domingo, 25 de outubro de 2015

Tema de Redação do ENEM ARRASOU!


Ah, pessoal, preciso comentar.  Ontem, o ENEM trouxe questão sobre Simone de Beauvoir, além de Paulo Freire e outros intelectuais respeitados, mas detestados pelos elementos (pseudo) conservadores de direita que pululam na net e pelos revoltados loucos de plantão.  Sim, porque uma coisa é defender as idéias de pensadores - filósofos, economistas, historiadores e outros - que estão posicionados à direita e/ou são vistos como conservadores, outra coisa, muito diferente, é esse festival de absurdos que o povo anda despejando na mídia e nas redes sociais.  Mas se ontem foi muito legal, hoje, para fechar com chave de ouro, ou LACRAR, como dizem por aí, o tema de redação é "Persistência da violência contra as mulheres no Brasil".  Tá-dá!

Sim, é para comemorar que a aprovação de alguns sujeitos (*e sujeitas*) esteja subordinada à reflexão sobre um problema que muitos negam que exista, ou, pior, que não possam culpar a vítima pela violência, coisa mais que comum entre os machistas e misóginos de plantão.  Sim, você vai ter que pensar a respeito e, não, se desrespeitar os direitos humanos vai levar zero, porque a regra é clara.  


Espero muitas lágrimas derramadas e que os calouros de nossas universidades públicas no ano que vem sejam melhores do que de safras anteriores.  Em uma semana cheia de notícias ruins - caso Master Chef Jr., PL do Cunha dificultando o atendimento às mulheres e meninas estupradas, mulher sendo obrigada a colocar o nome do pai-estuprador na certidão de nascimento do filho - o ENEM lavou a alma.  E vamos comemorar!

Houve quem defendesse, pessoas que prestaram o exame, que o tema da violência contra as mulheres fosse mais discutido nas escolas.  Bem, precisar, precisa. Sabe, discutir gênero, essas coisas que gente como Feliciano, Bolsonaro, entre outros, não desejam que a gente discuta nas escolas. Aliás, ambos estão indignados, o que indica que a prova deve ter sido uma das melhores dos últimos tempos, como aponta, aliás, este texto aqui (O Enem e a falácia da “doutrinação”), mas esperar bom senso desses senhores é demais.  


Só que tem um porém nessa história de "discutir mais o tema", amiguinhos, basta abrir os jornais - impressos ou digitais - e ser inundado com notícias sobre violência contra as mulheres. Esta semana mesmo, como pontuei acima, um foi intensivão para o ENEM. Atualidades é como a gente chama essas coisas.  E preciso deixar para vocês só mais um print desse mundão louco que é a internet.  Aliás, espero que a seleção do ENEM seja boa este ano:

P.S.: Só lamento não ter explicado o conceito de alteridade no aulão de quarta-feira do colégio.  Poderia ajudar os meninos e meninas na questão do Žižek... Mas era fácil, então, confio que a maioria conseguirá acertar.

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5 pessoas comentaram:

O Estado é bem falso. Negligencia a educação pública e por outro faz ENEM.. pra demonstrar "preocupação" com o estudantes !

precisava comentar mesmo!!!!!!
a gente lamenta as desgraças, nada mais justo que comemorar as pequenas conquistas

Tomara que apareçam alguns textos por aí. Queria muito ver como essa moçada pensa sobre o tema.
Me lembro da época da faculdade de pedagogia, em que muitas meninas não conseguiam sequer articular alguma opinião coerente sobre machismo, assédio, violência contra a mulher, racismo ou homofobia. Era um festival de clichês conservadores e extremismo religioso triste de ver.

Oi Valéria, eu preciso mesmo te agradecer pelos textos tão esclarecedores que você sempre posta aqui. Você não faz ideia do quanto me lembrar deles ajudou na hora de escrever minha redação!
Confesso que fiquei um pouco inseguro logo de cara. O primeiro pensamento que me passou a cabeça foi o de que por melhores ou mais embasados fossem os meus argumentos, eu jamais poderia escrever com segurança, simplesmente porque nós homens nunca saberemos o que é passar pela quantidade de abusos, psicológicos ou físicos, que as mulheres passam diariamente. Fiquei minutos e minutos refletindo e tentando ser minimamente coerente e até mesmo sensível na hora de escrever (tenho essa coisa de me importar muito em parecer ao menos claro para quem vai ler o que escrevo).
Obrigado novamente pelas informações que você sempre disponibiliza aqui. Ler as coisas que você escreve, andar com mulheres tão fortes diariamente e ter que refletir para formular e escrever sobre um assunto como esse me faz crescer muito internamente.

Valéria, assim como o Rafael, tenho que agradecer por toda a base que seus textos me deram. Acompanho o blog e leio quase todas as postagens, desde que o descobri em 2013. Sou jovem, de família tradicional e cristã, minha mãe foi criada para ser uma dona de casa e cuidar da família. Devido a isso, nunca conversamos sobre esses assuntos pois a própria nutre pensamentos machistas. Desse modo você teve um grande papel na minha formação intelectual, mesmo nunca tenha tido o prazer de comparecer em uma de suas aulas, a senhora tem me auxiliado em questões fundamentais, tanto para meu desenvolvimento educacional como para minha vida adulta. É graças ao seu blog, aos seus artigos de opinião, que hoje estou consciente dessas "falsas limitações" que são impostas a mim todos os dias e aprendi a lutar contra elas. Mais uma vez obrigada, nunca abandone o Shoujo Café e saiba que tem uma grande admiradora!

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