sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Comentando Namae wo Nakushita Kikoshi (One Night with a Rake)


Esta semana minha internet estava péssima.  De férias, longe de casa, as oscilações são frequentes.  O que eu fiz?  Por conta das comemorações dos 40 anos da Harlequin no Japão, acabei tendo vontade de ler uns mangás adaptados desses romances populares, baratos, que, aqui, no Brasil, eram lançados nas bancas de jornal.  Outra coisa que me estimulou foi descobrir que alguns desses mangás já estão disponíveis na Amazon em português.  Todos os que vi são contemporâneos.  

Quando escolho um mangá Harlequin, normalmente, tenho dois critérios, tem que ser de época e a desenhista tem que ser boa.  Exceção para a Yoko Iwasaki que sempre desenha maravilhosamente bem e faz uns homens lindos.  A maioria, como já escrevi algumas vezes, não é, faz trabalho preguiçoso.  Comprei três mangás.  Um deles agradou-me tato que me fez comprar o livro, também, então, ele passou para o fim da fila.  A resenha que estou escrevendo é do segundo que li, o mais fino, porque os demais eram em dois volumes.  Vamos lá!


Sozinha com um estranho.
Com certeza, há algo de indecente nisso.
O playboy tinha perdido a memória ... A linda viúva Amanda Clare acordou em uma cama estranha, deitada ao lado de um homem desconhecido, alto, moreno e bonito! Vítimas de um acidente de diligência, eles foram resgatados e presumiu-se que eles eram casados - razão suficiente para colocá-los no mesmo quarto e na mesma cama! Amanda não sabia quem era o homem, mas, o intrigante é que ele também não! O obviamente rico senhor tinha perdido a memória e nenhum dinheiro no bolso. Agora Amanda se sentia obrigada a tomar o estranho lindo sob sua asa e continuar fingindo que eram marido e mulher.

O nome em japonês do mangá Namae wo Nakushita Kikoshi (名前をなくした貴公子)  significa mais ou menos "O Nobre que não sabia seu nome".  No original, a ênfase está no ponto de partida da história, isto é, a mocinha tomar o herói por um sujeito de caráter duvidoso, um "rake".  O termo não é mais usado nos dias de hoje e significa "homem, especialmente rico e de alta posição social, que vive de forma imoral, normalmente relacionando-se com várias mulheres".  Usei "playboy" no resumo, mas foi um uso impreciso.  Não lembrei de outro para fazer o ajuste.


Recobrando a memória.
O livro original de Louisie Allen está esgotado, ele é de 2003.  Não tem edição Kindle, ao que parece, e só está disponível usado.  Por conta disso e devido a precariedade da minha internet, ão consegui descobrir se a história se passa durante a Regência (1811-1820), especialidade dela, ou depois.  O fato é que a mangá-ka, Karin Miyamoto desenhou roupas femininas que, aos meus olhos, parecem mais da segunda metade dos anos 1820 para frente. Mas, como está na coleção Regência, não tenho o que discutir.  Queria saber se esse livro foi publicado no Brasil.

O desmemoriado do livro não é um "rake", mas a mocinha o julga dessa forma e ele, veremos mais tarde, tenta passar essa ideia.  Há duas tramas, uma desenvolvida de forma satisfatória, a da  viúva inocente, que é assediada pelo sobrinho e herdeiro de seu marido idoso.  O velho lhe deixou propriedades e o sobrinho se sente roubado de algo que deveria ser seu.  Ele quer se casar com ela e usa de meios violentos para isso.


Ele parte intempestivamente.
A jovem Amanda é obrigada a viajar sozinha com um homem jovem e desconhecido, o tal "rake" do título. Sua acompanhante precisou ficar com a mãe doente. Avaliando por suas roupas, ela imagina o que um cavalheiro de alta posição estaria fazendo em um coche de aluguel.   Ela o avalia por sua atitude e roupas.  Acontece um acidente, ele a protege e se atira com ela do veículo.  Daí, os dois acordam na mesma cama.  Amanda decide confirmar as conclusões da dama da estalagem para evitar um escândalo maior e confirma que são casados.

Ela se sente grata ao homem, a única coisa que lhe serve de identificação é um anel com a letra "J".  Daí, ela o chama de Jay, a leitura da letra "J" em inglês, e decide lhe oferecer um emprego em uma das suas estalagens.  Assim, poderia ajudar o moço até que se recordasse.  Ele só se lembra de uma moça loura e bela de eu passado.  Amanda sofre, porque acredita  que Jay seja casado, que tenha filhos e coisa e tal.  ao longo da trama, descobrimos que não é nada disso e teremos um final feliz.

Custava explicar melhor a história?
A outra trama envolve uma investigação de contrabando feita por gente da alta nobreza e um lorde que promove orgias.  Ele está noivo da prima adolescente de Jay e ele quer salvá-la.  Claro que Amanda e a jovem se cruzam e ela chega à  conclusões equivocadas.  A frieza de Jay, depois de retomar sua memória, parece confirmar as certezas equivocadas da heroína.  No fim das contas, essa trama de intriga e orgias fica meio mal explicada.  Com um pouco mais de páginas, talvez.

Curiosamente, apesar de ter essa trama de orgias, que é bem pesada, o mangá não tem sexo, há uma cena de semi-nudez do mocinho para sugerir que Amanda se ão é virgem, deve ser quase.  De resto, é uma história leve, romântica e censura livre.  Não há, preciso ressaltar, nada de feminista na trama.  Amanda é a típica donzela em perigo, só que inteligente, de bom coração e capaz de tomar atitudes, nem sempre acertadas.  Mas por qual motivo Jay era tão reticente?  Se ele fosse mais claro... 


A armadilha.
Um pouco de ação.
Já a prima de "J", que tem pouco de  inocente, ou talvez seja inocente e usada por homens mais velhos e pervertidos, acaba sendo punida e é um castigo bem tradicional e que reforça preconceitos sobre conventos e vida religiosa, afinal, ela é mandada para  um deles temporariamente.  Não há maiores detalhes.  Não tenho nem como comprar o livro, que foi publicado originalmente pela Mills & Boon, braço inglês da Harlequin, ou talvez até tenha, mas não sei se quero gastar com ele. 

Normalmente as japonesas que adaptam os livros não somente tem que resumir os acontecimentos por necessidade de espaço, elas não raro fazem alterações drásticas mesmo.  Inserem coisas, retiram coisas.  Se  o mocinho tem barba no livro, esteja certa que não terá no mangá.  Japonesas normalmente não veem barbas como algo atraente, ou, pelo menos, já se tornou canônico nos mangás que galãs não tenham barba.  


Happy End.
Já li um mangá baseado em um livro de Deborah Simmons em que a autora inseriu uma cena machista que não estava no original.  Eu li os dois.  No último livro da saga De Burgh, não havia sexo e a desenhista horrorosa (*como eu odeio terem dado para Nanao Hidaka a tarefa de desenhar essa série*), desenhou uma cena de sexo.  Enfim, é isso.  O mangá é bom.  Bonitinho.  Bem desenhado.  Agradável.  Pena que ninguém se interesse por lançar os mangás Harlequin no Brasil.  Para comprar o volume que resenhei em inglês, é só clicar aqui.

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