sábado, 24 de dezembro de 2016

Comentando Rogue One


Assisti Rogue One na estréia (15/12) e gostei bastante.  Escrever isso, aliás, é reconfortante, pois foram três decepções seguidas (*a nova trilogia*) e um filme bem mediano (*O Despertar da Força*), que me tiraram muito da esperança em relação ao mundo de Guerra nas Estrelas.  Rogue One devolveu-me parte da simpatia por Star Wars, trata-se de um filme de aventura, sem dúvida, mas com alguma profundidade dramática, em especial por apresentar um final épico e trágico sem fazer concessões.  Vamos ao resumo:

Dezenove anos depois da queda dos Jedi, a Aliança Rebelde recebe a informação que o Império tem uma arma de grande potencial de destruição prestes a ser colocada em ação e precisa impedir que ela entre em atividade.  Uma das idéias é eliminar o cientista responsável pelo projeto, Galen Erso (Mads Mikkelsen), visto como um traidor.  Para chegar a ele, no entanto, o capitão Cassian Andor (Diego Luna) terá que superar vários obstáculos, pois o piloto do Império (Riz Ahmed) que desertou com uma mensagem do cientista está sob o poder de Saw Gerrera (Forest Whitaker), um rebelde adepto de práticas terroristas e que rompeu com a Aliança.  Ele tem sua base na antiga cidade sagrada para os Jedi, no planeta Jedha.  Para chegar até Gerrera, os rebeldes resgatam a filha de Galen Erso, Jyn (Felicity Jones). 

Procure alguma mulher fora a heroína.
A moça foi resgatada e criada por Gerrera que impediu que ela fosse capturada pelo Império quando sua mãe foi assassinada e seu pai capturado.  Só que o que os Rebeldes e Jyn acabam por descobrir é que a Estrela da Morte – a tal terrível arma – é muito mais ameaçadora do que se imaginava e que talvez a Aliança não tenha outra alternativa, salvo se curvar ao inimigo.   Esta alternativa, entretanto, não agrada Jyn, Andor e um pequeno grupo de rebeldes que decidem partir em uma missão suicida para obter os planos da Estrela da Morte e, talvez, mudar o futuro da galáxia.

Não sei se por cansaço, ou sei lá o quê, esteja me sentindo meio travada para escrever sobre um filme que me agradou e que eu considero relevante em vários sentidos.  Como prequel da trilogia original, Rogue One mostra um universo de Guerra nas Estrelas sem os jedi, suas figuras emblemáticas.  Ao mesmo tempo, está tudo lá, a caracterização geral das roupas, ambientes, naves não se descola daquela que conhecemos de tanto tempo.  É a primeira vez, também, que não temos trilha de John Williams e eu senti falta, não sei, mas posso estar sendo injusta aqui.

Criados para vender brinquedo.
A trama, no geral, me remeteu aos filmes de guerra dos anos 1960, 1970, um os doze Condenados no universo de Star Wars.  Só que sem as duras hierarquias dessas películas antigas, afinal, o grupo que se forma à revelia do conselho da Aliança Rebelde para ir em busca dos planos da Estrela da Morte não está constrangido por promessas de perdão, ou fidelidades patrióticas, mas pela certeza de que aquilo é o certo a fazer e que cálculos políticos não poderiam se colocar no caminho de um objetivo maior: destruir uma arma capaz de eliminar a todos.  Obviamente, há fidelidades envolvidas, sentimentos diversos movendo as personagens, mas a ação do “rogue one” é uma rejeição da política tradicional, por assim dizer.

E vivemos nós em tempos de rejeição exatamente aos meios políticos tradicionais.  Será que o filme estava fazendo referência ao mundo em que vivemos?  A resenha da Carta Capital afirmou categoricamente que “sim”, este é o caso, mas pintou o grupo que protagoniza a ação de Rogue One de “de esquerda” e “jovem”.  Ora, primeiro, não há somente jovens no grupo, aliás, eles são a minoria, só mesmo a protagonista, Jyn Erso, poderia ser chamada de realmente jovem e, ainda assim, talvez forçando a barra.  Os demais são um robô, o marcante K-2SO (Alan Tudyk) e homens experimentados na batalha ou em suas missões "impossíveis", caso dos dois guardas do templo Jedi.  Nada que lembre a juventude que em vários lugares de nosso mundo hoje empunha bandeiras de esquerda e de direita (*travestidas, não raro de serem apolíticas*).

Em nome do pai
E temos a Aliança Rebelde e os partidários de Saw Gerrera que deveriam estar do mesmo lado, mas não se entendem.  Se considerarmos os dois como facções de esquerda, nada mais verdadeiro.  A  direita tende a se unir e ter muito claro aquilo pelo que desejam lutar, sejam privilégios, ou um projeto político-econômico-militar-social-whatever mais ou menos estruturado.  Já as esquerdas,, raramente conseguem ser pragmáticas o suficiente para negociar mesmo entre si contra um inimigo maior e comum.  O Império em Star Wars é claramente inspirado no nazismo alemão, daí, não há dúvida de quem é a direita, neste caso, extrema-direita.  

