sábado, 3 de setembro de 2016

Comentando Pets: A Vida Secreta dos Animais (2016)


Fiquei meses assistindo aos trailers de Pets (The Secret Life of Pets) com a Júlia e torcendo para que o filme estreasse logo.  Temi, também, que todas as cenas realmente divertidas estivessem nessas migalhas que eram oferecidas ao público em potencial.  Assisti ao filme na semana passada e, bem, ele não me decepcionou.  Trata-se de uma animação sem grandes pretensões para além do que deveria ser, Pets quer divertir e, pelo menos comigo, funcionou.  Consegui rir, gargalhar em alguns momentos e pagaria para ver o filme de novo (*legendado, de preferência*), porque ele é muito, muito legal.

A historinha de Pets é mais ou menos a seguinte: Max, na verdade Maximillian, tem uma vida tranquila e feliz ao lado de Katie, sua cuidadora.  Quando ela sai para trabalhar, é como se lhe roubassem sua razão de existir.  Obviamente, seria pior se ele não tivesse vários vizinhos simpáticos (*ou nem tanto*): Chloe, uma gatinha gorda;  os cães Mel e Buddy; o periquito Sweetpea (Docinho) e o porquinho da índia chamado Norman.  Tudo ia muito bem até que Katie traz para casa um novo cão, Duke.  Grandalhão e espaçoso, ele torna-se um tormento para Max.

Max feliz por ter Katie só para si.
Duke tenta intimidar Max e o cachorrinho decide provocar danos à casa que façam com que Katie acredite que o novo morador em casa é o responsável e o mande embora.  Durante um passeio, Duke tenta se livrar de Max e os dois acabam se metendo em uma grande encrenca com gatos de rua e perdendo suas identificações.  Capturados pela carrocinha, são salvos por Snowball (*u coelho psicótico*) e sua gangue de animais que odeiam os humanos.  Fugindo da gangue, os dois se perdem por Manhattan.   A cadelinha Gidget, moradora do prédio ao lado e apaixonada por Max, descobre que há algo estranho e monta uma força tarefa de animais para encontrar os desaparecidos.

Novo irmão.
Uma das coisas mais legais que eu vi em Pets foi a forma como mesmo antropomorfizados alguns comportamentos dos animais foram plenamente captados e aplicados nas personagens.  Isso já ficava evidente nos trailers, mas foi bom ver que não esqueceram este aspecto em nenhum momento do filme.  Verdade que alguns estereótipos foram reforçados, especialmente, quando pegamos Chloe, a gata, para analisar.  Ela finge não se importar com os outros, por exemplo, e considera-se muito mais inteligente que os cães.  Independente disso, ou talvez exatamente por isso, suas tiradas são as melhores.

A idéia de colocar em tela aquela pergunta “o que será que eles fazem quando não estamos por perto” foi bem desenvolvida.  E, de novo, os bichos do filme oscilam entre comportamentos absolutamente “animais”, por assim dizer, vide os tiques de Mel, e coisas que são absolutamente humanas.  As festas de arromba de Leonard (*o poodle figurante que adora heavy metal*) e do velho e rico cão Pops são um bom ilustrativo disso.  Pops é uma personagem que parece remeter diretamente aos filmes de gangsteres.  Ele conhece muita gente, ele tem poder, ele sabe muito, e ele ajuda Gidget e seus companheiros, mas tem segundas intenções... Quase cego e sem grande faro, ele acredita piamente que Chloe, a gata, seja uma linda cadelinha.  

A turma.
Já que falei em referências a outros filmes, devo pontuar que uma das coisas que realmente gostei em Pets foi que o filme se manteve distante das piadinhas com seriados e película de sucesso.  O filme cria suas piadas, ainda que ancoradas em clichês sobre cães e gatos ou mesmo de gênero, sem ser cansativo.  Eu não comentei, por exemplo Angry Birds, um dos motivos foi a pobreza das referências e homenagens e plágios em relação à filmes famosos.  Pets vai se construindo com leveza e humor.  Seu sucesso, segundo a Wikipedia, já é a animação americana não-disney mais lucrativa de todos os tempos, é mais que merecida.  A continuação, prevista para 2018, era previsível, claro, mas as personagens são tão queridas que merecem aparecer na tela grande novamente.

