sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Comentando Sufragistas (Suffragette, 2015)


Sábado passado consegui assistir Sufragistas (Suffragette), um filme que me gerou uma imensa expectativa e que conseguiu me satisfazer por completo. Denso, muito mais do que eu esperava, com um elenco afiado liderado por Carey Mulligan, Anne-Marie Duff e Helena Bonham Carter, e se ancorando em detalhes, pequenas cenas, objetos cênicos, olhares e gestos contidos, a película não se atém ao direito de voto, algo muito importante para a luta por direitos políticos, mas mapeia toda uma série de violências e desigualdades as quais as mulheres de todas as classes sociais estavam sujeitas.  Tanta riqueza é mérito da diretora, Sarah Gavron, e da roteirista, Abi Morgan.  Espero que o filme receba pelo menos as indicações que merece.

Suffragette acompanha a radicalização do movimento pelo voto feminino (sufrágio) na Inglaterra, começando em 1912, montando um quadro tanto das estratégias das mulheres – as soldados da Sr.ª Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), líder da Women's Social and Political Union (WSPU) – para pressionar os legisladores a concederem às mulheres os mesmos direitos que os homens, quanto das resistências do Estado e a repressão policial.  Paralelamente, vemos a tomada de consciência da exploração e da violência cotidiana sofrida pelas mulheres de Maud Watts (Carey Mulligan), uma mulher casada, funcionária de uma lavanderia.  O preço pago por Maud pela sua militância é alto demais, mas a causa dá novo significado a sua vida.


Liderado por um elenco feminino afiado, e eu já defendi antes que deveria existir um prêmio Oscar para melhor elenco, dirigido e roteirizado por mulheres, Suffragette coloca em tela praticamente todos os desafios enfrentados pelas nossas antepassadas,  não somente em relação ao direito de voto, mas em questões como o pagamento igual pelo mesmo trabalho, o direito a guarda dos filhos, o assédio sexual, à tutela masculina.  Importante, também, é que o olhar é de baixo, isto é, das classes trabalhadoras.  Daí, talvez, a primeira decepção de alguns, afinal, Meryl Streep, a lendária líder do movimento sufragista radical, mal aparece em tela.

Fala-se muito da Sr.ª Pankhurst, pois a partir do momento que a WSPU, chamado no filme de “o sindicato”, decidiu assumir uma postura militante inspirada nos movimentos socialistas e anarquistas, ela passou a ser alvo da polícia e viver semiescondida até se exilar na França.  Depois de muito tempo negociando com políticos, algo que é mostrado no filme quando Maud e Violet (Anne-Marie Duff) vão até uma comissão do Parlamento depor sobre as condições de trabalho das mulheres e a importância do voto levadas pela esposa de um político, Alice Haughton (Romola Garai), elas abandonam os métodos pacíficos, por assim dizer, e assumem para si o lema “Atos, não palavras”  (Deeds not Words).  


O filme é interessante, porque é absolutamente focado nas ações do WSPU, sem permitir distrações.  Havia outros grupos militantes, isto é, que promoviam passeatas, atacavam políticos, danificavam propriedade privada, cometiam pequenos atentados contra o Estado, mas o WSPU era o mais importante e, como o filme bem mostra, estruturava-se como um exército com Emmeline Pankhurst e sua filha Christabel, apenas citada no filme, comandando militantes que eram, em sua maioria, mulheres de classe média e das classes trabalhadoras.  Afinal, o WSPU preocupava-se, também, com as bandeiras sociais, pois igualdade de voto não resolveria todos os problemas das mulheres, havia outras demandas e a situação das mulheres e meninas, principalmente as mais pobres, era muito ruim.  O filme fala por alto de discordâncias em relação aos métodos violentos do WSPU e cita Sylvia, filha de Pankhurst que abandonou – ou foi expulsa pela mãe e pela irmã – o WSPU, mas, não, a luta pelo voto e pelo direito das mulheres.  Acredito que um filme ou minissérie da BBC sincero sobre as Pankhurst – mãe e três filhas – ainda precise ser feito.

