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domingo, 7 de dezembro de 2025

Comentando Zootopia 2 (EUA/2025): o retorno de Judy e Nick não decepciona!

Semana passada, assisti Zootopia 2 com a Júlia.  Foi no sábado da semana de estreia.  Comecei a resenha e ela está atrasada.  Tenho sido bem negligente com as minhas resenhas e fica  parecendo que eu assisti menos coisas ainda, porque vi quase nada este ano.  Enfim, sendo bem direta, gostei mais deste segundo filme do que do primeiro.  Ele me surpreendeu ao trazer a discussão da gentrificação (*explico o que é isso daqui a pouco*), uma crítica ao capitalismo desregrado bem direta e mostrar como funciona o chamado Efeito Matilda, curiosamente omitido de TODAS as críticas que eu li ou assisti.  Mas vamos ao resumo do filme.

"Após desvendarem o maior caso da história de Zootopia, Judy e Nick são surpreendidos por uma ordem do Chefe Bogo: os dois detetives precisarão frequentar o programa de aconselhamento Parceiros em Crise. A união da dupla é colocada à prova quando surge um mistério ligado a um recém-chegado à cidade: o misterioso e venenoso réptil Gary De’Snake. Para encontrar as soluções para o caso envolvendo a víbora, Judy e Nick devem desvendar novas partes da cidade, sendo testados o tempo todo."

Eu não fiz resenha do primeiro Zootopia, filme lançado em 2017.  O filme era simpático, colorido, teve alguns momentos divertidos, mas achei um tanto forçado nas suas discussões sobre estereótipos e preconceitos.  A celebração da diversidade é importante, volta  e meia discuto isso no blog, mas Zootopia me pareceu um tanto superficial. O que eu lembro com muito carinho do primeiro filme foi a participação do falecido jornalista Ricardo Boechat, pois Zootopia teve várias versões com jornalistas importantes convidados para participações especiais. Desta vez, não repetiram essa brincadeira, infelizmente.

Já o segundo Zootopia tem uma vantagem clara sobre o primeiro, sem a necessidade de apresentar as personagens principais, conseguiu fazer uma expansão do universo, que meio que se resume à cidade do título, que está completando cem anos, e  seus arredores.  Fora isso, o filme levantou algumas discussões importantes que colocam em xeque a visão idealizada da cidade.  Por exemplo, por qual motivo ela só abriga mamíferos?  Como Zootopia foi criada com suas várias zonas que reproduzem climas e vegetações tão diversos?  Quem inventou tudo isso?  No centenário da cidade, há a celebração do criador do sistema que arante tudo isso.  E, claro, uma das questões do filme é discutir se ele, que pertencia a uma riquíssima família de linces, realmente criou aquilo que lhe foi atribuído.

Se no primeiro filme a trama girou em torno da (suposta) incompatibilidade entre carnívoros e herbívoros, da discriminação de animais menores e (supostamente) mais fracos, o segundo filme fala de exclusão social por um novo prisma.  Onde foram parar os répteis?  E os mamíferos aquáticos?  E descobrimos que há favela em Zootopia, que ela fica fora das zonas climáticas higienizadas que vimos no primeiro filme e que os linces querem avançar a tundra sobre essas regiões já marginalizadas da cidade.  Há uma idealização dessa região fora dos limites, claro, aquela ideia de que os pobres é  que sabem se divertir de verdade, mas isso não atenta contra a qualidade do filme.

A expansão da tundra sobre a favela e feira do rolo de Zootopia faz parte do processo que eu chamei de gentrificação, um termo utilizado para indicar a transformação de um bairro, geralmente comumente associado a áreas antes consideradas de baixo valor, habitado por gente pobre, em um lugar valorizado economicamente e/ou culturalmente.  Por exemplo, o Bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, antes associado à boêmia popular, malandragem, com um ar decadente, graças à bolha imobiliária gerada pelos grandes eventos (Copa e Olimpíada), passou a ser um bairro valorizado por ficar perto do Centro e passou a receber parte da elite, que não consegue morar em bairros super caros, além das classes média média e alta.  Temos a revitalização de casarões decadentes, transformados em casas de show, cafés, restaurantes mais refinados ou academias.  A área passa a ser vista como turística e um tipo de boêmia chique substitui o perfil anterior.  Os aluguéis dispararam e gente que sempre morou na Lapa não tem mais condição de ficar lá.  Uma maior presença do poder público não ajuda a população tradicional do bairro, mas os que estão chegando, ajuda a expulsá-los.

No caso de Zootopia, a gentrificação começou com a anexação do bairro dos répteis, na sua expulsão da cidade, de forma que a maioria dos moradores nem tem a informação de que eles já foram parte da metrópole, que antes não era somente dos mamíferos.  Dentre os répteis, os mais estigmatizados são as cobras, as serpentes.  Vistas como seres traiçoeiros.  Essa representação da cobra como animal pouco confiável e mau não é endossada pelo filme, mas tem profundas raízes no imaginário cristão, no mito do Éden.  Não há serpentes em Zootopia e quando Judy e Nick tentam provar que elas estão dentro da cidade, ninguém acredita neles.  Uma coelha não deveria ser policial, mesmo que ela tenha salvo a cidade, e raposas continuam sendo vistas como pouco confiáveis, ainda que não tanto quanto as serpentes, claro.  Aqui, podemos levantar facilmente discussões sobre racismo e sexismo, afinal, Judy, Nick, Gary são discriminados por serem o que são, sem que suas qualidades sejam rreconhecidas

Falando nos protagonistas, nessa nova história, Judy e Nick são oficialmente parceiros e suas personalidades foram preservadas.  Judy vive para seu trabalho e é capaz de fazer qualquer coisa para cumprir uma missão.  Já Nick é pragmático e muito cínico ao observar a realidade ao seu redor.  Ambos continuam sendo tratados como oficiais de segunda classe pelos colegas de delegacia, todos grandes herbívoros e carnívoros.  Essa desconfiança acaba colocando os dois em choque com seus superiores, quando Judy decide investigar a existência de uma serpente em Zootopia.  Ninguém acredita nela, mas ela está certa.  Já Nick prefere não se envolver, mas acaba não conseguindo.

Acredito que faltou um pouco de coragem em relação ao desenvolvimento da relação entre Nick e Judy.  Eles são parceiros de trabalho, eles são amigos, mas, pelo menos para mim, eles são um casal.  Acredito que eles se amem mesmo, romanticamente, eu digo.  Como Zootopia celebra a diversidade, por qual motivo não investir nisso?  Por que evitar dar esse passo a mais?  E não estou pedindo que eles se casassem no final do filme ou que houvesse grandes demonstrações românticas, mas que  a coisa virasse  cânon, porque para os fãs  isso já é realidade.

Comentei de Efeito Matilda, a minimização das invenções e descobertas de mulheres cientistas, com os homens não raro se apropriando de seus feitos e levando a fama, ele está no filme quando é mostrada a invenção das barreiras de isolamento climático (*elas têm um nome específico, mas eu esqueci*).  Não foi um lince, macho, rico e carnívoro (*lembrem do primeiro filme*), quem inventou a estrutura que garantiu o desenvolvimento de Zootopia, mas uma serpente, fêmea, idosa e pobre.  Aqui, mais uma vez, há o sexismo, mas há o racismo e o classismo, também.  Essa discussão é bem feita dentro de Zootopia 2.  Não vou falar de outros detalhes da trama, porque teria que dar grandes spoilers, mas, como já expliquei, saí bem satisfeita da sala de cinema.  E temos uma cena pós-crédito, mas é preciso esperar muito.  E recomendo a entrevista com os diretores do filme publicada no G1.  Eles explicam por qual motivo o novo filme demorou tanto a ser feito.

