sábado, 21 de dezembro de 2019

El Halcon, mangá de Yasuko Aoike, ganha nova montagem do Takarazuka + Resenha dos três primeiros capítulos do mangá


O Igor me informou ontem que El Halcon ~Taka~ (エル・アルコンー鷹-) de Yasuko Aoike, receberá nova montagem do Teatro Takarazuka no ano que vem.  O primeiro espetáculo é de 2007 e deve ter sido um sucesso absurdo, porque eu encontrei muita informação sobre esta montagem na internet.  Eu tinha percebido um zum-zum-zum no Twitter ontem cedo, mas não tive tempo de investigar.  Acreditei que seria um relançamento do mangá, mas sua última reedição é de 2012.  



Apesar de se chamar El Hacon, o espetáculo do Takarazuka é baseado também em Nanatsu no Umi Nanatsu no Sora  (七つの海七つの空), ou Seven Seas, Seven Skies.  El Hacon é uma prequel, mas pelo que eu percebi, o vilão , ou anti-herói, roubou o coração das leitoras.  Em linhas gerais, é uma história de piratas que se passa durante o reinado de Elizabeth I (1558-1603) da Inglaterra, na qual se enfrentam ancestrais dos protagonistas do mangá mais famoso de Yasuko Aoike, Eroica yori Ai o Komete  (エロイカより愛をこめて).  



Eu brinco que Aoike costuma escalar sempre o mesmo elenco, ela é fiel, então Tyrion é igualzinho ao  Major Klaus Heinz von dem Eberbach, já Luminous Red Benedict (*é o nome do sujeito, não tenho nada com isso*) é a cara do Dorian Red Gloria (Eroica), só que sem laquê.  Agora segue uns comentários sobre os três capítulos de El Hacon que tem scanlations.  Como vi o trailer do espetáculo de 2007, sei que esse material foi usado no musical do Takarazuka.



El Halcon (O Falcão) é uma prequel que conta a história de Tyrion Persimmon, filho de um aristocrata inglês com uma nobre espanhola.  O casamento ocorreu durante o governo da Rainha Maria I (1553-1558), quando a Inglaterra retornou ao catolicismo, mas a história se passa durante o governo da Rainha Elizabeth I.  O pai de Tyrion, acredita que o rapaz é filho de um amante espanhol da mãe chamado Gerard (*que não é nome de espanhol MESMO*) e tortura o garoto desde a infância.



O sonho de Tyrion é se tornar marinheiro, mais do que isso, ele sonha em se tornar um grande capitão e, assim que puder, passar para o lado da Espanha. Um dos eventos que aparecem em Nanatsu no Umi Nanatsu no Sora é o incidente da Invencível Armada, quando Felipe II lança uma esquadra (*aparentemente*) indestrutível contra a Inglaterra.  Mas em El Hacon estamos muito antes disso.



O pai de Tyrion quer que ele siga carreira na área do Direito, como é tradição de família.  O rapaz resiste, ele tem um olhar desafiador e uma atitude arrogante, e é duramente punido.  Acaba ouvindo que foi descoberto que Gerard, o amigo de sua mãe, é um espião.  O pai de Tyrion indica one o sujeito pode estar.  Tyrion pega um cavalo e foge de casa para avisar Gerard do perigo.  Seu pai percebe a manobra e vai atrás do garoto, que, na época, tem 14 anos.



Tyrion salva Gerad, mas é alcançado pelo pai que planeja espancá-lo, ou até matar o garoto.  Tyrion reage e termina ferindo seu pai de morte. Ainda assim, ele não demonstra qualquer remorso, o pai o odeia e maltrata, ele odeia o pai de volta.  Viúva, a mãe de Tyrion se casa com outro nobre como uma forma de proteger o filho e garantir-lhe o ingresso na marinha.  Isso tudo aconteceu SOMENTE no segundo capítulo da série.



No primeiro capítulo, vemos Tyrion já no final da adolescência e chegando em seu primeiro post em um navio da marinha britânica.  Logo de início, o santo de Tyrion não bate com o do capitão, que é um sujeito pouco competente, mas muito orgulhoso.  O enfrentamento entre os dois acontece quando o capitão decide punir um grumete, um garotinho de uns 10, 12 anos, que ele permite que seja espancado e depois obrigado a ficar por horas no mastro mais alto.



Tyrion ameaça o capitão e revela que ele é um espião espanhol, além de não saber nadar.  Que maltrata um garotinho que tem medo de altura, mas não é capaz de fazer algo que todo marinheiro deveria saber.  O capitão diz que vai acabar com a carreira de Tyrion.  Sinceramente?  Tyrion é o diabo, então o capitão está com as horas contadas.



Como os outros marinheiros e mesmo oficiais estão insatisfeitos e acham que o castigo dado ao menino é excessivo, a revelação de que o sujeito é um espião leva a um motim.  Tyrion mata o capitão e sobe para retirar o menininho do alto do mastro, mas o repreende, também, dizendo que ele não deveria expor suas fraquezas e agir como uma criancinha.  O menino jura fidelidade eterna a Tyrion.



Por fim, os marinheiros e oficiais decidem culpar Tyrion pela morte do capitão para salvarem a pele.  Tyrion vira a mesa e convence os sujeitos de que ele pode salvar todos da punição se o aceitarem como seu líder.  Bem, essa parte ficou confusa, pois Tyrion não vira capitão, mas passa a comandar o navio.  Também não é explicado como ele livra todo mundo da corte marcial, mas como o mangá tem flashbacks, talvez, expliquem isso depois.  Fim do segundo capítulo.



