terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Comentando The Empty Hearse, primeiro episódio da terceira temporada de Sherlock (BBC, 2014)


Semana passada, assisti ao episódio de estréia da nova temporada de Sherlock, que foi ao ar no primeiro dia do ano.  A espera foi grande e nem quero pensar em quanto tempo esperaremos pela quarta temporada... Enfim, o nome do episódio – The Empty Hearse – faz menção direta ao fato do protagonista estar vivo, daí, o “empty hearse”, rabecão vazio, e ao conto original de Sir Arthur Conan Doyle, The Empty House, aquele que narra o retorno de Holmes, depois que seu criador o matou despertando a ira dos fãs.  Sim, essa história de fandom revoltado é antiga... 

Todos nós sabíamos que Sherlock estava vivo, mesmo para quem não leu nada do e sobre o grande detetive, essa realidade estava assentada em The Reichenbach Fall.  A questão sempre foi o “como”, de que forma os criadores da série – Steven Moffat e Mark Gatiss – iriam explicar a não morte do detetive.  Desde o início, o envolvimento de Molly (Louise Brealey), a legista, na operação era clara e eu estava certa a respeito da bolinha.  Aprendi que ela pode parar pulsação (*não me pergunte como*) assistindo O Mentalista.


Vale ressaltar que o episódio parece homenagear os fãs dando espeço para suas teorias alcinadas, assim como os shippers das mais diversas personagens com Sherlock.  Houve de tudo, desde um mimo para os fãs do “casal” SherMolly, até aqueles que queria ver Moriarty  (Andrew Scott) e Sherlock juntos.  Eu que passei olhos rápidos pelo episódio, fiquei confusa com o que vi, ou achei que vi... Foi engraçado assistir tudo do início ao fim depois. ^_^ Houve também a insinuação por parte de Mrs. Hudson de que o Detetive e o Médico tinham um caso, e sua quase frustração quando Watson avisa que vai se casar com uma mulher e que, claro, não é gay.   O Tumblr deve ter fervido... 

Enfim, não achei a explicação de como o Detetive escapou da morte excepcional, achei mesmo que, apesar da cooperação entre os dois Holmes, Moriarty foi rebaixado ao não perceber o que estava acontecendo.  Concordo com Anderson (Jonathan Aris), o perito ridicularizado por Holmes e que acaba liderando o grupo que acredita piamente que o Detetive está vivo.  Não reconheci Anderson no mini-episódio de Natal, Many Happy Returns.  Anderson perdeu seu emprego por tentar convencer seus superiores na polícia que Sherlock estava vivo.  Não vou dar detalhes, porque sei que muita gente não assistiu e a coisa é muito recente ainda.  


O uso da senha “Lazarus” entre Mycroft e Sherlock, foi bem criativo.  Para quem não entendeu, Lázaro é o personagem bíblico que fica três dias morto e é ressuscitado por Cristo.  No original, Holmes passa três anos desaparecido.  No episódio da BBC, são dois anos nas sombras fazendo exatamente aquilo que fez em The Empty House: desbaratando a rede criminosa de Moriarty.  De resto, toda a abordagem foi muito na linha “para agradar os fãs”.  Algumas das deduções de Holmes lembraram um pouco as que são usadas nos filmes com Downey Jr. no cinema, meio jogadas, sem explicação.  É engraçado, mas não muito mais que isso.

Dito isso, achei o retorno do Detetive, contando que Watson iria abraçá-lo e voltaria a viver com ele feliz em Baker Street, meio forçado.  Holmes se tem em alta conta, mas não o imaginaria fazendo aquele papel de bobo no restaurante.  E a situação só funciona, porque gostamos tanto dos atores e das personagens, que engolimos toda a sequência, ela funciona quase como uma gag, é, por isso, que achamos graça quando o Detetive vai sendo moído de pancada por Watson.  Se comportando daquele jeito, claro, ele mereceu! :P  E, sim, Martin Freeman não fica bem de bigode, mas foi uma brincadeira com o fato de todos os Watson, menos ele, usarem bigode. Agora, o constrangimento de Sherlock quando Lestrade o abraça eufórico ao saber que ele vive, agindo da forma que ele esperava que Watson agisse, foi um momento realente hilário.  Mas, eu diria, que é tudo fanservice.  Engraçado, divertido, mas não colabora efetivamente para a história.


