sábado, 18 de julho de 2020

Comentando The Sound of the Music Live 2013 e 2015: Quase Desisti de terminar o texto


Há um canal no Youtube chamado The Shows Must Go On, que é dirigido pelo Andrew Lloyd Webber, e disponibiliza musicais por três dias para que possamos assistir.  É uma tentativa de consolar as pessoas na quarentena.  Eu estava seguindo fielmente, mas esqueci e perdi por duas semanas.  Passei por lá ontem... na verdade, já faz três semanas, ou termino esse texto, ou ele vai para o lixo!  Enfim, vi que na semana atrasada tinha sido The Sound of Music Live 2013.  Fiquei triste e procurei o torrent, achei a versão de 2013 e a britânica de 2015.  Para quem não sabe, The Sound of Music é A Noviça Rebelde.


Esse vestido é feio, OK?
A história retratada no musical de Rodgers and Hammerstein é inspirada na vida da família de cantores Von Trapp.  Houve dois filmes alemães (*1956 e 1958*), que podem ser assistidos com legendas em inglês no Youtube, depois, virou musical em 1959 e ganhou o mundo com o filme de 1965 estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer.  Eu amo A Noviça Rebelde.  Vi a primeira vez com 12 anos em uma noite de Ano Novo.  Todo mundo foi dormir e eu fiquei com meu pai, que é fã de musicais e faroestes, até mais de quatro da manhã vendo o filme.  Tenho o DVD e o CD da trilha sonora em casa, é um dos meus musicais favoritos.


A Madre Superiora (Audra McDonald) é negra nessa versão.
Enfim, para quem não conhece a história, Maria é uma jovem noviça no mosteiro beneditino de  Nonnberg, em Salzburgo.  Ela é uma tomboy e tem dificuldade em se ajustar à disciplina da vida religiosa e seguir as regras, apesar de ser muito amável e querida por todos.  A madre superiora decide que a jovem, que é órfã, deve passar um tempo no mundo como uma forma de testar sua vocação.  Maria é então enviada, então, para ser governanta na casa do Capitão Von Trapp, um viúvo com sete filhos Liesl, Friedrich, Louisa, Kurt, Brigitta, Marta e Gretl.  


Rapidinho, ela conquista as crianças.
Apesar de não quererem uma governanta e terem expulsado várias antes da noviça, as crianças são conquistadas por Maria e o pai delas termina aceitando os métodos da governanta e se apaixonando por ela, apesar de estar noivo de Elsa Schräder.  Maria ensina as crianças a cantar e o Capitão redescobre o seu próprio gosto pela música.  O talento das crianças desperta o interesse de um amigo da família, Max Detweiler, que estava organizando um festival de música folclórica austríaca.  Detweiler também está envolvido com o nazismo, mais por conveniência do que por fervor ideológico.


Detweiler e Elsa não teriam problema em se
tornar nazistas por conveniência.
Quando Maria descobre que está ama o Capitão Von Trapp, ela foge de volta para o mosteiro, mas a madre superiora não a aceita de volta.  Há várias formas de servir a Deus e, talvez, Maria deva fazê-lo se casando e sendo mãe das crianças Von Trapp.  Quando ela chega de volta, o Capitão está terminando seu noivado com Elsa (*que tinha percebido a atração entre o noivo e a noviça*) e os dois terminam se entendendo.  Ao retornarem da Lua de Mel, o Anschluss, a união entre a Áustria e a Alemanha, já aconteceu e o Capitão é convocado à servir na Marinha do Reich, algo que ele recusa.  A única saída para os Von Trapp é fugir.


Com do Anschluss, a Áustria foi anexada à Alemanha.
Eu tinha esquecido completamente do Canal The Shows Must Go On, aliás, chequei ontem e não há musical novo neste fim de semana, daí, quando vi que tinham posto The Sound of Music Live 2013, mas já não estava mais lá, tentei encontrar em algum lugar. Achei o torrent fácil e consegui assistir. É um musical feito para a TV, foi o primeiro de uma série da NBC e tem metade do tamanho do filme, talvez um pouco mais. Acho que eu lembro quando foi anunciado o especial e de reações à escalação de Carry Underwood para o papel.  


A Maria de Underwood está sempre de saltos altíssimos.
Havia quem estivesse espumando, como se fosse uma produção para o cinema e a jovem cantora não pudesse ocupar o papel que já havia sido de Julie Andrews  Bobagem. De qualquer forma, o musical para TV tem várias diferenças em relação ao filme, por exemplo, as crianças não aplicam nenhuma peça em Maria para que ela vá embora, mas nunca vi o musical da Broadway, então, não tenho o que comentar.