Deixando esse papo um pouco de lado, a imagem que o filme me passou é de uma Aliança Rebelde bem débil.  Ela representa a democracia, mas é frágil e não parece ter meios para se contrapor ao Império, um poder ditatorial e sem limites.  Na sua incapacidade, a Aliança vê em Saw Gerrera, um extremista, uma ameaça que ele realmente não é, pois somente advoga outras estratégias contra um inimigo muito superior.  No meio dessa confusão toda, a cidade sagrada de Jedah (*que eu não sei se fica em uma lua ou em um planeta*) parece uma metáfora das preciosas cidades da Síria ou do Iraque, jóias de civilizações passadas condenadas à destruição pelas  forças em confronto. 

Terrorista?
De resto, é aquilo, a temporalidade de Guerra nas Estrelas não é das melhores, afinal, 19 anos não seriam suficientes para eliminar a memória dos Jedi (*e eu reclamando dos 80 anos de Ōoku*), que é o que parece ter acontecido no primeiro filme original.  E, bem, neste filme, que é pouco anterior à primeira aventura de Luke, Léia e Han Solo, a lembrança dos Jedi está mais que viva.  A existência dos dois guardas do templo – Chirrut Îmwe (Donnie Yen), o guerreiro cego que acredita na Força, e Baze Malbus (Jiang Wen ), que não acredita nela – atesta bem isso.  Contradições, eu sei, mas se a gente pega Rogue One isoladamente, o filme funciona muito bem, muito mesmo.  Ainda que, e isso é importante ressaltar, pudesse, sem muitas aparas, não ser Star Wars, ser um filme de guerra em outro período, lugar, enfim... Isso é demérito?  Não, só mostra que com ajustes mínimos ele se sustenta sozinho.

Continuando, este último filme de Guerra nas Estrelas é o segundo a ter uma protagonista feminina.  Felicity Jones, uma atriz excelente e que eu aprendi a admirar desde que a vi em Northanger Abbey (*sim, ela foi uma protagonista em um filme baseado em Jane Austen*), conseguiu interpretar com a intensidade necessária uma personagem que é uma espécie de pária, a Carta Capital a chamou de “sem teto da galáxia”, e que, assim como tantas outras personagens (*homens ou mulheres*) em sabe-se lá quantas sagas nos últimos milênios, não consegue se desvencilhar do pai.  Reencontrá-lo, limpar a sua imagem, abraçar seus ideais, terminar sua tarefa e vingá-lo, enfim, é o que ela faz neste filme.  Resumindo: tudo o que ela faz é em nome dele. 
 
Heroína acidental.
Como se tratava da segunda protagonista mulher do universo de Guerra nas Estrelas e em seguida, muitos machistas chiaram.  É como se seis filmes e mais sabe-se lá quantos materiais do universo expandido fossem nada, diante de duas películas. Enfim, mas sobre isso preciso pontuar algumas coisas, afinal, trata-se de uma análise sob uma perspectiva feminista, algo que é a essência desse blog que caminha já para seus 12 anos de vida.

Ponto um e mais importante, Jyn é uma mulher, mas se fosse um homem, não haveria grande diferença.  Não há nada de gendrado nela, e achei um texto comentando que este era o desejo do diretor e ele acertou direitinho.  Apesar dos olhares entre ela e Cassian Andor (*ou foi delírio meu?*), nada acontece (*e, sim, queria um beijo la na sequência final*).  Poderia ser um rapaz, mas a produção mostrou (*não que não tivesse ocorrido antes e cito o Alien original como exemplo*) que, em alguns casos, o sexo da personagem é irrelevante e mulheres podem ser protagonistas de um filme de ação.  Não que isso não estivesse mais que evidente, vide O Despertar da Força, na serie Jogos Vorazes e tantos outros filmes heroínas menos "neutras", mas dada a incapacidade de algumas pessoas perceberem o óbvio, ou o negarem, é sempre bom reforçar.

A Força pode se manifestar de várias formas.
Apesar da protagonista feminina, e não pensem que não esteja considerando representatividade como muito importante, todas as personagens no seu entorno são homens.  Poderiam ter colocado mais uma mulher entre os coadjuvantes próximos da heroína?  Sim, mas não há nenhuma.  Houve um significativo retrocesso em relação ao Despertar da Força, porque no filme anterior havia muitas mulheres figurantes, seja na Aliança, seja no Império.  Elas não tinham nomes, nem falas, mas estavam lá para evidenciar que as mulheres participam da ação em ambos os lados.  Desta vez, contei nos dedos.  