Falando da trama do terrorismo.  O uso do termo “underground” foi bem sacado, assim como o atentado contra Watson que gerou alguma tensão.  Não gostei da forma como introduziram Mary Morstan. Para mim, o ideal seria que ela fosse uma cliente, mas imagino que ela se torne centro do próximo episódio que bebe em O Signo dos Quatro.  Neste primeiro episódio, o uso da palavra Sumatra (*e não existe nenhuma estação com este nome*), remete de alguma forma ao livro original.  Assim como Moran, é referência ao último dos parceiros de Moriarty, ainda que ele não apareça em The Empty Hearse dessa forma.  Agora, o que não gostei mesmo foi da forma simples como Holmes e Watson escaparam da morte no fim.  De novo, foi excesso de humor e falta de consistência.  Queria algo mais denso e que exigisse mais do Detetive. 

Falando em Mary Morstan, espero que ela não seja colocada como uma traidora associada ao vilão – que aparece de relance no fim do episódio – e plantada para seduzir Watson.  Já basta o que fizeram com Irene Adler.  Só que não seria a primeira vez que Mary Morstan é vilanizada, não lembro o filme, nem lembro quem era o Holmes, que apresenta a moça como grande criminosa.  De qualquer forma, foi fofo escolherem Amanda Abbington, companheira na vida real de Martin Freeman, para o papel.  


Para terminar, foi fofo colocarem os pais verdadeiros do Benedict Cumberbatch para fazerem uma participação especial.  Bati os olhos na mulher (Wanda Ventham) e pensei “Ei!  Acho que é a mãe dele de verdade!” Não reconheci o pai (Timothy Carlton). :)  E houve outros momentos SherMolly... Acho que os shippers devem estar amando.

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12 pessoas comentaram:

Concordo com tudo. Achei meio decepcionante o episódio. Em alguns momentos eu tive a impressão de estar assistindo uma sequência de gifs com diálogos falsos do Tumblr. Mas tanto Freeman quanto Cumberbatch já conquistaram demais o coração dos fãs pra gente ficar com raiva da falta de substância. Achei o ritmo do episódio bem esquisito também... Parece estar mais rápido, sei lá. Bem estranho. Meu medo é que, pelo jeito, essa temporada vai ter mais fanservice que Sherlock Holmes... O próprio Sherlock está com um tonzinho diferente... Ou foi impressão minha? Parece estar alegre demais, achei.

Saiu das ferias por causa do Sherlock? rs

Bem vamos lá, o episodio teve mais piadas do que o necessario, mas ainda foi muito bom.

Mas falando das referencias (a parte que mais curto), a estação Sumatra deve se referir ao rato gigante de Sumatra, um daqueles caso que são mencionados sem explicação, se não me engano esse foi mencionado no Vampiro de Sussex.

Quando ao desaparecimento do suspeito lá, na hora eu pensei que o vagão tinha desaparecido pq esse é um tema de uma historia de Conan Doyle pré-Holmes, onde alguns fãs veem uma participação não creditada do detetive.

E confesso que ri muito com Watson tentando desmascarar o velhinho achando que ele fosse Sherlock, pq no livro é desse jeito que Holmes chega pro amigo.

Ah e Frreman não é o unico Watson sem bigode, Lucy Liu tb não tem, rsss

No fim para mim dá a impressão de que quem mais se divertiu com tudo isso foi o elenco, eles pareciam extremamente a vontade em seus papeis.

Só continuo achando crueldade não fazerem temporada com pelo menos meia duzia de episodios.

Eu achei o episódio muito divertido e me senti satisfeito com ele. Teria sido melhor se tivesse mais momentos sérios e com tensão? COM CERTEZA! Mas foi maravilhoso para matar a saudade. O ruim é que, por ter sido um episódio muito leve, esperarei muito dos outros dois restantes. Então eles precisam ser realmente muito bons para eu continuar amando esse primeiro episódio.
No mais, alguém aí concorda que o fanservice com o Moriarty foi uma brincadeira com o ator que saiu de Nárnia ano passado? Eu amei!

Achei um episódio razoável.

A parte da Mrs Hudson achar que o Watson é gay me soou bem forçada. Pelo menos em um episódio (o da Irene) eu me lembro que ela o viu com uma namorada. E dá pra entender que ele tinha vários casos breves com outras mulheres.