O segundo filme trouxe personagens do filme anterior, praticamente todo mundo da delegacia, a preguiça Flecha, os pais de Judy etc., mas temos várias personagens novas.  Gary De’Snake (Gary A'Cobra) é o mais importante.  Ele quer provar que as cobras foram injustiçadas e consegue a ajuda de Judy e de Nick, muito a contragosto.  Temos a castora Nibbles, uma influencer que divulga teorias da conspiração e que conhece o submundo de Zootopia.  E há o prefeito Cavalgante, um galã de cinema de ação que foi eleito com o apoio dos linces.  Imagino que boa parte das personagens retornem no próximo filme.

De resto, a animação é de altíssima qualidade, como no anterior.  A dublagem nacional, como é material Disney, é muito competente.  Os  temas mais complexos, como gentrificação, estão bem acessíveis para todos os públicos e a associação entre capitalismo e exclusão, também.  A questão do sexismo, no entanto, escapou para todos os críticos que eu li, ou assisti comentando o filme, mas é importante em Zootopia 2 e como feminista, eu não deixaria passar mesmo. E é isso.  Zootopia 2 é muito bom, recomendo.  Deve ser indicado ao Oscar, claro, mas não é o favorito.

domingo, 2 de novembro de 2025

Segundo Riyoko Ikeda, a Disney tentou comprar os direitos da Rosa de Versalhes

Não sabia, mas a Melina Maciel comentou no Facebook que a Riyoko Ikeda fez uma palestra no dia 30 de outubro e que um perfil no Twitter (しろわいん) estava comentando sobre o que ela disse.  O perfil é especializado em comentar Riyoko Ikeda, A Rosa de Versalhes (ベルサイユのばら) e Orpheus no Mado (オルフェウスの窓).  Procurando, encontrei mais informações da pelestra: ela fez parte dos eventos de comemoração do 70º aniversário da Gyosai Gakuen e do 40º aniversário da Yomiuri Culture Jiyugaoka  Os ingressos estavam à venda desde 1º de setembro.

Na descrição do evento estava escrito "Esta é uma oportunidade rara para a autora falar sobre os bastidores do processo criativo, os sentimentos que ela imprimiu em Oscar e Maria Antonieta, e a mensagem que transmite através de "A Rosa de Versalhes": "Viver fiel a si mesmo"."  E, sim, Ikeda falou de coisa que ela nunca tinha comentado antes, como o caso da Disney.  Vou reproduzir os Tuítes com o link ao lado.  Quem quiser pode consultar.  

"Ikeda-sensei disse: "A Disney me procurou querendo os direitos autorais de Rosa de Versalhes... era uma quantia enorme de dinheiro, mas eu recusei. Porque o nome 'Riyoko Ikeda' teria sido apagado. Mas mesmo agora, às vezes penso... talvez eu devesse ter aceitado aquela oferta..." (a plateia cai na gargalhada) Estou tão feliz que tenha permanecido assim.😭😭😭"  (Tuíte 1)

"Impressões de Ikeda-sensei sobre cada adaptação para outras mídias

Anime antigo: Estava muito ocupada com a serialização de Orpheus no Mado para assistir, mas ouvi dizer que Alan virou fazendeiro e fiquei chocada.

Adaptação live-action: Talvez porque o diretor e os roteiristas fossem todos homens, a cena de Oscar durante a revolução terminou com ela chamando fracamente "Andre... Andre..." no meio da multidão, mas eu pensei que isso não podia estar certo."  (Tuíte 2)

"Sobre o filme deste ano:

A diretora e as roteiristas eram todas mulheres, e [elas pensaram e expressaram como Oscar deveria ser]  Foi tão emocionante que me emocionou ver o discurso para os últimos soldados retratado" (Tuíte 3) 

""Não foi em janeiro deste ano que o filme foi lançado?" "Havia a cena da cama com Oscar e André no filme deste ano... certo?" Parecia haver algumas partes vagas assim, mas... o fato de o discurso "Não só o coração deve ser livre" ter sido incluído no filme e de isso ter me deixado muito feliz ficou bem claro! Não foi apenas no vídeo promocional; isso foi mencionado bastante até no site do fiilme."  (Tuíte 4)

Sobre o mangá:

"Fiquei feliz que Ikeda-sensei tenha dito que ama tanto todos os personagens que não consegue sacrificar nenhum deles, e que ela gosta até mesmo de personagens secundários como a Marron Glace, que é como uma babá." (Tuíte 5) 

""A equipe editorial me disse que eu estava usando palavras e kanji difíceis demais para um livro infantil, mas eu queria que os leitores procurassem no dicionário as palavras que não entendessem. Eu queria manter os kanji como estavam, na medida do possível (sem convertê-los para hiragana)", ou algo parecido. Berubara tem um equilíbrio muito requintado entre kanji e hiragana, não é? Como "今夜一晩" [Uma noite esta noite] em vez de "今夜ひと晩" [Uma noite esta noite], e assim por diante." (Tuíte 6) 

Enfim, é um post somente para curiosos sobre Riyoko Ikeda.  E essa história da Disney me pareceu estranha, porque ela nunca comentou nada disso em entrevistas.  Guardar por tanto tempo... Mas o excesso de zelo (*ou chatice*) da Ikeda deve ter salvado a Rosa de Versalhes de receber umas adaptações e/ou versões muito problemáticas.

domingo, 28 de setembro de 2025

Quais são os animes shoujo, josei e joseimuke da temporada? Um pequeno guia.

Nunca houve uma temporada com tantas séries voltadas para o público feminino (shoujo, josei, joseimuke) e imagino que ninguém conseguirá acompanhar a metade disso daí.  Obviamente, há material para quase todo mundo.  Eu não consigo acompanhar mais que uma série por temporada, não imagino que será diferente agora, mas fiz (*com a ajuda da Jéssica*) um guia das estreias.  Coloco as informações que consegui juntar; a maioria dos animes estará disponível no Crunchyroll, mas há séries que ainda não parecem ter licenciamento. 

