sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Comentando Dr. Estranho (Doctor Strange)



Acabei de assistir ao filme do Dr. Estranho (Doctor Strange), agora, à tarde.  Aguardava com ansiedade este filme, não por ter alguma familiaridade com a personagem, nunca li nenhuma história do Dr. Estranho e conhecia por alto a sua história, mas por ser filme de herói da Marvel e por causa de Benedict Cumberbatch.  Sou fã do ator e é seu desempenho, junto com Tilda Swinton, que fazem valer a pena o filme.  Sim, achei Dr. Estranho um dos filmes mais fracos dos produzidos pela Marvel, com um dos vilões mais indigentes e o roteiro mais rarefeito.  O filme foi bem cansativo  e  não fosse o Cumberbatch, acho que meu marido muito resfriado tinha ido embora antes do fim.

Katmandu, Nepal, no santuário secreto de Kamar-Taj, o vilão Kaecilius (Mads Mikkelsen) se apossa de parte de um livro místico pertencente ao Ancient One (Tilda Swinton), uma poderosa feiticeira que parece ter a chave para a vida eterna.  Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um neurocirurgião brilhante, mas egocêntrico e excessivamente preocupado com sua imagem e fama.   Dirigindo de forma displicente, Strange sofre um terrível acidente e tem suas mãos esmagadas.  Sua colega de trabalho e ex-amante, Christine Palmer (Rachel McAdams) tenta confortá-lo, mas ele se desespera diante da incapacidade da medicina ocidental em devolver-lhe a perfeita mobilidade das mãos.  Ao ouvir falar de uma cura “milagrosa”, Strange parte para Kamar-Taj, utilizando-se dos últimos recursos econômicos que lhe restam.

Strange tem muito que aprender.
Em Katmandu, ele acaba encontrando e sendo salvo por um homem, Karl Mordo (Chiwetel Ejiofor), que lhe leva até a Ancient One.  Orgulhoso, Strange é incapaz de aceitar o que é dito pela mestra e termina expulso do santuário.  Depois de horas batendo na porta, ele recebe uma nova chance. Apesar das dificuldades iniciais, Strange se mostra competente nas artes mágicas.  A vantagem e desvantagem de Strange é que ele lembra muito Kaecilius, que abandonou a Ancient One em busca da vida eterna ao lado de Dormmamu, uma entidade da Dimensão Escura, que devora as dimensões e pode destruir a Terra.  Em Kamar-Taj, Strange quebra as regras e aprende a controlar o tempo usando o Olho de Agamotto, mas Kaecilius ataca o Sanctum de Londres e nosso planeta está ameaçado.    Agora, os talentos de Strange serão postos à prova, pois se os outros dois Sanctuns (Hong Kong e Nova York) caírem será o fim da humanidade.

Vamos começar com a parte boa do filme, Benedict Cumberbatch e a composição do protagonista.  Considero todo filme de apresentação de personagem muito complicado.  É preciso dispensar um tempo considerável da película para que o público entenda quem é o herói.  Essa parte do filme é excelente.  O neurocirurgião brilhante e vaidoso, que pensa mais em sua imagem e feitos notáveis do que na saúde de seus pacientes.  A forma como Cumberbatch dá forma ao desespero da protagonista, privado daquilo que dá sentido à sua vida, a capacidade de operar, mas, não, de seu orgulho,  poderia estar em um filme convencional comum, daqueles que competem e ganham prêmios oscar.  Enfim, um grande ator entregando uma grande interpretação e salvando o filme.  As palavras, aliás, são do meu marido.  Ele lia os quadrinhos do Doutor Estranho.

Ancient One
Daí, partimos para a segunda grande interpretação: Tilda Swinton.  Sim, eu sei, eu acompanhei a discussão sobre o embranquecimento da personagem.  O Ancient One deveria ser um homem oriental e foi transformado em uma mulher celta.  Concordo com as críticas a esta escolha, afinal, foi um papel importante no filme e os papéis relevantes para não-brancos em filmes como esse são raros.  Agora, Swinton entrega uma Ancient One tão intensa e, ao mesmo tempo, serena, que acredito ser impossível para alguém não perceber que a atriz é uma das melhores coisas de um filme muito limitado.  Ela  também faz valer o seu ingresso, acredite.

