sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mangá recém-lançado no Japão revisita caso chocante de violência juvenil e de como a família lidou com o luto

Foi publicado ontem na revista online Comic Bunch Kai (Shinchosha) o mangá Himitsu: Sasebo Jiken de Imouto o Ushinatta Boku no Hanashi (ひみつ―佐世保事件で妹を喪ったぼくの話―), adaptado por Shoichi Tanazono com base no livro não ficcional de Soshi Kawana.  O mangá revisita um incidente ocorrido em Sasebo, província de Nagasaki, em 1 de junho de 2004, quando uma aluna do sexto ano do primário, chamada Satomi Mitarai, foi esfaqueada até a morte por uma colega de classe e como a família enlutada lidou com o ocorrido.  Ao que parece, o mangá não somente discute o caso, que chocou a opinião pública e levou a uma discussão sobre a idade de responsabilização penal no Japão de 16 para 14 anos.

A vítima tinha 12 anos de idade e a assassina, chamada de "Garota A", tinha 11 anos, ou seja, ainda longe dos 14 anos.  A assassina cortou a garganta e os braços de Mitarai com um estilete.  O motivo seria cyberbullying e o site onde as supostas ofensas foram postadas foi fechado.  A "Garota A" foi internada por dois anos e teve sua retenção prorrogada por mais dois anos, sendo libertada com um diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista).  O incidente também é referenciado como assassinato de Nevada-tan, porque uma fotografia de turma mostrava uma jovem que se acreditava ser a "Garota A" vestindo um moletom da Universidade de Nevada (EUA), sendo "-tan" uma pronúncia infantil do sufixo honorífico japonês "-chan", geralmente usado para se referir a meninas jovens.

No Comic Natalie, há um depoimento do irmão de Mitarai falando da importância de revisitar o caso.  Vou reproduzi-lo aqui: "Naquela época, eu não percebia o quão importante é contar com os outros.  Eu tinha uma família em desespero à minha frente e não tinha absolutamente nenhum tempo para pensar em mim.  Em momentos como esses, as crianças precisam do apoio de adultos que possam refletir sobre as coisas junto com elas, para que não precisem carregar esse fardo sozinhas.  Espero que este trabalho ofereça algumas dicas para adultos que estão com dificuldades para descobrir como ajudar as crianças sem deixar de prestar atenção ao que elas têm a dizer."

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