Carey Mulligan, uma das melhores atrizes de sua geração, é a protagonista do filme e espero mesmo que receba pelo uma indicação ao Oscar por sua Maud e, talvez, o Bafta pelo seu desempenho.  Suffragette é guiado por ela, sua tomada de consciência, seu confronto com o sistema (*incluído aí o marido, a personagem mais detestável do filme*), sua radicalização sem perder a ternura e sua entrega total à causa, como soldado da Sr.ª Pankhurst.  


Trabalhando desde os 12 anos em uma lavanderia, mas sendo levada pela mãe para o perigoso ambiente de trabalho desde os poucos meses de vida, Maud se sente injustiçada, mas, no início, acha que a vida é assim e que, de certa forma, ela é feliz.  Afinal, tem um filho adorável, um marido (Ben Whishaw) que parece se preocupar com ela, apesar de fingir que não vê o assédio sexual que ela sofre do patrão, uma casa, um trabalho...  

O problema de Maud é que ela não consegue deixar de sonhar.  Quando lá pelas tantas do filme, ela pergunta ao marido “E se tivéssemos uma filha? Como você acha que seria a sua vida?” e o fulano, contrariado com a ação política da esposa, lhe responde “Igual a sua”, ela tem certeza de que algo precisa ser feito, que ela não deseja a sua vida para ninguém.  E ela faz e assume as consequências de seus atos.


Duas cenas chave do filme estão lá no comecinho.  Ele abre com a lavanderia fumacenta e as mulheres trabalhando duro enquanto a discussão dos homens no Parlamento fala da sua incapacidade para o voto e outras tomadas de decisão, da vocação para a vida privada, e como devem ser protegidas por seus homens – pai, irmão, marido.  Votar para quê?  Mulheres como Maud trabalham mais horas que os homens e ganham 1/3 do que eles ganham.  Ficam confinadas o tempo inteiro ao interior da lavanderia e submetidas ao calor extremo e vapores venenosos, enquanto os homens fazem entregas e podem respirar ar puro.  Elas adoecem mais.  Maud tem cicatrizes horríveis em um dos braços, algo que aparece rapidamente e, sim, a cena é cheia de significado.  Ora, que tipo de proteção é essa?  

A outra cena é quando o patrão lhe manda fazer uma entrega, depois de seu horário de trabalho, sem receber por isso, e Maud para diante de uma vitrine com duas crianças arrumadas e uma mulher com roupas finas reclinada em uma cadeira.  Seus olhos brilham, esta é a mulher idealizada protegida pelos homens dos discursos, a mulher que Maud não é, nem nunca irá ser, mas ela sonha... Ela deseja... Ela se esforça exatamente, porque está assujeitada a esses discursos.  De repente, uma pedra é lançada contra a vidraça, ela vê de relance o sorriso de  relance o sorriso de escárnio de Violet (Anne-Marie Duff ) e a confusão começa com gritos de “Votes for Women” (Voto para as mulheres).  Maud foge, mas a imagem das militantes do WSPU segue com ela.


A partir daí, Maud conhece outras mulheres, Violet trabalha na lavanderia, operária militante, mãe de uma numerosa prole e com um marido abusador.  Indiretamente, a questão do controle de natalidade aparece através desta persoangem, tão engajada, mas assujeitada à maternidade compulsória.  O filme se passa muito antes dos contraceptivos.  Através de Violet, Maud conhece Edith (Helena Boham Carter), esposa de um farmacêutico e líder de uma célula de mulheres.  