Who Made Me a Princess – Estreia: 28 de setembro – Disponível: Crunchyroll – O resumo fornecido pelo próprio Crunchyroll é o seguinte: "Quando uma mulher desperta como Athanasia, a princesa desafortunada do romance "The Lovely Princess", ela precisa reescrever essa tragédia ou enfrentar a execução — pelo próprio pai! Ela pode estar presa, mas tem sua inteligência e as memórias da garota condenada para ajudá-la em uma reviravolta na trama de sobrevivência. Mas quando seu plano de fuga falha, ela precisa usar seu charme para não ser executada novamente.".  Isekai reencarnacionista, eu tenho ZERO interesse a partir da história, no entanto, este material é curioso, porque a novel é coreana, o quadrinho é chinês (manhua) e a animação (donghua) também é chinesa, mas com dublagem simultânea em japonês.  Acredito que deva ser muito popular nos três países.
Kakuriyo no Yadomeshi (かくりよの宿飯) Kakuriyo: Bed & Breakfast for Spirits –  1 de outubro – 2ª temporada –  1ª temporada foi em 2018 – Crunchyroll – O resumo fornecido pelo próprio Crunchyroll é o seguinte:   "Após perder o avô, Aoi — uma garota que consegue ver espíritos conhecidos como ayakashi — é repentinamente abordada por um ogro. Exigindo que ela pague a dívida do avô, ele faz um pedido enorme: sua mão em casamento! Recusando a oferta absurda, Aoi decide trabalhar na pousada Tenjin-ya para os ayakashi, a fim de pagar o que sua família deve." Começou como novel (2015-2022) e tem dois mangás em andamento, um josei, na B's Log Comic (2016), e o outro shounen, na Shonen Sirius (2023).  Esta será a segunda temporada da série, a primeira foi lançada em 2018.  Esse não me despertou interesse, também.
Taiyou Yori mo Mabushii Hoshi (太陽よりも眩しい星)/A Star Brighter Than the Sun – 2 de outubro – Prime Video.   – O resumo fornecido pelo próprio Amazon Prime é o seguinte:     "Sae Iwata é uma garota mais durona do que as outras que se apaixona pelo delicado Koki Kamishiro, ainda no ensino fundamental. No ensino médio, Koki se torna um adolescente charmoso e popular e parece estar fora do alcance dela. Quando os dois trabalham juntos no comitê do festival esportivo, o primeiro amor de Sae, há muito tempo guardado, vêm à tona.".   O mangá  é publicado na Beetsuma, tem 12 volumes e está em andamento.  A autora é a celebrada Kazune Kawahara, conhecida no Brasil por ser a roteirista de Ore Monogatari!!.  Este eu gostaria de acompanhar.  DU-VI-DO que a Panini não lance esse mangá por aqui.  Vai ter dublagem em português e em várias outras línguas.
Let's Play  Kuesuto-darake no Mairaifu (クエストだらけのマイライフ) – 2 de outubro –  Crunchyroll (*mas não está listado ainda*) – Esse aqui é curioso! O resumo do primeiro volume no Amazon é o seguinte: "Ela é jovem, solteira e está prestes a realizar seu sonho de criar videogames incríveis. Mas então a vida lhe dá um golpe duplo: um streamer popular faz uma crítica mordaz ao seu primeiro jogo.  Pior ainda, ela descobre que o mesmo crítico problemático agora é seu novo vizinho! Uma história engraçada, sexy e bastante real sobre jogos, memes e ansiedade social."  Trata-se de uma webtoon muito elogiada, indicada ao Eisner (2019) e publicada entre 2016 e 2022.  A autora se chama Mongie (Leeanne M. Krecic).  E os japoneses decidiram fazer um anime e ele é  joseimuke, isto é, direcionado ao público feminino, o resumo evidencia bem isso, mas não é josei, porque não deriva nem de mangá, nem de novel classificado assim.
Akujiki Reijou to Kyouketsu Kōshaku: Sono Mamono, Watashi ga Oishiku Itadakimasu! (悪食令嬢と狂血公爵 〜その魔物、私が美味しくいただきます!〜)/Pass the Monster Meat, Milady! – 3 de outubro – Crunchyroll –  Não tem resumo no Crunchyroll ainda, estou usando o do Bakaupdates (*que colocou erroneamente o mangá como shounen e trancou para revisão*):  "Já se passaram três anos desde que debutou na sociedade. A filha de um conde, Melfiera, tinha sido alvo de rumores desagradáveis ​​devido ao seu hobby, e não conseguia nem ficar noiva. A futura esposa de seu pai, que não pensava bem dela, diz a ela que se ela não encontrasse um noivo dentro de um ano, ela seria enviada para um convento. Ao ouvir isso, ela correu para comparecer à festa de outono. A verdade é que ela não estava realmente a fim, então ela se viu sozinha na festa onde conheceu os outros. No meio disso, ela foi atacada por uma besta demoníaca que havia sido infectada por um veneno demoníaco e enlouqueceu. O homem que a salvou da situação desesperadora estava todo ensanguentado, mas sorria sem medo. Na verdade, esse homem era o próprio Duque de Galbraith, que também era conhecido como o "Duque Louco".    O Duque Galbraith ficou intrigado com Melfiera, que não tinha medo de demônios, muito menos de si mesmo ensanguentado. Ele não só demonstrou compreensão pelo seu hobby secreto de provar demônios e plantas mutantes, como também se ofereceu para satisfazer sua incessante necessidade de exploração...?!"  A série começou como novel em 2021, no mesmo ano o mangá começou a sair na plataforma Palcy e, agora, está, também, na revista Artemis da Kodansha, que é shoujo e foi criada para abrigar esse material shoujo e josei que estava sob responsabilidade da editoria da Shounen Sirius.  Então, é shoujo e o Bakaupdates está teimando à toa.  O mangá é divertido, talvez eu dê uma olhada.

Hyakushou Kizoku (百姓貴族)/The Noble Farmer – 3 de outubro – Não sei se estará disponível em algum lugar. –  Esse aqui é o mangá conforto da Arakawa Hiromu (Full Metal Alchemist) e conta suas aventuras e desventuras antes de se tornar mangá-ka trabalhando na propriedade rural da família em Hokkaido, onde são produzidos laticínios.  Ela se desenha como uma vaquinha. É publicado desde 2008 na revista josei Wings e eu acho que ela vai publicar isso aqui eternamente.  Não tem periodicidade rígida, é episódico e está ainda no volume 8, só para vocês terem uma ideia.  Esta temporada do anime já é a terceira.
Saigo ni Hitotsu dake Onegai Shite mo Yoroshii Deshou ka (最後にひとつだけお願いしてもよろしいでしょうか)/May I Ask for One Final Thing? – 4 de outubro – Crunchyroll – Tem resumo no Crunchyroll, mas eu montei este com informações da Wikipedia, também: "Scarlet já suportou a intimidação do noivo por tempo demais. O Segundo Príncipe Kyle não só é arrogante e grosseiro, mas também rompeu o noivado repentinamente durante um baile. E como se as coisas não pudessem piorar, ele a acusa de um crime que ela nunca cometeu. Estimulada por essa traição, Scarlet libera sua raiva, iniciando uma terrível vingança contra o príncipe e seus aliados.".  Começou como novel em 2018 e tem mangá em andamento desde 2019 tudo dentro do selo Regina da editora Alpha Polis.  Pode ser interessante, talvez eu olhe o primeiro episódio.
Kikaijikake no Marie (Japanese: 機械じかけのマリー)/Mechanical Marie – 5 de outubro – Crunchyroll – O resumo a seguir veio do Crunchyroll: "A ex-lenda das artes marciais Marie aceitou um novo emprego como "empregada mecânica"... só que ela é 100% humana, e Arthur, seu novo chefe, despreza humanos. Felizmente, o rosto naturalmente inexpressivo de Marie a ajuda a manter a atuação robótica enquanto secretamente protege Arthur de constantes tentativas de assassinato. Mas quando Arthur se apaixona por sua empregada "perfeita", as coisas rapidamente saem do controle!".  Esse aqui eu fiz resenha para  o blog, porque quando foi anunciado, fiquei curiosa com essa coisa de robô maid.  Enfim, é baseado em mangá que começou como oneshot em 2020, depois virou série com seis volumes (2020-2023) e, agora, tem uma continuação em andamento.  Tudo na revista LaLa.  Se você gosta de uma série engraçada, meio insana e despretenciosa, esta aqui é para você.  Vou tentar acompanhar.

Egao no Taenai Shokuba Desu。 (笑顔のたえない職場です。)/A Mangaka's Weirdly Wonderful Workplace – 6 de outubro – Crunchyroll – O resumo a seguir veio do Crunchyroll: "Futami é uma nova autora de mangá shoujo que, com a ajuda de um editor competente e uma assistente dedicada, começou a publicar sua obra dos sonhos: “Subaru e”, um mangá sobre shogi. Mas a pressão está pesando: dores no estômago obrigam ela a adiar o prazo do primeiro capítulo, e ela fica travada diante dos esboços sem avançar. Para piorar, os lanches noturnos estão deixando marcas na balança, e sua mente não para de criar devaneios absurdos…  Será que ela vai conseguir sorrir no caos e aproveitar a vida turbulenta de uma mangaká?".  A série começou com um oneshot na revista josei Kiss e, mais tarde, tornou-se série regular na plataforma Comic Days e seus volumes físicos são publicados dentro de um selo seinen.  São 13 até o momento.  Deve ser divertido.  Vou olhar o primeiro capítulo.  

