terça-feira, 1 de novembro de 2016

Comentando Trolls (2016)



Sábado fui assistir Trolls com a Júlia no cinema.  Pensei em não fazer a resenha, mas, enfim, um texto pequeno não fará mal.  Contando com a mesma equipe que fez Shrek, o filme investe em um visual psicodélico e uma trilha sonora cativante para pegar o espectador de todas as idades.  Pode não ter me impressionado, mas houve várias vezes durante a sessão – que estava quase lotada – em que a audiência bateu palmas ao ritmo das músicas contagiantes.  De resto, foi uma estréia bem rentável e o filme lidera o ranking dos mais vistos no Brasil.

Em um reino mágico, há um povo sempre feliz, os Trolls, e um sempre infeliz, os Bergens.  Estes últimos só tem um dia de felicidade no ano, quando, em uma grande festa, todos os bergens devoram um troll.  Os pequenos trolls tinham sido capturados pelos bergen e eram mantidos em uma árvore viveiro no reino dos devoradores.  Só que um dia, todos conseguem fugir.  20 anos se passam e bem longe, na floresta, os trolls, liderados pela princesa Poppy, que ama recortes e colagens, se dedicam a cantar, dançar e abraçar uns aos outros.  

Barulhentos e coloridos.
Somente um troll chamado Tronco não gosta de nada disso e vive obcecado pela idéia de que os bergens vão descobri-los e   devorá-los.  Só que, um dia, eles são descobertos e vários trolls são capturados.   Poppy decide, então, partir em busca de seus amigos sequestrados, apesar de todos os riscos.  Tronco é contra, mas, no fim das contas, termina partindo na jornada de resgate.

A história de Trolls é simples e, ainda que fofinha, guarda alguns tons sombrios que os pequenos talvez não entendam, mas que não passaram de todo despercebidos para a minha filhinha.  Há uma cena – imaginação, claro – na qual a cabeça da protagonista é cortada e Júlia ficou perguntando se tinham cortado a cabeça, ou iriam cortar a cabeça de Poppy.  Ela, no entanto, não entendeu que os vilões foram mortos no final.  Sim, sem perdão.  Enfim, mas, no geral, é um filme psicodélico e inofensivo, com uma mensagem de amizade e conciliação, mas tudo muito superficial, simplificado e inócuo.

Eles só querem festa, festa, festa.
Como assisti dublado, não ouvi as vozes originais – Anna Kendrick e Justin Timberlake – daí, não dá para analisar as músicas originais.  Aliás, achei as versões em português bem mornas, agora, quando entram em cena as músicas dançantes dos anos 1970 e 1980, a coisa muda de figura.  O colorido exagerado casou bem com trilha e há algumas referências, aqui e ali, para que a gente tente reconhecer.  Por exemplo, O Iluminado e Xanadu (*bem, patins e cabelo ao estilo Olivia Newton John*).  Neste último caso, uma referência a fato dos trolls serem brinquedos dos anos 1970, quer dizer, na verdade, não.  Acabei de checar e ver que foram criados em 1959.  Eu nunca tive um troll...

Fora a música, nada no filme me cativou, confesso.  Algo que, efetivamente, não gostei é do caráter escatológico fofo do filme.  Trolls purpurinados soltando pum de gliter ou o outro troll, que nem sei se troll era, pois parecia uma lhama ou alpaca, que defecou cupcakes.  Os americanos curtem essas coisas, eu só acho grosseiro mesmo, enfim... De resto, o filme cumpre a Bechdel Rule.

Júlia adorou a nuvem, que é o verdadeiro troll do filme.
A protagonista de Trolls Poppy; Bridget, a bergen de bom coração que ajuda os trolls; Chef, a maior vilã da história são todas fêmeas.  Fora isso, há personagens femininas de menor importância.  Já as personagens masculinas de destaque real são tronco e o rei Gristle Jr., de resto todos os outros são coadjuvantes mesmo.  Um filme tão equilibrado é raro.  Ainda assim, reforçam-se os papéis de gênero, Poppy tem bom coração, mas é cabeça de vento, age sem pensar.  Bridget é o bom coração em pessoa, além disso, sonhadora e com baixa autoestima.  Poppy e Tronco se ajudam, mas ele é racional, ela, não é.

É isso.  Trolls é um filme colorido e com músicas contagiantes, mas é somente isso.  Não espere muito.  É acessível às crianças pequenas, desde que elas tenham paciência para 1 hora e 30 de duração, mais ou menos.  Curiosamente, apesar de ter gostado do filme, Júlia não me pediu um troll de presente.  Com A Vida Secreta dos Bichos, a histeria foi total e persiste até hoje, mas são filmes diferentes e eu diria que Trolls está muito aquém dos pets da Illumination.  E há uma cena pós-créditos, não saia antes de assisti-la.

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