domingo, 2 de agosto de 2020

A Rainha do Ignoto: Primeiro romance de ficção científica brasileiro foi escrito por uma mulher e terá nova edição


Estou mantendo o "ficção científica" do título da matéria do UOL, mas discordo.  Por tudo o que sei, trata-se de literatura fantástica e só vira "científica", se a gente considera este livro, que critica o patriarcado, como "ficção científica social", mesmo assim,  eu, Valéria, prefiro enquadrar A Rainha do Ignoto como um romance de fantasia feminista e que lembra muito, como uma amiga da época do doutorado pontuou, As Brumas de Avalon, que só foi lançado 80 anos depois.

Primeira edição e a segunda, de 1980, feita pela
Secretaria de Cultura e Desporto e pela Imprensa
Oficial do Ceará.  Poderia, ou não poderia,
ser a capa de As Brumas de Avalon?
conhecia A Rainha do Ignoto, da cearense Emília Freitas, desde o relançamento do romance pela extinta Editora Mulheres.  Esta editora feminista tinha como um dos objetivos resgatar a memória das escritoras brasileiras esquecidas.  Foi aí que o livro de Emília Freitas lançado em 1899 voltou a ser comentado.  

Capa da edição da Mulheres.
Vou usar inclusive o resumo do livro do press release da Editora Mulheres: "Discorrendo sobre temas relacionados à "alma feminina" e à situação das mulheres na sociedade patriarcal, o romance revela uma sociedade secreta de mulheres, hierarquicamente organizada em um ilha, denominada Ilha do Nevoeiro e governada por uma rainha que recrutava mulheres a partir do sofrimento vivenciado por elas no cotidiano. Compondo uma narrativa curiosa, A rainha do ignoto lembra lendas antigas e recria, em um clima de mistério, a beleza dos contos europeus. O grande interesse do livro está na criação de uma utópica e perfeita comunidade de mulheres composta pelas paladinas, seres femininos que só fazem o bem e querem ajudar os perseguidos."

Acredito que a edição da Minna é a mais bonita
de todas.  Estou julgando pelas fotos, claro.
Viu que tem até as brumas?  A edição da Mulheres deve ainda ser encontrável em sebos, mas A Rainha do Ignoto teve várias edições posteriores.  A matéria do UOL fala do lançamento pela editora Fora do Ar, mas há duas edições anteriores disponíveis no Amazon, os das editoras 106 e Minna.  Não sei qual a melhor, o da Minna parece que tem ilustrações.  Eu não tenho A Rainha do Ignoto em casa, estava mesmo tentando lembrar desse livro dia desses e não consegui resgatar o título da minha memória.  Enfim,  espero que seja um sucesso.

A capa da Editora Wish.
P.S.: Me avisaram de outra edição recente da editora Wish.  Não achei no Amazon, mas está disponível para venda direta na página da editora.  É muita edição recente do mesmo livro.  Me pergunto se não há outras autoras do século XIX e primeira metade do século XX que precisariam de atenção, especialmente, as que ainda estão no limbo.

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1 pessoas comentaram:

Só vou dizer uma coisa: preciso ir atrás!

E nossa, sim, quantas edições mais recentes!! Quando se trata de mulheres escritoras, podemos ter certeza que existem trocentas delas esquecidas por aí e é mister que cavuquemos (adoro essa palavra, cavucar) para trazê-las à luz.

Atualmente estou lendo Maria Firmina dos Reis e seu ÚRSULA E OUTRAS HISTÓRIAS. Há muito essa autora maranhense e negra foi apagada e agora estão dando o devido valor às suas obras que são testemunho da condição do negro e da mulher na metade do século XIX.

Segue: https://livraria.camara.leg.br/ursula-e-outras-obras-2

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