Plus-Sized Misadventures in Love! (デブとラブと過ちと!, Debu to Rabu to Ayamachi to! – 6 de outubro – Crunchyroll  – O resumo a seguir veio do Crunchyroll: "Yumeko é uma funcionária de escritório quieta e abatida, oprimida por inseguranças paralisantes e autoaversão — até que um acidente repentino a deixa com amnésia... e uma nova personalidade brilhante. Sua transformação dramática desconcerta a todos ao seu redor, mas com um novo entusiasmo pela vida e uma confiança inabalável, Yumeko está pronta para enfrentar qualquer coisa: amor, trabalho, amizade... e talvez até mesmo um mistério de tentativa de homicídio.".  A série é publicada desde 2019 na revista digital Koisuru Soirée e teve dorama em 2022.  Eu não gosto muito do design da Yumeko, mas quando a gente pega o mangá, e eu fiz uma pequena resenha do início da série, a gente esquece disso e acaba simpatizando com a série.  Acredito que a série vai sofrer algum hate, porque os gordofóbicos não admitem a possibilidade de ver uma pessoa obesa feliz, ou que sua vida não gire em torno do emagrecer, mas, enfim, esse tipo de gente não tem empatia, nem se preocupa com a saúde física e mental de ninguém.   
Heika Watashi wo Wasurete Kudasai (陛下わたしを忘れてください)/Forget That Night, Your Majesty! – 7 de outubro – Não sei onde será exibido, ou se será.  –  O resumo é o seguinte: "Nascida como a filha desprezada de uma família nobre, Lunia escapa de seu terrível destino casando-se com o duque amaldiçoado, Hades Khronoa.  O duque diz que não irá consumar o casamento, mas trata Lunia com uma gentileza que ela nunca conheceu.  Lunnia quer salvar o duque, ela quer ser útil a alguém, porque sempre ouviu que era inútil.  Só que Lunia foi escolhida pelo deus daquele reino para salvar o duque, porque, se o casamento não fosse consumado, ele morreria aos trinta anos e isso colocaria o império em risco, pois Hades era seu principal general e seu maior feiticeiro. Pressionada pelos líderes religiosos e políticos, Lunia decide ludibriar o conde e consumar o casamento, e após uma única noite sem amor, ela foge e não deixa rastros, sem saber que já estava grávida.  Durante a fuga, Lunia tem uma visão na qual ela vê dois adolescentes duelando e se matando.  Quando Lunia tem filhos gêmeos, Helios e Uranus, a jovem entende que, se retornar para o marido, seus filhos irão se matar.  Sete anos depois, Hades está determinado a reconquistar Lunia e a encontra... assim como as crianças que ele (*supostamente*) nunca soube que existiam. À medida que segredos ressurgem e emoções reacendem, será que esse casal despedaçado conseguirá desvendar o passado e encarar o futuro juntos?"  Ah!  Isso aqui me dá tanta, tanta raiva!  Porque a série receberá  um light anime, uma animação de baixa qualidade, mal e mal um quadrinho com falas, um romic.  Olha, eu comecei a ler o mangá e ele é muito farofa, mas é tão bom, tão simpático, ele merecia um anime DE VERDADE, merecia muito.  E eu vou fazer resenha, porque eu estou quase terminando o que tem disponível.    E é  um mangá vertical, as autoras sao japonesas, ainda que eu acredite que foi publicado primeiro pelo Tappytoon, que é uma plataforma/editora coreana.

2200-Nen Neko no Kuni Nippon (2200年ねこの国ニッポン)/Japan, the Land of Cats in the Year 2200 – 7 de outubro.  Não sei se será exibido em algum lugar.  O resumo veio do Bakaupdates: "Uma história comovente sobre a vida felina em um futuro distante, desenhada por uma nova autora promissora! A história acompanha o cotidiano de uma estudante do ensino médio e seu gato de estimação, que vivem em um mundo onde a taxa de natalidade humana está diminuindo e o número de gatos aumentou.".  Parece bonitinho, devo dar uma olhada e vou ver se o mangá está em algum lugar.  É publicado na revista josei Nekotomo, geralmente, revistas especializadas em mangás de gatos é josei.
Tensei Akujo no Kuro Rekishi (転生悪女の黒歴史)/The Dark History of the Reincarnated Villainess – 9 de outubro – Crunchyroll – O resumo a seguir veio do Crunchyroll: "O passado sombrio e fictício de Konoha Satou se torna realidade quando ela reencarna como Iana Magnolia, a vilã de sua própria fantasia adolescente. Agora, com um papel que ela meticulosamente projetou para ser desprezível, lembrar de cada detalhe é uma questão de vida ou morte. Será que ela conseguirá reescrever o destino de sua personagem em algo pacífico?".  A série é derivada de um mangá da revista LaLa, começou em 2018 e tem 16 volumes até o momento.  Percebam que dois animes da LaLa estão nessa temporada.  Não sei se vou olhar, isekai reencarnacionista de vilã não me interessa, PORÉM o livro é criação da própria pessoa que reencarna, isso me desperta alguma curiosidade.  De qualquer forma, é muita coisa para tentar assistir, então, esse vai para o final da fila.


Aikatsu! x PriPara THE MOVIE ~Deai no Kiseki! (アイカツ!×プリパラ THE MOVIE~ 出会いのキセキ!-) ~crossover entre Aikatsu! e PriPara~ – 10 de outubro –  cinemas japoneses  –  É um filme colaborativo entre as franquias PriPara e Aikatsu (2ª Geração - Akari Ozora) que celebram seu 10º aniversário.  É o que eu sei e  não vou me esforçar por saber mais.  Como tem material dessas série no Crunchyroll, imagino que deva parar lá em algum momento.
Kimi to Koete Koi ni Naru (キミと越えて恋になる? )/With You, Our Love Will Make It Through –  14 de outubro –  O resumo da série é o seguinte e ele veio de uma pequena resenha que eu fiz: "Mari é uma estudante do ensino médio que vive em uma cidade onde homens-fera e humanos coexistem. Quando ela está atrasada para a escola, ela conhece Tsunugu, um homem-fera que veio para a escola como um 'aluno especial' para o Programa de Educação de Homens-fera, no portão da frente. Mari fica perplexa com seu primeiro contato com um homem-fera, mas conforme ela o conhece, ela é atraída por seu lado gentil e puro. No entanto, alguns de seus colegas de classe não parecem aceitar bem os homens-fera, e de repente os dois são trancados em um depósito.   Para protegê-la de uma queda, afinal, é um lugar apertado, Tsunugu a abraça! Ele diz: "Você cheira bem..." Sua respiração fica irregular e ele entra no cio!!! Para se controlar, ele termina mordendo a si mesmo.  Mari fica com medo, e com desejo, afinal, tudo é novo para ela, mas não desistiu. Já Tsunugue se assusta com o que está sentindo e decide que não pode ficar tão perto dela. Será que ele vai conseguir? Uma humana e um homem-fera. O que acontecerá com o amor entre duas pessoas que transcendem a raça?  Amor juvenil interespécies puro e emocionante."  Esta deve ser a série mais polêmica da temporada.  É um shoujo publicado na plataforma Manga Mee.  Como eu fui ler, sei que o material é bom, isto é, bem desenhado, tem uma história que cativa, discute muito bem preconceito, imigração e racismo, PORÉM, a autora (Chihiro Yuzuki) tem um fetiche por animais e isso compromete, pelo menos para mim, a minha simpatia em relação à série.  E a série é uma sequência de  Juujin-san to Ohana-chan (獣人さんとお花ちゃん), um mangá TL, isto é, pornografia para mulheres, que mostra o romance entre uma humana e um homem-fera.  Enfim, KimiKoe é bonitinho, sim, mas tem algo de zoofilia nele e tem um nível de erotismo alto para a média dos shoujo, a coisa toda, aliás, é muito bem calculada.  Eu não transformaria em anime e sei que é de alto investimento, se duvidar, terá as melhores aberturas e encerramentos da temporada.

Disney Twisted-Wonderland (ディズニー ツイステッドワンダーランド) – 29 de outubro – Disney+  – O resumo que está na Wikipedia é o seguinte: "Yuu, cujo nome também pode ser escolhido pelo jogador, é convocado para outro mundo por um espelho mágico e chega a uma escola mágica, a Faculdade Corvo Noturno. O diretor da escola acolhe o personagem principal. Yuu conhece os melhores alunos da escola, cada um em sete dormitórios diferentes (cada um baseado em um vilão diferente da Disney), enquanto busca um caminho para casa.".   Começou como game com character design da Yana Toboso (Black Butler), que trabalha da G Fantasy, revista shounen que foi criada para ter apelo ao público feminino, falei sobre ela em um Shoujocast.  Os mangás desse game são publicados na G Fantasy (*claro*).

domingo, 29 de junho de 2025

Comentando Elio: Um filme não precisa ser revolucionário para ser bom

Ontem, assisti Elio, novo filme da Disney-Pixar com a minha filha de 11 anos.  Sala vazia, somente nós duas, em um dos shoppings mais importantes de Brasília.  Considero uma grande injustiça.  Elio é um filme muito sensível, muito mesmo. Sabendo que ele foi refeito, que o conceito original foi alterado, me admira muito que tenha terminado saindo tão arrumadinho com a produção acidentada que teve. Infelizmente, a Disney não investiu na promoção de Elio e, agora, vem essa história de que foi a pior estreia da Pixar em todos os tempos. Senti falta do curta na abertura, também. Segue o resumo do filme, continuo depois. 