Edith não é das camadas operárias como Maud e Violet, ela estudou o quanto pode, tem uma profissão, e conta com o apoio do marido.  Edith é o elo de ligação entre o comando do WSPU e mulheres mais pobres.  Extremamente culta, estudiosa, determinada, sobre ela pesam outras limitações.  Mulheres não tinham seus diplomas reconhecidos, não podiam exercer certas profissões.  Se casadas, não eram donas de sua propriedade.  Ela sonha em ter o seu nome no letreiro da farmácia “Edith e filhas”, mas isso, naquele momento, é impossível.  


Edith e Violet tem uma fé cega no movimento.  Já Maud tem medo e dúvidas, no entanto,  a reação do marido, sua vergonha ao vê-la presa, a pressão do inspetor de polícia Arthur Steed  (Brendan Gleeson) que a trata com condescendência (*“eu conheço moças como você”*) tentando transformá-la em uma dedo-duro, o uso do filho para puni-la, a visão do chefe assediando e estuprando as meninas mais novas que vão trabalhar na lavanderia, tudo isso a empurra para a militância.  A transformação de Maud é notável ao longo do filme e tudo é construído em pequenas cenas e diálogos.  Sei que Keira Knightley é a estrela dos filmes de época elegantes, mas Carey Mulligan tem muito mais talento que ela.  

Maud é uma mulher sofrida que mantém a esperança e o bom humor. Há cenas tétricas  com ela, como quando é alimentada à força durante uma greve de fome, e cenas ternas.  Humor no filme é algo que não existe, mas Maud brinca com o filho, tenta fazê-lo rir, especialmente, quando o marido, detentor do pátrio poder, usa a criança para feri-la.  Lá em cima, escrevi que o marido de Maud era a pessoa mais detestável do filme, cabe explicar o motivo.  


Há três maridos no filme, quatro, se contarmos com o de Violet que não aparece, mas é citado uma ou duas vezes, e a espanca em uma ocasião.  O marido de Edith (Finbar Lynch), um apoiador da causa, participa de ações perigosas, no entanto, ama tanto a mulher que a impede (*não por machismo, uma esposa poderia ter feito o mesmo e da mesma forma*), quando doente depois de longa estadia na prisão, de participar de uma missão muito perigosa e fundamental para a história.  Ele é o exemplo positivo. 

O marido de Romola Garai (Samuel West) é um membro do Parlamento que de suposto apoiador, se torna um inimigo da causa.  A melhor cena com ele é quando ele liberta a mulher, mas se nega a pagar a fiança das sufragistas.  A esposa lhe diz “mas o dinheiro é meu!” e ele, o marido, administrador dos bens da esposa, quase lhe vira a mão na cara e a coloca “em seu lugar”, algo que o Inspetor Steed esperava que Sonny, marido de Maud, fizesse com ela.  


Ele tira a esposa da prisão, mas, a partir daí, é pintado como ferrenho opositor da causa das sufragistas, a ponto de se tornar o personagem que representa todos os políticos opositores.  Trata-se de um exagero e um dos pontos fracos de um filme quase  perfeito, afinal, a vilanização foi exagerada.  Não era a sua esposa uma das porta-vozes do acordo que quase concedeu o voto às mulheres?  Como alguém mudou tanto e tão rápido?

O filme tem outros pequenos defeitos, claro, o mais gritante é a confusão sobre quem é o Primeiro Ministro em 1912. O filme diz que era David Lloyd George, na época Chancellor of the Exchequer, quando, na verdade, o cargo era de Herbert Henry Asquith.  Lloyd  George era um dos políticos que participaram dos diálogos com as sufragistas e, depois, introduzirá uma série de reformas, mas não era o Primeiro Ministro.  Outro ponto baixo do filme, na verdade é uma cena que não precisava estar lá, é quando Edith convida Maud para treinar defesa pessoal.  Falei em outro post do uso do Jiu-Jitsu pelas sufragistas, mas se o filme não iria explorar de forma adequada a questão, afinal, as mulheres só apanham nos protestos, porque colocar a cena?


