domingo, 31 de março de 2019

Comentando Dumbo (EUA/2019)


A Disney decidiu transformar todas as suas animações em live actions, OK, não vejo razão, mas a empresa vai acabar ficando com o meu dinheiro.  Em condições normais, talvez não tivesse ido assistir Dumbo... mentira, iria, sim, o figurino da Eva Green nos trailers me chamou para o cinema, de qualquer forma, fui ver dublado, porque estava com a Júlia.  Será uma resenha curta, não vejo motivo para me estender demais, só deixo marcado desde aqui que foi um filme bem diferente do original e que figurino, fotografia e design de produção devem ser três indicações que Dumbo pode receber no Oscar do ano que vem.

O ano é 1919, Holt Farrier (Colin Farrell) retorna da Primeira Guerra Mundial mutilado e encontra o circo onde sempre trabalhou em péssimas condições financeiras.  Sua esposa morreu no surto de gripe espanhola e ele tem dificuldades para se relacionar com os dois filhos pequenos,  Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins). Como os cavalos com os quais ele se apresentava foram vendidos, o dono do circo, Max Medici (Danny DeVito) o coloca para cuidar dos elefantes.  Há uma elefanta asiática grávida e tem um filhote, mais tarde chamado de Dumbo, que tem grandes orelhas e é visto por muita gente como uma aberração.  

Dumbo é separado de sua mãe.
Os filhos de Holt descobrem que Dumbo pode voar e o adestram para fazê-lo usando uma pena.  Depois de alguns atropelos e acidentes, Dumbo voa no picadeiro e atrai a atenção de um magnata do entretenimento, V. A. Vandevere (Michael Keaton).  ele deseja que Dumbo faça um número com sua estrela do trapézio,  Colette Marchant (Eva Green).  Os métodos de Vandevere, no entanto, são truculentos e causam sofrimento para toda a trupe do circo, que aprendeu a amar Dumbo, e, também, para o elefantinho, cujo maior desejo é reencontrar sua mãe.

Se você assistiu ao Dumbo original, percebeu a quantidade de personagens humanas novas e que nenhum dos bichinhos do original, especialmente o ratinho Timóteo (Timothy Q.) foram citados.  No desenho animado, era o rato que ajudava Dumbo a descobrir o seu talento.  Todos os animais com comportamento humano foram eliminados.  As elefantas que eram cruéis com Dumbo e sua mãe não existem.  Os corvos, acusados de serem elementos racistas no filme original de 1941, muito menos.  ainda assim, Dumbo e sua mãe, tem comportamentos que mesclam, há certos comportamentos típicos de elefantes e algo de humano nos dois.

O palhacinho mais triste que vocês já viram.
Temi que Tim Burton pudesse fazer um filme fora da curva, ele pode ser genial e pode errar a mão volta e meia.  A grife do diretor pode ser reconhecida em todo o filme.  Ele é um pouco escuro e visualmente deslumbrante, muito mesmo, há uma morte violenta (*o sujeito que trata os elefantes com crueldade*), um tiquinho de tensão sexual entre Holt e Colette (*Desculpe, com Eva Green seria impossível isso não acontecer*), mas é basicamente um filme infantil.  Celebram-se os bons sentimentos, o valor da família, seja a natural, ou a circense, a importância dos sonhos e de não desistir deles.

Milly, por exemplo, não quer trabalhar no circo, quer ser cientista.  Algo muito difícil para alguém em sua condição, de família circense, pobre e menina.  Holt quer voltar a trabalhar com seus cavalos, apesar de ter perdido um braço.  Dumbo quer sua mãe de volta.  O filme critica a violência contra os animais e como os circos eram (*alguns ainda são*) violentos com os bichos que aparecem em seus números.  Tudo isso é apresentado de forma bem orgânica, ou seja, o filme funciona, é visualmente muito bonito, ainda que não tenha me causado nenhum impacto.

Os corvos e outros animais com comportamentos
humanos estão ausentes do filme.
Da trilha sonora original, foi mantida a música de fundo do circo, ela é usada várias vezes e temos uma tocante execução da "Baby mine", a canção de ninar que é cantada quando Dumbo tenta se aninhar com a mãe que está presa.  A cena é quase idêntica a da animação.  E ficou lina a nova versão da canção principal do filme.  O recurso de utilizar a cegonha pousando sobre o vagão para marca o nascimento de Dumbo foi bem sacada, também.  Não me lembro se estava no original, mas acredito que, sim.  Milly tem ratinhos, um deles com uma roupinha igual a que Timóteo usava.

O figurino, aliás, é outro destaque.  Eva Green, a única mulher adulta com alguma presença no filme, está linda, elegante e, ao mesmo tempo, sedutora.  Eu acredito que Dumbo será indicado ao Oscar de figurino por causa dela.  Falando em Eva Green, não sei se o filme cumpre a Bechdel Rule, mas acredito que não cumpra.  Colette e Milly conversam, mas acredito que seja com Dumbo.  Elas são as mulheres importantes do filme, mais a filha de Holt do que a trapezista, claro.  As outras mulheres que trabalham no circo não tem nome, ou tem falas insignificantes.  Enfim, os machos são os protagonistas, Dumbo, claro, e Holt.  E ver Colin Farrell atuando bem só me faz lamentar que ele não seja Grindenwald.  Ele deveria ser e teria uma idade bem mais próxima a de Jude Law.  Só que já era, não é mesmo?

Eva Green está linda no filme.
É isso.  Dumbo é um bom filme de Tim Burton, no qual ele se coloca à serviço da narrativa e, não, como o centro das atenções.  Trata-se de um filme que se afasta do original com saídas sensíveis e inteligentes.  Não sei se será lembrado como devia, mas como filme me convenceu mais do que Cinderella e A Bela e a Fera.  Vamos ver como Alladin se sai logo em seguida.

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