quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Suicídio entre crianças e adolescentes no Japão atinge maior número em três décadas


Em janeiro, publiquei um post comentando a queda nas taxas de suicídio no Japão.  Ainda que o país não seja o campeão em termos de suicídios no mundo, o Japão permanece no nosso imaginário como o lugar no qual a prática seria mais disseminada, pois não há, a rigor, amarras religiosas ou culturais que o limitem, com o agravante do ato de tirar a vida poder ser encarado como honroso a depender da situação.  Pois bem, já no início de 2018, havia um alarme que era o seguinte, sim, as taxas caíram pelo oitavo ano consecutivo, PORÉM elas subiram entre os mais jovens, isto é, pessoas com menos de 19 anos.

Ontem, a BBC trouxe uma matéria específica sobre o assunto destacando que "O suicídio de crianças e adolescentes no Japão atingiu o maior patamar em três décadas, de acordo com o ministro da educação japonês. Entre abril de 2016 e março de 2017, 250 estudantes da escola primária até o Ensino Médio tiraram suas vidas. É o maior número registrado desde 1986 - e cinco vezes maior que o registrado um ano antes.".  O suicídio é a maior causa de morte entre crianças e adolescentes no Japão.


Os motivos concretos não tenham sido mapeados e colocados em estatísticas, suspeita-se que o modelo de escola que se tem no Japão é parcialmente responsável pelas taxas.  Citando a matéria da BBC "Uma das preocupações das autoridades japonesas é a influência do ambiente escolar nos suicídios. Segundo um relatório do governo japonês divulgado em 2015, que analisou dados de suicídio de crianças e adolescentes de 1972 a 2013, há picos de suicídio anuais no início do segundo semestre escolar, no começo de setembro.".  O pico de suicídio entre os mais jovens acontece exatamente em setembro, na véspera, data, e dia seguinte ao retorno às aulas.

O que o governo japonês, ONGs, escolas vão fazer a respeito não está claro, o fato é que em uma população declinante como a japonesa, com carência de crianças, faz-se necessário estratégias para proteger os mais jovens, garantindo-lhes o bem estar não somente físico, mas mental.  Ademais, trata-se de um país rico e com recursos que podem ser mobilizados, enfim, podem até não resolver o problema, mas podem minimizá-lo.


Para quem ficou curioso, o top 10 dos países em números de suicídios no mundo por 100 mil habitantes são: Sri Lanka (35.3), Lituânia (32.7), Guiana (29), Mongólia (28.3), Coreia do Sul (28.3), Casaquistão (27.5), Suriname (26.6), Bielorússia (22.8), Guiné equatorial (22.6) e Polônia (22.3).  O Japão aparece em 18º lugar com 19.7.  O Brasil está em 120º lugar com 6.3.  Claro que a gente pode discutir que existe subnotificação, especialmente, por motivos religiosos ou de moral familiar, mas, ainda assim, o problema do suicídio em nosso país é bem menor do que em países do mesmo porte que o nosso.  Isso, claro, não deve impedir que se tenha atenção pública, cuidado, acompanhamento e políticas que não fiquei restritas ao "Setembro Amarelo".

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2 pessoas comentaram:

Guiana e Suriname... olha só... "Our Guyanans brothers" estão em má situação! Nossos vizinhos.
Por falar em suicídio, a Guiana é tristemente lembrada por causa de Jonestown.

Guiana e Suriname não surpreendem. É bem conhecido que a taxa de suicídio entre indígenas é muito alta, e nesses países, que tem uma população indígena razoavelmente expressiva, isso aumenta as taxas gerais.
Por exemplo, No Brasil, a taxa de suicídio entre indígenas é estimada em pelo menos 3 vezes mais que a do restante da população.
Situação econômica e social precária contribuem significativamente para isso.

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