sábado, 31 de março de 2018

Comentando o filme Maria Madalena (Mary Magdalen, 2018)


Quinta-feira assisti, finalmente, ao filme Maria Madalena.  Primeira produção a tratar da segunda mulher mais importante do Novo Testamento e que recentemente se tornou a mais controversa figura dos primórdios do Cristianismo.  Queria escrever que assisti a um grande filme, que o diretor de Lion, Garth Davis, entregou outro filme excepcional, carregado de sentimento, no entanto, o que eu assisti foi uma película que boa parte do tempo é monótona, que não despertou em mim as emoções fortes que eu imaginava que um filme sobre Maria Madalena despertaria.  Não é ruim, tampouco é bom, evita todas as polêmicas possíveis, e como diz a própria Bíblia “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.” (Apocalipse 3:16) O que eu quero dizer é que dificilmente este filme será lembrado.  Dificilmente.

Maria Madalena começa 33 E.C., último ano da missão de Jesus Cristo, na vila de Magdala, e acompanha o dia-a-dia monótono da personagem título (Rooney Mara), uma mulher solteira, que já está passando da idade de casar, que trabalha como pescadora junto com outros membros de sua família e sofre a pressão do pai (Tchéky Karyo) e, principalmente, do irmão mais velho (Denis Ménochet), para contrair matrimônio.  Ela resiste, sente um vazio espiritual enorme, e é acusada pelo irmão de trazer vergonha para a família e estar possuída por demônios.  


Chamada para ser pescadora de mulheres.
Um dia, um profeta chamado Jesus (Joaquin Phoenix) passa por Magdala.  A jovem decide segui-lo, mesmo contra a vontade de sua família, e é aceita no grupo dos apóstolos.  Sua presença causa apreensão em Pedro (Chiwetel Ejiofor) e recebe boa acolhida de Judas (Tahar Rahim), que acredita que logo virá o reinado do Messias.  A partir daí, acompanhamos os últimos meses de vida de Jesus, a crescente confiança que ele deposita em Maria Madalena, os ciúmes de Pedro e os primórdios da Igreja Cristã.

Reitero que não vi nada de novo ou excepcional no filme sobre Maria Madalena.  Nada que não tivesse lido em livros acadêmicos, ou matérias de revistas ou jornais.  Pouca coisa se inventou de fato para além das fontes bíblicas, recorreu-se pouco aos apócrifos gnósticos, à tradição, ou mesmo à imaginação.  Aviso logo de saída que esta resenha é escrita por uma historiadora feminista que, apesar de sua formação cristã e também por causa dela, considera todas as personagens do filme como uma dupla construção discursiva.  


Ela queria uma experiência religiosa mais profunda,
que as práticas tradicionais não ofereciam.
Não há como provar a existência histórica nem de Jesus, nem de Pedro, nem de Madalena, o que sabemos deles, o sabemos pelas fontes cristãs canônicas e apócrifas e pela tradição; eis a primeira construção.  A segunda, é a do filme, que se aproxima desse caldeirão de discursos, se apropria deles e lhes dá forma em tela.  Agora, independentemente de suas existências reais, personagens como Jesus são das mais influentes de toda história da humanidade.  Estabelecido isso, sig amos.

Quem temia que este Maria Madalena fosse uma abordagem feminista da personagem, esqueça, salvo se o simples fato de colocar uma mulher seguindo Cristo como apóstolo, algo que a própria Bíblia apresenta, é muito feminista para você.  Se você espera uma película com alto potencial explosivo como o excelente A Última Tentação de Cristo, esqueça também, não há absolutamente nada de subversivo de verdade neste filme, muito menos de erótico na relação de Jesus com Maria.  Nada.  Fiquei feliz de ver uma relação genuína entre mestre e discípula e, não, aquela coisa clichê de homem e mulher centrais em um filme/livro/whatever precisam ter um envolvimento amoroso.  Agora, o que o filme faz muito bem é retirar emoção de acontecimentos que eu transformaria em momentos de catarse se eu fosse a responsável pelo projeto.


Jesus existiu?  Não existiu?  Dada sua importância histórica,
isso me parece irrelevante.
Querem um exemplo?  É mostrada a ressurreição de Lázaro.  Se Maria Madalena é a mulher mais citada nos Evangelhos, as irmãs de Lázaro, Maria de Betânia e Martha, pareciam gozar de uma amizade especial com o Messias.  Tanto que há certa dubiedade se a mulher que lavou os pés de Jesus e enxugou com seus cabelos é a Madalena, ou a outra Maria.  É na passagem da morte de Lázaro que é dito que “Jesus chorou”, ao ver Maria chorando e dizendo que se o mestre estivesse com eles, seu irmão não teria morrido. (João 11) É uma das minhas passagens favoritas dos Evangelhos. Pois bem, no filme, parece que Jesus está passando e vê o sepultamento de um estranho, se compadece e decide fazer alguma coisa.  Só no fim da cena é que nos é dito que é Lázaro.  