Há Mon Mothma (Genevieve O'Reilly), a senadora que recebeu grande destaque em resenhas e notícias, porque, bem, além de ter certa importância no universo expandido, ela tem uma posição importante na Aliança Rebelde.  Seu caráter solitário - única mulher entre homens - já a coloca em destaque.  É a singularidade que a coloca em relevância, não seu papel de destaque real.  Há uma atriz negra no conselho da Aliança quando ganha corpo a discussão sobre qual seria a reação à Estrela da Morte.  Depois, já na batalha do final do filme, aparecem umas três mulheres piloto. Foi o que eu contei.  Um amigo,que não gostou do filme, me disse que elas provavelmente eram pilotos cortadas (!!!) de filmes da trilogia original, já que cenas dos originais foram reaproveitadas em Rogue One.  Não tinha link, fui pesquisar.

Em questões de gênero, Rogue One foi um passo atrás.
Sem querer me desviar muito dessa resenha, afinal, isso já daria outro texto, vamos lá.  Aproveitaram cenas dos originais, mas não achei nada que informasse que usaram as cenas das pilotos de O Retorno de Jedi que foram cortadas.  Sim, havia QUATRO mulheres piloto em O Retorno de Jedi.  Quatro e todas foram CORTADAS da versão final do filme.  Uma delas, uma mulher de meia idade.  Ah, sim, não todas, uma delas apareceu, mas, PASMEM, dublada com voz masculina.  Sabem quando as primeiras mulheres foram admitidas na academia da Força Aérea dos EUA para se tornarem pilotos de caça?  1977, O Retorno de Jedi é de 1983.  Elas não podiam voar em combate, isso só foi permitido em 1993, mas mulheres piloto militares não eram coisa estranha no país de Guerra nas Estrelas.

Agora, vejamos, por qual motivo um rosto feminino não poderia aparecer em um cockpit? E em uma série que pecava pela ausência de mulheres, que foi duramente criticada por isso e, também, porque não havia negros no primeiro filme, enfim, é muito terrível perceber como o processo de invisibilização é cruel.  E, repito, a única  mulher piloto é DUBLADA.  Em Rogue One, eu vejo Jyn Erso como uma solitária, alguém fora do lugar que, efetivamente não está, porque ser mulher é um mero e pequeno detalhe, isso não faz diferença alguma no fim das contas.  Nesse sentido, e, talvez, somente neste, o Despertar da Força foi melhor.  Como filme, Rogue One se impõe, apesar de só cumprir a Bechdel Rule por um fio de cabelo e não ser, de forma alguma, um filme feminista, apesar da protagonista ser uma mulher.  Só que também não poderia chamá-lo de machista, mas é um filme que poderia oferecer mais em termos de representatividade.

O vilão é o Império.
De resto, há quem diga que faltou carisma aos protagonistas, entretanto, o que acredito que muita gente talvez não tenha percebido, ou gostado, é  de ver gente tão comum, tão sem glamour protagonizando um filme de Star Wars. Jyn Erso e Cassian Andor não são jedi, não tem nada de particularmente heróico para além do que a maioria dos ser humanos comuns, não possuem sabres de luz, nem invocam a força.  São gente comum demais e, por conta disso, críveis em suas ações.  Mads Mikkelsen estava digno como o cientista constrangido a criar uma arma mortal e que coloca uma falha nela para que os Rebeldes possam tentar impedir que o Império espalhe o terror.  Ele ficou pouco tempo em cena, mas brilhou e você  não contrata Mads Mikkelsen para fazer menos que isso.

Falando em coisas que não funcionaram em Rogue One, bem, o 3D não casou bem com a fotografia.  Eu achava que o problema era comigo.  O filme estava escuro demais, retirei meus óculos, olhei bem, já tinha lido que coisas assim, o escurecimento do filme, poderia acontecer com filmes originalmente em 2D e convertidos.  Este, certamente, não foi o caso de Rogue One.  Se eu pudesse, assistiria em 2D para ter uma percepção melhor da película.  Houve momentos em que não consegui ver direito mesmo.

O robô super simpático, apesar de não ser.
Outra coisa, foi mais um vilão fiasco.  Nada tão frustrante como o moleque jedi emo de O Despertar da Força, ou a Capitã Phasma, verdade, mas Orson Krennic (Ben Mendelsohn) era só um burocrata ridículo.  Sair por aí balançando sua capa não o tornou ameaçador, nem mandar fuzilar cientistas, faltou mais recheio, em contra partida, o defunto Peter Cushing - replicado em CGI e dublado - tinha muito mais presença e funcionou muito melhor.  Mórbido, eu seiFora isso, um uniforme cool não é tudo e o preto funciona melhor que o branco nesses casos, a não ser, claro, que o vilão tenha recheio para se destacar mesmo em uma cor que não evoca poder, ou força, mas paz  e tranquilidade.   Já Darth Vader estava bem, sua participação foi bem-vinda.  

