sábado, 25 de novembro de 2017

Comentando A Liga da Justiça (Justice League, 2018)


Sexta-feira passada assisti ao filme da Liga da Justiça.  Fui disposta a não gostar e fiquei contente em assistir um filme que se não foi espetacular, foi, sim, muito bom.  Não sou particular fã da DC, prefiro a Marvel, não escondo de ninguém, e só fui assistir Batman vs. Super-Homem por causa da Mulher Maravilha.  Fora isso, havia as notícias plantadas para atrair atenção como a das roupas sexualizadas das amazonas e a “tensão sexual” entre a Mulher Maravilha e o Batman, e mesmo as reclamações de fãs dos quadrinhos que estavam botando mil defeitos.  Estou a par de tudo, ou quase tudo. Eu gostei, críticas aqui e ali, mas foi um filme que funcionou para mim boa parte do tempo.  

Resumo rápido do filme é o seguinte: O Super-Homem (Henry Cavill) está morto e o mundo parece um tanto deprimido por causa disso (*dramalhão excessivo aqui*).  Em Gotham, Batman (Ben Affleck) começa a perceber a presença de seres que se alimentam de medo, os parademônios.  Parece que uma ameaça espreita a humanidade e ele decide que é hora de tentar reunir um grupo de heróis – todos mostrados em foto em Batman vs. Super-Homem – que juntos poderiam defender e proteger a humanidade.  Em Paris, Diana Prince (Gal Gadot) trabalha como restauradora no Louvre e sempre que necessário recorre aos poderes da Mulher Maravilha para ajudar a humanidade.  Ela acaba descobrindo qual é a ameaça da qual o Batman desconfiava, Steppenwolf (voz de Ciarán Hinds), uma entidade alienígena, retornou à Terra para se apossar das três mother boxes e conseguir o poder para conquistar nosso planeta.

O vilão.
Cada uma das caixas foi entregue a um povo depois de uma batalha em uma era distante.  Uma ficou com as Amazonas, outra com os Atlântis e a terceira com os humanos (*Apesar de até os Lanternas aparecerem na batalha*).  Steppenwolf se apossa da caixa das Amazonas e os heróis entram em uma corrida contra o tempo para evitar que o vilão reúna os três artefatos.  Para conseguir o objetivo, Batman e a Mulher Maravilha colocam em andamento o seu plano de reunir uma equipe de super-heróis, uma Liga capaz de se opor aos piores inimigos.  

Fui assistir ao filme predisposta para o pior.  Realmente acreditei que seria coisa demais reunir uma equipe sem ter feito a prévia apresentação de Cyborg (Ray Fisher), Aquaman (Jason Momoa) e Flash (Ezra Miller), enfrentar um super vilão e ainda ressuscitar o Super-Homem.  Sim, ressuscitar o Homem de Aço era uma obviedade que não se qualifica como spoiler. Ia acontecer, precisava acontecer e foi feito da forma mais direta possível, isto é, usaram o defunto mesmo.  Eu imaginei que fossem trabalhar em cima de algum material genético ou outro subterfúgio, não, foi pá-pum.  E, bem, foi uma sequência legal, porque foi um trabalho em equipe.

Barry: "Qual o seu super poder?"  Wayne: "Eu sou rico."
Acredito que o grande mérito do filme da Liga da Justiça foi conseguir passar de forma convincente que aqueles heróis passaram a ser um time e é isso que sustenta o filme e me faz considera-lo bom, além do que eu esperava.  A idéia de que sozinhos não conseguiriam acabar com a grande ameaça, que precisavam unir forças, superar diferenças, deixar as mágoas para trás (*quem as tinha, claro*) e focar em objetivos maiores.  Sejam eles ressuscitar o Super-Homem, salvar civis em perigo, ou derrotar Steppenwolf.  O vilão poderia ser melhor?  Sem dúvida, mas a Marvel vem oferecendo uma sequência de vilões vagabundos (*Querem que eu enumere?*) e o povo não parece ver defeito. Qual o motivo para tanta má vontade com o filme da Liga da Justiça?

Coisas boas do filme além de criarem uma equipe convincente?  Bem, meu marido ficou buzinando no meu ouvido por meses que Cyborg, personagem de quem ele gosta, não era da Liga original (*isso eu já sabia, assistia os desenhos dos anos 1970*), mas dos Teen Titans e que não ia funcionar.  Sim, eu sei que o Cyborg faz parte da Liga da Justiça atual, mas estávamos preocupados.  No fim das contas, uma das personagens mais interessantes do filme foi o Cyborg.  Ele precisa superar seu trauma e a Mulher Maravilha é quem mais o auxilia nessa parte.  Junto com o Flash, eles trouxeram juventude para o grupo e não estavam sobrando.  

