domingo, 26 de julho de 2020

RIP: Morre Olivia de Havilland uma das últimas grandes estrelas da Era de Ouro do Cinema


Ok, eu já estava um tanto triste e furiosa (*Hagia Sofia, Imposto sobre Livros, o sujeito que tocou fogo na Catedral de Nantes, morte do ator e excepcional dublador Turíbio Ruiz etc.*), mas veio a notícia da more de Olivia de Havilland.  Aos 104 anos, nada de surpreendente, acredito inclusive que ela viveu uma vida longa e produtiva, mas tinha virado meio que um hábito esperar pelo aniversário dela (1 de julho) e ver que mesmo muito idosa, ela estava bem e parecia saudável. O El País, que mais uma vez errou no título, publicou uma pequena biografia de Havilland, escreveu o seguinte sobre ela:

Só Resta uma Lágrima (To Each His Own)
lhe deu seu primeiro Oscar.
"Nascida em Tóquio em 1º de julho de 1916, De Havilland era filha de um advogado britânico residente no Japão e Lilian Fontaine, também britânica, atriz como suas duas filhas. A intérprete morreu na capital da França, “o único país em que realmente me sinto em casa”, como costumava dizer. Por ocasião do seu 104º aniversário, em 1º de julho, a revista Paris Match lembrou que a estrela de Hollywood se casou em 1955 com um de seus repórteres, Pierre Galante, com quem teve sua filha Gisèle, também jornalista da revista. Parisiense. Uma década depois, em 1965, ela se tornou a primeira mulher a presidir o festival de Cannes.  O casal se separou em 1962, mas não se divorciou até 1979. Mesmo assim, lembrou o Paris Match, eles permaneceram muito próximos até a morte do jornalista em 1998, aos 88 anos. De Havilland continuou morando em um apartamento de luxo na rua Benouville, no centro de Paris."
Ela tinha cara de boazinha, mas não era, não.
A atriz foi uma das grandes estrelas dos anos 1930 e 1940, esticando seu estrelato até o início dos anos 1950.  Ainda que para muita gente ela seja somente a Melanie de E o Vento Levou... (*vou escrever sobre o filme, venho pensando nele faz dias*), ela fez muito mais, muito mais mesmo.  Havilland levou o Oscar de Melhor Atriz duas vezes, em 1946 (Só Resta uma Lágrima) e em 1949 (A Herdeira). A atriz foi indicada outras três vezes, por ... E o Vento Levou (1939), A Porta de Ouro (1941) e Na Cova da Serpente (1948).  Acredito que o filme mais tardio com Havilland que eu assisti foi Papisa Joana (1972).

Olivia de Havilland como a madre
superiora de Papisa Joana.
Olivia de Havilland foi a responsável por começar a destruição do "Studio System" que criava uma dependência total entre das estrelas com seus estúdios, obrigando-os a atuar em todos os filmes que o estúdio queria.  As multas eram altíssimas.  Citando a UOL, "Em 1943, insatisfeita com os filmes que a Warner Bros. a enviava, a atriz processou o estúdio e venceu, se livrando do seu contrato e estabelecendo precedente para a ratificação de uma lei trabalhista que impede relações similares entre empregados e empregadores, conhecida até hoje como "Lei De Havilland"."

Flynn e Havilland em Captain Blood. 
Eles fizeram oito filmes juntos.
Enfim, eu conheci a atriz nas suas parcerias com Errol Flynn, que meu eu adolescente achava um dos atores mais interessantes do cinema.  Já Havilland, com seus grandes olhos, era a mocinha perfeita.  Com certeza assisti As Aventuras de Robin Hood (1938) e Capitão Blood (1935) antes de E o Vento Levou....  Flynn foi seu par romântico em uma série de produções, fora, claro, os outros filmes nos quais a atriz atuou.  Lembrarem de Havilland somente por E o Vento Levou... é muito triste.

Em E o Vento Levou..., a personagem de
Havilland controlava todos ao seu redor.
No entanto, ela é um dos pilares do filme que voltou à boca do povo por conta do #BlackLivesMatter.  Eu sempre assisti ao clássico como um filme sobre mulheres, brancas, verdade, mulheres que eram rivais, mas que só sobreviveram, porque aprenderam a cooperar e se respeitar.  De um lado, Scarlet O'Hara (Vivien Leigh), que sobrevive burlando as regras e afrontando tradições, do outro, a aparentemente passiva Melanie (Olivia de Havilland), que exerce um poder enorme, inclusive por causa do remorso de outras personagens em relaçãoa ela, e que  não somente sobrevive, mas tem mais controle da sua vida e da dos outros do que a própria protagonista.  

Olivia de Havilland e a irmã, a também atriz Joan
Fontaine, tinham uma relação muito difícil.
Melanie é reconhecida como uma grande dama por todos,  os bons e os maus, os poderosos e os excluídos, pode ser vista até com as prostitutas que ninguém questiona a sua moral (*É como eu dizia para meus alunos na Escola Bíblica Dominical, um cristão não anda em más companhias, são as mais companhias que devem andar com o cristão.*) e ela mantém tanto Ashley nas suas mãos, quanto a cunhada Scarlet.  Mesmo depois de morta, Scarlet nunca vai poder ter o marido da prima.  A gente pode até questionar se ela poderia querê-lo, ou não, mas o fato é que a morte de Melanie no final de E o Vento Levou... precipita o destino de todos.

Essa foto foi do aniversário de 103 anos.
Foi-se Olivia de Havilland no mesmo ano de Kirk Douglas, agora, restam poucos astros da Era de Ouro do cinema, mas em 2020 partiram muitos outros atores e atrizes que marcaram décadas das produções do cinema e TV, além de músicos, quadrinistas, artistas, enfim.  2020 está sendo particularmente cruel.  E, vejam bem, apesar do COVID-19, que vem ceifando tanta gente, muitos deles estão indo por causas naturais, porque chegou a hora.  Espero que Havilland tenha morrido feliz e satisfeita com sua vida e a carreira longa e frutífera que teve.


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1 pessoas comentaram:

Ela viveu + que meus avós...
Que longevidade !

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