Gostei também de Wong (Benedict Wong), o bibliotecário substituto (*o anterior é assassinado   na primeira cena do filme*).  Trata-se de uma personagem clichê, o oriental mal-encarado, mas as piadas que envolvem Wong e Strange funcionam.  E não falo somente das envolvendo música – e eu seria tão ignorante do assunto quanto Wong – mas das que estão relacionadas com empréstimos de livros e ameaças de morte. ^_^ Ele deve voltar no próximo filme e se forem seguir os quadrinhos, deve tomar o lugar de Mordo como parceiro do herói.  Já o resto do elenco...

Os heróis e heroína do filme.
Chiwetel Ejiofor tem alguma importância na trama como Mordo, que de mestre acaba virando braço direito do herói.  Strange aprende tudo muito rápido e supera em muito os outros mestres.  Daí, Mordo se torna uma espécie de sidekick do herói (*típico papel para a persoangem negra, não é mesmo?*) e demonstra ter uma personalidade ingênua e maniqueísta.  Se forem seguir os quadrinhos, talvez o ator volte como vilão, mas não acredito (*Vide P.S.*).  O fato é que qualquer ator com um pouco de talento poderia fazer o papel, não precisava ser um Ejiofor, mas ele, pelo menos, tinha uma personagem decente.  O grande desperdício foi Mads Mikkelsen, um grande ator reduzido a um vilão chato em uma trama rala. Mikkelsen pouco fala e suas cenas são praticamente lutas intermináveis (*e chatas*) e frases clichês.  Qualquer um poderia fazer esse vilão.

Aliás, essa história de um grande vilão,  nesse caso Dormmamu, dono ou oriundo de uma dimensão maligna, sem muito o que fazer com sua eternidade, é algo recorrente nos filmes da Marvel.  Não sei se funcionou menos aqui ou em Thor 2.   Fora isso, é risível a incapacidade dos mestres de enfrentarem o vilão menor (Kaecilius) e seus asseclas.  O Sanctum de Londres é defendido por um mestre – que deveria ser um cara muito poderoso, dada a sua responsabilidade – e o cara é exterminado em dois tempos.  Em Hong Kong, um grupo de mestres e discípulos tem o mesmo destino... só sobra Wong, na verdade, vou parar aqui, porque vou acabar soltando muitos spoilers  de uma arrumação mal feita.  Mas é aquilo, se Dormmamu podia destruir o mundo, o pessoal de Kamar-Taj deveria ter feito muito mais. 

Mads Mikkelsen merecia algo muito melhor.
De qualquer forma, quem montou o roteiro – Jon Spaihts, Scott Derrickson e C. Robert Cargill – ofereceu uma trama preguiçosa, com muitos clichês e que mal cobria 1h de filme.   Aliás, Kaecilius espera Strange aprender tudo e mais um pouco antes de tentar destruir o mundo, né?  Não era iminente o perigo?  As cenas de luta são repetitivas e os efeitos especiais, idem.  É como se víssemos, de novo e de novo, a mesma cena, tal e qual o confronto final entre de Dormmamu e o Strange, agora cônscio de seus poderes e de sua responsabilidade.  Sabe a frase do Homem-Aranha?  Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”, ela se aplica aqui.

Enfim, o filme cumpre a Bechdel Rule?  Não.  Temos uma mulher de grande destaque, a Ancient One, e outra que é o amor do herói, Christine Palmer, além de várias mulheres fazendo figuração.  Por exemplo, um dos lacaios de Kaecilius é mulher e há várias mulheres em Kamar-Taj.  Só que elas não conversam entre si, a maioria sequer tem falas, ou nomes.  Mas não é um filme machista,  neste caso, é o filme sobre um herói masculino, um filme de apresentação, ainda por cima e os holofotes estão nele.  Ter a Ancient One já foi algo além do esperado.  


Sherlock e Irene Adler... Ou não... Ou...
E há algo interessante sobre Christine Palmer, segundo a Wikipedia, ela era originalmente uma enfermeira de uma série chamada Night Nurse.  Assim como Jane, a namoradinha de Thor, ela sofreu atualização e upgrade, virou médica.  Só que é uma personagem bem genérica, sem uma história própria.  Uma excelente atriz que poderia render mais, mas que não sofreu nas mãos dos roteiristas como o pobre do Mads Mikkelsen.  De repente, em um próximo filme.