O episódio gastou mais tempo satisfazendo a horda de fãs do tumblr do que com a parte de detetive mesmo. A explicação pro retorno da morte foi boba. Mas a tiração de onda com os fãs foi boa.

Eu adorei a Mary, mas tenho a impressão que ela vai morrer (ela desaparece nos livros, né? Li faz tempos), e que estão tirando o ar de divindade do Sherlock pra possibilitar isto. Tirando aquela coisa de que ele é infalível. O que eu acho que até faz bem pra série. Já tem obras demais idolatrando Sherlock, e nos livros ele tem limites.

Olha, eu senti vergonha alheia em várias partes desse episódio... Achei exagerado demais, bem do jeito que o Moffat gosta.

Ah, Valéria, você ficou sabendo a piada que o Martin Freeman fez e que rodou a internet pelo conteúdo envolvendo estupro?

Concordo, Marília, parece que mexeram na personalidade do Detetive, sim. Está mais aberto, eufórico e bobinho.

Anderso, acredita que esqueci da cena do velho? Foi uma das melhores, mostrava bem o nível de estresse do Watson. ^_^ Mas eu também achei que era o Holmes.

Lucy Liu não conta e, sim, pode ser referência ao Rato de Sumatra. ;-)

Pedro Yukari, não manjo nada de Nárnia...

Heider, a parte do Watson gay só mostra que Mrs. Hudson não acredita na heterossexualidade dele e acha que Holmes e ele fazem um belo par. A cena funcionou muito bem.

E se Mary morrer, como parece nos contos (*são os estudiosos de Holmes que concluem isso, nada é dito pelo autor*), melhor do que vilã.

Priscilla,, alguém me falou dessa piada, mas era na época que minha filha nasceu, não lembro. E, sim, tive vergonha alheia em alguns momentos, tb.

É, o ritmo dos episódios foi muito estranho, eu gostei mesmo assim, só que fiquei com a sensação de que tava diferente das outras temporadas, primeiro eu achei que era porque eles estavam tentando alegrar os fãs e tudo mais, só que depois que eu assisti o segundo e continuei com a mesma sensação e comecei a pensar que esses dois episódios estão talvez distraindo do plot principal que vai ser revelado obviamente no último.
Porque foi assim nas outras temporadas também, e tinham coisas que os fãs só perceberam depois do fim das temporadas então eu to contando com um último episódio que desenvolva algo que já estava presente nos outros mais que a gente não deu muita atenção.
Agora duas coisa que eu pensei depois de assistir the empty hearse foi que a teoria que o sherlock explicou para o anderson não era a verdadeira, porque foi muito parecida com a que os fãs fizeram e não me convenceu porque os escritores colocarem uma teoriam quase igual a dos fãs me pareceu meio estranho. E a outra coisa foi a falta de presença do moran, porque como em the empty house ele é a peça central da história - além do reencontro do holmes e do watson - no episódio ele ficou muito apagado e aquela história dele explodir o parlamento ficou muito desconexa com o que é canon pra mim.
Acho que essas foram as duas coisas que me decepcionaram no episódio, mais enfim eu to esperando muito do the last vow.

É, o ritmo dos episódios foi muito estranho, eu gostei mesmo assim, só que fiquei com a sensação de que tava diferente das outras temporadas, primeiro eu achei que era porque eles estavam tentando alegrar os fãs e tudo mais, só que depois que eu assisti o segundo e continuei com a mesma sensação e comecei a pensar que esses dois episódios estão talvez distraindo do plot principal que vai ser revelado obviamente no último.
Porque foi assim nas outras temporadas também, e tinham coisas que os fãs só perceberam depois do fim das temporadas então eu to contando com um último episódio que desenvolva algo que já estava presente nos outros mais que a gente não deu muita atenção.
Agora duas coisa que eu pensei depois de assistir the empty hearse foi que a teoria que o sherlock explicou para o anderson não era a verdadeira, porque foi muito parecida com a que os fãs fizeram e não me convenceu porque os escritores colocarem uma teoriam quase igual a dos fãs me pareceu meio estranho. E a outra coisa foi a falta de presença do moran, porque como em the empty house ele é a peça central da história - além do reencontro do holmes e do watson - no episódio ele ficou muito apagado e aquela história dele explodir o parlamento ficou muito desconexa com o que é canon pra mim.
Acho que essas foram as duas coisas que me decepcionaram no episódio, mais enfim eu to esperando muito do the last vow.

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