Elio é um menino de 11 anos que mora com sua tia, a Major Olga, em uma base militar norte-americana.  Ele perdeu os pais, não sabemos se meses ou anos antes, e seu estado de luto o mantém alienado do mundo.  Ele não tem amigos e acredita que sua tia não o quer, que ele atrapalha sua vida.  De fato, Olga abriu mão de um sonho, integrar o programa de treinamento de astronautas para cuidar do sobrinho, mas ela acolhe Elio e o ama, apesar de ter, sim, que lidar com sua frustração.  Um dia, depois de entrar em uma exposição fechada sobre a sonda Voyager 1, ele decide que quer ser abduzido e vai fazer o possível para conseguir, o que, efetivamente, acontece.  A partir daí, Elio consegue aprender o valor da amizade, da família e tem que fazer escolhas que podem mudar o destino de muitos seres.  

Elio é uma história de amadurecimento (*coming of age*) na qual um menino deixa de ser uma criança e passa a ser outra coisa, ainda não um homem, mas alguém que tem consciência de que precisa assumir responsabilidades, diante do mundo, do universo até, e das pessoas que ele ama e o amam.  Você já viu essa história muitas vezes, muitas, de forma bem e mal contada. Em Elio, temos uma história bem contada, a relação entre a tia e o sobrinho é crível.  Uma mulher que vive para o seu trabalho e que de repente, recebe uma criança que está perdida, porque as duas referências emocionais, o pai e a mãe, foram perdidas.  Ela não tem experiência, ela precisa amadurecer, também, e o faz, mas sem abrir mão de sus personalidade, ainda que tenha que rever seus objetivos de vida.

Já o menino, sofre por se achar um peso.  Elio quer amigos, mas não sabe que quer.  Se sente um alienígena em uma base militar.  Ao que parece, essa parte, do crescer em uma base, ou trocando de base para base, sem criar raízes, foi a experiência vivida por Adrian Molina e que ele quis colocar dentro do filme.  Quando é abduzido, pelo menos na versão do filme, Elio parece estar em um sonho no qual é importante, amado, feliz, onde não sofre bullying e não precisa se esforçar para se enquadrar.  Houve um momento que eu imaginei que Elio seria TEA, alguém dentro do Espectro Autista, mas o filme não enveredou por aí.  E, nesse novo mundo, ele faz um amigo, Gordon, uma criança como ele e que tem problemas para se relacionar com o pai.

Ainda que todos os aliens pareçam muito humanos em seus comportamentos e dramas, Elio traz aliens com aspecto muito variado, coisa rara de ser em filmes.  Gordon poderia ser transformado em um alien humanoide como a maioria que vemos por aí, mas ele parece um verme e poderia ser visto como um monstro.  Mensagem clara temos aqui, o exterior é só o exterior.  Elio e Gordon são duas crianças solitárias,, com problemas familiares e vão formar um elo muito forte.  Gordon quer agradar ao pai, ele pertence a uma raça guerreira e conquistadora, mas ele tem alma de artista.

Esses dramas super comuns, mas humanos, vividos por gerações de seres em diferentes culturas e com desdobramentos dos mais diversos conseguem dialogar bem com a audiência.  E Elio parece apelativo, é porque, talvez, muita gente esteja em busca de emoções incomuns e extremas que um filme com enfoque familiar, naquele sentido mais genuíno se proponha a entregar.  Elio não é um Toy Story 3, por exemplo, uma sequência impecável e que nos comove em sua sequência final, mas eu quase chorei assistindo ao filme.  Talvez, influenciada, também, pelo fato de ser a minha primeira ida ao cinema depois da cirurgia de catarata e conseguir ver os pelinhos nos braços de Elio e no corpinho de Gordon.  Estar vendo com clareza me a valorizar essas pequenas coisas.

A única parte do filme que não me agradou, talvez por ser absurda e longa demais, foi a dos rádio amadores e dos detritos no espaço.  E achei o figurino pobre.  Olga é militar, mas ela está usando uniforme o tempo inteiro.  Militares usam roupas civis quando estão fora de serviço, quando estão em casa e isso mesmo quando moram em bases.  Escolha meio preguiçosa, eu diria.

Outra coisa, Elio é cheio de referências a filmes de terror, reconheci umas três (*a de Alien foi muito evidente*), mas imagino que havia mais algumas, só que terror não é meu gênero favorito.  Há uma sequência que é clara homenagem ao voo de Luke Skywalker antes de destruir a Estrela da Morte.  Curioso que eu tenha visto poucos comentários, ou nenhum, sobre essas cenas homenagem nas críticas que olhei.  A maioria só faz acusar Elio de ser emocionalmente apelativo e de não revolucionar em nada.  

Todos os sites que comentaram a produção isso desde antes da estreia, enfatizam que o primeiro trailer, lançado dois anos atrás é muito diferente do atual.  Assisti aos dois, um é mais sombrio, o outro muito solar e colorido.  Um dos responsáveis por Elio, Adrian Molina, foi deslocado para Viva: A Vida é uma Festa! 2 (2029).  Elio tinha tudo para dar errado, mas é um filme coerente e que entrega o que se propõe a fazer.  É revolucionário? Não, absolutamente, não.  Mas será que é preciso que todo filme seja revolucionário?  Será que os críticos não estão cobrando demais?  Elio me tocou muito mais que Divertidamente 2, que não precisava existir como filme para o cinema, e mais, ser um filme novo já é revolucionário em tempos de sequências e franquias vazias de significado para além do financeiro.

O filme não cumpre a Bechdel Rule, ou a cumpre raspando.  Há mulheres militares, mas não lembro se elas têm nome, ainda que conversem sobre temas diversos, como suas carreiras.  E Elio é um filme sobre sobre o crescimento de um menino, além de ser um filme que celebra a importância família, que não é tão convencional assim, e da amizade. Bem tradicional em suas mensagens, é verdade, mas que é sincero naquilo que deseja transmitir.  Reforço que nenhum estúdio tem o dever de revolucionar a cada novo filme e que a Disney colaborou para que Elio não tivesse a atenção necessária, os esforços em propaganda estavam em outro lugar, não em um filme original.  Espero que o reconhecimento venha no streaming, porque Elio é um filme que merece ser assistido.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Shoujocast no Ar! Watashi no Shiawase na Kekkon 11: Miyo e Kiyoka Reunidos Novamente + Review da Branca de Neve

Este é o último Shoujocast comentando o episódio 11 de Watashi no Shiawase na Kekkon (わたしの幸せな結婚).  Lembrando que não tivemos o episódio esta semana na Netflix, ele foi adiado para o dia 31 de março por atraso na produção.  Fiz postagem sobre isso na semana passada.  Além do episódio 11, de como os acontecimentos estavam no livro, eu comento o filme Branca de Neve.  Tem resenha no blog, claro, mas falei no vídeo de novo.


E deixo aqui minha preocupação e duas capturas de tela do episódio 11.  


