenhum transtorno mental), logo com níveis de inteligência normal. O Light é um psicopata que têm várias características desse transtorno - inteligência acima da média, o charme que leva as garotas a ficarem caídas por ele e, respectivamente, ele poder manipulá-las (ele é um psicopata, é óbvio que ele vai conseguir manipulá-las. Aliás, ele não manipulou só as garotas. Tirando o L e o outro que eu esqueci o nome, todo o resto da equipe não desconfiava dele nem um pouco) - e L - um cara que provavelmente tem aquele '' transtorno '' onde a inteligência da pessoa é super acima do normal. Entre elas e os protagonistas óbvio quem seria mais inteligente, não? Pare de compará-las com o Light e deixe de fora as ligações que elas tem com ele que verá que elas tem sim habilidades e que eles não são muito mostrados simplesmente porque não há motivos, porque elas são figurantes/secundárias e porque é óbvio que uma pessoa normal pode ser facilmente manipulada por um psicopata.

Tá certo e isto, mulheres secundárias, imbecis, em função e usadas oor seus homnes etc é o padrão na obra deles. Pense em Bakuman.

Mas não vou discutir DN, para mim, uma obra profundamente misógina de autores que devem ser tb.

Como Death Note entrou nessa história?
O que entendo do autor é que ele escreve histórias sobre homens para homens, muito mais do que ter algum interesse em diminuir as mulheres ele simplesmente não tem interesse nelas.

Enfim, voltando a Akiko...
Trouxe o link mais porque foi uma informação adicional que encontrei sobre o que o mangá diz do que sobre as opiniões do blogueiro. Me fez entender melhor o motivo da polêmica, ou pelo imagino que sim. Deixando de lado o detalhe de a Akiko com 5 series em publicação arrumar tempo para fazer mais uma E um experimento social - ela realmente deve desenhar dormindo - tendo lido alguns mangás dela já percebi que ela é bem franca e para alguns "grossa" naqueles momentos que critica algo ou alguém. E isso com todos, ela mesma inclusa. Então ver um mangá que simplesmente narra uma "brincadeira" que ela estava fazendo com as pessoas a conta dela, com ela fazendo comentários naquele jeito dela, deve ter sido uma leitura desconfortável por si só.

Parece que essa é uma polêmica que vai além do mangá. Da mesma forma que por lá há esse desequilíbrio entre homens e mulheres onde as mulheres são cobradas a ficarem em casa cuidando dos filhos, não irem trabalhar, se forem receberem mais e não crescerem no emprego, etc e tal, os homens sofrem pressão contrária. O homem tem que sair de cada para trabalhar, ele não pode ficar em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher sai para trabalhar não é? Independente de qualquer opinião expressada no mangá da Akiko esse arranjo é impensável pata os japoneses. Em outros países não há muitos problemas, há casos de pais onde o marido pode usar a licença maternidade da esposa para cuidar do filho enquanto ela volta para seu emprego se não me engano. Possibilidade inexistente no Japão, por isso é bem provável que a Akiko compartilhe essa visão de mundo, ainda mas ela que foi mãe solteira. É muito fácil ela soltar opiniões condenando homens que cogitem deixar a mulher ser responsável pelo sustento da casa enquanto ele fica de apoio, pelos mais variados motivos.
Esse é um tema muito interessante e relevante, gostaria muito de ver esse mangá continuar, apenas... como?
Outro problema na forma como ela estava fazendo é que envolvia pessoas de fora, que podem ou não concordar em ter suas informações usadas. É quase que um documentário em quadrinhos. Fosse feita a pesquisa antes e publicado quando o experimento tivesse terminado a repercussão poderia ser diferente. Publicado ainda em andamento as pessoas vai questionar os métodos.
Complicado.

Panino, não encontrei nenhum site, italiano, francês, americano, colocando que Higashimura demonstrou desrespeito pelos homens "donos de casa". Essa leitura foi só do Fábio? Aliás, esse nem parece ser o assunto do mangá. Quero fontes confiáveis que comprovem que ela agiu assim. De resto, é especulação em cima do texto do Fábio que nem apresenta as suas fontes. Morre aí para mim.

A única coisa que parece correta é que o mangá dela era bem experimental. Talvez, só talvez, isso tenha desagradado e dificultado a leitura da maioria. Mas é isso, talvez.

De resto, reforço que os autores de Death Note e Bakuman são dois misóginos de mão cheia. E, claro, a maioria ou não consegue, ou prefere ignorar. E Death Note ser realista? Quando? Mais ainda, pegue só a agente do FBI. Ela é o modelo do desprezo e/ou desconhecimento que eles têm sobre as mulheres.

E não vou mais falar de Death Note, nem publicar nenhum comentário que tente esticar a conversa. Estão registradas as opiniões sobre o mangá e os autores. Já fui chamada de irracional aí em cima e sabe-se lá o que pode vir depois disso.

Acho que você fez uma pequena confusão Valéria, é a notícia original do "The Asahi Shimbun (Asia & Japan Watch)" escrita por Mayumi Mori que diz que entre as críticas ela foi acusada de "desprezar o assistente e outros homens".
Basta olhar as páginas para ver que ela dá a opinião dela, obviamente não gostaram.
Tem muito mangá com problema, por ser ficção o leitor consegue ignorar, nesse caso que não é ficção não aguentaram e foram reclamar. Claro, não esquecendo que não é qualquer um que aceitaria as críticas e pensaria sobre elas. Para encerrar então espero que esse episódio sirva de material para ser usado nessa "pesquisa".

Panino, isso está no meu texto. A acusação, o pedido de desculpas da editora, Higashimura comunicando que irá interromper o mangá e repensá-lo. O que eu não machei em lugar algum foi o que o Sakuda comentou sobre homens donos de casa. Nesse ponto, não há discordância alguma, ou há?

A misoginia no Japão é mesmo muito forte. Que desgosto... Os homens são mesmo intocáveis, até os mais desprezíveis.

Me surpreende e muito eles cancelarem um mangá por um motivo tão idiota. Principalmente considerando o tanto de mangá que, de fato, deveria mesmo ser cancelado pelo conteúdo de tão pesado e distorcido que é.

[Não é porque você gosta de algo que tem de fingir de conta que o mangá não tem problemas. Nunca consigo definir o que acho mais insuportável, se o mangá Death Note ou seu fandom. Nunca vou entender tanto auê por causa de uma historinha tão méé...]

Que masculinidade fraca dessas pessoas :O
Meu deus, qualquer coisa ofende.

Isso me lembra a polêmica do comercial de gilette masculino com o cara do Gangnam Style, que, segundo muitos, estaria ridicularizando os caras peludos e tentando instaurar uma ditadura de pele lisa entre os homens. Não sei se por pressão acabou que a propaganda também durou bem pouco. Enfim, dois pesos e duas medidas, como sabemos.

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