Seria uma oportunidade muito boa de mostrar que as mulheres tinham papel importante na vida de Jesus, mesmo que Maria Madalena tenha certa proeminência, que, no caso do filme, já está dada no título.  Também sabemos que Madalena não era a única mulher que seguia com o grupo, o Evangelho de Lucas fala das mulheres que o acompanhavam e sustentavam (Lucas 8:1-3), ou seja, Jesus não tinha recursos próprios, algo que outras passagens pontuam e não recusava que mulheres de posses o ajudassem.  Só que isso continua subversivo demais para o cinema.  No caso desse filme, se economizam nos apóstolos, nem sequer temos os doze, imagina colocar mais mulheres com nomes e falas... 


Judas era o mais devoto entre os apóstolos no filme.
Enfim, antes do encontro com Jesus, como parte da apresentação de Maria Madalena, criou-se uma relação familiar conturbada para a protagonista. Pobre, órfã de mãe, filha única e querida pelo pai, ela estava protelando seu casamento.  O pai não parecia fazer questão para se separar dela.  Há uma relação muito amorosa entre ambos.  Só que o irmão mais velho não vê outra função para as mulheres salvo o casamento e a procriação.  Ele sabe que se o pai morrer, ele terá que sustentar a irmã solteira e, pelo menos para mim, está claro que ele não quer esta responsabilidade.  Se vocês observarem, era uma casa pobre com todo mundo amontoado, irmãos, cunhadas, netos, avô, Madalena... Se ela se casasse, seria menos uma pessoa naquele cubículo.

Aos olhos do irmão, Madalena também parece ser mais devota do que seria decente para uma mulher.  Provavelmente, os roteiristas foram buscar as bases para essa parte em certos ramos do  Judaísmo Ortodoxo, que isentam as mulheres de várias obrigações que seriam dos homens, mas, ao fazê-lo, na verdade, as proíbem de desempenhar uma série de funções.  Em alguns casos, até ouvir a voz de uma mulher, seu canto ou oração pode ser considerado religiosamente inadequado.  De qualquer forma, não pensem que Madalena é uma Yentl, uma mulher que questiona ativamente suas limitações, ela só quer o direito de viver de forma devota, aparentemente em celibato, de poder orar em voz alta sem ser repreendida ou tomada por endemoninhada.   


Domingo de Ramos.
Quantas mulheres passaram e passam por situações?  Pela coerção do casamento?  A se sentirem espiritualmente inferiores, apesar de serem mais devotas?  A se verem como um peso, mesmo trabalhando duro de sol a sol?  Enfim, esse é o drama inicial de Madalena.  Uma das poucas cenas de efetiva emoção do filme é quando Daniel, o irmão, convence o pai a levar a protagonista para uma seção de exorcismo.  Ela quase é morta e entra em uma espécie de torpor do qual só sai após um encontro com o Messias, ele lhe diz que ela não tinha demônio algum.  Restabelecida, o irmão volta à carga “Mas ela ainda pode casar com fulano!”.  Só que ela escapa.

A Maria Madalena que acompanha Jesus e os apóstolos é silenciosa e discreta.  Ela não eleva a voz, ela não entra em contendas teológicas, ela se choca quando vê os apóstolos discutindo entre si como se fossem soldados. Ainda que o filme não discuta ativamente a política da época, ou a possível ligação de alguns discípulos de Jesus com o grupo dos zelotes, militantes que lutavam para expulsar os romanos da região. Falando nos apóstolos, já pontuei que não temos nem os .  doze canônicos.  Destacam-se Pedro e Judas, dois outros que tem nomes são Mateus e Felipe.  Acho que André foi citado em uma cena.  Os outros sequer tem falas.  Quando vi Judas a primeira vez, pensei que fosse João ou Tiago.  Esses dois famosos apóstolos não são sequer citados.  Será que não havia recurso, ou espaço na tela, para colocarem os doze mais Madalena?


Pedro queria uma revolução terrena,
depois, passa a se preocupar com o destino do grupo.
Voltando para a protagonista, ela batiza outras mulheres.  Vejam que o filme pode parecer transgressor aos mais conservadores por conta de alguns detalhes, mas o fato é que ele foge da polêmica o tempo todo.  Não coloca Maria Madalena pregando aos homens, ou os batizando.  Ela parece usada por Jesus para falar para as mulheres, ainda assim, de forma discreta.   Eu já sabia previamente que não colocariam uma Madalena ex-prostituta.  Ótimo, porque esta ideia, que caiu no gosto do Ocidente por séculos, foi enunciada por Gregório, o Grande, no século VI.  Não defendo que o Bispo de Roma tenha tirado isso da sua cachola, mas a narrativa não era hegemônica até então, depois disso, tornou-se com a tríade de mulheres modelo se perpetuando até nossos dias: Eva-pecadora, Maria-Virgem (*e Mãe*) e Madalena-Prostituta Arrependida.  