De qualquer forma, o vilão real do filme não era nenhum desses três, mas o próprio Império, uma força descomunal capaz de esmagar qualquer oposição, uma máquina de guerra que não precisa de rosto.  Neste ponto, o filme funcionou, então, Krennic é irrelevante e não atrapalha em nada a narrativa.  Só para fechar, outra coisa que não agradou foi deus ex-machina que possibilitou à Jyn completar sua missão poderia ter sido evitado.  Não vou comentar  mais, seria spoiler. 

Para ser vilão não basta fazer cara de mau e balançar a capa.
É isso.  Para mim, Rogue One foi uma grata surpresa.  E ter tanto o que escrever só reforça o quanto gostei do filme.  Há quem veja um texto deste tipo como uma expressão de desagrado.  Bem, não é mesmo.  Se Rogue One fosse somente uma bobagem de ação divertida, talvez 7 parágrafos resolveriam, mas o filme oferece muito mais e pede mais reflexão.  Foi isso que fiz aqui e com prazer.  Aliás, foi até complicado conseguir montar um texto sobre ele.  Fiquei mais de uma semana adiando.  Recomendo o filme e se conseguisse achar uma sessão legendada 2D perto de mim, veria de novo.  Aqui, no Rio, teria que viajar muito e há outros filmes na minha lista para assistir.  Sei que o filme está fazendo muito sucesso, mas não vejo nele um material palatável para o público infantil que se tornou quase alvo preferencial dos últimos filmes, de qualquer forma, Rogue One pode servir de um bom divisor de águas.  Vamos esperar...

P.S.: Se conseguir e tiver paciência, resenho Sing nos próximos dias.  Assisti com a Júlia.

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2 pessoas comentaram:


Pois é, o filme tb me agradou, e assim como o episodio IV pode facilmente ser transformado num filme de fantasia medieval (o jovem cavaleiro, seu mentor e seu amigo ladino que salvam a princesa da masmorra e matam o dragão), Rogue One é facilmente convertido num filme da Segunda Guerra com uma equipe dos Aliados em territorio inimigo tentando sabotar uma nova arma do Eixo. :)

Vi algumas pessoas reclamando sobre a falta de mais informações dos personagens, mas oq sabiamos mesmo do Han e da Lea no primeiro filme?

Eu não acho que nenhum personagem de Star War sejam realmente complexo, eles são mais arquetipos (o jovem orfão que descobre ser de uma linhagem importante, a espada magica, o mentor, o trapaceiro de bom coração, etc) do que pessoas. E o fato da galera da Rogue ser tão "comum" pra mim foi positivo.

Mas um detalhe importante é que houve muita regravação de cenas, e os primeiros trailers davam uma ideia diferente da Jyn e sua missão.

Mas o resultado final foi muito bom ( a cena do Vader no corredor arrepia rs) e mostrou como fazer um prequel com respeito e qualidade. É como ver o Universo Expandido ganhando espaço nas telas (tem um monte de referencias, principalmente com Rebels, a atual serie animada) e sendo muito bem tratado.

Por mais filmes assim :)

Excelente resenha. Gostei bastante do filme, gostei muito da Jyn e de toda a sua equipe. Mas como você bem pontuou a ausência de mulheres nos backgrounds tanto do lado Rebelde quanto do lado do Império é gritante, não sei como alguém pode não notar. Tirando as mulheres que você citou, lembro também da mãe e a menininha que a Jyn salva no meio de uma batalha em Jedha. E a mãe da própria Jyn que estava ali só para morrer no começo do filme. Realmente O Despertar da Força é um colirio para os olhos no quesito mulheres nos backgrounds ou como personagens secundárias com falas e algum tempo relevante de tela e para a própria história. Vi muito gente comentando, e com razão, que Star Wars até agora só escalou mulheres brancas de cabelo castanho como protagonistas (Padmé, Leia, Rey e Jyn), isso é bem verdade e gostaria de ver uma mulher de alguma outra etnia estrelando na franquia para trazer alguma diversidade que a própria produção falou tanto que existia nesse filme e no Despertar da Força. Já está chato quando a diversidade se resume a colocar uma mulher branca e homens de diferentes etnias. Hollywood já vem fazendo isso a algum tempo. Quanto ao Bedchel Test, me parece que já estão atentos a isso e colocam um mísero dialogo que passe o teste só para 'calar a boca' das pessoas que questionam. Mesmo o Despertar da Força teve uma mísera cena que passava o teste e só. Acho que valia a pena comentar que dessa vez o merchandising não 'esqueceu' dos brinquedos da protagonista e lançaram várias bonequinhas de diferentes tamanhos e outros produtos da Jyn, ela teve o tratamento que não foi dado a Rey.

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