Voltando ao marido de Maud, ele é um sujeito mesquinho ao extremo.  Preocupa-se com o que os vizinhos irão pensar de Maud e dele, mas não com o assédio sexual sofrido pela esposa no trabalho.  Tenta usar o filho para punir a mãe, expulsando-a de casa e impedindo-a de ver o menino.  Por fim, e eu vou dar esse spoiler, sim, ele comete uma atrocidade que liberta Maud para a luta, simplesmente, por ser o guardião legal da criança, entrega o menino para adoção sem consultar a mãe.  A cena, para mim, mãe de uma criança, foi a mais tocante do filme.  Eu quase fui às lágrimas quando Maud pede que o filho nunca a esqueça.

Suffragette caminha mostrando o crescimento de Maud e a militância das mulheres, discutindo a violência do Estado e do sistema patriarcal em geral.  Por fim, o WSPU  decide que precisa de  uma ação espetacular que não permita que a imprensa seja censurada, que obrigue os jornais a falarem da causa das mulheres, dentro e fora da Inglaterra.  É esse ato final, um fato verídico e de grande impacto, afinal, uma militante, Emily Davison (Natalie Press) morre durante uma corrida de cavalos, a mais importante do calendário, ao tentar colocar a bandeira do WSPU nos arreios do cavalo de corrida do Rei George V. (*o filme não deixa muito claro que é isso o que ela tenta fazer depois de fracassarem na tentativa de chegar até o camarote do rei, mas há controvérsias até hoje*) A tragédia funciona como um divisor de águas no movimento sufragista britânico.  Enfim, antes da ação, Emily passa para Maud um livro chamado Dreams (Sonhos) e que tinha a assinatura de várias mulheres, militantes que tinham lido o volume e passado para novas discípulas.   


De resto, antes de concluir essa resenha enorme, acrescento algumas informações que eu mesma não tinha antes de escrever esta resenha.  Enfim, o direito de voto foi confiscado das mulheres britânicas em 1832, isto é, antes disso, mulheres proprietárias,  que atendessem alguns critérios de renda, poderiam votar.   Mesmo na época do filme,  1912-13, era a renda e a propriedade que definiam quem votava, ou não.  O que isso queria dizer?  40% dos homens não votava, também.  Curiosamente, em 1869, mulheres solteiras e pagantes de impostos poderiam votar para eleições municipais.  O que era vetado então?  O voto para o Parlamento e outros cargos de caráter nacional.  Outro ponto importante, é que as mulheres do WSPU pediam o sufrágio universal feminino agindo em consonância com outros grupos, como os socialistas, que pediam o sufrágio universal, também.  Se fosse dado para as mulheres, seria dado, também, para os homens.  

A I Guerra, e o fato dos socialistas serem em sua maioria pacifistas, rachou o movimento sufragista, a Sr.ª Pankhurst e sua filha Christabel eram nacionalistas e apoiaram a guerra e que o WSPU apoiasse o esforço britânico, suspendendo as ações radicais.  Outros grupos de sufragistas como, por exemplo, o de Parade's End, permaneceram pacifistas e na luta.  Entre as mulheres que adotaram essa postura, as duas outras filhas de Pankhurst.  O direito de voto foi concedido finalmente em 1918, como retribuição às mulheres que se esforçaram na I Guerra, no entanto, somente para mulheres maiores de 30 anos, desde que atendessem certas exigências, enquanto o sufrágio universal finalmente veio para os homens maiores de 21 anos, ou de 19, caso ex-combatentes.  O sufrágio universal para as mulheres só veio mesmo em 1928, igualando homens e mulheres.


Enfim, no final do filme, há uma cronologia da concessão do direito de voto às mulheres começando com a Nova Zelândia (1893) e terminando com a Arábia Saudita (2015).  Não gostei da cronologia, porque foi incompleta e com datações questionáveis.  Por exemplo, as mulheres votam na França em 1945.  Se a concessão foi feita por De Gaulle em 1944 no exílio, isso não importa muito, nem consta nas cronologias oficiais, porque o país ainda estava ocupado e partido.  Esqueceram, se eu bem prestei atenção, da Finlândia, primeiro país europeu a conceder o sufrágio às mulheres em 1906.  De qualquer forma, datas não prejudicam o filme, mas poderiam ter tido mais rigor.