Olho para os dois juntos e penso em True Blood.
Enfim, a primeira coisa que eu notei é que o Capitão von Trapp é o Stephen Moyer, o Bill Compton, o vampiro de True Blood. Não sabia que ela cantava.  Ele é um Capitão Von Trapp muito alegrinho se comparado com o do filme. O fato é que me parece difícil imaginar qualquer um que não seja o Christopher Plummer no papel.  Já a tal Carry Underwood, parece um tanto com a Anna Paquin e o cabelo dela é todo modernoso (*vide a foto de azul*), olhava para os dois e via o Bill e a Sookie.  Fora isso, acredito que erraram no figurino da protagonista.


O belo vestido azul.
Como a produção é rica, a gente vê que se investiu muito, decidiram dar roupas muito bonitas para Maria.  Quando ela chega à casa dos Von Trapp, ela usa um vestido feio, fora de moda, algo que estava no convento e que pertencera a alguma postulante.  Mantiveram o comentário de uma das meninas, Brigitta, ou Luisa, não vou abrir o musical de novo, mas não faz sentido, porque ela parece elegante e nada desmazelada.  Fora isso, a atriz-cantora está sempre com saltos altos.  Maria é uma tomboy, o ideal, como no filme, ou na versão britânica de 2015, seria manter a noviça com sapatilhas, ou sapatos confortáveis até que ela se tornasse a Sr.ª Von Trapp pelo menos.


O vestido de noiva.
Outro momento problemático do filme é o casamento.  Além de ser super luxuoso, as freiras estavam na cerimônia.  Beneditinas, ainda mais nos anos 1930, antes do Concílio Vaticano II, viviam em clausura.  As irmãs, no filme, assistem a cerimônia por trás das grades, de dentro do claustro.  No musical, elas estão nos bancos, onde deveriam estar os convidados.  Foi bem errado, eu diria.  E não se trata de comparar com o filme, mas com questões de coerência mesmo.


Maria ensina Kurt a dançar o Läendler.
Mas não pensem por essas críticas que eu não gostei, muito pelo contrário.  As crianças dessa edição de 2013 são muito boas, atuam bem.  Os diálogos em muitos momentos são diferentes dos do filme, mas não destoam da história.  Por exemplo, a cena em que o Capitão e Maria dançam o Läendler, uma dança típica austríaca, foi muito bem executada e, logo depois, temos os comentários da esperta Brigitta que fazem com que tanto o pai, quanto Maria tomem consciência de seus sentimentos.  Comparativamente, os dois diálogos foram melhores que o do filme de 1965.  


O Capitão e Maria dançando o Läendler.
O único ponto fora da curva foi o Capitão querer que Maria, já muito constrangida, participasse do jantar, ela era a governanta, não uma convidada.  Falando nisso, Elsa, a noiva, que é interpretada pela atriz Laura Benanti, não tem um ar vilanesco em torno dela como no filme de 1965.  Ela parece estar em um relacionamento de conveniência, mas não é o tipo que antecipa que será uma madrasta má que vai se livrar das crianças depois do casamento.



E, sim, vou comentar um dos duetos mais importantes, Sixteen Going on Seventeen, que é interpretada por Liesl (Ariane Rinehart), a filha mais velha do capitão, e o garoto de quem ela gosta, Rolf (Michael Campayno), e que está totalmente envolvido com a ideologia nazista.  Enfim, o local do dueto é diferente do do filme e é uma das partes mais bonitas do especial.  No entanto, e, claro, não parei para refletir sobre a música agora, a letra é terrivelmente machista.  Não que The Sound of Music tenha mensagens progressistas, trata-se de um conto de fadas moderno bem patriarcal.


O orgulho masculino.
No caso da música, temos uma menina está se tornando mulher e ela é uma página em branco na qual os homens irão querer escrever, por isso mesmo, ela precisa de alguém mais velho e mais sábio para guiá-la.  Esse alguém, claro, é Rolf.  Obviamente, a música fala de sexo sem falar, como em outros momentos do filme, vide o  Laendler, e revendo a sequência no filme de 1965, cheguei à conclusão que a tensão sexual entre os dois adolescentes é maior que a do musical.  E mesmo a dança entre Von Trapp e Maria, uma das minhas favoritas de todos os filmes e séries que já assisti, tem mais erotismo contido na versão para o cinema do que nesta para a TV.


