sábado, 27 de outubro de 2018

Fumiyo Kouno desenha mangá sobre Lise Meitner, física judia que escapou do Holocausto


Fumiyo Kouno é conhecida no Brasil pelo mangá Hiroshima, a Cidade da Calmaria ( 夕凪の街 桜の国/Yuunagi no Machi, Sakura no Kuni) publicado pela JBC.  especializada em mangás slice of life históricos e profundamente humanos, ela alcançou fama mundial com a adaptação para animação de Kono Sekai no Katasumi ni  (この世界の片隅に), que, assim como Hiroshima, trata do dia-a-dia de pessoas comuns durante a 2ª Guerra Mundial.  Recomendadíssimo, claro.  


Agora, a mangá-ka publicou uma biografia de Lise Meitner (1878-1968), física nuclear, precursora das pesquisas que resultaram na bomba atômica, judia de família austríaca, que fugiu para a Suécia para não ser morta no Holocausto.  Ela foi a primeira mulher a conseguir licenciatura plena em física em uma universidade alemã, mas perdeu seu posto em 1935 com as Leis de Nuremberg. Enfim, segundo o Comic Natalie, o mangá sobre a cientista intitulado Lise to Genshi no Mori (リーゼと原子の森).  Genshi no Mori é algo como floresta de átomos, ou floresta atômica.  Se entendi bem, trata-se de uma história fechada (one-shot) publicada na revista Comic Zenon.  

Meitner é um dos casos de cientistas preteridas pelo prêmio Nobel, porque apesar de ter desenvolvido as pesquisas sobre fissão nuclear junto com os cientistas  Otto Robert Frisch e  Otto Hahn, somente este último foi agraciado com o Nobel de Química em 1944.  Meitner reconheceu o talento do colega, mas criticou o fato de Frisch e ela terem sido ignorados.  A cientista também foi crítica aos colegas que permaneceram na Alemanha e trabalharam com os nazistas, caso de Hahn, o que deve ter pesado contra ela, obviamente, porque muitos cientistas nazistas continuaram a vida como se nada tivessem a ver com isso.  inclusive gente que colaborou ativamente com o Holocausto, o que não deve ter sido o caso de Hahn.

Meitner recebeu vários prêmios em vida, mas não o nobel.  Em 1990, os registros do comitê que concedeu o prêmio para Hahn foram abertos e provocaram indignação em vários cientistas e jornalistas que consideraram injustas as avaliações.  O termo correto deve ser machista, ou até misógino, e, por essas  e outras, é que gente,homens, normalmente (*como esse macho escroto aqui*), vem de cara dura dizer que as mulheres em nada contribuíram para o desenvolvimento da ciência.  Os homens apagam as mulheres, obstruem seu aprendizado e carreira, depois, dizem que elas nada fizeram.  Enfim, a cientista recebeu vários prêmios póstumos, e teve um elemento químico batizado com sue nome em 1992.

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