Fico imaginando se vão arrumar um jeito de dar redenção ao Usui.  No livro, ele teve a oportunidade, mas não aceitou.  Repito, NO LIVRO, não é spoiler, porque a série está se afastando muito do original.  De qualquer forma, a série estruturou de forma muito competente a ralação de Sumi com Usui, superou o original, é preciso admitir, no entanto, eu não consigo imaginar um desfecho mais dramático para o vilão.  E mexer com isso, é mudar, também, os acontecimentos relacionados a Arata.

sábado, 22 de março de 2025

Comentando Branca de Neve (Disney/2025): Um filme desconjuntado que não faz justiça à primeira princesa da Disney

Assisti Branca de Neve (Snow White) na estreia, primeira sessão legendada da tarde.  Com tanta coisa sendo dita e escrita sobre o filme por gente cheia de ódio e depois de ter achado interessante o último trailer, queria conferir no cinema.  Tive que fazer um esforço, porque precisava ser legendado, afinal, não queria avaliar a dublagem nacional, mas o original mesmo.  Dito isso, a primeira coisa a esclarecer é que considero qualquer versão live action de uma animação da Disney absolutamente desnecessária.  É uma tentativa equivocada de revisitar um clássico e eu escrevi isso, acredito, em todas as resenhas desse tipo de filme que eu fiz.  Segunda coisa, Branca de Neve não é ruim, nem é excelente, é um filme irregular que tem alguns momentos interessantes.  De resto, os bichinhos ficaram fofos de verdade, os anões de CGI estavam bem feitos e simpáticos e  Rachel Zegler canta muito bem.  Começarei com um resumo do filme.

Estamos em um reino medieval-like governado por um rei e uma rainha que usam coroas o tempo inteiro (*sim, isso é estranho*).  Eles desejam ter uma criança e ela nasce no meio de uma nevasca em uma carruagem.  A menina recebe o nome de Branca de Neve.  Conforme vai crescendo, ela interage com o povo comum, que é feliz usufruindo dos frutos do seu trabalho.  Branca de Neve recebe do pai um colar com quatro princípios que devem nortear o seu caráter: destemida, justa, corajosa e verdadeira (*fearless, fair, brave, e true spirit*na legenda, verdadeira virou autêntica*).  Mas a mãe da menina morre e seu pai se casa com uma bela mulher (Gal Gadot) que é ABERTAMENTE uma feiticeira.  Sim, não é segredo, ela não finge ser outra coisa, ela faz magia às vistas de todos.

Pouco tempo depois do casamento, o rei parte para mediar um conflito e nunca mais volta.  Branca de Neve é, então, transformada em criada por sua madrasta, que lhe corta os cabelos e a impede de sair do castelo.  Ela sonha em reencontrar o pai e vive com medo de desagradar a madrasta.  Enquanto isso, o reino definha sob o governo cruel da rainha-bruxa.  Um dia, Branca de Neve surpreende um rapaz roubando batatas na cozinha do castelo.  Ele diz fazer parte de um bando que luta para encontrar  o verdadeiro rei.  Jonathan (Andrew Burnap), porque esse é o nome do sujeito, acaba capturado e, pela primeira vez, Branca de Neve ousa erguer a voz para pedir por alguém e criticar a forma como a madrasta trata seu povo.  Ela termina ajudando Jonathan a fugir, impedindo que ele morra de frio.

Mais tarde, a Rainha é surpreendida pelo seu espelho mágico, que lhe diz que Branca de Neve é a mais bela.  Ele sempre dizia que não havia mulher mais bela que a Rainha.  Transtornada, ela ordena que um caçador mate a menina e lhe traga seu coração.  O caçador, no entanto, é incapaz de cumprir a ordem e diz  que Branca de Neve fuja e se esconda na floresta.  Depois de algumas situações aterrorizantes, ela é ajudada pelos animaizinhos da floresta que a levam até a casa dos Sete Anões.  As criaturas mágicas terminam acolhendo a Princesa e, mais tarde, ela reencontra Jonathan e conhece seu bando. Só que a Rainha descobriu que foi enganada e ela planeja acabar com a vida da Princesa.  Já Branca de Neve, precisa de coragem para lutar para assumir o lugar que lhe foi roubado.

Branca de Neve foi o primeiro longa metragem animado produzido por Walt Disney, lançado em 1937, ele causou um grande impacto na época sendo um divisor de águas em termos de animação.  Tratava-se de uma adaptação de um conto escrito pelos Irmãos Grim em 1812 e que derivava de material que circulava naquilo que viria a ser mais tarde a Alemanha.  O desenho da Disney deu cor e personalidade aos anões, além de ter colocado o beijo de amor capaz de tirar a protagonista do seu sono de morte.  Na versão dos Grim, a princesa está engasgada, o príncipe aparece de reptente na floresta e pede seu corpo no caixão de presente aos anões, e o tropeção de um dos empregados do Príncipe ao carregar a pesada carga, vai fazer com que ela desengasgue e acorde.  Aliás, a maçã foi a terceira tentativa de Rainha-Bruxa de matar Princesa que, nas ocasiões anteriores, havia sido salva pelos anões.  

Introduzir o beijo, colocar Branca de Neve conhecendo o seu príncipe ainda no início do filme e os dois se apaixonando foi uma maneira de adequar a história aos gostos da época em que foi produzido.  Os casamentos por amor ou afinidade eram a regra nos Estados Unidos do início do século XX e ser beijada por um passante ou se casar com um desconhecido não seria algo visto como romântico.  Com as mudanças feitas no filme live action, afinal, não temos príncipe, duas canções importantes da película de 1937, I'm Wishing e One Song, foram eliminadas.  Elas serviam para estabelecer essa situação de "amor à primeira vista" que marca a relação do príncipe com Branca de Neve.  Elsa torceria o nariz, lembram da cena em Frozen na qual ela repreende Ana por querer se casar com um sujeito que mal conheceu?  Mas em 1937, se estava rompendo com o original e dando à jovem protagonista o direito de conhecer e escolher (*ou se deixar escolher*) pelo seu príncipe.

Resumindo, o filme de 1937 é  uma adaptação do conto e, como toda adaptação, não o coloca fielmente em tela. Não há  na animação nem a parte da Rainha desejando uma filha com cabelos como o ébano, pele branca  e lábios cor de sangue. Por isso mesmo, encrencar com a escalação de Rache Zegler era simplesmente uma exibição de racismo, como no caso da Pequena Sereia.  Branca/Blanche era nome comum na Idade Média. E existem várias adaptações da Branca de Neve para o cinema, ainda que, na cabeça de muita gente, quando se pensa em Branca de Neve o que vem na cabeça é  a imagem do desenho da Disney, inclusive com o cabelo curto.  O novo filme é, portanto, uma adaptação do filme de 1937 que dialoga com o conto original e com preocupações contemporâneas, assim como o primeiro longa da Disney buscou atualizar o trabalho dos irmãos Grim.

A Branca de Neve vivida por Rachel Zegler não poderia ser tão passiva como a original e precisava mostrar, afinal, essa parecia ser a proposta do filme, que poderia ser uma líder capaz.   Isso poderia passar batido, se Zegler não tivesse feito comentários infelizes quando o filme, que começou a ser planejado em 2016, estava em produção.  O fato de ter um elenco diverso e da atriz não ser o modelo de Branca de Neve que os malucos de internet gostariam, já era um problema, mas as críticas da atriz ao original e outras falas infelizes, como dizer que o príncipe original era um stalker, atraíram uma atenção negativa para a película.  Sim, eu considero que Zegler errou feio nas suas colocações a respeito do filme, não que os reacionários não fossem fazer escândalo de qualquer jeito, claro.

Outra fala problemática foi a do ator Peter Dinklage, que temia que o filme trouxesse representações ofensivas de pessoas com nanismo.  Os Anões passaram a ser de CGI e a produção atrasou por bem mais de um ano.  Fora isso, depois do ataque do Hamas à Israel e do genocídio palestino que está sendo perpetrado pelos israelenses, criou-se na cabeça dos que vivem de alimentar a tal guerra cultural uma rivalidade entre Gal Gadot, que é israelense, e Rachel Zegler, que tem forte discurso pró-Palestina.  Para jogar mais gasolina no incêndio, Zegler ofendeu Donald Trump e seus eleitores em suas redes sociais.  Se desculpou depois, mas todo o clima já estava envenenado. Mesmo a Disney parece certa de que o filme irá fracassar e, talvez, fracasse mesmo, mas isso tudo que escrevi nesses dois parágrafos nada tem a ver com a qualidade da película.  A revista Rolling Stone fez uma linha do tempo das polêmicas da produção.

