segunda-feira, 29 de julho de 2019

RIP: Ruth de Souza


Ontem, morreu aos 98 anos Ruth de Souza.  Era a atriz negra mais importante do Brasil por sua história e trajetória.  Nascida em 1921 no Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, se interessou por teatro desde muito cedo, frequentando récitas no Teatro Municipal. Começou a carreira no Teatro Experimental do Negro, grupo liderado por Abdias do Nascimento (1914-2011), e fez história com a peça inspirada na obra de Eugene O’Neil.  

Estrela negra pioneira.
Foi a primeira atriz negra a atuar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1945.  Ruth foi a primeira atriz de nosso país a ser indicada a um prêmio internacional, a Copa Volpi do Festival de Veneza, em 1953, por sua atuação no filme Sinhá Moça (*estou devendo essa resenha*). Em 1961, protagonizou a adaptação de Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, com ela na foto.

Carolina Maria de Jesus e Ruth de Souza.
Estreou nas novelas em A Deusa Vencida (1965), na TV Excelsior. Atuou na Tupi e Record (*não a atual, claro*) antes de ser contratada pela Globo em 1968. Na emissora, fez mais de 20 novelas começando, acredito, com a controversa A Cabana do Pai Tomás, sua última atuação foi em Se eu Fechar os Olhos Agora, que foi ao ar este ano.  Quando resenhei a série, cheguei a pontuar que acreditava que seria a última atuação dela, mas Zezé Motta postou que ela teria gravado junto com Ruth de Souza um filme que ainda não foi ao ar.

Queria muito rever Pacto de Sangue.
Ruth de Souza era a grande diva negra das artes cênicas brasileiras e foi muito mais importante no teatro do que na TV, acredito, porque o racismo da televisão brasileira é de um racismo absurdo.  Raramente escalavam Ruth de Souza para papéis que não eram subalternos, escravas, criadas, quando fugia disso, eram pequenas participações.  Houve exceções, claro, mas só me lembro dela em um papel de poder e destaque, mas pequeno, na novela Pacto de Sangue, na qual ela era Mãe Quitinha, a matriarca da comunidade negra da novela e líder do terreiro da trama. 

Com Grande Otelo em Sinhá Moça (1986).
Segundo o site Mulher no Cinema, há um documentário sobre ela em desenvolvimento.  Diálogos com Ruth de Souza é dirigido por Juliana Vicente.  A artista também recebeu duas homenagens recentes: em 2016, a mostra “Pérola Negra: Ruth de Souza” exibiu trabalhos seus em São Paulo, Brasília e Rio de janeiro; e em 2019, ela foi tema do desfile da Acadêmicos de Santa Cruz no carnaval.  É interessante ver a sua participação no documentário A Negação do Brasil, no qual a atriz fala da sua participação nas novelas e, em especial, do seu papel em Sinhá Moça (1986).

Adoro essa foto, é de 1968.
A pioneira Ruth de Souza foi internada na semana passada e morreu aos 98 anos de pneumonia.  Viveu uma longa e produtiva vida, abriu muitas portas, foi guerreira e altiva.  Sentiremos falta dela.  RIP: Rest in Power.

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