sexta-feira, 12 de junho de 2020

O que é o Loving Day, o "dia do Amor"?



Dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como "Santo Casamenteiro", é o Dia dos Namorados no Brasil.  Divergimos de todo o mundo ocidental praticamente, o que é bem curioso, mas não é disso que irei falar.  Descobri hoje que há uma data comemorada nos Estados Unidos no 12 de junho e ela tem a ver com o amor, também, é o #LovingDay.

No dia 12 de junho de 1967, a Suprema Corte decidiu por unanimidade que eram ilegais quaisquer leis estaduais que proibiam casamentos inter-raciais. Elas ainda existiam em 16 estados.  "De acordo com nossa Constituição, a liberdade de casar, ou não, com uma pessoa de outra raça reside no indivíduo e não pode ser violada pelo Estado", escreveu o juiz Earl Warren.  A decisão, um marco na história norte americana foi impulsionado por um caso conhecido como Loving vs. Virginia.


Richard Loving e Mildred Jeter se apaixonaram depois de se conhecerem por anos. Os dois cresceram na pequena cidade de Central Point, Virginia. Em junho de 1958, Richard, um trabalhador da construção civil branco, e Mildred, uma mulher de ascendência africana e nativa americana, casaram.  Na época, muitos estados ainda tinham leis que de preservação da integridade racial.

A Virgínia era um desses estados, por isso, o Richard e Mildred se casaram em Washington, onde essas leis não existiam. Cinco semanas depois do casamento, eles voltaram para a Vírginia e foram presos pelo xerife local e indiciados sob a acusação de violar a lei anti-miscigenação vigente no estado.


O casal se declarou culpado no ano seguinte e foi forçado a deixar a Virgínia e não voltar juntos por 25 anos.  Em 1963, o casal já tinha três filhos e residia em Washington, DC, mas queria voltar para casa.  Depois de escrever uma carta o procurador-geral dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, a União Americana das Liberdades Civis (ACLU/American Civil Liberties Union) concordou em aceitar o caso, criando assim o caso Loving vs. Virginia, que finalmente chegou à Suprema Corte dos EUA em abril de 1967.

Derrubar as leis anti-miscigenação não foi tarefa fácil. De fato, durante o caso, o então advogado assistente da Virgínia defendeu a lei, comparando-a com regulamentos contra incesto e poligamia.  Mas dois jovens advogados da ACLU que estavam ajudando os Loving argumentaram que a lei – e outras como ela – estavam enraizados na supremacia branca e no racismo.  “Essas não são leis de saúde e bem-estar. Essas são leis de escravidão, puras e simples ”, argumentou Philip Hirschkop, um dos advogados do casal.  Ele acrescentou que o estatuto da Virgínia era ilegal sob a 14ª Emenda, que proíbe os estados de restringir direitos básicos de cidadãos ou outras pessoas.


A Suprema Corte anunciou sua decisão unânime em 12 de junho de 1967, de que a lei de casamento inter-racial da Virgínia violava a emenda. Não só anulou a condenação contra os Lovings de 1958, mas também derrubou leis contra o casamento inter-racial nos 16 estados restantes que ainda observavam a lei.

Embora alguns estados demorassem a mudar suas leis, a decisão sobre o caso foi um grande golpe para a segregação racial no país.  Os Lovings voltaram para Central Point, Virgínia, onde criaram seus três filhos.  Por conta do sobrenome da família, a data é lembrada como o “Dia do Amor”.  Em 2016, história foi transformada em filme estrelado por Joel Edgerton e Ruth Negga, que foi indicada ao Oscar de melhor atriz.  O trailer está aí embaixo.

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1 pessoas comentaram:

Já assisti ao filme, mas não sabia que havia uma data comemorativa. Incrível. E eu sempre penso, ao olhar para Ruth Negga, que adoraria vê-la em algum tipo de cinebiografia de Josephine Baker. Ela tem um rosto incrível, que parece sob medida para fazer filmes de época!

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