Cyborg recebe ajuda da Mulher Maravilha.
No caso do Flash, ele tinha a função de ser o alívio cômico do filme e suas piadas efetivamente funcionaram.  Ezra Miller é muito simpático e talentoso, isso fez toda a diferença.  Tratata-se de um sujeito que precisa aprender a ser um super-herói, que tem os poderes, mas que não tinha noção do que poderia fazer.  Precisa, também, superar seus medos e limitações.  E a piada com cemitério Maldito e a ressurreição do Super-Homem foi ótima.  Li uma moça comentando que a personagem dele estava mais próxima da do Wally West, o Kid Flash e, não, de seu tio Barry Allen (*Meu marido leu a resenha e reclamou dizendo que ele tinha dito isso, também*).  Kid Flash era dos Teen Titans, tal e qual o Cyborg, mas a opção do filme foi o manterem como Allen.  Enfim, escolhas.  Há uma série de TV do Flash nesse momento.

De todos os heróis que apareceram no filme, acho que o que menos me agradou foi o Aquaman de Jason Momoa.  Sei que ainda tenho aquela imagem antiga do Aquaman na cabeça, mas acho que não foi esse o motivo da falta de simpatia.  Quiseram dar um ar de rebelde ao Aquaman.  Problemas com a mãe.  Rock ao fundo, bebendo e quebrando garrafas, muitas tatuagens, cabelão etc.  Exploraram seu sexy appeal (*pode não ter para você, mas para uma parte considerável das mulheres heterossexuais, ele tem*), mas ele foi meio que suplantado pelos já conhecidos Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha e pelos novatos, Flash e Cyborg.  

O Flash é uma graça.
Houve uma cena das mais engraçadas do filme protagonizada por ele, mas senti que faltou alguma coisa nesse Aquaman.  Espero que no filme do moço, ele consiga mostrar a que veio.  De resto, não entendi o motivo para cobrirem o corpo inteiro do Momoa.  Eu deixaria o Aquaman sem camisa o filme inteiro, afinal, ele se tinha aquele monte de tatuagens era para mostrar, não era?  E, não, o ator não tem grande efeito sobre mim, a cena de maior fanservice que me tocou foi Henry Cavill ressuscitado e descamisado.  Aquilo, sim, estava mais próximo da perfeição aos meus olhos.  E falando em fanservice, vi vários sites comentando, mas não consegui perceber – teria que ver o filme de novo e as sessões legendadas estão em péssimos horários – para observar se a Mulher Maravilha foi sexualizada por closes e caras e bocas. 

Vendo as cenas que destacaram, a da luta com o Super Homem especialmente, eu não vi nada do que apontaram (*sensualidade, submissão, fraqueza etc.*), mas, como comentei, precisaria ver de novo.  A suposta tensão sexual entre a Mulher Maravilha e o Batman está lá.  É coisa tênue e não interfere no filme, também.  Se acontecer algum romance entre os dois – e entendam romance como quiserem desde um beijo, sexo casual, ou algo mais denso – eu acredito que pode ficar coerente desde que seja bem conduzido. Eles são adultos e gente grande, no geral, gosta dessas coisas. O problemático foi colocarem Diana chorando por Steve Trevor cem anos depois.  OK, foi o primeiro amor dela, mas ficou forçado, ainda mais com o Batman se metendo na vida dela.  Cena desnecessária, mas não é somente naquela cena que ela lembra de Trevor.

A roupa fanservice das amazonas.
Já que entramos nessa seara, e este site é de uma feminista que analisa a partir desse referencial teórico, eu realmente não gostei das amazonas de barriga de fora, só que elas aparecem pouco, então vemos as tais roupas ridículas somente de relance. As imagens foram divulgadas muito mais para causar confusão, debate, intriga e atenção para o filme, porque na película mesmo, pouco ou nada é visto.  Agora, como criaram um vilão muito poderoso, toda aquela sequência de luta entre as amazonas e Steppenwolf é inútil.  Uma das coisas que os filmes de super-heróis não sabem dosar é o tamanho da ameaça, quanto mais poderoso o vilão, maior o esforço, ou o engenho para derrotá-lo.  Se Steppenwolf tão terrível, o que não será Darkside.  De resto, as mulheres estão sub-representadas no filme (*nada anormal*).  

Na Liga só temos a Mulher Maravilha.  São cinco homens para uma mulher, para não ficar tão ruim, uma outra heroína seria bem-vinda.  Não se cumpre a Bechdel Rule, ainda que tenhamos mais duas personagens femininas com nome, a mãe de Clark Kent, Martha (Diane Lane), e Lois Lane (Amy Adams).  Ambas estão no filme para fazer com que o recém ressuscitado Homem de Aço lembre quem ele é.  Elas estão ali por ele, elas não têm uma história própria, por assim dizer.  São importantes para o andamento da história, Lois Lane pelo menos é, mas reforçam aqueles papéis de gênero mais convencionais.  E quero destacar que não estou reclamando, simplesmente apontando e analisando. 

