domingo, 18 de junho de 2017

Filmes de "Geriação", um novo gênero?


Ontem, vi uma matéria El País discutindo o quanto os heróis de filme de ação ficam cada vez mais velhos, enquanto as suas companheiras em tela parecem cada vez mais jovens.  A segunda parte, não é novidade, não é por causa dela que eu estou recomendando o texto, afinal, não faz muito tempo, Maggie Gyllenhaal reclamou publicamente que foi descartada para par romântico com um ator de 37 anos, porque, bem, ela já tinha 37... 

É ridículo, é machismo puro e concentrado, mas faz par com o fato de escalarem atrizes mais jovens (*Estou falando de você, Jennifer Lawrence.*), ainda na casa dos vinte anos, para papéis de mulheres com mais de trinta e até quarenta anos.  É lamentável e priva grandes atrizes de papéis interessantes, vendendo, quando a idade é mantida, uma falsa imagem de juventude perfeita que só serve para angustiar ainda mais mulheres pressionadas para não envelhecerem nunca.  Mas, enfim, não é sobre isso o post.


De qualquer forma, o termo "geriação" (*geriátrico + ação*) apareceu em uma fala de Colin Firth que, com mais de 50 anos, afinal, ele é um dos protagonistas de Kingsman.  E não vou mentir que estou doida para ver o segundo filme, que não me empolgava com um trailer fazia tempo e que, bem, discordo do ator do texto, porque eu realmente não vou assistir Kingsman em busca de verossimilhança, mas par ame divertir e ver o Colin Firth, o Mark Strong e quem mais estiver lá de interessante. Simples assim.  Lamento decepcionar algumas pessoas.  Obviamente,  é preciso uma boa e divertida história, coisa que o primeiro Kingsman ofereceu.  Sim, é um filme que não se leva à sério e isso, para mim, foi fundamental.  Estabelecido esse ponto, vamos para o elemento central da coisa.

Se eu não me incomodo em ver heróis cada vez mais velhos, daí o termo "geriação", em filmes de ação, afinal, alguns atores, até consagrados, se mantém dispostos a fazer esse tipo de filme e a população mundial está envelhecendo, é surpreendente um dado que o texto oferece.  Em 1995, a média de idade dos atores homens que protagonizavam filmes de ação era de 35 anos; em 2015, a idade pulou para 48 anos.  E pode tender a piorar.  Harrison Ford, com 74 anos, protagonizava filmes de ação nos anos 1980 e continua fazendo isso ainda hoje.  Aliás, parece que dos sobreviventes, só mesmo o velho Clint Eastwood largou dessas aventuras...


O que esses dados parecem apontar para mim, não, não vou falar das mulheres ainda, é que parece que não surgiu uma nova geração de atores para ocupar o espaço de velhos ídolos, o já citado Ford, Tom Cruise, Matt Damon, que começaram cedo, Liam Neeson, Daniel Craig, que já entraram nesse ramo mais tarde.  O texto cita Tom Hanks, mas eu não considero os filmes dele da série que começou com O Código Da Vinci como de ação.  Aliás, Tom Hanks não poderia ser enquadrado como astro de filmes de ação.  Por qual motivo atores que ainda estão na casa dos 30 e poucos anos não são mais os protagonistas desses blockbusters?  Será que os grandes estúdios estão investindo na certeza de rentabilidade ou também os gostos da audiência estão mudando?  Homens maduros querem se ver?  Mulheres continuam querendo ver esses astros?  A propaganda ajuda, claro... Nesse ponto, me aproximo do autor do texto, em filmes sérios pode ser um problema.  

Para quem é jovenzinho, ou não conhece história do cinema, Clint Eastwood foi duramente criticado por Na Linha de Fogo (1993).  Neste filme, Eastwood fazia um guarda-costas do presidente norte americano.  O que todos os críticos apontaram, em um filme sério isso pesa, claro, é que ele seria absurdamente velho para continuar fazendo esse trabalho tão exigente.  Fosse Na linha de Fogo um filme atual, talvez, ninguém reclamasse e fosse somente mais um filme de geriação.


Dito isso, voltamos ao segundo parágrafo.  Enquanto os atores de filmes de ação são cada vez mais velhos, sujeitos que parecem atrair audiência, credibilidade e lucro, claro, as atrizes, seu pares, continuam sendo jovens. Neste caso, cada vez mais jovens.  Se as diferenças antes eram de mais ou menos 10 anos, pensem em Jamie Lee Curtis e Arnold Schwarzenegger em True Lies (1994), agora, temos 16, 20 anos, talvez mais.  a mocinha precisa continuar sendo jovem, muito jovem.  Não gosto do termo pedofilia usado no texto, não vejo o problema por aí, uma moça de 19, 20 anos não é uma criança, mas, ainda assim, é um abismo colossal.  As duas mulheres que contracenam com Tom Cruise, de 54 anos, no fiasco A Múmia,  tem, respectivamente, 20 e 22 anos (*Na verdade, a informação do texto que eu escrevi está errada.  Sofia Boutella tem 35 anos e Annabelle Wallis, 32.*).  E olhem que, mais uma vez, discordo do autor.  Cruise me pareceu muito envelhecido no trailer, porque ver esse filme, sé se me pagarem.

Terminando, se essa onda de geriação produzir coisas legais como Kingsman, eu não tenho lá grandes motivos para reclamar.  Não é bem como assistir A Filha de D'Artagnan (1994), que brincava com a velhice dos três mosqueteiros, mas está valendo.  Agora, em filme de ação pretensamente sérios, pode representar um motivo de riso involuntário e, bem, há todos os problemas envolvidos.  Onde estão os novos astros de ação?  Por que atores veteranos são tão bem recebidos, mas suas parceiras românticas precisam ter idade para ser suas netas ou filhas?  É isso.


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3 pessoas comentaram:

Valeria, o primeiro filme que me veio à cabeça enquanto lia seu texto é esse O CÍRCULO, com o Tom Hanks (60 anos) e a Emma Watson (27 anos). Creio que o mesmo não se encaixa no "geriação", mas me fez pensar nessas disparidades...

Na verdade as atrizes desse remake de A Múmia estão na casa dos 30 e poucos. Mas mesmo assim, ainda precisam parecer muito mais novas em comparação aos homens, estes possuindo permissão de envelhecer e ainda possuir valor e beleza...

Esse costume de hollywood me incomoda DEMAIS! Não pelos atores mais velhos fazerem filmes de ação, o que não vejo problema. Mas pelo apagamento das mulheres. É recorrente os atores envelhecerem e continuarem fazendo par com atrizes da idade em que começaram a virar galãs. E, ainda mais, as mulheres não só precisam ser mais novas, como precisam parecer novinhas. Eu tb não chamaria de pedófilia, mas um complexo de Lolita ou incentivo à isso.

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