Kara Tointon interpreta Maria na versão britânica.
Como estava empolgada, aproveitei o embalo e assisti The Sound of Music Live 2015, assim ficava cantarolando as músicas de novo. Não, na verdade, estava curiosa mesmo. Comparado com a versão americana (2013), a produção inglesa é bem pobrinha. A casa dos Von Trapp parecia apertada em alguns momentos e com a pintura meio descascada em algumas portas. Imagine só!  O diferencial da versão feita na Inglaterra é que usam imagens de época para marcar a passagem do tempo e os acontecimentos.  Acho que é o único mérito da produção.


Von Trapp (Julian Ovenden) e as crianças.
Indo para o figurino, ele é bem fraquinho.  Não precisava ser excessivamente luxuoso, como a produção americana de 2013, mas não precisava ser tão desinteressante e pobre. Até o Capitão Von Trapp parecia meio desalinhado.  A atriz que fazia a Maria parece que só penteou o cabelo depois do casamento, ela parece desmazelada, ainda que o seu vestido ao chega na casa dos Von Trapp sela bem mais adequado.  Agora, depois de se casar, ela ficou bem bonita e estava bem anos 1930 voltando da Lua de Mel. 


Percebem as portas descascadas no fundo? 
A Elsa (Katherine Kelly) dessa versão
tem um ar meio vilanesco.
Já as crianças não são tão boas como na versão para o cinema, ou na americana de 2013. A menininha que faz a Martha, entra muda e sai calada.  E Evelyn Hoskins, que faz a Liesl, a irmã mais velha, parece que foi enfeiada propositalmente. Motivo, não sei.  O fato é que parece que há menos espaço para os filhos do Capitão Von Trapp nessa versão do que nas outras duas.


Maria conquista os meninos rapidamente.
Agora, o que mais me desagradou nesse especial britânico foi que estragaram o Ländler.  Eles colocam o Capitão e Maria dançando no meio dos outros casais e, não, em um lugar reservado já que a noviça estava ensinando um dos meninos, Kurt, a dançar.  Enfim, tudo é muito apertado, pequeno, não há nada de grandioso no tal baile organizado por Elsa. O casamento, até para acompanhar a pobreza da produção, é menor, mas as freiras estão na audiência.  E a Maria dessa versão, usa roupas sem manga em demasia, até o vestido de noiva é assim.  


Os nazistas vêm atrás do Capitão.
Com todos os problemas que eu apontei na versão americana, ela é muito superior à montagem inglesa.  Agora, ambas as versões para a TV se preocupam em discutir um pouco mais sobre nazismo que o filme de 1965, PORÉM, nenhuma das versões coloca o Capitão Von Trapp rasgando a bandeira nazista.  é uma cena icônica.  Tinha que aparecer.


Esta cena é obrigatória.
Enfim, por causa desses dois musicais, quase voltei para ver o filme de 1965,  Só não o fiz por excesso de trabalho e porque teria que tentar descobrir em qual prateleira de DVDs eu coloquei.  Mas fiquei assistindo pedacinhos como o Ländler e outros do filme.  Eu realmente gosto muito do casal formado por Julie Andrews e Christopher Plummer, ambos são lindos, ela encarna bem a moça alegre, corajosa e inocente, e ele está super elegante e sexy.  Sim, tenho um crush pelo Capitão Von Trapp, mas gosto mais ainda do Plummer como o cardeal (*no começo arcebispo*) Vittorio de Pássaros Feridos.  


Quando a ficha começa a cair.
É isso.  Tenho prova para corrigir, trabalhos atrasados da Júlia e um monte de outras coisas para resenhar... Aliás, muita coisa atrasada mesmo.  O vídeo abaixo é o do Ländler no filme de 1965.


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2 pessoas comentaram:

Fiquei curiosa para assistir a estas outras versões, mas duvido que haja um capitão tão galante quanto o de Christopher Plummer. Ele convence pela idade, suficiente para ser viúvo, pai de sete crianças, em um posto importante da Marinha, ele é bonito, elegante, sexy, sério, corajoso e rígido como um militar, mas ainda há uma certa doçura nos risos sem graça após cantar edelweiss. Divido o crush com você.

Valéria, muito obrigada pela dica do canal e as referências de inspiração nos filmes do anos cinquenta.

THE SOUND OF MUSIC é apaixonante! Tudo nele é mágico e encantador, me surpreende toda vez que o vejo.

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