Clark precisa voltar para casa para entender
e aceitar o que está acontecendo.
Coisas problemáticas do filme?   O vilão superpoderoso, claro.  Poderia ter ficado melhor.  Achei que os homens da batalha lendária contra Steppenwolf pareciam saídos de Senhor dos Anéis.  Aliás, a própria batalha me lembrou o último filme da trilogia.  Poderiam compor de forma diferente, afinal, se eram atlantis a amazonas, os homens não precisavam ser do norte, poderiam ser gregos genéricos.  Preferiram gente com cara de norte da Europa.

Algo que ficou ruim mesmo, não a sequência de luta, ou a aparição da heroína, mas a idéia mesmo, foi a dos terroristas cristãos-reacionários enfrentados pela Mulher Maravilha na sua sequência apresentação.  Foi forçado.  Os caras dizem ter uma bomba capaz de explodir quatro quarteirões e ela é simplesmente ridícula.  O sujeito que a detona brada que vai levar o mundo (*que pelo ridículo da bomba era menor que Paris*) de volta para a “Idade das Trevas”.  Olha, há grupos reacionários franceses, normalmente católicos radicais, e coisa e tal.  A idéia de terroristas desse tipo não é absurda, agora, precisa avisar para os roteiristas, ou quem teve a genialidade de colocar essa fala, que quem defende esse retorno ao passado nunca se refere à Idade Média como Idade das Trevas, mas como Idade da Luz.  É sério isso, um erro grotesco.

O Aquaman não me convenceu.
Falaram muito do bigode e barba do Henry Cavill que foram apagados nas cenas extras gravadas.  Enfim, houve momentos em que deu para perceber e ficou estranho.  Sei que com a troca dos diretores – Zack Snyder por Joss Whedon – várias coisas foram mexidas e algumas cenas tiveram que ser gravadas ou regravadas.  Por conta dessa coisa toda, se mexeram tiveram algum motivo, há um abaixo-assinado monstruoso para que a versão pensada por Snyder seja lançada, também.  O fato é que o filme da Liga da Justiça não rendeu o que se esperava.  Está dando prejuízo mesmo.  

Enfim, quem eu mais vi reclamando foram fãs do Batman, mas é quase consenso que Bem Affleck não agrada como a personagem.  Eu particularmente não me importo, ainda que o visual Cavaleiro das Trevas nãos seja meu favorito para a personagem.  Mas eu estou falando de visual, não de personalidade.  Como alguém que não é fã do Batman, confesso que não me incomodou em nada a forma como conduziram o Batman no filme.  Me espanta mais ver um Super-Homem tão expansivo e bem-humorado (*preciso ver o filme de estreia do Cavill, coisa que não tive interesse*), uma Martha Kent tão jovem e um Alfred tão descolado.  Aliás, um dos motivos para que eu fosse assistir este filme é o Jeremy Irons.

A equipe.
Concluindo, gostei do filme.  Esperava uma bomba e foi um entretenimento acima da média.  Não um filme espetacular, tampouco o melhor da DC, porque há consenso de que Mulher Maravilha é o marco dessa nova fase das adaptações da editora.  Não vi sexismo para além da média.  Poderia ser melhor, mas acredito que muito do que vem sendo apontado é fruto da má vontade mesmo, ou do desejo de chamar a atenção.  A Mulher Maravilha continua ótima, Flash e Cyborg estrearam muito bem e é aguardar para ver como a DC se ajusta daqui para frente.  Espero que o filme do Aquaman dê uma calibrada no herói, porque ele precisa de algo mais do que o corpinho do Momoa e pose de rebelde para impressionar.  É isso.  Melhor que Thor: Ragnarok, inferior à Mulher Maravilha e Homem-Aranha, só para ficar nas comparações com os filmes de super-heróis desse ano.

GOSTOU?

2 pessoas comentaram:

Acho que o pessoal foi com muita expectativa pra esse filme. Não achei ruim como estão pintando por aí. Achei muito mais divertido do que o Thor. Uma das reclamações é que o Batman fez muitas piadas, mas só vi umas duas ou três. Não entendo o que as pessoas querem dos filmes da DC. Se é sombrio demais, reclamam. Se tem um tom mais leve, reclamam. Tá difícil.

" Sem dúvida, mas a Marvel vem oferecendo uma sequência de vilões vagabundos (*Querem que eu enumere?*) e o povo não parece ver defeito"

Adorei os comentário, vc poderia fazer um post sobre os vilões da Marvel e tamb sobre o motivo pelo qual ninguem parece por defeito :D
Eu particularmente acho que ficaria bem legal.

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