O filme também não investe na ideia, que é particularmente atraente para alguns, de que Madalena foi esposa, ou amante, de Cristo.  Esta ideia é alimentada principalmente pelo evangelho gnóstico de Filipe, que foi encontrado em Nag Hammadi, no Egito, junto com vários outros fragmentos, ou livros, a maioria tardios, século III, que tinham sido escondidos.  Ainda assim, cabe interpretação.  Por exemplo, o fato de Jesus beijar Madalena nada quer dizer, porque o hábito é descrito no Novo Testamento e, mais tarde, gente como Tertuliano (*se bem me lembro, mas não vou atrás do livro do Peter Brown agora*) condena o fato, por razões de decência, de que homens beijassem mulheres e vice-versa.  Como o Reino está próximo e muita gente deveria estar se lixando para certas regras do cotidiano.  Daí, vocês encontrarem textos do Novo Testamento – alguns atribuídos à Paulo – reforçando convenções sociais como uma forma de impedir que a comunidade de cristã fosse mal vista.


Mulheres trabalhavam e trabalham duro,
mas seu trabalho é, muitas vezes, ignorado.
Há, também, o Evangelho de Maria, que muitos julgam ser a Madalena.  O texto sugere uma relação especial dela com Jesus, mas nada que se caracterize como matrimônio, ou coisa do gênero.  O que não quer dizer que ela seja a autora, tampouco que esta visão fosse hegemônica entre os primeiros cristãos, afinal, o gnosticismo era tratado como heresia e era uma tendência minoritária – até por se desejar assim – dentro do Cristianismo dos primeiros séculos.  Enfim, é por causa desses dois evangelhos que se infere essa relação mais próxima de Maria com Cristo, assim como antagonismo com Pedro, que a hostilizaria por ser mulher e por ser mais amada pelo Messias do que seus apóstolos.  O resto é culpa de romances contemporâneos como O Santo Graal e a Linhagem Sagrada e O Código Da Vinci.

Voltemos ao filme, nele transparece o ciúme de Pedro, ele se sente ameaçado por essa relação mais próxima entre Maria e Jesus, que parece desequilibrar as hierarquias dentro do grupo. Pedro exercia uma função de liderança e, ainda que não clame para si este lugar, Maria Madalena goza de uma intimidade de espírito, por assim dizer, com o Messias que os homens não têm.  Ele não queria levá-la e alega decoro, porém, o Pedro do filme não me pareceu particularmente machista, ou misógino, era alguém que temia perder o poder que cria possuir.  


A relação muito próxima com o
mestre faz com que Pedro tenhas ciúmes.
Agora, na Bíblia, Jesus é acusado de andar com prostitutas e publicanos, o que diriam dele se mulheres começassem a seguir com ele pelas estradas?  De qualquer forma, desde que Jesus não mostre preferência especial por Madalena, Pedro está bem com ela.  Agora, quando ela se torna a primeira testemunha da ressurreição (Mateus 28:9-10; Marcos 16:9-11; João 20:11-18), ele se recusa a acreditar nela.  Lembro de quando em uma pregação, ou um estudo na Igreja, um homem disse que os apóstolos tiveram razão em não crer, afinal, mulheres eram dadas a inventar coisas e tinham muita imaginação.  

O fato é que os apóstolos não creram e Pedro tenta calá-la.  O filme não mostra os apóstolos se encontrando com Jesus, mas aponta para o esforço inicial de Pedro de organizar uma igreja.  É como se a igreja que Pedro almejasse, não precisasse do Cristo ressuscitado para existir, ou não tivesse como lidar com ele. Como o filme é um tanto fragmentado, já tínhamos quase umas duas horas de projeção, não se volta ao assunto.  


Judas se frustra.  Maria fortalece sua fé.
São duas horas de filme e questões importantes são apresentadas de forma corrida.  Temos longas pausas, aqueles takes do deserto longuíssimos, e quando alguma coisa acontece, na maioria das vezes, é trabalhada de forma displicente.  Toda a sequência final da vida de Jesus foi assim.  E sabem o que é a melhor coisa do filme?  A mais tocante, a que mais emociona?  Judas.  Ele é apresentado como um homem de fé, alguém que acreditava que o Reino estava próximo, que seria algo espiritual, que ele iria rever sua esposa e filha que tinham morrido, mas, não, ele estava errado.  O Reino de Cristo não era desse mundo e, bem, sua traição (*é um spoiler, mas não é teoria nova*) foi uma forma de tentar obrigar Jesus a se revelar em toda a sua glória.  Não deu certo.  