Voltando às personagens, não fiquei muito impressionada com os protagonistas, a dupla de cães que começa se odiando, passa a se respeitar e, no final, tornam-se amigos.  Não que Max e Duke sejam chatos, mas Chloe, Gidget, Snowball e Tiberius me pareceram mais interessantes.  De Chloe, já falei.  Tiberius é um falcão que é libertado por Gidget e submetido a um processo de reeducação para, bem, não sair comendo todo mundo que vê pela frente. O falcão acaba ajudando a cadelinha a procurar Max.  Ao longo do filme, ele quase tem umas recaídas e tenta comer algum companheiro, mas resiste.  Gidget, aliás, diz para os não-cachorros que para o cumprimento da missão todos seriam cães honorários.

Gidget pode ser violenta e persuasiva.
Snowball é o coelhinho aparentemente fofinho e vilão psicótico do filme.  Ele e seus companheiros moram nos esgotos e têm motivos suficientes para odiar os humanos.  O coelho tem oscilações de humor e venera os companheiros que morreram em prol da revolução.  Aliás, o filme coloca em sua boca alguns jargões revolucionários de esquerda e eles funcionam maravilhosamente bem.  Tendo jurado de morte Max e Duke por ter sido enganado (*entre outras coisas*), ele sai para caçá-los em Nova York.  Ao colocar os olhos nele o velho Pops diz que quer distância de malucos como ele.

E chegamos em Gidget, a cadelinha que é tratada pelos donos como uma princesa.  Seus dias são alimentados por novelas mexicanas e a observação de Max, a quem ela descobre amar no momento de crise.  Gidget representa, no início, aqueles cães de redoma.  Ela nunca saiu de casa, ela tem dificuldades para subir e descer escadas, mas – e isso é clichê, eu sei – o amor por Max a transforma e ela é capaz de superar suas limitações.  Ela luta, ela comanda, ela intimida animais muito maiores e ela continua sendo um amorzinho. ^_^ 

A cara de Chloe... Perceberam a caixa?
Um problema que salta aos olhos no filme, e repito que gostei dele, é a falta de personagens femininas.  No meio de mais de uma dezena de animais machos com nomes, só há duas fêmeas, Gidget e Chloe.  Percebem o problema?  Animais fêmeas (*castrados*) são menos queridas que machos?  Aí, como são todos antropomorfizados, pensem na sociedade.  Há mais homens que mulheres no mundo?  O desenho é da Illumination e, se não me engano, dos mesmos criadores dos Minions, que são todos machos, mas para que um filme como Pets seguir pelo mesmo caminho,  ein?  E vejam bem, não estou pedindo que os protagonistas fossem fêmeas, mas que a desproporção não fosse tão absurda.  

Eu sempre paro e aponto isso para a minha menina, que ela é importante e que meninas são importantes, ainda que os filmes e outras mídias não retratem isso de forma adequada.  E, bem, esse blá-blá-blá todo é para dizer que o filme, ainda que muito legal, não promove a eqüidade de gênero e não cumpre a Bechdel Rule.

Eles são umas gracinhas.
Já terminando, ressalto que Pets foi a melhor animação que assisti este ano no cinema. Simples, divertida, sem camadas de compreensão e acessível para todos.  Certamente, não é um produto refinado e sutil, mas é sincero e entrega o que promete.  De resto, a animação 3D é muito boa e a trilha sonora bem bonita.  Vale assistir, com certeza.  Ah, sim1  E há um curta dos Minions no início do filme. :)

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