sábado, 8 de dezembro de 2018

Animação Brasileira conta a História de Maria Quitéria


Você deve ter estudado sobre Maria Quitéria (*espero*) na escola.  Moça baiana, alistou-se disfarçada de homem para lutar pela independência do Brasil.  Seu pai não tinha filhos homens e se recusou a lutar.  Quitéria fez tudo às escondidas, sem que o pai soubesse, usou as roupas do cunhado.  Descoberta pelo pai duas semanas depois, foi defendida pelo major José Antônio da Silva Castro (avô do poeta Castro Alves), comandante do Batalhão dos Voluntários do Príncipe, em virtude de sua facilidade no manejo das armas e de sua reconhecida disciplina militar, foi incorporada a esta tropa. Acrescentaram ao seu uniforme um saiote à escocesa.  

Lutou bravamente e foi promovida ao posto de cadete na Bahia, sendo depois condecorada, por seus atos de bravura em combate (no ano de 1823), com a Imperial Ordem do Cruzeiro, pelo Imperador D. Pedro I, e reformada com o soldo de Alferes (equivalente a 2ª tenente).  Depois do fim dos conflitos, retornou para casa, tal e qual Mulan e retomou seus papéis femininos.  Perdoada pelo pai, casou-se, teve uma filha, morreu aos 61 anos, quase cega e no anonimato.  É patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército (QCO) Brasileiro.

Quadro famoso representando a heroína.
Na Bahia, que comemora a a independência duas vezes, em 2 de julho e 7 de setembro (*ouve-se ao fundo o belo hino do estado no final do trailer*), já que a luta começou mais cedo lá, Maria Quitéria é heroína junto com Soror Joana Angélica, que foi morta ao tentar impedir que soldados portugueses invadissem o claustro de seu convento.  Mais recentemente, Maria Felipa de Oliveira, negra forra, marisqueira e pescadora, que liderou mais de 200 mulheres e homens contra os portugueses, vem sendo lembrada.  

De qualquer forma, não se deve crer que a nossa independência foi feita de forma pacífica, como passada de pai para filho, ou sem a participação, mais intensa em algumas regiões do que em outras, verdade, de gente comum, gente do povo, muitas mulheres, inclusive.  Essa imagem de passividade que tentam vender para os brasileiros e brasileiras desde os bancos escolares tem função política e nossas elites agradecem.  Como leitura introdutória, para quem quiser, claro, sugiro o livro 1822 do Laurentino Gomes e o Mulheres do Brasil do Paulo Rezutti.  Não são leituras acadêmicas, mas fruto do trabalho de jornalistas que pesquisam muito e se interessam em escrever sobre História de forma acessível.

Detalhe da estátua em sua homenagem em Salvador.
Enfim, passado esse meu prólogo, a Helena repassou o link para um filme animado brasileiro sobre Maria Quitéria.  Deve ser lançado direto na internet em julho que vem.  Motivo? Citei o dois de julho lá em cima.  Está aí embaixo:


Não vou mentir para vocês que achei a dublagem bem ruinzinha.  A animação é primária se comparado com o que temos hoje, mas não sei o nível de investimento recebido.  Quando for lançado, irei assistir e torço para ser surpreendida.  Independente de qualquer coisa, só o fato de produzirem uma animação sobre Maria Quitéria, uma animação nacional, eles já merecem elogios.  Especialmente, em um momento no qual teremos uma ministra Mulheres, Família e Direitos Humanos defendendo que lugar de mulher é dentro de casa parindo filhos, menos ela, é claro, ela quer ganhar dinheiro e cumprir uma missão divina (*mas falo disso depois*) A página do projeto é esta aqui.

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