quarta-feira, 11 de março de 2020

Artigo Traduzido: 'Emma' e PBS 'Sanditon' mais recentes adaptações de Jane Austen misturam o antigo e o novo. Somente uma é bem sucedida.


Emma, a última adaptação para o cinema do livro de Jane Austen, não chegou por aqui.  A previsão é abril, mas todo mundo só fala disso e encontrei um artigo da NBC News que valia a pena traduzir.  A autora está deslumbrada com a capacidade da diretora do novo filme em adaptar o clássico para os nossos dias em abrir mão do que Austen tinha de melhor.  E faz um contraponto com Sanditon, a adaptação da ITV de 2019, que frustrou muita gente.  Já falei sobre ela.  Parece que a ideia era criar uma segunda temporada, estavam aguardando a exibição nos EUA este ano e, bem, foi decepcionante a recepção.  E eu não discordo, achei muito ruim a abordagem de Andrew Davies e nem sequer consegui perceber a discussão sobre capitalismo que a autora do texto coloca em evidência e, bem, não acredito que ela tenha sido planejada por quem adaptou o material.  

Falando em Sanditon, o Frock Flicks está detonando o figurino da série episódio por episódio agora e recomendo a leitura.  Elas também fizeram uma bela análise do figurino do novo Emma, vale a visita.  Segue minha tradução.  Fiz de forma um tanto corrida, mas espero consertar qualquer erro mais tarde.

Uma heroína diferente.
'Emma' e PBS 'Sanditon' mais recentes adaptações de Jane Austen misturam o antigo e o novo. Somente uma é bem sucedida.

"Emma" é uma confeitaria deliciosamente misturada. Mas na PBS, "Sanditon" atua como um contraponto aos encantos de "Emma".

Por Ani Bundel

Após uma década de dormência, Jane Austen retornou à cultura popular. Este ano foi inaugurado com um dupla de obras da autora, começando com uma adaptação em oito episódios de seu romance inacabado "Sanditon" na PBS, seguido por uma de suas obras mais populares, "Emma", nos cinemas. Esse ciclo de adaptações de Austen tentou infundir a consciência moderna em histórias da pequena nobreza britânica [gentry]. Mas apenas uma consegue transformar a Regência em um deleite para a os nossos dias.


Eu estou ansiosa para ver o filme no cinema.  
Austen só completou seis romances em sua vida, de "Sense and Sensibility" em 1811 à postumamente publicada "Persuasion" em 1818. Muito parecido com "Little Women" de Louisa May Alcott, que também retornou às telas grandes e na TV, nos últimos meses (adaptação de Gerwig nos cinemas e uma minissérie da BBC para a TV), as obras de Austen foram hits quase imediatamente, com seu segundo romance, "Pride and Prejudice", tornando-se um dos romances mais amados dos séculos XIX e XX. E na mesma linha que Alcott, as histórias de Austen retornam a cada dez a vinte anos, como um relógio. Shakespeare e Dickens nunca saem de moda, mas Austen desaparece da consciência pública por anos seguidos, surgindo quando uma nova geração a redescobre.

Perdendo apenas “Orgulho e Preconceito” no número de adaptações para cinema e TV, “Emma” é uma das histórias mais atemporais de Austen, com Emma Woodhouse (Anya Taylor-Joy), uma jovem obstinada e vaidosa que pensa muito bem de si mesma. Essa personagem principal está à frente de seu tempo, uma das primeiras "anti-heroínas" da literatura. (Austen disse que estava criando "uma heroína de quem ninguém além de mim gostará muito.") Que sua trajetória envolve se apaixonar por Knightley (Johnny Flynn) e terminar com um final feliz só torna a história muito mais satisfatória; todo mundo gosta de ver os iníquos reformando seus caminhos.


Esse Mr. Knightley não me convence muito.
Dirigida por Autumn de Wilde, esta versão mais recente de “Emma” não tenta mudar a história para o presente, como o clássico dos dias atuais “Clueless” fez nos anos 1990. Em vez disso, se torna em comédia de costumes, transformando-o em uma brincadeira deliciosamente fantasiada. Roupa é a palavra operativa aqui; os figurinistas parecem estar em uma missão para provar quantos vestidos realistas para a época Taylor-Joy poderia usar dentro de um período de execução de duas horas. (Perdi a conta, mas eram pelo menos 12 e cada um melhor que a anterior.)