O que eu quero dizer é que enquanto Rooney Mara estava linda e parecendo uma asceta; Chiwetel Ejiofor parecia querer sempre passar uma imagem de dignidade e liderança; o Jesus de Joaquin Phoenix parecia oscilar entre o meio chapado e meio aterrorizado; o Judas de Tahar Rahim parecia cheio de vida, de felicidade, até que termina fazendo tudo errado, ou certo, afinal, Jesus deveria morrer na cruz.  E se em um filme sobre Maria Madalena, eu sou obrigada a dizer que gostei mais de Judas, efetivamente, o filme não me atingiu como deveria.  Só fiquei consolada de não estar só nesse sentimento.


Não se enganem com quem insinua que
existe romance entre Jesus e Maria.
Falando de Joaquin Phoenix, bem, ele já estava velho para ser Jesus.  E não me passou a impressão de ser um Jesus mais humano, mesmo que nunca se negue sua divindade, mas é representado como uma espécie de guru dado à transes e ausências, delírios.  Vide a sequência dos vendilhões no Templo.  Se fazia um milagre, era como se ficasse sem energia vital.  Foi feito um bom trabalho em relação ao seu medo/ansiedade em relação a sua morte, mas esta foi uma das partes corridas do filme.  Na crucificação, que foi solitária, sem o ladeamento de dois ladrões, optaram por uma cruz romana mais realista e os cravos estavam no lugar certo, nos pulsos.  E, sim, o filme tem grande diversidade étnica, começando pelo Pedro negro, mas Jesus é louro de olhos azuis, assim como Madalena é de uma brancura pouco condizente com uma mulher que trabalha deixo do sol o tempo inteiro.

Caminhando para o fim, Maria Madalena cumpre a Bechdel Rule.  Há várias mulheres com nomes e falas.  No início, temos as cunhadas de Madalena, depois, as mulheres com as quais interage durante a pregação de Cristo.  Essas mulheres falam mais de si, de seus problemas, mesmo que os homens estejam envolvidos.  E há a outra Maria, a mãe de Jesus (Irit Sheleg), ou, pelo menos aos meus olhos, a mulher mais importante do Novo Testamento.  Madalena conversa com a Maria quando ela se junta ao grupo em Jerusalém.  Elas conversam sobre o Messias, claro, Maria fala da infância do filho e de seus medos (*apócrifos como referência*), mas fala dela própria, de sua missão, e de Madalena.  Falando em Maria, mãe de Jesus, apesar dos tons pobres do figurino, algo bem coerente, aliás, mantiveram o azul – cor cara, cor difícil, cor de fixação complicada – no seu manto.  Mais uma tentativa de reforçar e, não, questionar tradições em um filme que é tudo, menos ousado.


Maria, mãe de Jesus.
Seria este filme feminista?  Eu não o vi dessa forma.  De novo, é preciso ser muito conservador e até obtuso para negar que Maria Madalena teve um papel de destaque na missão de Cristo na Terra.  Agora, repito, ela não prega aos homens, ela não os batiza, ela não contende com eles, ela quer viver sua espiritualidade de forma mais pessoal, daí seguir o Cristo e romper com antigos costumes e práticas, mas seu papel é muito mais tradicional – até na parte do cuidado com os doentes, que Pedro queria abandonar – do que de mulher que repensa papéis de gênero.  Mas decidam-se a respeito, se assistirem o filme.  

A meu ver foi um filme bem chapa branca, evitando, ou tentando não desagradar grupo algum.  Não emocionou, não tocou, não marcou, querem um filme religioso de impacto, vejam Silêncio, que é do ano passado.  Espero que alguém decida falar de Maria Madalena novamente, mas com mais criatividade, com mais coragem, afinal, aquela que foi reconhecida como “apóstola dos apóstolos” merece muito mais destaque.  Mérito do filme é romper com a história da Madalena prostituta e não embarcar na narrativa da Madalena-esposa, mas isso ainda é muito pouco.

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1 pessoas comentaram:

Estou curiosa quanto ao filme porque também sou historiadora, feminista, e que estuda o Catarismo, que tinha restrições as mulheres, mas que quando uma delas resolvia se juntar a religião (chamo de religião), e levar uma vida austera, podia pregar, não era uma freira, mas estava em pé de igualdade com os outro pregadores do Catarismo, então um filme sobre uma das mulheres mais controversas do cristianismo tem um "bip" logo a minha cabeça.
Infelizmente as fontes sobre as mulheres da época são escassas, tenho alguns livros, incluso O Zelota, mas esse foca mais no masculino, que falam das mulheres e a importância delas na comunidade judaica arcaica. E tenho minhas crenças, que procuro não deixar interferir porque caso contrário acho que jamais me deixariam entrar no Vaticano! Muito bom seu comentário sobre o filme, irei assistir o mais rápido possível!

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