Enfim, naquilo que se propôs a fazer, Branca de Neve se sai razoavelmente bem.  Não é  uma adaptação apegada ao original, caso de Cinderela, A Bela e a Fera e Aladim, nem tenta fazer uma releitura radical, como em Malévola.  Está mais próximo da Pequena Sereia, eu diria, mas é um filme mais irregular.  Eu não vou mentir que percebi problemas na montagem do filme, não tenho olho treinado para isso, mas o Dalenogare falou muito sobre o fato do filme deixar evidente as sequências que foram enxertadas na película para que ela tivesse a forma que teve.  Talvez a indecisão entre uma ruptura completa e o apego ao original sejam o grande problema do filme.

Em Branca de Neve, temos o contraste entre o reino alegre e colorido antes da Rainha e a realidade  cinzenta que sua presença criou.  Rachel Zegler consegue mostrar a evolução da sua personagem da timidez e medo iniciais até se tornar a líder que precisa ser, sempre ancorada nos quatro princípios presentes no seu colar.  Não sou boa em identificar a qualidade do CGI, mas eu achei os bichinhos e os Anões muito bem feitos.  Os bichos são fofos e expressivos.  Comparados com Cinderela, Rei Leão e A Pequena Sereia foi um avanço e tanto e eles se parecem com os do filme de 1937, interagem com Branca de Neve, têm expressões faciais, eles lembram muito os animais dos desenhos da Disney.

Falando dos Anões, o filme deixa bem claro que eles são criaturas mágicas, não pessoas de verdade.  Há toda uma discussão se eles seriam cortados, ou não, mas o fato é que estão lá.  No filme, há um ator com nanismo, George Appleby, que é quem tem mais destaque no bando de Jonathan.  Ainda assim, atores com nanismo e militantes ficaram ofendidos pelas escolhas da Disney, porque não precisavam ter se acovardado diante das críticas de Peter Dinklage.  No caso dos Sete Anões, Mestre, Zangado e Dunga são os que recebem maior  destaque, mas cada um dos Anões tem uma expressão facial bem marcada e uma personalidade simples, mas delineada.  E era assim na animação, basta ir lá e conferir.

Salvo pela longa sequência da mina, que poderia ter sido enxugada, as cenas com os Sete Anões foram todas boas.  E há a discussão sobre bullying utilizando o Dunga, que é o anão que não fala e parece ser muito mais jovem que os outros.  E as sequências musicais dos Anões com Branca de Neve estão entre as partes do filme que eu mais gostei.  Aliás, temos em vários momentos a reprodução exata de sequências da animação e é  muito bonito de se ver.   A sequência da limpeza da casa dos anões é diferente, porque todos se ajudam, Branca de Neve não limpa tudo sozinha.  E ficou melhor assim, eu diria.

Falando de Jonathan, ele me lembra muito o Flynn Rider de Enrolados e isso é um problema.  Não considerei uma boa ideia terem retirado o Príncipe e criado outra personagem, mais ainda, porque ela não parece ter sido construída do ZERO.  Vejam bem, o príncipe da Branca de Neve sequer tinha nome, ele era um lugar social, representava o acolhimento e a proteção que a princesa órfã precisava, o sonho de amor verdadeiro.  Seu nome, Florian, foi criado muito depois.  Se não queriam um príncipe, e não entendo o motivo salvo esse horror doentio que as produções recentes da Disney parecem ter por representar o romance em filmes de princesa, poderia ser até um que tivesse perdido seu reino por ação da Rainha-Bruxa e quisesse Justiça/Vingança.  Encontrar Branca de Neve poderia ajudá-lo a rever suas ideias. Não precisavam criar alguém que não se parecesse com o par romântico de outra princesa, porque, daqui a pouco, aparece um live action de Enrolados.  

Muito bem, Jonathan, assim como Flynn, é um bandido social, um sujeito que vive às margens da sociedade e, nesse caso, a floresta é o lugar ideal, porque é o lugar da liberdade e, em muitos contos de fada, da magia.  Usei o termo "bandido social" e preciso explicá-lo, aliás, no filme, Mestre faz isso muito bem, tanto que é um momento genuíno de humor dentro do filme.  Bandido social é um criminoso que também pode ser lido como uma manifestações de resistência social e política contra estruturas de poder opressoras, um Robin Hood, por exemplo.  No caso do filme, a Rainha-Bruxa representa a opressão.  

Todos os membros do bando de Jonathan parecem ter sido perseguidos de alguma forma, em dado momento, fala-se que eles eram artistas mambembe, mas nada é aprofundado, ou explicado.  Eles simplesmente são marginais que vivem na floresta.  No filme Branca de Neve na Floresta Negra, meu live action favorito baseado no conto original, os Sete Anões foram transformados em um grupo de marginalizados, inclusive, a princesa nessa versão não termina com o príncipe, mas com um dos proscritos.  Recomendo muito o filme para quem não assistiu.  Sigourney Weaver entrega uma rainha-bruxa espetacular.

Voltando para Jonathan, Andrew Burnap não me impressionou como ator, mas fez bem o que lhe pediram para fazer, imagino.  Ele é bonitinho, mas nada excepcional, e sabe cantar, mas não me impressionou muito.  E há muita cantoria no filme, mais do que na animação original, umas duas músicas poderiam ter sido descartadas e falo disso daqui a pouco.  Jonathan e Branca de Neve têm dois duetos.  O primeiro, Princess Problems, é bem fraco.  A letra é boba e o sujeito devia a vida à Princesa e debochar de suas preocupações não faz muito sentido. "Enemies to lovers" não tinha como colar aqui. Já A Hand Meets a Hand, que depende muito mais de Rachel Zegler do que dele, é muito  boa. É quando eles se admitem apaixonados um pelo outro.  

E eles têm dois beijos, o que acorda a Princesa e o que vem em seguida, mas, no final, não temos nem os dois se abraçando ou lançando um olhar significativo um para o outro que apontasse para o fato de estarem juntos.  Não sabemos se eles se casaram, porque o filme fecha com uma sequência em que todo mundo veste branco (*Blergh!*) e está dançando.  E  fechamos a película com o livro que foi aberto no início, Branca de Neve aparece sozinha como rainha em uma ilustração.  As produções mais recentes da Disney parecem ter vergonha de deixar explícito até o mais tênue romance.  É como se isso fosse retirar a força da princesa protagonista.  O pai de Branca de Neve sempre tinha a esposa ao seu lado, por qual motivo não colocar Jonathan junto com a protagonista, mesmo que ela estivesse em primeiro plano?

E precisamos falar da Rainha-Bruxa e sei que muita gente está disposta a odiar Gal Gadot por motivos políticos.  Eu não tenho nenhuma intenção de  entrar nesse barco, aviso logo.  O roteiro trabalhou contra a vilã.  Deixarem claro que ela era uma bruxa desde sua primeira cena foi muito estranho.  Qual rei em um mundo pseudo-medieval se casaria com uma feiticeira?  Ela deveria usar da feitiçaria para conquistá-lo, mas não se expor da forma como aconteceu. É como se ser bruxa não fosse um problema em uma história como essas, como dizem os jovens, é uma red flag e tanto. Além disso, as frases de vilã malvada que fala com espelho foram as mais clichê possível.  

Como construir uma boa vilã se o roteiro não oferece um material consistente?  E a Rainha-Bruxa é a vilã fundadora da Disney!  Ela merecia mais.  A vilã quer riquezas?  Ela quer conquistar outros reinos?  Como ela matou seu marido?  A sequência da maçã é boa, diferente do original, mas ficou bem feita, começando pela transformação da Rainha-Bruxa até a "morte" de Branca de Neve.  A morte da vilã, algo que envolve o espelho, não é violenta como na animação (*e nem acho que a Disney fosse manter mesmo, colocaram uma maçã no lugar do coração de ursinho*), mas foi bem executada.  Foi uma boa sequência.