Mas, embora as casas, carruagens, roupas e cenas necessárias de salão de baile estejam firmemente enraizadas na década de 1810, os elementos de comédia rasgada são completamente modernos. O pai de Emma, Sr. Woodhouse (Bill Nighy), é uma piada estridente, como um hipocondríaco horrorizado por sua própria casa e desconfiado de qualquer brisa que possa matá-lo. O filme também consegue adicionar traseiros nus, beijos e uma cena de amor interrompida acidentalmente por uma hemorragia nasal. Depois, há os criados, as engrenagens invisíveis nunca mencionadas que fazem a vida funcionar nas histórias de Austen. Nesta versão, eles nunca falam, mas de Wilde transforma sua presença (e opiniões silenciosamente expressas) em algumas das cenas mais comedicamente eficazes do filme. E, no entanto, essas adições do século XXI conseguem não sobrecarregar a história principal ou atrapalhar o belo casamento no final.


Eu já disse que gosto da Esther de Sanditon e de
Lord Babington, porque ele viu algo de bom nela e não desistiu.
O delicioso confeito que é "Emma" faz com que a mistura do velho e do novo pareça fácil. Mas "Sanditon" de PBS atua como um contraponto aos encantos de "Emma". Escrito por Andrew Davies, responsável por nada menos que quatro adaptações de Austen, incluindo o "Orgulho e Preconceito" de 1995, que deu início ao último ciclo de fãs de Austen, "Sanditon" é um experimento estranho desde o início. Apenas os 11 primeiros capítulos foram redigidos antes da morte de Austen. Outros ficaram para trás e tentaram terminar o que ela começou - a versão de Marie Dobbs, de meados da década de 1970, é considerada a perfeita, se bem que um pouco sem graça -, mas Davies jogou tudo isso fora e seguiu seu próprio caminho com os personagens. Ele reimagina a história inteira como uma crítica afiada ao capitalismo que nunca se encaixa nos tropos padrão de Austen.

Como em "Emma", "Sanditon" (pelo menos na sua estrutura) é o tipo de história de Austen que atrairia o espectador moderno. Centra-se em Charlotte Heywood (Rose Williams), um tipo prático de heroína. O herói romântico, Sidney Parker (Theo James), faz parte de uma família que tenta fazer fortuna ao transformar a cidade costeira de Sanditon em um destino turístico. O livro também inclui o único personagem não-branco que Austen já criou, Georgiana Lambe (Crystal Clarke), uma rica herdeira das Índias Ocidentais.


Os protagonistas de Sanditon.
Na narrativa de Davies, Lambe se torna um pára-raios para os preconceitos, abertos e não examinados, da pequena nobreza ao seu redor. Mas Davies não tenta apenas combater o racismo no drama da época. Ele também explora a ideia de que as afirmações espirituosas cortantes dos ricos não são ditas apenas porque eles são maus ou entediados; é porque eles estão escondendo histórias de abuso sexual, abandono emocional ou têm medo de serem expostos como os responsáveis por várias culpas.

Por um lado, é admirável que Davies tente acrescentar tudo isso em uma adaptação de Austen. Até funciona, pelo menos em cenas esporádicas. Mas isso também prejudica a capacidade da história de encadear brincadeiras espirituosas e sequências de salão à luz de velas, que fizeram as críticas apontadas por Austen à sociedade e como ela tratava as mulheres serem tão facilmente compreendidas ao longo de dois séculos. Quando a série chega ao seu desfecho, Davies não consegue nem encontrar um final feliz para o casal principal, marcando a única adaptação de Austen da história em que a heroína volta para casa solteira.


Não consegui perceber discussões sobre capitalismo. 
Para mim, o objetivo do Davies era segurar o povo pelo fanservice.
Talvez a heroína que falha em garantir a estabilidade econômica para si mesma em uma história de Austen seja o auge do pessimismo do século XXI, mas também não se assemelha em nada ao que tornou as histórias de Austen tão populares por tanto tempo. O lembrete mais sutil de "Emma" para ser gentil com pessoas com menos capital social que você não tem peso algum em "Sanditon". Mas é uma lição muito necessária em nossos tempos. E todos nós ainda vamos para casa com um final feliz.

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