sábado, 12 de outubro de 2019

Filmes sobre mulheres são destaque entre os candidatos ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro


A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, é o nosso pré-candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano.  Depois de ser premiado na mostra "Un Certain Regard" em Cannes, o filme ganhou por um voto de Bacurau, mas vem referendado por excelentes críticas e recebeu também premiação em Cannes, ou seja, ninguém ficou dizendo que foi marmelada.  A Vida Invisível estreia na última semana de outubro.  Preciso confessar que não me chamou para a sala de cinema como o trailer de Bacurau, mas irei assistir, com certeza.  Vejam o trailer aí embaixo:


Fora A Vida Invisível, tive contato com os trailers dos pré-candidatos da Argélia e Arábia Saudita e acho que vale a pena comentá-los.  já assisti várias vezes o trailer de Papicha, o indicado da Argélia, e, sim, quero ver esse filme, muito mesmo.  O trailer está aí embaixo.  Para quem não entende o contexto, a Argélia conseguiu a independência da França depois de uma guerra bem sangrenta, e as mulheres participaram ativamente no conflito, sua história posterior foi marcada pela instabilidade política e pela luta de grupos islâmicos, especialmente, xiitas, pelo poder.  

Papicha competiu com A Vida Invisível
em Cannes pelo mesmo prêmio.
O filme se passa durante a Guerra Civil (1992–2019), quando as milícias islâmicas, que pretendiam chegar ao poder, sonham em transformar a Argélia em um Irã (*os cartazes da vestimenta que querem impor é o chador*) em matéria de vestimenta e direitos das mulheres, ou pior, porque era uma galera mais barra pesada que recorria ao terrorismo e chacinas (*com decapitação*) para aterrorizar a população civil.  Acho Papicha promissor e mais ainda, porque é um filme sobre mulheres, dirigido por uma mulher.


O trailer do filme da Arábia Saudita não achei com legendas em português, mas é da mesma diretora de O Sonho de Wadjda, Haifaa al-Mansour, simplesmente o primeiro cineasta, homem, ou mulher, a ter uma carreira internacional reconhecida.  Por ser mulher, a diretora não tinha permissão nem para alugar filmes em locadoras do país, um homem tinha que ir buscar para ela.  O filme, The Perfect Candidate não tem nome em português ainda e mostra a Arábia Saudita pós-medidas de "liberação" (*para pseudo-liberal ver*) com mulheres ricas e de classe média dirigindo seus carros e aspirando carreiras políticas, afinal.  

Haifaa al-Mansour pode trazer o Oscar de melhor
filme estrangeiro para a Arábia Saudita. 
País que baniu os cinemas por 35 anos,
eles só foram reabertos em 2018.
As mulheres a partir de 2015, receberam o direito ao voto e podem eleger representantes nos conselhos municipais.  Uma jovem médica quer participar.  Pelo que li, o pai da protagonista tem um grupo de música folclórica e esta´se beneficiando dessa abertura, também, porque a música popular em público, mesmo a tradicional, era proibida pelos estritos códigos religiosos da Arábia Saudita.  Mas há algo curioso, nos filme sauditas, aliás, somente dois e da mesma diretora, as mulheres aparecem sem véu quando estão dentro de casa, coisa que nos filmes iranianos não acontece, as mulheres sempre aparecem de véu, mesmo em situação nas quais sabemos que elas não usariam o hijab.


Estou torcendo para que o filme brasileiro chegue até a seleção final.  Quero ver o filme da Arábia Saudita e da Argélia, não torço pela película saudita, porque pode ajudar a reforçar essa ideia de que as coisas por lá agora estão legais para as mulheres, quando, na verdade, a diretora teve que fazer das tripas coração para seguir carreira no cinema e mulheres ativistas de direitos humanos estão sendo ameaçadas de execução pela primeira vez na história do país.  Fora, claro, o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em um consulado saudita na Turquia.

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