terça-feira, 18 de julho de 2017

200 anos atrás morria Jane Austen


Graças à Austen, Colin Firth pode se tornar Mr. Darcy.
Esses últimos dias, vários grandes jornais e portais de notícias publicaram matérias sobre Jane Austen, a romancista em língua inglesa mais lembrada e amada do mundo.  Sim, não estou falando em melhor, ou pior, mas de como Austen permanece viva em nosso imaginário por causa de suas personagens, livros, e palavras (*que se tornam citações*).  E para marcar os 200 anos da morte de Jane Austen, hoje foi lançada a nota de 10 libras esterlinas que traz a imagem da autora.  Retrato, aliás, baseado em um esboço feito por sua irmã, Cassandra.  A nota somente estará disponível em 14 de setembro.

Jane Austen vira dinheiro.
Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775 e morreu cedo, sim, 41 anos (*eu tenho essa idade*), para uma mulher que nunca se casou, vivia uma vida confortável, não era uma idade avançada em 1817.  Deixou para a posteridade alguns romances completos (Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814), Emma (1815), Northanger Abbey (1818), Persuasão (1818) e Lady Susan (1871)), pequenos escritos, alguns da adolescência (Juvenilia), e obras inacabadas (The Watsons (1804), Sanditon (1817)).  Seu pai era pastor, com posses restritas e ela era uma de oito irmãos.  Solteira, ela conseguiu fazer algum dinheiro com sua pena ainda em vida.

Primeira edição de Razão e Sensibilidade.
Nos seus romances, a parte da obra de Austen que é mais lembrada, a autora tratou daquilo que sabia, do dia-a-dia, cotidiano, da sua classe social.  Gente que era da pequena nobreza, que normalmente tinha terras, morava no interior.  Alguns empobrecidos, outros nem tanto, mas Austen não fala de príncipes e duques.  Fala das limitações e possibilidades das mulheres de sua classe social, gente que precisava casar, mas que não podia trabalhar, porque era inaceitável.  Austen não assinou seu primeiro romance publicado, Razão e Sensibilidade, usou um pseudônimo "A Lady". Em Emma, Jane Fairfax é lamentada por ter que trabalhar devido ao estado empobrecido de sua família. Ser governanta era um emprego decente para uma mulher de classe média, vide as Brönte e suas personagens, mas não para alguém da gentry.  

Alan Rickman foi o melhor de todos os Coronel Brandon.
Os romances de Austen falam das leis injustas que impediam que as filhas herdassem (*Em Downton Abbey essas leis ainda estão valendo.  Velam até hoje, aliás.*).  Daí, o drama das irmãs de Razão e Sensibilidade, Elinor e Marianne, expulsas da casa do pai pelo irmão mais velho, condenadas a uma existência obscura e, possivelmente, a não se casarem por falta de um bom dote.  Há quem não compreenda o desespero da Sr.ª Bennet em ver suas filhas casadas, mas, na lógica prática dessa mãe, antes um mau casamento, do que nenhum.  Charlotte Lucas bem sabe disso e agarra logo o desagradável Mr. Collins.  E, bem, a própria Austen chegou a rejeitar um casamento, assim como sua heroína mais lembrada, Lizzie, e Fanny Price, de Mansfield Park.  E há a celebração do afeto entre irmãs, Lizzie e Jane, Elinor e Marianne, deveriam ter sido inspiradas na própria amizade entre Austen e sua irmã, Cassandra.  A gente chama isso de sororidade e mesmo que não possamos chamar Austen de feminista, suas preocupações e críticas são de certa forma presentes nas reflexões que os feminismos fazem até hoje.

Nos livros de Austen, uma carta pode resolver qualquer situação.
Enfim, através dos escritos de Austen temos detalhes da vida de certos grupos sociais na Inglaterra da virada do século XVIII para o XIX.  Suas personagens não são vitorianas e é engraçado ver capas com lindos quadros de meados do século XIX, algo muito comum.  Quando pensamos nas personagens de Austen, normalmente pensamos em damas vestindo-se com roupas contemporâneas ao governo de Napoleão, mas não necessariamente precisa ser assim.  Orgulho & Preconceito foi escrito ainda no século XVIII... De qualquer forma, isso pesa muito pouco.  Austen se impõe por seus belos diálogos, suas personagens interessantes, vibrantes em alguns casos, e ela não é trágica, ainda que seja realista boa parte do tempo.  Seu sucesso mundial e perene é objeto de estudo e interesse, daí a produção de livros, matérias, documentários.

Esta versão de Northanger Abbey é uma delícia de se assistir.
Terminando, digo que é possível gostar de Austen de várias formas, aproveitar sua obra de maneira diferente.  Há os livros, claro, e os recomendo.  Há os filmes, as minisséries, os quadrinhos, as homenagens.  Para um fã da autora, quase (*quase*) tudo é válido.  Das adaptações, eu recomendo: Orgulho & Preconceito (1995), Razão e Sensibilidade de 1995 e 2008, as versões de Emma de 1996 e 1997 (*a minissérie de 2009, também, mas detesto o Jonny Lee Miller*), Mansfield Park (1983), Persuasão (1995), Northanger Abbey (2007), Amor & Amizade (2016).  As adaptações, homenagens e tals, recomendo Lost in Austen, Austenland, Death Comes to Pemberley, Amor e Inocência e O Clube de Leitura de Jane Austen.

Orgulho e Preconceito é capaz de curar todos os males.
Alguns, os linkados, tem resenha no blog.  Recomendo, também, o nosso Shoujocast especial sobre Orgulho & Preconceito.  Nele comentamos as adaptações da obra mais famosa de Jane Austen.  A Adriana Zardini, que traduziu algumas obras de Austen no Brasil e mantém o site Jane Austen Brasil.  De resto, sou grata à Jane Austen por suas obras e por ter criado obras tão inesquecíveis. Não fosse ela, afinal, não teríamos Lizzie Bennet, uma das heroínas mais queridas da literatura,  fora os homens maravilhosos, Mr. Darcy, Mr. Knightley, o Capitão Wentworth, Coronel Brandon etc.  E queria ter feito um post melhor, Austen merece, mas estou sem ânimo e ideias...


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