Onde efetivamente Gal Gadot se mostra muito fraca é cantando.  As piores sequências musicais do filme são dela.  E se um ator ou atriz não canta, se auto-tune não resolve, o melhor seria optar ou pela dublagem, ou pela eliminação da música.  "All Is Fair", em especial, é uma tristeza.  A versão que linkei é a de estúdio, como a letra em si não é ruim, está versão está muito boa.  Na segunda música, as coisas funcionam melhor, mas isso não quer dizer que ela precisasse estar no filme.  O fato é que há músicas demais em Branca de Neve, o filme fluiria melhor se as canções fossem melhor selecionadas e ajudassem a contar a história, ou, de repente, talvez não mudasse o resultado, pois o roteiro não tinha lá grande coesão.

Branca de Neve no filme parece ser mais filha do pai do que da mãe, nada surpreendente, mas é o conselho materno, que não vemos ser dado em tela, que a ajuda a vencer no final.  A mãe lhe diz que ela deveria sempre se lembrar do nome das pessoas.  Trata-se de um bom conselho para um líder.  É assim que ela consegue chegar ao coração daqueles que tinham sido cooptados pela Rainha.  E eu fiquei feliz que não tenham posto uma espada na mão da Branca de Neve para mostrar que ela era uma mulher forte.  Há várias formas de mostrar força, é conversando que ela consegue prevalecer no final e com o apoio de seu povo.  

Preciso falar do figurino.  No geral, eu gostei bastante das roupas do povo e queria colocar imagens, mas não achei.  Há uma mistura de indumentária medieval (*de várias épocas diferentes*) e do período moderno (*até o século XVIII*).  As mulheres aparecem com o cabelo coberto por chapéus, capuzes e véus que ficaram bem feitos, bonitos.  No início, com a grande sequência da vila, que lembra muito A Bela e a Fera, tudo é colorido e feliz.  Quando a Rainha-Bruxa domina, teremos uma escala de cores neutras e tristes, mas as roupas continuam interessantes, eu diria.  Foi do final branco que eu não gostei mesmo, mas o figurino do povo foi melhor do que o das duas protagonistas.

Branca de Neve crescida usa duas roupas, três, se contar a branca do final.  A primeira, a de escrava doméstica, me pareceu a mais bonita. Gostei dela. A segunda, que ela usa boa parte do tempo, seu que se suje, ou rasgue, é inspirada na roupa clássica da princesa.  A saia do vestido, que parecia tentar usar a mesma sobreposição usada no filme Cinderela (*recomendo o vídeo da Modista do Desterro sobre o filme*), não ficou boa.  Seria melhor se usassem outro tipo de tecido, e a saia armada com o que parece ser tule, não era nem longa, nem curta.  Não me pareceu harmoniza com a parte de cima da roupa que estava bem feita.  A fita de cabelo vermelha foi perdida quando Branca de Neve cai no rio, então, não havia nada em seu cabelo durante boa parte do tempo.  As roupas da Rainha-Bruxa pareciam inspiradas nos anos 1940 e em filmes de ficção científica, talvez.  Mesmo Gal Gadot sendo tão bonita, o visual da rainha me pareceu monótono.  

Quanto à questão de ser "a mais bela" como o filme trabalha com isso?  Desde a escalação de Zegler e Gadot, uma das questões que mais mobilizou os desocupados da internet foi o fato da Rainha-Bruxa ser mais bonita que Branca de Neve.  Imagino que ninguém vá colocar isso em disputa, para os nossos padrões, Gal Gadot é mais bonita que Rachel Zegler, da mesma maneira que Charlize Theron era mais bonita  que Kristen Stewart em Branca de Neve e o Caçador.  De qual beleza estamos falando aqui?  Da beleza que perece com o tempo, da que é mantida por cuidados vaidosos, ou uma beleza que é interior?

Em ambos os filmes, trata-se da beleza que vem de dentro.  Em inglês, a palavra usada pela Rainha-Bruxa ao conversar com o Espelho Mágico é "fair" que pode significar uma série de coisas: mulher bonita, lourice ou alguém que é louro, a virtude de ser justo etc.  No filme, o "fair" é usado tanto para beleza, quanto para Justiça.  Banca de Neve se mostra justa e é bela por suas virtudes, mesmo que exteriormente a Rainha a supere na beleza que é fugaz, que perece.  A Rainha-Bruxa, se fosse mostrada por dentro, seria um monstro.  Então, não se trata de colocar em discussão o óbvio, Gal Gadot é mais bonita que Zegler, mas essa questão absurda  para muitos é fundamental ao filme.

Não consegui achar o artigo, mas parece que se espantaram com a música "Good Things Grow" e a celebração do direito dos camponeses e trabalhadores em geral terem o direito de acesso aos frutos do seu trabalho.  Nesse artigo, que eu perdi um tempão procurando, parecia que o autor dizia que o filme trouxe ideias revolucionárias marxistas para a tela.  Só para não perder a viagem, a Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário (Lucas 10:7 e 1 Timóteo 5:18) e Locke ao dizer que a propriedade privada é um direito natural, fazia questão de afirmar que desde que fosse fruto do trabalho.  Já  Adam Smith afirmava que o trabalho é o que era a riqueza da nação.  Então, amiguinhos, antes de Marx falar qualquer coisa, temos texto sagrado do Cristianismo e os pais do Liberalismo, o político e o econômico, dizendo que trabalho move o mundo e os trabalhadores são merecedores dos frutos que produzem.  Agora, para quem venera bilionário ou coach picareta deve ser muito ofensivo mesmo louvar os trabalhadores e logo na abertura do filme.

Caminhando para o final, eu sei que as pessoas em sua maioria estavam pré-dispostas a não gostar do filme.  Havia os que odiaram a seleção de Rachel Zegler, o que foi agravado por suas falas equivocadas; há os que detestam Gal Gadot por motivos políticos e/ou a consideram má atriz; e há os que consideraram muito do que foi feito e dito como um desrespeito à animação original.  Eu fui disposta a observar e analisar.  Não vou dizer que é um ótimo filme, porque ele não é, mas não me lembro de nenhum dos live actions da Disney ser memorável.  Todos os que assisti têm problemas, fizeram escolhas equivocadas, mudaram coisas que, na minha opinião, não deveriam ser mudadas.  

Eu tenho muito mais aversão por Malévola, que eu sei que foi bom como filme, do que pelas outras adaptações live actions, porque AMO A Bela Adormecida.  Minha resenha está linkada para quem quiser saber os meus motivos.  Detestei quando em A Bela e a Fera colocaram o príncipe a e mocinha disputando para ver quem era mais culto, quando, na animação, um dos momentos mais tocantes (*que ficou ainda mais no musical*) era quando a Fera começa a se humanizar e lembrar do passado por Bela ler para ele.  Ele havia perdido a capacidade da leitura.  Em Aladim, que eu acho um dos mais divertidos desses live actions todos, retiraram todo e qualquer apelo sexual do vilão.  Em O Rei Leão, a sugestão de que Scar seria homossexual, algo canônico, foi retirada para colocá-lo como alguém que disputou Sarabi com Mufasa.  

Eu posso reclamar e reclamar de todos os live actions, mas não vou massacrar Branca de Neve, não.  Teve pandemia, teve gente falando bobagem, houve mudanças no roteiro, tentaram virar as costas para o original e deu no que deu.  Mais um filme que será esquecido, quando deveria ser uma celebração da primeira princesa da Disney e estar ainda dentro das festas dos 100 anos do Estúdio.  Agora, não serei eu a pear uma das duas protagonistas para culpar, não.  Aliás, culpar mulheres é sempre fácil, deixo isso para os misóginos de sempre e quem quiser entrar nesse jogo com eles. Fica parecendo que elas têm força para definir os rumos da produção, só se fossem estrelas de primeira grandeza, coisa que nenhuma das duas é.  De resto, espero que pelo menos "Waiting on a Wish", que é uma música simpática consiga indicação para o Oscar.