sábado, 17 de agosto de 2019

Protagonista de Mulan apoia violência policial em Hong Kong e filme da Disney é alvo de pedidos de boicote


Para comentar a hashtag (#BoycottMulan) de boicote ao live action de Mulan, preciso fazer um histórico do que está acontecendo em Hong Kong.  Peço um pouco de paciência, serei breve.  Faz um bom tempo que Hong Kong vem sendo centro de protestos contra o governo chinês.  A região foi ocupada pela Grã-Bretanha durante a Guerra do Ópio (1839-1842) e tornou-se oficialmente colônia britânica desde 1898 por um prazo de 99 anos.  A fragilidade do governo chinês facilitou a ocupação e manutenção do território.  Quando da devolução da ilha, em 30 de junho de 1997, Hong Kong passou a ser, junto com Macau (*ex-colônia portuguesa*), uma  das regiões administrativas especiais (RAE) da República Popular da China (RPC).  Isso significa que essas regiões tem legislação especial e privilégios que o restante da China não tem.  


O post original gerou várias reações.
Apesar da grande atenção aos protestos atuais, afinal, eles se estendem já por dez semanas nesse momento e foram impulsionados por medidas restritivas e pela ameaça de uma legislação (*já arquivada*), que coloca a possibilidade de extradição (*nem sei se cabe o termo aqui*) de Hong Kong para a China Continental, tivemos ondas anteriores de manifestações.   Basta procurar e você encontra muita informação, são tradicionais desde 2003 os protestos de 1 de julho, dia em que a ilha voltou para o domínio chinês.  Nesse momento, temos aquele costumeiro cabo de guerra entre gente surda.  De um lado, aqueles que justificam os protestos, mesmo a sua violência, porque seriam ações em busca da garantia das liberdades individuais e os chineses são comunistas malvados, do outro lado, há gente de esquerda (*não toda a esquerda*) que vê nos protestos uma tentativa dos EUA de sabotar o socialismo chinês (cóf! cóf!). Enfim, as duas possibilidades não se excluem, mas é sabido, também, que nenhum país investe tanto na fiscalização dos seus cidadãos como a China.


Fu Guohao, repórter do site estatal chinês Global Times,
tem as mãos amarradas por manifestantes
no aeroporto de Hong Kong - Tyrone Siu/Reuters
Pois bem, em meio à inúmeras denúncias da ONU e organizações de direitos humanos de abuso policial e violência excessiva contra os manifestantes, aconteceu um incidente no qual os que estava protestando agrediram um jornalista da imprensa estatal chinesa.   Fu Guohau, o jornalista, teve suas mãos atadas com aqueles lacres de plástico e foi espancado. Houve pedido de desculpas, mas foi tudo meia boca, na minha opinião.  Além disso, está sendo denunciado que o governo chinês está semeando mentiras, as tais fake news, para comprometer a imagem dos manifestantes.  Não é surpresa, nem é só o governo da China que recorre a esse tipo de estratégias sujas.  Enfim, como chegamos até Mulan?  Vamos lá!


"Pedimos aos manifestantes que respeitem o
direito de jornalistas, independentemente
da nacionalidade ou da organização de notícias, de
cobrirem eventos livres de intimidação ou violência."
A atriz chinesa  Liu Yifei, que é naturalizada norte-americana, usou a rede social Weibo, que é controlada pelo governo chinês, para apoiar a ação policial do governo chinês.  Enfim, não estou pedindo que artistas se abstenham de opinar politicamente, muito pelo contrário, mas o que causou revolta em alguns é que a atriz está longe da China faz muito tempo e gozando de todas as liberdades civis que os cidadãos do país não podem nem sonhar.  Por conta disso, não na Weibo, porque lá você só posta o que o governo chinês quer, mas em outras redes sociais, as pessoas começaram a atacar a atriz e propor um boicote ao filme Mulan.


Policial atira nos manifestantes no aeroporto de Hong Kong.

Enfim, quando você é uma pessoa pública, aquilo que você posta nas redes tem muito mais impacto do que de uma pessoa comum.  No caso da atriz, ela se meteu em uma questão muito sensível, muito mesmo, e eu nem me considero capaz (*sem muita leitura sobre o caso, só resumões de portais que podem estar comprometidos com um lado, ou outro*) de opinar sobre o que os manifestantes querem, o nível de envolvimento de agências internacionais ligadas aos EUA, ou o que seja, mas tenho certeza de que a polícia chinesa usou de força excessiva, porque, bem, eles sempre fazem isso desde sempre.  E, não, não vou justificar esse tipo de coisa nunca.


Manifestantes no aeroporto.
Não sei o impacto que a fala da atriz pode ter sobre o filme, que, aliás, eu não estou muito empolgada para ver, mas ficou feio para ela.  Insensível.  Não sei se a opinião da atriz expressa suas crenças pessoais, se ela realmente concorda com o que a polícia chinesa está fazendo.  Não sei, também, se o apoio que ela recebeu no Weibo se converterá em audiência chinesa para o filme quando ele estrear, o fato é que é realmente raro, não me lembro de ter visto antes, ver uma atriz ou ator, salvo gente que está no semi-ostracismo ou ostracismo faz tempo e quer atenção, se pronunciando a favor da violência estatal.  De qualquer forma, é aguardar e ver no que dá.

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3 pessoas comentaram:

Sobre os protestos pelo que eu li eu estou do lado dos manifestantes, eles estão à meses protestantizo pacificamente e não teve nenhuma violência tirando esse caso que você citou, enquanto a polícia tem usado violência e utilizando agentes disfarçados de protestante vestindo preto começando violência disfarçados, mais de um já foi descoberto e expulso.

Sobre o comentário dela sobre os protesto eu achei esse comentário em outro site: "There's a similar situation with ethnically Chinese kpop stars where a lot of them even of HK and TW origin are posting something along the lines of "I'm a protector of the 5 star flag." It's suspected that anyone only posting that phrase is being forced to do so. However, anyone posting rhetoric supporting the HK police specifically are the ones going way above and beyond and should be put on blast."

Lucas, pode postar a sua fonte, por favor?

Mesmo fora da China eles devem ter controle sobre o seu povo. As postagens na Weibo são sempre monitoradas. Então pode existir a dúvida se são realmente os artistas falando(escrevendo). Fora ela ainda tem Jackie Chan, o q não é uma surpresa, o ator Tony Leung (fez Herói, 2046, versão original dos infiltrados) . E qndo algum dá a entender q é contra a brutalidade tem gente q reclama com o artista. É uma situação difícil.

É mais impressionante qndo artistas falam q são contra a brutalidade como a cantora atriz Denise Ho. Ela é pro a democracia e a sua música foi apagada na China. Além dela tem Anthony Wong Yiu-ming outro cantor que admitiu perdeu metade da renda anual vinda China por mostrar apoio ao umbrella movement de 2014.

Daqui até qndo o filme saia o povo pode esquecer e ir assistir no cinema.
Brutalidade nunca deve ser apoiado.

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