Agora, houve uma hora em que meu cérebro quase bugou.  Irene Addler e Sherlock Holmes... Só que eram encarnações das personagens de mídias diferentes.  McAdams foi Irene nos filmes com Robert Downey Jr..  Já Cumberbatch é o Sherlock moderno da BBC.  Foi impressão minha, ou quando Strange atravessa o portal e cai em Londres, ela não está em um endereço conhecido nosso?  Não, eu devo ter visto errado, afinal, não achei referência a este easter egg em lugar algum.  Agora, fiquem para as cenas pós-créditos.  Eu só vi uma, não sabia que havia outra... 


Sexy.  E eu adorei a capa, uma das melhores coisas do filme.
É isso.  Mais um herói muito legal e interpretado por um grande ator em um filme abaixo das minhas expectativas.  Mais um grande ator interpretando um vilão sem nenhuma profundidade em uma trama terrível sem grande impacto emocional.  Poderiam ter economizado dinheiro no elenco.  Eu realmente acredito que a Marvel pode fazer melhor.  Talvez, em um segundo filme, quem sabe?   A mensagem poderosa que fica do filme, a meu ver, é: nunca, nunca, dirija usando o celular.  Veja o que aconteceu com o Dr. Estranho, aquilo não é legal.



P.S.: Vi a segunda cena pós-créditos.   Enfim, Mordo artificialmente transformado em um vilão psicopata.   Achei forçado, mas vai que desenvolvem melhor o roteiro e explicam essa revolta toda em relação à quebra das regras por parte da Ancient One?  Veremos, porque, bem, quando sair o novo Dr. Estranho, pretendo assistir ao filme.  Benedict Cumberbatch sempre merece ser visto.

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4 pessoas comentaram:

Gostei muito do filme, não vejo porque querer um filme super denso e sério sendo que se trata de um personagens dos quadrinhos clássicos da Marvel. E porque deveria ter mais personagens femininas? Só o fato de terem colocado a Tilda a meu ver já causou impacto suficiente e ela atua de forma muito competente como sempre. Crítica chata, típica de quem desconhece as HQs em geral.

HaHaHa! Crítica típica de fã revoltada que não consegue ler um texto (*Quem pediu mais personagens femininas????*) que não seja derrame de elogios e deslumbre. Mas não vou pedir que leia de novo e tente entender, acho que você pode e investir melhor seu tempo. Bom fim de semana! Continuarei aqui resenhando filmes (*Quase 100% dos da Marvel*), animes, quadrinhos em geral. Aliás, já são quase doze anos de blog. ^_^

Também não li os quadrinhos e gostei do filme em geral. Achei diferente dos outros filmes da Marvel. As cenas mais sérias eram bem mais sérias e densas do que o normal.
Mas acho que filmes de origem tem problema de ser filme de origem. Pouco tempo pra apresentar porque já tem que ir pra ação... Por isso as coisas ficam atropeladas. O treinamento dele foi muito rápido. Acho que ele poderia ter ido pra lá quando o tal vilão ainda estava treinando também e fazer passar uns anos porque ele dominou as artes misticas do dia pra noite! E o vilão... Mal trabalhado. Só dizem que ele perdeu todos que amava e aí? Quer ser imortal por isso?
Fora isso, eu gostei. Mas tem uns exagerados por aí dizendo ser "o melhor filme da Marvel"... Todo filme da Marvel é isso agora aí ler uma critica mais pé no chão é legal :)

Só discordo da parte em que diz que o filme é um dos mais fracos da Marvel, apesar dos defeitos que mencionou, dos recentes filmes ele é o melhor. Acho que o último que realmente curti foi Os Guardiões da Galáxia, mas não gostei do final da dança e a união a la Capitão Planeta. Nesse caso, gostei do final do Doutor Estranho e seu loop temporal. Mas como a Bianca falou, há um problema por ser um filme de origem, se parar para pensar em Homem de Ferro, que é um dos filmes mais adorados pelos fãs da Marvel, as coisas demoraram a acontecer, como Capitão América e Thor.

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