domingo, 10 de janeiro de 2016

Comentando Orange - Volume #3


Ontem terminei de ler Orange (オレンジ) #3.  Como os dois volumes anteriores, a série segue mantendo sua qualidade e me prendendo do começo ao fim.  A parte chata é que vou demorar mais de um mês – estou no Rio e volto para Brasília ainda em janeiro – para ler o próximo volume.  Agora, ao terminar o terceiro volume, tenho a dimensão do desespero que as leitoras e leitores devem ter sentido quando Takano Ichigo decidiu parar o mangá e a anunciar sua aposentadoria.  Imagina não terminar de ler uma série como Orange?  

Para quem caiu nesta resenha sem ter lido as anteriores (*volume 1 e 2*), Orange começa com a protagonista, Naho, uma garota de 16 anos, recebendo uma carta de seu eu de dez anos no futuro.  O que esta carta – que ela imaginou que pudesse ser um trote – lhe dizia?  Um amigo, Kakeru, não estaria com eles dez anos depois e que ela poderia impedir que ele partisse.  Só que Naho não conhece nenhum Kakeru, mas ao chegar no colégio naquela manhã, tudo o que a carta diz começa a acontecer... 


Neste volume, nós ficamos sabendo que Suwa também recebeu uma carta do seu eu do futuro.  A carta, como não poderia deixar de ser, tem pontos em comum com a de Naho e outros que diferem, afinal, os remetentes são pessoas distintas que tem pontos de vista diferentes sobre os mesmos acontecimentos, os últimos dias de Kakeru.  Suwa aparece mais, também, e se mostra mais impulsivo e bandeiroso quanto a necessidade de proteger Kakeru.  Ele é capaz de abraçar o colega e mostrar e emoções que Naho, que é apaixonada por Kakeru, não consegue.  É até engraçado isso... 

O contexto cultural japonês, que não estimula o contato físico, somado à personalidade de Naho, que é tímida, retraída, impedem a menina de tocar Kakeru.  Espero que um beijo saia no próximo volume.  Já Kakeru, em virtude da sua culpa e depressão, acha-se indigno de amar Naho, de ser seu namorado.  Isso em um mangá de cinco volumes precisa ser desenrolado rápido, mas imagino a chatice que poderia se tornar nas mãos de uma mangá-ka disposta ou empurrada a estender uma situação dessas por 10 volumes de história... 


Neste volume, se mantém a discussão periférica, mas importante, sobre as possibilidades de se criar várias linhas de tempo alternativas.  As personagens estão cientes que, ao modificarem os eventos do seu presente, não estarão mudando o futuro de onde vieram as cartas, aliviando assim, a culpa e a tristeza de seus “eus” dez anos mais velhos.  Falando nisso, é revelado no volume #3 que todos receberam cartas do futuro.   Os cinco amigos estão unidos para salvar Kakeru.  A revelação ajuda a compreender certos comportamentos do volume #2.

Um dos destaques do volume é a cena em que todos decidem se oferecer para correr com Kakeru no revezamento. Foi cafona, foi exagerada, no entanto Orange é tão simpático que acabei relevando... Tudo só acontece, aliás, porque eles decidem agir em contradição com o recomendado nas cartas.  É Suwa quem estimula Naho a agir sem depender da carta, afinal, vários acontecimentos começaram a destoar.  Meu pressentimento é que essa coisa de deixar de olhar as cartas pode terminar mal, mas vamos esperar o próximo volume.


De resto, além de uma abordagem sensível e cuidadosa da depressão e da culpa na adolescência, Orange fala de amizade de uma forma tão delicada e alegre que contagia até gente velha como eu.  Antes, Karekano (*até o volume #10) e Honey & Clover  (ハチミツとクローバー) eram os melhores mangás sobre amizade em tempos de escola ou faculdade.  Orange já desbancou Karekano  (彼氏彼女の事情) e só precisou de três volumes para isso.

A arte da autora parece ter melhorado muito.  Aliás, ela fala de seus esforços para aprimorar a sua arte e de suas dificuldades no freetalk no final.  Fiquei sabendo, inclusive, que ela tem uma editora.  Enfim, a arte está linda, especialmente, os closes nas personagens e os quadros amplos que deveriam ser coloridos nos originais.  Parece que houve um ligeiro salto de qualidade de um volume para outro.


Concluindo, digo que estou ignorando a historinha que vem no final, Haru-iro Astronaut (春色アストロノート) é tudo o que me afasta de um mangá shoujo, mas só mostra o quão versátil a autora é.  Queria mais Orange, não o mangá bônus bobinho.  E, sim, defendo que Orange é o melhor shoujo lançado no Brasil em muito, muito tempo.  E que a JBC está fazendo um trabalho acima da sua média, aliás, basta pegar Limit (リミット) e comprovar.  Fazia tempo que não ficava ansiosa por ter em mãos uma edição nacional de mangá.  Orange está me fazendo reviver outros tempos e eu estou feliz com isso.  Agora, sou capaz de imaginar o desespero dos fãs da série quando a autora decidiu interrompê-la.  Eu ficaria muito, muito revoltada e seria só o começo... 

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2 pessoas comentaram:

É... Está difícil esperar entre os volumes desse manga. Sei que não tem porque arrastar um manga, mas confesso que faltando só dois volumes, já fico com um pouco de saudade antecipada. Queria um pouco mais de profundidade nos demais personagens.
Eu curto aquela historinha no final, mas concordo que quebra um pouco o ritmo da história principal. Mas nada que prejudique tanto a edição.

Concordo plenamente: Orange é um dos melhores shoujos a sair aqui em muito tempo. E verdade, a JBC está tendo um cuidado extra com sua edição. Ainda bem, porque a arte da autora é linda!

Comecei a ler o mangá em parte por causa da resenha do vol. 1, e uma amiga que mora no Japão também recomendou. Depois de quebrar a cara com Ao Haru Ride, eu estava desanimada em começar a ler outro shoujo escolar. Mas Orange é tão delicado e bonito. Até uma desalmada como eu sentiu a garganta apertar em certas cenas. ;)

Quanto às linhas temporais e futuros alternativos, eu tenho medo da autora usar um recurso familiar a quem assiste Doctor Who: certos acontecimentos são inevitáveis, são pontos fixos na trama do espaço-tempo. Eu só imagino o desespero das japonesas em imaginar que não saberiam o final do mangá.

A historinha no final é besta, mas o último capítulo jogou sujo e fez querer ler mais: agora tem o estudante "jeitão de delinquente, porém fofo". Eu adorava o Kasanoda em Ouran...

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