Agora, o capítulo três é o que trabalha com umas questões bem pesadas e ligadas aos papéis de gênero.  Há uma cena interessante na qual Tyrion conversa com o padre amigo de Gerard e confessa que se tornou protestante para evitar se tornar suspeito e ter possibilidades de ascender na vida.  Depois disso, Tyrion aparece em um porto em Plymouth.  Lá, ele encontra Edwin, um amigo do tempo da academia, que está de casamento marcado com uma dama de altíssima posição, chamada Penélope.



Essa moça é extremamente arrogante e se acredita muito melhor que o noivo.  E o rapaz também se acredita inferior e reclama que a noiva sequer permite que ele a toque.  Na conversa, insinua que Tyrion faria melhor que ele, que seria capaz de seduzir até a rainha.  O protagonista faz pouco caso do comentário, diz não se interessar pelas mulheres e, em pensamento, afirma que  elas não o ajudariam a atingir seus objetivos, mas seriam obstáculo para as suas ambições.  



Edwin pergunta onde pode encontrar prostitutas e acaba sendo atacado por agentes que queriam saber qual navio levaria a sua noiva.  Tyrion reencontra Edwin ferido, percebe que há alguma manobra em andamento e vai atrás do navio que está levando a moça. Lady Penelope estava furiosa e jurando que não se casaria com Edwin, que iria fazer o pai, um poderoso almirante, desfazer o noivado.  Tyrion chega em tempo de impedir que o navio que leva Penelope seja tomado por piratas.  



Como a nau ficou bem avariada, ele leva Lady Penelope, que protesta veementemente, e suas damas para o seu barco.  Como se não fosse pouco, vem uma tempestade e Tyrion tem que usar de todo o seu sangue frio para fazer o que é necessário para impedir que o navio afunde, incluindo derrubar o mastro principal e se apoderar de metros e metros de um precioso tecido levado por Lady Penelope para fazer velas.  



E, aí, o rumo da relação dos dois muda.  Lady Penelope se sente culpada por não ter compreendido as preocupações de Tyrion e vai até sua cabine.  O rapaz está adormecido, nem sequer tirou as boas de tão cansado.  A moça fica admirando a beleza do protagonista, que acorda, se desculpa pelo seu estado e a beija.  Eu pensei que pararia nesse beijo, mas ele ordena para a moça trêmula que feche a porta e ela termina não conseguindo opor resistência.  Temos uma tórrida cena de sexo com Tyrion sussurrando para Lady Penelope que deixe suas amarras de lado e se comporte como uma prostituta.



Certo, o mangá saiu na Seventeen, que era a revista shoujo mais adulta da época, mas todo o desenrolar da cena me surpreendeu um tanto.  Depois de fazerem amor, Penelope adormece e Tyrion fica refletindo sobre o ocorrido enquanto desfia um rosário de considerações misóginas sobre como as mulheres, sejam elas quem forem, só servem para uma coisa. E temos um flashback.



Tyrion adolescente está estudando.  Sua mãe está doente e o padrasto fora.  A amante do sujeito vem tentá-lo, como ele lhe dá um desprezo, ela insinua que o moço mantém uma relação incestuosa com a mãe.  Ele nem se abala, mas decide usar a mulher mais velha para adquirir experiência.  Temos mais uma cena de sexo com um Tyrion virgem, mas muito agressivo e humilhando a mulher, a quem chama de prostituta.  A amante acha que foi interessante e que o sangue espanhol do moço (*esses clichês estão em todo o lugar do mangá*) o tornam alguém especial.  Tyrion termina exigindo que ela visite seu quarto todas as noites para que ele se aperfeiçoe e ela acaba se sentindo satisfeita com o arranjo.



O comportamento de Tyrion, usando mulheres, tratando-as como lixo, não é inverossímil, muito pelo contrário, mas nunca tinha visto esse tipo de atitude em um protagonista, porque é o que ele é.  Em nenhum momento a autora tenta convencer as leitoras que o falcão é um sujeito legal, que tem um código de honra, ou algo do gênero.  Ainda assim, ele é a personagem mais amada do mangá, tanto que ganhou essa prequel.  Nos cartazes do Takarazuka, na capa da reedição do mangá, ele está em destaque.



Não sei o quanto desse mangá prequel está no El Hacon do Takarazuka.  Na descrição do espetáculo de 2007, temos mais da trama de Nanatsu no Umi Nanatsu no Sora  com o pirata Luminous Red Benedict sequestrando Isabella, a noiva adolescente do padrasto de Tyrion (*a mãe dele já deveria ter morrido*) e os dois se enfrentando.  Não sei se Tyrion tem interesse romântico por ela, ou outra mulher qualquer, o fato é que ele vai trair a Inglaterra e se juntar aos espanhóis.  Queria ler ambos os mangás.  Foi frustrante terminar o capítulo três e não ter mais nada para ler.



Voltando ao Takarazuka, o espetáculo de 2020 será feito pela Hoshigumi e os papéis principais serão de Rei Makoto, Maisora Hitomi e Todoroki YuuA peça vai sair em turnê nacional, começando em 12/06 do ano que vem e terminando em 01/07. Agradeço ao Igor pelas informações sobre o espetáculo, só assim para eu ir atrás de El Hacon para ler.  Fiquei com vontade de encomendar o mangá na CDJapan, mas a edição disponível, que deve ter a prequel, ou ambos os mangás, está mais de 70 reais, com o correio ficaria uma facada.  Para quem quiser ler os três capítulos que eu comentei, eles estão aqui.

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