segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Post 1: Semana da Consciência Negra

Nenhum vietnamita nunca me chamou de "nigger".
Espero fazer um pequeno post por dia durante esta semana.  O de ontem, furou, estava corrigindo provas e não tive tempo de elaborar nada.  Enfim, queria falar de cinema, queria falar de tV, de outras coisas relacionadas, enfim, mas vou reproduzir aqui o que postei no Facebook:
Finalmente, todas as provas corrigidas (*terminei perto das 6 da manhã*). Nada muito chocante, nada que me fizesse gargalhar. Ano passado, o pessoal tinha mais imaginação. Ninguém ressuscitou, nem houve cerco naval à Moscou. Agora, dois pontinhos:
Coloquei uma questão sobre Guerra do Vietnã, luta pelos direitos civis e movimento negro. O caso ilustrativo era o de Muhammad Ali. Mais de um aluno/a respondeu sem falar de racismo, movimento negro e direitos civis. Mesmo quando damos visibilidade à questão dos negros e negras como atores da história, mesmo com duas fotos e um enunciado, há quem continue não os enxergando. E algumas das respostas eram respostas de verdade, de gente que estudou, mas simplesmente não consegue enxergar os negros. Ou não quer. As duas fotos estão no post. 
Ponto dois: havia uma questão besta de "retire do texto". A maioria absoluta, mais de 90% retirou do texto (*não vou entrar no mérito do certo ou errado*), sem colocar aspas. Citação sem aspas? 3º ano, quase faculdade? Desconto na nota. E esse desconto pode fazer falta para alguns, para outros, que sirva de alerta.
O que é pior, responder uma questão sobre direitos civis e movimento negro sem falar de negros, ou  esquecer aspas? Eu voto no primeiro, mas, acreditem, estão discutindo as aspas, elas chocaram mais.  O fato é que não falar dos negros e negras, esquecer que são atores da História, tem menor impacto do que esquecer aspas em citação quando você ainda está no Ensino Médio.  Se adultos estão considerando as aspas o ponto mais sério, como culpabilizar meus meninos e meninas, alguns ótimos alunos e pessoas muito legais, pelo deslize na questão relacionada ao Ali e aos protestos contra o alistamento de negros na Guerra do Vietnã?  


Cassius Clay (Ali) pega 5 anos e multa de 10 mil dólares.
Em tempo, para quem não conhece o caso, que eu comentei extensamente em aula, Muhammad Ali foi convocado para servir no Vietnã em 1967.  Recusou, explicitou algo que era ais que sabido: a verdadeira guerra dos negros era contra o racismo e a segregação em próprio seu país.  Ele expôs o fato de que a maioria dos que eram recrutados e morriam eram os pobres e os negros.  Foi condenado à prisão, multa e perdeu o cinturão.  O lutador deveria ter consciência de que, se aceitasse servir, ainda que em um posto protegido, serviria de propaganda para atrair mais e mais jovens negros.  Ali morreu este ano, precisa ser lembrado e pode, sim, aparecer em vestibular.

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