quinta-feira, 25 de julho de 2013

Google homenageia Rosalind Franklin, descobridora do DNA


Sabe aquele papinho misógino de que as mulheres não contribuíram em nada para as ciências, artes ou filosofia?  Pois é, trata-se de uma falácia.  Isso se torna particularmente evidente quando observamos a vida de algumas mulheres e não falo daquelas que tiveram suas potencialidades castradas, mas mesmo daquelas que conseguiram vencer inúmeras barreiras e, ainda assim, tiveram seu papel obscurecido.  Este foi o caso da britânica Rosalind Franklin.  Nascida em 1920, morta precocemente por um câncer de ovário aos 37 anos, ela começou a desvendar a estrutura do ácido desoxirribonucleico (DNA, na sigla em inglês).  No entanto, seu trabalho foi roubado (*não há outro nome*) e repassado por um colega de de trabalho – Maurice Wilkins – para os cientistas James Watson e Francis Crick.  Em 1962, o trio recebeu um prêmio Nobel de Medicina pelas pesquisas que conduziram à descoberta do DNA.  Sem desmerecer a capacidade do trio, afinal, eles fizeram descobertas, costuraram teorias e evidências, é preciso marcar o mau caratismo dos três, afinal, nunca citaram Franklin, ou deram-lhe qualquer crédito.  Morta, ela caiu no esquecimento até que essa história podre veio á tona.


E não há panos quentes a colocar, foi a misoginia do meio científico e que habitava dentro dos três cientistas que lhes deu a escusa para fazer o que fizeram.  Afinal, segundo o portal Terra, cartas reveladas em 2010, revelam que Wilkins se referia à Franklin com termos como “bruxa”.  E James Watson tem uma carreira pontuada por afirmações misóginas, homofóbicas e racistas... No entanto, só virou escândalo e sofreu retaliações pelo racismo mesmo.  Ou seja, homens assim não teriam nenhum escrúpulo em tentar esconder que estavam em débito com uma mulher.  Mas o tempo passa e historiadores da ciência – em muitos casos, feministas – conseguiram dar visibilidade à Franklin.  Hoje, nos seus 93 anos, o Google lhe prestou justa homenagem.

2 pessoas comentaram:

Nossa, bom texto. Não sabia de nada disso. Essa homenagem do Google é pouco pra ela. Ela deve ter se sentido arrasada por ter seu trabalho roubado e ainda enfrentar calúnias.

Achei ÓTIMO ficar sabendo dessa história, Valéria. Como sempre, a "supremacia" do homem conservador mostra serviço ao longo da história de uma forma pouco ou nada louvável.

Eu imagino quantas vezes a contribuição de mulheres, ou qualquer outra "camada da sociedade" definida como "minoria" (NUNCA VOU ENTENDER O SENTIDO DE "MINORIA" NA MAIORIA DOS CASOS EM QUE A PALAVRA É EMPREGADA)foi omitida, não somente na ciência...

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