sexta-feira, 4 de março de 2016

Comentando Orange #4

 

Quinta-feira da semana passada, eu li o quarto e penúltimo volume de Orange (オレンジ).  Demorei a resenhar, porque estava atolada de trabalho e Júlia adoeceu... Aliás, ainda está. :(  Enfim, Ichigo Takano continua mantendo o bom nível, introduzindo novas questões importantes para o futuro das personagens e, na medida do possível, nos surpreendendo e deliciando.  É fácil ler Orange, quer dizer, na medida que você começa a leitura de um volume, acredito que a maioria vá direto sem conseguir parar.  É assim comigo, pelo menos.

Para quem não leu as resenhas anteriores (*1-2-3*), a série começa com a protagonista, Takamiya Naho, uma garota de 16 anos, recebendo uma carta de seu eu de dez anos no futuro.  O que esta carta – que ela imaginou que pudesse ser um trote – lhe dizia?  Um amigo, Kakeru, não estaria mais com eles dez anos depois e que ela poderia impedir que ele partisse.  Só que Naho não conhece nenhum Kakeru, mas ao chegar no colégio naquela manhã, tudo o que a carta diz começa a acontecer...  Ao longo dos volumes anteriores, descobrimos que todos os amigos próximos de Naho e Kakeru, também haviam recebido cartas de seus eu do futuro.


Este volume foi centrado praticamente na gincana escolar, acontecimento que aparecia como fundamental em todas as cartas recebidas do futuro.  Os amigos – Suwa, Naho, Azu, Taka e Hagita – iriam correr junto com Kakeru na gincana.  É interessante como a autora começa a desenhar que certos acontecimentos são fundamentais para o andamento das vidas das personagens, esses podem até acontecer de forma diferente, mas irão acontecer.  Não peguei spoiler algum, mas imagino se a morte de Kakeru poderá realmente ser impedida nessa nova linha temporal.  Será?

A gincana deveria ser o ponto alto do volume.  Há a presença dos pais das personagens e da avó de Kakeru, pequenos fanservices das personagens femininas e masculinas (*sim, tem pra todo mundo e é tudo muito levinho*), nostalgia positiva para Kakeru, muitas exibições bregas de amizade (*e ainda assim tudo muito adorável*) e uma mudança substancial em relação a outra linha temporal, afinal, o resultado geral da gincana foi mudado.  No geral, a autora é muito competente em manter nosso interesse mesmo nessas sequências banais.


Só que os dois pontos mais importantes do volume são a inescusabilidade de certos acontecimentos e o caráter singular de cada carta vinda do futuro, refletindo o caráter de cada um dos amigos.  Se você lê o mangá, se olha as capas dele, pelo menos, sabe que Suwa e Naho se casaram.  E se Kakeru sobreviver, como fica nessa linha temporal?  Bem, Naho e Kakeru estão apaixonados, Suwa ama Naho e está sacrificando seus sentimentos pelo bem de Kakeru, já o rapaz depressivo parece crer que o amigo mereça mais a menina que ele.  A culpa que Kakeru carrega pela morte da mãe é imensa, mesmo depois de tantos momentos de cura, ele ainda sofre.  

Será que é assim que essa história vai terminar? Kakeru salvo e com Naho?  Bem, Taka – a mais madura das meninas do grupo – lembra da importância da noite de Ano Novo, tanto para o futuro de Kakeru, quanto para a formação do casal Suwa e Naho.  O quinto volume promete muito.  Quanto às cartas, Taka, Azu e Hagita não acreditaram nas cartas do futuro.  Normal, quem acreditaria?  De resto, cada carta é a cara das personagens, curtas ou longas, detalhistas ou mais genéricas, atentando de forma particular para determinadas passagens de seu passado.


É interessante ver como a autora conseguiu desenhar bem suas personagens em meros cinco volumes.  Normalmente, as protagonistas brilham e as coadjuvantes são quase esboços, ou personagens tipo, em mangás assim tão curtos.  Takano Ichigo conseguiu fazer mais que isso, compondo um elenco consistente e que permite mesmo em tão poucos volumes gostar sinceramente de cada um deles e delas.  O protagonismo, no fim das contas, é do grupo, da amizade que os une.  De resto, torcendo para o futuro de Azu e Hagita ser diferente. ^_^

É isso.  Falta um volume somente do melhor shoujo escolar (*quase seinen*) que eu já li.  Redondinho até aqui, bem narrado e com uma arte muito bonita, trazendo personagens que são carregadas de virtudes e imperfeições como todas nós.  Já escrevi antes e repito, a JBC acertou em todos os sentidos, até em conseguir nos oferecer um texto bem acima da média das traduções/adaptações da editora.  Estou grata, muito grata mesmo.


P.S.: Estou deixando de lado Haru-iro Astronaut (春色アストロノート), depois, talvez leia tudo de uma vez.

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2 pessoas comentaram:

O único grande defeito de "Haru-iro Astronaut" é que ele vem no final da edição de Orange. E quem lê quer mais Orange, não esse shoujo bonitinho, raso e inofensivo.
Fosse noutra série, não ficaria tão destoado, já que é muito simpático.
Fora isso, reta final do Orange. Não vejo a hora. E sinceramente, espero finais felizes. Tanta angústia pra chegar num final triste seria muita maldade da autora.

Hey, olá :D

Sei que deve andar ocupada, mas pretende publicar review do último volume, correto? Estou aguardando isso pra comentar sobre todos e saber a opinião da senhora, sobre o título geral.

E pretende, caso venha a ter tempo/vontade, comentar os volumes de Lovely Complex e Ore Monogatari (quando ele sair aqui no Brasil)? Espero muito que sim, estava com saudade de ler seus comentários sobre mangás e tals.

Obrigado e tudo de bom, aí <3

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