sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Escolas japonesas estão repensando suas regras e não estamos falando somente de cabelo


O jornal Japan Times trouxe uma matéria longa explicando que em várias cidades japonesas os conselhos de educação estão repensando aquilo que estão sendo chamadas de "regras negras" (black kōsoku).  Sim, em agosto fiz um post comentando as discussões para que abolissem as regras mantidas em algumas escolas que obrigam os alunos e alunas a pintarem o cabelo de preto caso sua cor natural fosse mais clara.  Cor natural, não estou falando de proibições de tingir o cabelo.

Segundo o JT, algumas das regras comuns nas escolas japonesas desrespeitam os direitos humanos dos estudantes com o objetivo de promover a disciplina e conformidade social.  Entre as regras citadas estão a obrigação da roupa de baixo das meninas ser branca (*e quem conhece mangá/anime erótico sabe que existe um fetiche quanto a isso*), comunicar com muita antecedência à escola para viajar, pedir permissão para participar de qualquer assembleia (*que normalmente é interpretada como reunião política*) fora do horário escolar (*fora do horário escolar*).  A matéria fala da questão de obrigar as meninas a passarem frio por conta de regras escolares.  Enfim, isso é somente a ponta do iceberg.  


Tente somente imaginar que professores, mulheres, espero, mas, ainda assim, é ofensivo, tem o direito de inspecionar a roupa íntima das meninas.  A cor de suas calcinhas e sutiãs.  Triste.  Agora, essa matéria me fez lembrar que quando eu estava no colégio (*colegial, 2º graus, ensino médio, enfim*) as meninas do Instituto de Educação da Tijuca, Rio de Janeiro, fizeram um protesto, porque estavam exigindo que elas usassem sutiãs brancos, ou de cor neutra.  Lembro da foto de uma menina com sutiã vermelho por fora da blusa junto com as colegas se manifestando.  Sim, essas coisas aconteceram por aqui, também.

Todas essas possíveis mudanças foram impulsionadas pelo caso, que comentei aqui, da menina que tinha cabelo castanho claro natural e foi pressionada a tingir o cabelo, mesmo com a mãe assinando o documento padrão atestando o fato, e sofreu assédio dos professores ao longo de todo o colegial.  Ela foi excluída de viagens da escola, um professor chegou a lhe dizer que por ser filha de "mãe solteira" ela queria aparecer.  A Prefeitura de Osaka perdeu o processo e teve que indenizar a menina e sua mãe.  Doeu no bolso e isso acendeu a luz vermelha em todo o país.


Mas a matéria faz um histórico dessas regras mais duras e isso é interessante para romper o discurso do "sempre foi assim".  Não foi.  Segundo o Japan Times, o endurecimento das regras escolares começou no final dos anos 1980 por conta do aumento da delinquência juvenil e se materializaram nos anos 1990.  O objetivo dessas reformas seria manter a disciplina eliminando os excessos das chamadas black kōsoku.  Tomara que seja assim.  Amém!

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