Suffragette é um filme bonito e empoderador, por isso, me senti realmente feliz ao terminar a sessão ciente de que tinha valido a pena ir longe de casa para ver a película na tela grande.  Estreou em poucas salas, verdade, mas, como deixaram para lança-lo aqui em dezembro, o circuito estava todo lotado de filmes da temporada.  Boa parte das salas está exibindo Star Wars.  Fora isso, não lançaram versão dublada de Suffragette – devem ter imaginado que o público era outro – privando a maioria das pessoas que vão ao cinema de poder escolher o filme.  E, aqui, estou reproduzindo o discurso sem vergonha que nos empurram goela abaixo faz alguns anos: o público prefere dublado.  Se assim é, filmes como Suffragette deveriam ter cópias dubladas rodando em cinemas dos grandes centros e periferias que normalmente alocam filmes para adultos no horário noturno.  Só que isso não acontece com alguns filmes e antes que estejam pensando em teoria da conspiração, aconteceu com Cavalo de Guerra alguns anos atrás, parece que o alvo são os filmes de época, sei lá... 

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3 pessoas comentaram:

Consegui assistir na segunda passada. Aqui em São Paulo só passam esse tipo de filme em cinemas da zona oeste e na região da Avenida Paulista, aonde acabo indo por ser de acesso mais fácil da minha casa.

Achei um ótimo filme. Fiquei muito emocionado em várias partes. No geral foi bem mais pesado do que eu imaginava. Elas na cadeia trocando de roupa, a questão do estupro cometido pelo patrão, a protagonista perdendo o pouco que tinha...

Quando apareceu a cena de defesa pessoal, eu até imaginei que elas fossem começar a usar a partir dali, mas nada. Foi uma pena não terem explorado melhor isso mesmo.

Se você não tivesse falado que a Emily estava tentando colocar a bandeira do WSPU nos arreios do cavalo, isso teria passado batido por mim. A impressão que tive foi que ela estava se sacrificando pelo movimento. Usando a morte dela pra chamar a atenção para as questões que elas levantavam.

Eu não tenho nada contra a Keira Knightley, mas não gostei de nenhumas das adaptações das quais ela participou. Para mim a melhor Lizzie é a Jennifer Ehle. Assisti à Anna Kariênina, mas não gostei muito e olha que nem cheguei a ler o livro ainda. Só algumas passagens dentro de ensaios que li para a faculdade já me mostraram que o Joe Wright fez um trabalho bem rasinho com esse filme.

O filho da Maud é uma graça. E é muito emocionante a cena de separação deles. Fiquei torcendo para ele procurá-la depois, sabe?

Espero que a diretora continue fazendo filmes com a mesma qualidade.

E obrigado pelo excelente texto e pelas informações extras. Aliás, estou adorando esse monte de resenhas publicadas no Shoujo Café recentemente. Não comento porque tem muito material que não li ou vi ainda, mas leio todas. ^^

Ps: queria recomendar o melhor filme que vi o ano passado. Chama Land of Mine e é dinamarquês. Se passa após a Segunda Guerra. Os alemães foram obrigados a retirar minas de onde haviam implantado durante a guerra. É um filme anti-belicista pesado que me derrubou completamente e até hoje penso bastante sobre ele. Tem o trailer no youtube. Dá uma olhadinha, se puder.

Gostei muito do filme, era tudo que esperava. Gostaria muito de saber quem escreveu o livro dreams (sonhos) que passa no filme.

O livro Dreams escrito por Olive Schreiner e pode ser lido em
http://www.biblioteca.org.ar/libros/167741.pdf

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